Entrevistas

MORTIFERIK – Doom Metal….é a porta de entrada para o obscuro

O Doom Metal  nacional cada vez mais demonstra sua qualidade e força!  Oriunda do Rio de Janeiro, a MORTIFERIK já faz parte desta história, fazendo música lenta, pesada e caótica desde o final da década de 90. Conversamos com Anderson Morphis, a alma inquieta responsável por melodias de angústia e dor…

Já são 22 anos de existência do projeto MORTIFERIK. Olhando para essa trajetória, o que mais lhe proporcionou forças para seguir em frente?
A. Morphis: Primeiramente, agradeço pelo espaço cedido por você e pela LUCIFER RISING. A MORTIFERIK surgiu pela necessidade de liberdade musical, necessitava ter um trabalho no qual pudesse desenvolver todas as minhas idéias sem nenhum impedimento.Esta liberdade musical é uma fórmula muito agradável, sendo assim o fortalecimento é inevitável por se tratar de algo que já faz parte de minha trajetória na música, o que é e sempre será a minha paixão, intrínseco em minha essência.

Então o fato de ser One Band Man ajudou bastante, não? Sem ter com quem discutir e tomar decisões…uma liberdade onde os méritos ou descréditos são só seu.
A. Morphis: Na minha opinião todo o processo é muito mais ágil e ativo pois depende de uma única pessoa. Em grupo existem enormes dificuldades em relação a tempo , organização, custos e principalmente a liberdade.

Por que, naquele momento inicial, em 1998, escolheu fazer Doom Metal?
A. Morphis: Por volta de 94 conheci o estilo Doom Metal e a partir daí o total envolvimento, conhecendo bandas e iniciando minha trajetória musical. Minha primeira audição foi o suficiente para total identificação! Um estilo que se ama ou odeia, não existindo meio termo.

Quais bandas lhe chamou atenção naquele momento? E se fosse hoje. Se agora em 2020 você conhecesse o estilo Doom Metal. Acredita que teria o mesmo impacto ou muita coisa mudou ?
A. Morphis: Meu primeiro contato no Doom Metal foi com a SILENTE CRY com seu primeiro trabalho intitulado “Tanatofilo Opulente Plenilunio” , logo em seguida ANATHEMA, MY DYING BRIDE, SERPENT RISE e bandas do Metal Negro no qual possuem levadas lentas como a AMEN CORNER, MYSTIFIER e o primeiro da MURDER RAPE.  Acredito que se fosse hoje em dia teria impacto porém não tenho certeza se iria manter a mesma definição no segmento musical. Aquele período antigo foi primordial para definir o que a MORTIFERIK se tornou e continua mantendo em sua trajetória. Venenos antigos foram essenciais para moldar a criatura MORTIFERIK.

E como se deu o batizado da criatura MORTIFERIK?
A. Morphis: O nome me veio em mente sem nenhum tipo de signficado, mas durante a trajetória pude perceber que se tratava de alguma mensagem oculta que ainda estava para ser revelada. Após mais um bom tempo percebi que se tratava da junção entre as palavras “morte” + “esfera” (em basco), porém com terminação “k”. “ESFERA DA MORTE”, significando a Terra e os tenebrosos desígnios da Morte em novvo vasto planeta devastado.

Na discografia, percebo um longo hiato de 1998 à 2012. O que aconteceu durante todo esse tempo?
A. Morphis: Esta pergunta é importante pois sempre foi uma curiosidade para muitos. Neste período o trabalho estava oculto para o mundo e dedicado exclusivamente em minhas experimentações e aprimoramentos de equipamento, musicalidade e principalmente reforço psicológico. Tudo isso para que eu pudesse realizar um desejo antigo, desde que fundei a MORTIFERIK, que seria criar a possibilidade de me apresentar ao vivo na modalidade one man band. O que venho fortalecendo cada vez mais ao longo do tempo. Tempos de reclusão para fortalecer as criaturas sonoras e abertura dos portais da morte em minhas aparições.

Você tocou num assunto que me chama bastante atenção.Nos conte como foi gravar o live álbum  ” Apresentação no Ataque Underground III”. Como foi essa experiência e como realizou? Teve outros músicos envolvidos?
A. Morphis: Há muito tempo atrás bem antes de ter banda e me envolver ainda mais com a música, sempre apreciei os lives que as bandas faziam , o que na época eram aparelhos com microfone embutido captando o que rolava no ensaio ou em algum show. Sempre imaginei fazer isso se tivesse uma banda. A MORTIFERIK proporcionou-me esta possibilidade e não me desviei deste acontecimento. Fiz um ensaio onde gravei a música ‘Energies of Darkness’ e com o resultado daquela passagem de som no estúdio adicionei no registro “Agony in The Silence” de 2012, sendo este posteriormente registrado oficialmente e incluído no EP “Empire of Sadness Returns” de 2013. Dando sequência a esta atividade de gravações onde é perceptível uma sonoridade mais orgânica, resolvi gravar uma das edições de meus eventos pela Ataque Underground Distro. Sendo este no formato apresentação estúdio fiz o convite a alguns amigos e executei o repertório na modalidade one man band com a preparação de uma boa captação de som. O resultado foi mais um registro em minha trajetória no qual me orgulho muito que tenha surgido.

Aí em 2019 outro fato bastante interessante acontece. A MORTIFERIK é convidada para tocar num evento apenas com bandas de Grindcore: Goregrind Fest VI. Conte-nos essa experiência inusitada.
A. Morphis: Eu já estava para ir neste evento pois mesmo gostando de Doom Metal também aprecio outros estilos como o Grindcore e principalmente o Death Metal ,sendo que este último também executo em um dos meus trabalhos musicais chamado HARMONY HATE. Eu estava muito empolgado para assistir as bandas e tive este convite que me deixou surpreso. Observo que o movimento Death Gore Grind é muito receptivo com bandas no estilo Doom Metal, portanto fechamos o combinado numa boa. Eu fiz a abertura do evento e pude perceber que o público prestou atenção na execução de minhas músicas e a receptividade foi boa. Logo depois de 3 músicas totalizando por volta de meia hora, foi a vez dos caras velozes que executaram no mesmo tempo milhares de músicas ao deleite da platéia furiosa.

A MORTIFERIK já tocou em outros Estados? Alguma apresentação ficou marcada na história do projeto?
A. Morphis: Fora o Estado do Rio de Janeiro, já fiz apresentações no estado do Espírito Santo, Minas Gerais e Mato Grosso. Todas as apresentações são importantíssimas e cada uma possui a sua história guardada para sempre em minhas memórias. Recentemente retornei a Cuiabá -MT e gostei muito da apresentação que fiz, a recepção como sempre foi extremamente calorosa por parte do Vicente e Vendetta Produções, no qual me proporcionou além da oportunidade de me apresentar novamente no Cavernas Bar, um passeio muito agradável em sua presença conhecendo um pouco mais daquela belíssima região. Em Cariacica -ES tive uma oportunidade de apresentação no qual foi profanatico como sempre bem vindo, envolto a velas negras , crânios e total devoção as trevas… a maldição reina como sempre. A pouco tempo estive visitando a banda CONTEMPTY e foi um fim de semana fenomenal onde trocamos muitas idéias e fizemos nossas apresentações em conjunto no estúdio de ensaio dos camaradas. Nada organizado como show , apenas uma reunião das sombras que inclusive foi registrado e em breve estará disponível na rede. Tenho muita vontade de tocar em São Paulo mas ainda não surgiu oportunidade, espero que consiga algum dia desses.

Já que tocamos no assunto abrangendo outras localidades, nos diga como está a cena carioca atualmente. O que destaca no Metal Extremo em geral? E na sua cidade especificamente?
A. Morphis: A Cena Carioca segue em atividade extrema, muitas bandas e produtores que fazem tudo acontecer da melhor forma possível. As capitais possuem recursos e público para que as engrenagens do underground jamais parem de funcionar. No Metal Extremo temos excelentes nomes, destaco os que sempre tenho acesso e me agradam muito. O Black Metal destruidor da OPVS NOSTRI, IMPURE ESSENCE e a VELHO. No Doom Metal assistíamos a uma apresentação impressionante e impecável da CONTEMPTY e HELLIGHT, realizado pela Two Heads Producões em São Paulo. No Doom Metal destaco também o retorno da MORIENDI e o surgimento das bandas WITHBLOOD, NIGRAE LUNAM e a LUA DE PLUTÃO. Em minha cidade , Campos dos Goytacazes, as bandas que observo em atividade extrema são a BELICUS DAEMONICUS e a AETERNUS ODIUM.

Você comentou que tem uma banda de Death Metal. Quais são suas atividades no Underground além do MORTIFERIK? Banda, produtora, rádio…
A. Morphis: Além da MORTIFERIK toco também como único integrante com a BOSQUE LUNAR ( Medieval) e recentemente assumi meu trabalho na HARMONY HATE também como one man band, pois antes éramos em trio. Fora estas, sou tecladista na banda O QUARTO DE HELENA (Atmosfera Obscura entre Cordas). Sou administrador da Ataque Underground Distro que também se estende a eventos no qual já estou na vigésima edição. Juntamente com minha esposa Andressa somos apresentadores do programa Sons do Apocalipse pela Soturna Sintonia Web Rádio, sendo um programa especializado em Doom Metal.

      

O culto a morte é desenvolvido por diversas correntes ocultistas e de várias formas. Desde que intelectualmente como em práticas envolvendo sacrifícios, etc. Sendo a morte um dia principais temas do Doom Metal, como vc assimila o tema com sua música?
A. Morphis: O Doom Metal e a poesia mórbida é a porta de entrada para o obscuro, a trilha sonora para os passos lentos da Morte. Minha relação com a Morte é algo muito além, sendo a música os nossos laços para absorver as energias e dissipa-las para aqueles que absorvem meu trabalho. A criação da música obscura é o eterno aliado do oculto que se mistura em minha essência. Não há um teatro , um personagem , mas sim uma ligação espontânea e verdadeira com o místico.

E o que podemos esperar para 2020?
A. Morphis: Existem milhares de planos, participações, idéias e transformações para este ano. Estarei lutando para que todos se concretizem. Estou preparando uma música tributo ao MY DYING BRIDE que sairá junto às outras bandas brasileiras, provavelmente será disponibilizado ainda este ano.
Preparo novas gravações para novo registro da MORTIFERIK no qual pretendo lançar como split , dividindo este registro com meu nobre amigo Pedro Henrique da banda LAMÚRIO.
E já existem apresentações marcadas como a Ataque Underground 20 – Na escuridão dos Mortos que será realizado em São Gonçalo-RJ em Março e o Ataque Underground 21 em Maio no Rio de Janeiro. Este ano será sombrio como deve ser!

Agradeço em nome da equipe da LUCIFER RISING em aceitar nosso convite! Deixe suas considerações finais.
A. Morphis: Eu que agradeço pela oportunidade de falar sobre meus trabalhos, o qual significa muito para mim. Desejo força aos caminhos da Lúcifer Rising e que as trevas nos acompanhe para sempre . FORÇA DOOM METAL!

Confiram abaixo a música ‘Dead Infection’

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Giovan Dias

Editor do The Glory Of Pagan Fire Zine, trabalho iniciado ainda na década de 90, voltado ao Black, Death, Doom Metal.

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