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NECROMANCIAS NAS TERRAS DO CRISTO PODRE

Varathron

Sim, sou fã do Black Metal grego, gosto muito da sonoridade diferente que eles imprimiram no estilo. Aliás, as bandas de Black Metal dos anos 90 tinham muitas características inerentes aos seus países, dava pra identificar a banda pelo país, o black metal brasileiros, norueguês, sueco, grego, português, francês, italiano etc. Era possível entendê-los por características próprias, parece que havia uma simbiose oculta para que as bandas tivessem algo por trás de suas criações que os faziam soar “semelhantes”. Claro que estou sendo genérico, mas quando uma banda não era do país, costumávamos encontrar semelhanças em um dos países supra citados: “parece com as bandas de tal país!” Muitas bandas gregas foram mudando demais no decorrer do tempo, talvez o VARATHRON tenha sido a banda mais fiel às suas origens, mostrando mais evolução que experimentalismos, já as demais, em minha opinião, balançaram demais no experimentalismo até que se deram conta que o que elas faziam no início era sua melhor “fórmula”.

Meu primeiro contato com o Black Metal grego terá sido através de dois materiais cruciais: a demo do ROTTING CHRIST “Satanas Tedeum” de 1989 e um Split entre VARATHRON/NECROMANTIA “The Black Arts / The Everlasting Sins” de 1992, por sinal, lançado no Brasil pela Hellion Records em 1994. Foi o suficiente pra chamar minha atenção sobre o país, já que minhas maiores referencias dele, além da arte, estava no fato dos gregos idolatrarem o MANOWAR, no mais, existia uma neblina que cobria meu conhecimento sobre as bandas daquelas paragens.

Daí pra frente foi só satisfação, me lembro claramente quando vi um flyer do disco do NECROMANTIA “Crossing the Fiery Path” ao lado de nada menos que IMMORTAL “Pure Holocaust” e IMPALED NAZARENE “Ugra Karma” Osmose 1993, anos dourados do selo que tinha em seu Cast o supra-sumo do metal negro mundial, o suficiente para fica meio paralisado, a esta altura já era possível ter ouvido o “Passage to Arcturo” e o “Thy Might Contract” do ROTTING CHRIST, o “Parade Into Centuries” do NIGHTFALL, o “Eosforos” do THOU ART LORD e o “The Wizard of Nerath” do NERGAL.

Kawir

Achando que mais nada de mais majestoso poderia surgir, apareceram bandas como AGATUS, ZEMIAL e seu apoteótico debut “For the Glory of Ur”, KAWIR e, por fim, ELYSIAN FIELDS (hoje THE ELYSIAN FIELDS) e SEPTIC FLESH (apesar de não ser considerada uma banda de Black Metal e sim Death Metal, sua temática estava envolta na atmosfera oculta) ambas – ELYSIAN FIELDS e SEPTIC FLESH – marcaram época com um som completamente diferente do que as demais bandas do país faziam, porém não menos bem feito ou desimportante que os demais

. Assim como a magnifica ZEPHYROUS e a não distante NAER MATARON, além do projeto que não passou das demos, porém me encantava muito seu estilo de som: HAVORUM, com sua demo de estreia “Sirius-Draconis-Capricornus” e um projeto que acabou virando banda: MEDIEVAL DEMON, aliás uma banda e tanto, com certeza “Night of Infernal Lords” foi uma das demos que mais tocaram no meu tapedeck. Estas outras eu chamaria de segunda geração do black metal grego, excetuando o SEPTIC FLESH qual, repito, não era uma banda de black e sim, Death.

 

As bandas mais recentes são ainda mais distantes dessa identidade dos anos 1990, como ACHERONTAS, por exemplo, porém outras seguem aquela linha sonora peculiar das bandas do início dos anos 1990, é o caso de CULT OF EIBON, costumo até dizer (em tom sarcástico, claro!) que CULT OF EIBON é mais ROTTING CHRIST hoje que o próprio ROTTING CHRIST. Ainda posso citar a excelente MACABRE OMEN (apesar dos seus registros datarem da década de 1990, só tomei conhecimento da mesma alguns anos atrás) que para mim foi uma grata revelação dos últimos tempos, aqueles teclados são muito sombrios. Também não posso deixar de mencionar o apoteótico YOTH ÍRIA, nada mais nada menos que a união de dois magos do black metal grego Jim Mutilator e Magus Wampyr Daoloth, a raiz de tudo isso num material infinitamente nostálgico.

Essa imensa vontade que muitas bandas gregas dos anos 1990 teve de fazer algo diferente foi deixando as bandas sem rumo, perdendo seus ouvintes, ganhando outros e surfando em mares sem grandes ondas. Por outro lado essas mesmas bandas se tornaram gigantes do metal extremo, assinando contratos com grandes gravadoras e aparecendo no cenário, ao contrário de outras que foram caindo no ostracismo. Tenho certeza que essas bandas ainda atraem público para seus concertos e que estes querem mesmo é ouvir as músicas dos seus primeiros registros, talvez até os novos “ouvintes” queiram isso, quem sabe é pela naturalidade e essência que essas canções carregaram em seus registros, sem querer supor que os demais sejam desalmados, mas a essência é outra. Sempre carreguei comigo que uma banda de metal que quisesse mudar de estilo deveria mudar de nome antes.

E, sim, eu sou fã do Black Metal grego.

Confiram abaixo algumas músicas que representam tudo o que foi dito e que sempre me deixou enlouquecido:

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Anton Naberius

Vocalista da Eternal Sacrifice (Pagan Black Metal) Professor de Arte Visual, Artista Plástico e Especialista em Arte e Patrimônio Cultural.

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