Entrevistas

NECROPSIA – Brutal Death Metal dos “los hermanos” argentinos

Falando da decadência humana

Da vizinha Argentina vem essa banda que faz um Brutal Death Metal! Conversamos com o guitarrista Francis Jakob que nos apresentou a banda, sua história e suas ideias em torno do cenário sul-americano e o estilo que escolheram para expressar ódio e fúria.

Foto por: Gabriel Espínola

Faça um breve relato sobre a história do NECROPSIA…

Francis Jakob – Somos uma banda de Brutal Death Metal formada em 30/03/2007 na cidade de Jardim America, Misiones, Argentina.Inicialmente começamos com 3 membros: David Ayala (vocal), Lucas Ayala (bateria) e Ale Hamann (Guitarra), lançamos 2 demos e um Ep. Este último contendo todos os temas das 2 demos chamadas “Necromorfosis”. No ano de 2011 lançamos um álbum com 5 músicas próprias que recebeu o nome de “Soportando el Putrido Fermento”.  Atualmente a banda é composta por David Ayala na voz e Lucas Ayala na bateria, se juntando a banda Carlos Del Valle no baixo e Francis Jakob na guitarra. Somos ex-membros do POST MORTEM, uma banda de Death Metal da nossa cidade. Sempre fomos uma banda de tocar muito ao vivo em toda a região do país e em algumas áreas do Paraguai e do Brasil. Recentemente lançamos nosso último trabalho em formato EP chamado “GorEvolucion” que contém três músicas próprias que tiramos de forma independente e gravamos em nosso estúdio. Ao longo da carreira da banda, sempre permanecemos dentro do gênero do Brutal Death Metal, tentando evoluir para uma forma técnica e tentando garantir que não houvesse monotonia entre cada tema. Também neste ano começamos a gravar um novo álbum que será lançado no meio deste ano que consistirá em um álbum com 8 ou 9 faixas do mais puro Brutal Death Metal, também gravado por nós e lançado de forma independente.

Algo que me chamou a atenção foi o nome da banda. Só na América do Sul encontramos cerca de 8 bandas com o mesmo nome, até em Buenos Aires houve uma. O que você pode nos dizer sobre isso?

Francis Jakob – Na verdade, quando começamos há quase 12 anos, esse nome chamou muita nossa atenção, já que significava muito o que a banda queria representar, que era um Brutal Death Metal, mas ao mesmo tempo  técnico. Vemos a necropsia como algo muito escuro e grotesco, mas ao mesmo tempo muito técnico.
Naquela época, a questão das redes sociais estava surgindo e, naquela época, não havia, ou pelo menos não era tão fácil saber se havia uma banda com esse nome. hoje, nesse aspecto, é mais fácil tentar obter um nome original, mas também mais complexo, porque há mais bandas e, portanto, mais nomes usados.

Foto por: Selene Fotografias

Recentemente lançaram a demo “Gore Evolution”, após 10 anos de lançamento da primeira demo tape. O que podemos encontrar neste novo material? Existe alguma negociação para uma distribuição por outros países?

Francis Jakob – Com “GorEvolucion” queríamos mostrar como a banda está atualmente, com um estilo mais maduro e técnico do que os outros álbuns. Tentamos falar nesse álbum de decadência humana e como estamos evoluindo para um lado errado. O disco completo está na nossa página do YouTube “Banda Necrópsia”.
Vamos levar muito tempo nesse formato digital para que as pessoas nos conheçam e nos escutem de graça. A ideia deste ano é terminar de gravar o que seria o novo álbum e ver como distribuí-lo em diferentes países.

Realmente as plataformas digitais são a maneira mais barata e mais rápida de divulgação hoje em dia. No entanto, a velha essência dos headbangers sempre nos leva à aquisição de materiais físicos. Não pensam em lançar um k-7, CD ou mesmo vinil?

Francis Jakob – Isso é verdade! Há uma grande quantidade de headbangers que ainda quer ter o material físico. Inclusive sou da velha escola e gosto de ter o material na mão. Estamos muito focados em nosso novo projeto e certamente vamos lançá-los em vinil e CD, além de fazer camisetas. mas no momento com “GorEvolucion “estamos apenas apresentando em formato digital, mas quando saímos para tocar sempre levamos alguns em formato físico para vender ou dar de presente.

Falando em estilo musical, qual seria a suposta evolução do Gore?

Francis Jakob – Eu não entendi a pergunta. Se é o estilo “gore”, eu não acho que há uma evolução, mas certamente baseado no gore, outros estilos surgirão. Agora, se você falar sobre o nosso estilo, posso dizer que há uma evolução no que diz respeito ao lado  musical, cada vez mais bandas surgem se esforçando cada vez mais para se destacar. O que pude perceber nesses anos é que as bandas têm cada vez mais acessibilidade para produzir suas músicas, já que é mais fácil gravar e dominar as faixas, mas ao mesmo tempo tem algo contra o qual as bandas estão perdendo sua essência, característica, já que a tecnologia mal usada pode fazer as bandas soarem praticamente com o mesmo formato de som.

Foto por: Gabriel Espínola

Você fazem um Brutal Death Metal com muita influência de Grindcore com temas de splatter. Dentro do gênero quais bandas mais influenciaram a NECROPSIA em sua jornada?

Francis Jakob – Na verdade, crescemos juntos, somos todos quase da mesma idade e desde a adolescência nós compartilhamos materiais, então cada membro tem quase o mesmo gosto musical que o outro. Você quer saber se cada um de nós tem um amplo gosto musical em Metal? as bandas que mais nos influenciaram, a   primeira e sem dúvida é INFECCION CRONICA que é uma banda pioneira da localidade e do país e que hoje continuam tocando e lançando discos, depois bandas clássicas como DEEDS OF FLESH, CANNIBAL CORPSE, ABORTED, NILE, NAPALM DEATH, OBITUARY, DEATH, SEPULTURA sem dúvida, PANTERA, DIGORGE, MORBID ANGEL, NASUM, HATE ETERNAL, etc.

Foto por: Gabriel Espínola

E como está a cena na Argentina? O que se destaca? No momento tenho mais novidades da banda ENCOFFINED, que inclusive, acabou de terminar uma turnê pela Europa.

Francis Jakob – ENCOFFINED é uma excelente banda, tivemos sorte de compartilhar o palco em Córdoba com eles. Outra boa banda de lá que também estava em turnê pela Europa é o MORTUORIAL ECLIPSE. Existem muitas bandas boas na Argentina. Outra muito boa é a NECROABORTION, também tem a SOCIAL SHIT,  ETERNAL GRAVE, etc. Existem inúmeras bandas em todo o país e ultimamente muitos eventos estão acontecendo com festivais de 2 ou 3 dias. Nós mesmos estamos organizando com outras pessoas um festival chamado ” Bien Extremo”, agora vamos para a quarta edição. Ano passado foram 2 dias com bandas de todo o país,  mas também do Paraguai e do Brasil. Economicamente o país é muito ruim o que dificulta a organização, como também para as bandas saírem e tocar fora do país e gravar e produzir algo de qualidade.  Contudo, a cena na Argentina é forte e aumenta cada vez o número de bandas e público.

Um fenômeno que está acontecendo aqui no Brasil é a escassez de público nos shows a cada ano que passa. Há pouco tempo, o ANAL VOMIT  tocou numa cidade brasileira para pouco mais de 40 pagantes. O mesmo acontece no seu país? Será que a Internet tem uma forte influência para isso ou, como você mesmo citou, será apenas culpa da crise econômica no hemisfério sul?

Foto por: Selene Fotografias

Francis Jakob – Eu não vejo o público novo com a mesma euforia para ir a um show e quebrar o crânio como era há 10 anos, eu suponho que deve haver um pouco de tudo, menos a crise econômica na América do Sul. Tocamos também com ANAL VOMIT e havia cerca de 50 pessoas, mesmo  fazendo muita publicidade. Outra coisa que eu vejo ultimamente, pelo menos por aqui, é que temos muitos shows, o que faz o público escolher algumas datas e não ir em todas.

E em relação a cena brasileira? Vocês tem contatos com as bandas do “país do Sepultura”?

Francis Jakob – Nós amamos a cena brasileira e gostaríamos de tocar mais no Brasil, o público é incrível. Então, se houver algum contato que leia esta entrevista, lembre-se de nós! Eu tive a sorte de ver a excelente banda  KRISIUN. Claramente para nós o  SEPULTURA é o mais conhecido, mas sabemos que existem muitas bandas terríveis no Brasil. Aí no Foz do Iguaçu tocamos com EVIL DEAD uma incrível banda com pessoas excelentes. Também conhecemos RATOS DE PORÃO e SARCÓFAGO obviamente. Ficamos sabendo do grande festival Setembro Negro que acontecerá em São Paulo e faremos o possível para ir. Muitas bandas que queremos vê!

Ha pouco tempo a prisão de Pat O’ Brien, guitarrista do CANNIBAL CORPSE, foi destaque nos noticiários em todo o mundo, supostamente devido a uma crise psicótica em que provocou um incêndio, agressão e invasão a uma residência. Os setores conservadores da mídia disseram que a música tocada por ele e suas letras cheias de violência e aberrações poderiam ter tido uma forte influência nesse caso. Está de acordo? E no caso da banda, o que levou a seguir esse tema da loucura, do sadomasoquismo e da putrefação?

2018 – GorEvolution “Full-lenght”

Francis Jakob – Eu vi o CANNIBAL CORPSE tocar em Buenos Aires  à alguns anos atrás, eu estava a 2 metros de distância. Sobre Pat O’ Brien o show inteiro, ele foi o guitarrista mais virtuoso que eu vi tocar até agora, ele é incrível. Pessoalmente eu não sei o que o levou a fazer tal loucura e espero que ele saia de tudo isso em breve, mas sem dúvida o estilo musical que ele faz não tem nada a ver com o que aconteceu. Em outras circunstâncias, aquele que assiste a um filme de terror não vai sair e matar.

A NECROPSIA claramente não é uma banda de estúdio. Vocês já tocaram com bandas de outros países como Paraguai, Brasil, Peru e El Salvador! Quais são as melhores e piores situações que já aconteceram numa apresentação?

Francis Jakob – Gostamos muito de viajar e tocar, principalmente para outros países. As melhores situações são muitas, todo lugar aonde vamos é uma história diferente acho que é a melhor coisa, conhecer as pessoas de cada local além de conhecer bandas muito boas. Porém, há também lugares onde os organizadores são péssimos. Mesquinhos com o som e não cumprem com a parte monetária do negócio. Uma vez no Chaco uma tempestade ocorreu e o show teve que ser suspenso, era um caos por toda a cidade. Mas a coisa boa sobre esse evento foi que no outro dia tocamos no pátio de uma casa da área e estava cheio de pessoas! Foi uma noite  foda!!! Foi muito bom!

Chegamos ao final da entrevista, aproveite o espaço para vomitar suas últimas loucuras ….

Francis Jakob – Queria agradecer-lhe por nos dar o espaço para nos conhecer e saber que existe uma grande cena extrema na Argentina e especialmente em nossa província que é Misiones que está muito próxima do Brasil. Certamente este ano estaremos nos apresentando com músicas  novas e cada vez mais brutal. saudações extremas a todos!!!

E-mail: necropsiabanda@hotmail.com       Tel: 0374315666878

Ouça abaixo a faixa PROLONGANDO LA AGONIA pertencente ao álbum GorEvolution:

Mostrar mais

Giovan Dias

Editor do The Glory Of Pagan Fire Zine, trabalho iniciado ainda na década de 90, voltado ao Black, Death, Doom Metal.

Veja também...

Botão Voltar ao topo
Fechar
Fechar