Entrevistas

MYTHOLOGICAL COLD TOWERS – O doom metal e seus frios caminhos

Foto por: divulgação

Saudações demônio Fábio Shamash! Muito obrigado pela atenção e seja bem vindo… Inicialmente nos fale sobre o atual momento vivido pelo MYTHOLOGICAL COLD TOWERS.

Fábio Shamash – Saudações, nobre amigo. Neste momento, estamos concentrados nas novas composições que farão parte do nosso próximo opus. Já temos 7 músicas novas e iniciamos os trabalhos de pré produção. Estamos certos que este será um trabalho marcante, um pouco diferente dos álbuns anteriores, com diferentes elementos e inspirações, mas com o peso e intensidade de sempre.

Eu já ia perguntar sobre o novo material. Poderia nos passar mais detalhes? Sobre desenho de capa, participações especiais e quem vai ser o responsável pelo lançamento?

Fábio Shamash – Ainda não temos nada definido quanto a arte. O álbum será lançado pelo selo gringo Transcending Obscure (Master, Paganizer, Officium Triste, Jupterian, etc). Por enquanto, estamos lapidando as novas composições e posso adiantar que este trabalho mostrará um Mythological mais evoluído em termos de sonoridade, mantendo a opulência característica da banda.

Eu juro que estava guardando essa pergunta para o final, mas já que tu mencionou o nome da banda OFFICIUM TRISTE eu vou aproveitar a deixa e falar que acho que o som de vocês tem muita coisa em comum com esta fudida banda holandesa. Você concorda ou discorda?

Fábio Shamash – É uma honra para nós essa sua observação. De fato, há essa similaridade devidas as bandas terem surgidas mais ou menos na mesma época, lá no início dos anos 90, momento em que o Doom Metal atingia seu apogeu. O Pim é um grande amigo e apoiador do MCT, tanto que ele nos convidou para participar do Dutch Doom Days na Holanda, o qual tivemos a honra de tocar em 2016.

Eu entrevistei o vocalista do OFFICIUM TRISTE e quando perguntei sobre o MYTHOLOGICAL COLD TOWERS as palavras dele foras as seguintes: “Nós também adoramos o MYTHOLOGICAL COLD TOWERS. Ainda bem que os encontramos algumas vezes”. Certamente para vocês foi um grande encontro. Agora eu queria saber quais outras bandas ou pessoas da cena mundial você gostaria de encontrar pessoalmente.

Fábio Shamash – Ótimo saber. O. T. é uma grande banda que se mantém firme na cena Doom por várias décadas. São várias bandas que gostaríamos de encontrar e dividir o palco, entre elas o próprio Officium Triste, Shape of Despair, Swallow The Sun, Isole, ECT.

OFFICIUM TRISTE E MYTHOLOGICAL COLD TOWERS são duas bandas da mesma época e ainda habitam os porões do underground. Possuem uma discografia respeitada e uma trajetória sólida. Nos dois casos tu acha que existiu um reconhecimento à altura das obras desta bandas? Ser underground é uma opção que contempla teus anseios e expectativas em relação à arte que vocês produzem?

Fábio Shamash – Acho que o Doom Metal em geral (com exceção de bandas como Paradise Lost, MDB, Katatonia e Anathema) sempre teve uma exposição mais modesta e restrita em relação aos demais estilos do Metal. E com o MCT não foi diferente. É certo que muita gente vê a aparição da banda como algo misterioso e uma sonoridade ímpar, a começar pelo próprio nome da banda. De alguma forma, essa peculiaridade fez com a gente obtivesse um certo respeito na cena underground. No entanto, mesmo com certas adversidades, nós tentamos buscar uma abertura maior a cada momento de nossa história, espalhando nossa música de forma ampla e tocando em festivais pontuais e respeitados.

Já se passaram 3 anos desde o lançamento de Monvmenta Antiqva. Este disco teve a repercussão que vocês esperavam? O que ele possui de especial e que você gostaria de ressaltar?

Fábio Shamash – Certamente, o Monvmenta Antiqva foi o álbum mais polido de nossa discografia e também por conter músicas mais curtas, característica essa que diferencia dos álbuns anteriores. Marcou também por abranger uma temática voltada às civilizações clássicas (greco-romana) e sua arquitetura, de forma contemplativa. O álbum obteve uma ótima repercussão e hoje se encontra fora de catálogo.

Rum, conte uma novidade hahahaha os materiais de vocês via de regra estão fora de catálogo. Acho até que deveriam relançar todos… o que acha?

Fábio Shamash – Esse é o plano. Sabemos que alguns dos nossos títulos estão sendo pirateados por aí e vendidos a preços exorbitantes. Esperamos que o selo Transcending Obscure possa contemplar reedições de nossas obras a fim de que todos que nos apoiam e nos prestigiam possam ter acesso a esses trabalhos

Recentemente o debut álbum Sphere of Nebaddon: The Dawn of a Dying Tyffereth foi relançado. Eu soube que o selo que o relançou não informou a vocês sobre o relançamento e a banda foi pega de surpresa. Esta história procede?

Malta Doom Metal Fest 2016

Fábio Shamash – Oficialmente ele foi relançado no ano passado pelo meu selo Nuktemeron Productions. Há muito tempo estávamos devendo este relançamento ao público que apoia o MCT, que aguardavam ansiosamente por isso. Inclusive já está praticamente esgotado. Soubemos que ele foi relançado anteriormente na Rússia sem a nossa autorização, infelizmente, esse tipo de coisa não tinha como evitar. De alguma forma, é legal saber que a magnitude que esse álbum representa para o cenário underground o que torna ele bastante requisitado.

Porque você não lança o disco novo pelo próprio selo?

Fábio Shamash – Verificaremos com a Transcending Obscure essa possibilidade de licenciar o novo álbum, no Brasil. De qualquer forma, optamos por lançar por este selo devido sua experiência na distribuição a nível mundial, o qual será amplamente divulgado.

Ainda hoje lembro daquele show fudido que vocês fizeram em Fortaleza-CE. Foi uma apresentação magnífica. Depois disso vocês já voltaram ao Nordeste?

Fábio Shamash – Esse show foi realmente marcante para nós também. Depois desse, tocamos na Bahia e em Campina Grande-PB. Tocar no Nordeste é sempre uma experiência única. O público é caloroso e vibrante. Sempre fomos bem recepcionados e buscamos compensar com a energia poderosa de nossos shows.

Existe algum lugar em especial (no Brasil ou no planeta) que vocês queiram muito tocar? Qual e porque?

Fábio Shamash – Não tenho de cabeça um lugar específico. No entanto, queremos tocar o máximo possível, levar nossa música épica e misteriosa em vários lugares deste vasto underground

Camarada, agradeço a sua atenção e peço que deixe suas considerações finais, mas antes disso, queria saber uma coisa. Como sei que você é um estudioso da história e tem formação acadêmica na área de humanas, eu queria que tu se manifestasse a respeito do atual cenário sócio, político, econômico do país e de que maneira ele afeta a cena metal. Você se afastou de alguém por conta das tensões políticas registrada nos últimos anos? Grande abraço e até breve e se quiser mencionar sua empreitada com o UNHOLY OUTLAW fique à vontade!!!!

Fábio Shamash

Fábio Shamash – Não precisa ser muito especialista pra entender esse desgaste na política e economia em que o país está passando. E isso não é culpa de um governo específico e sim de TODOS. Há décadas e séculos que a Elite deste país, aliada a políticos inescrupulosos, explora o trabalho da população até sua ultima gota de sangue e nossas riquezas naturais, fadando nosso destino a miséria e sofrimento, destruindo nossa natureza (vide recentes tragédias de Mariana e Brumadinho, caracterizada como crime ambiental e social) em nome do lucro e privilégios. E o papel da mídia é manipular a população, impondo a sociedades a favor dos interesses dos poderosos e incentivando o consumo exacerbado e colocando uns contra os outros, dividindo a sociedade ideologicamente. E, infelizmente, a cena Metal absorveu esse reflexo. Hoje você percebe que a galera tá dividida, brigando por questões política se afastando uns dos outros, enquanto nos deparamos com shows vazios e materiais encalhados. É um dever da população se manifestar, ter consciência políticas, faz parte da democracia, no entanto, as pessoas deviam levar a música mais como diversão e não como revanchismo ideológico. Nós todos, apoiadores da cena underground, somo muito melhores do que isso. No mais, agradeço a excelente entrevista e oportunidade de participar do Pecatório Zine e aos leitores, aguardem nosso próximo Opus! Aproveito também para convidá-los a conhecer minha outra banda, Unholy Outlaw, heavy doom metal, nas principais plataformas digitais. Grande abraço.

Entrevista realizada nos dias 28 e 29/01/2019

 

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Carlos Soares

Edita os fanzines: Pecatório (desde 2001) e Sindicato Dos Assassinos (desde 2012). Já participou de diversas bandas dentro do underground.

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