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NIGRAE LUNAM – Liricamente estamos mergulhados na escuridão, pessimismo e na mitologia obscura

Nigrae Lunam, projeto Doom/Black Metal criado em 2018, capitaneado por Paulo Brasil nos vocais e Kastiphas instrumentos…; Lua Negra, referência à “Lilith”, assim como, nos remete aos primórdios da música tétrica, sombria, influenciado por bandas da década de 90, este duo nos presenteia com seu mais novo artefacto, “Lilith Regnator Est“.

Em conversa com o amigo Paulo Brasil, ficamos a saber mais acerca das novas empreitadas…, da vivencia underground e da constante labuta de Nigrae Lunam.

A primeira vez que ouvi o som do Nigrae Lunam, me deparei com um Doom Metal muito bem construído, com bastante nuances Black Metal, me remeteu a contos tétricos antigos…, comente um pouco acerca de como o duo nasceu e, os processos para dar início ao primeiro EP, o fuderoso “Lilith Regnator Est”, lançado em 2019.

Grato pelo reconhecimento. Nigrae Lunam surgiu no momento certo. Após uma longa amizade com Kastiphas decidimos dar vida a criatura. Tínhamos em mente criarmos um som lento e obscuro. Sim as influências do Black Metal clássico foram inevitáveis. Kastiphas é um excelente compositor. Assim que definimos o conceito as composições surgiram muito rapidamente. A sinergia foi muito boa. Existe irmandade neste culto maldito e respeito mútuo total.

Li também no encarte da demo que, meu amigo Sidnei “Grim” Falcão foi o responsável por mixar a demo tape? A demo foi lançada via Blasphemy Production né isso? A tiragem foi limitada? E, em seguida, em 2020 foi lançado em formato full CD, via Black Hearths Records, com uma outra imagem de capa.

“Grim” é um antigo aliado e um excelente profissional. Produziu vários discos importantes para a cena baiana. O cassete EP (não considero um DT) foi lançado pela Blasphemy Productions numa tiragem de 70 cópias. Foi ideia de Kastiphas fazer o primeiro lançamento em um formato cult e achei genial. Oscar da Blasphemy rapidamente “comprou” a ideia. Pouco tempo depois, o próprio Oscar sugeriu lançarmos em CD. Fizemos uma nova arte, acrescentamos uma música e lançamos pela Blasphemy Prods e Blackhearts Recs. O resultado nos agradou muito e trabalhar com o Oscar e o Paulo foi muito gratificante.

A faixa 02 da DT, teve seu nome modificado, aliás, aumentado na versão full CD para “Paradise Lost (Part I: Satan Spake Part II: Ringdom of The Fallen)”, houve algo renovado no som ou somente a nomenclatura?

Não houve nenhuma mudança, na música. Na verdade esta é a nomenclatura correta. Esta faixa é dividida em duas partes e não sei porque acabamos não colocando isso no tape, rss.

Qual a mensagem o Nigrae Lunam quer transmitir com sua musicalidade? Digo, quais contos são versados e vociferados com suas músicas?

Exploramos temas variados. Mitologia oculta é o que mais costumamos abordar, mas, não há uma regra pré-definida. Temos uma visão muito pessimista com relação ao mundo. Gosto de escrever sobre divindades femininas ligadas ao oculto também. Cabe salientar que nossas novas composições estão tendendo para o lado negro mais que nunca, rss. Talvez reflexo da atual situação neste planeta.

Em uma visão mais crua, como seria uma versão para a divindade “Lilith” nesta era pandêmica? Digo, a “atual situação caótica”, como você mesmo citou acima, é um reflexo nas letras… creio que, mesmo com esta pandemia, o ano de 2020 e 2021 foi o que mais apresentou bons lançamentos undergrounds.

Lilith representa bem mais do que a clássica figura usurpada pela religião judaica. É uma entidade que, a meu ver representa uma oposição aos dogmas pré-estabelecidos. Em um contexto atual, sinceramente não vejo um paralelo. Está tudo muito superficial e falso. Não há uma figura dinamitadora. Vivemos a era da mediocridade. Realmente este ano foi bastante produtivo em termos de lançamentos. O underground reagiu bem ao confinamento. Muitos fatores envolvidos. Talvez este período sem shows tenha ajudado neste sentido.

A música “Enchanted Bleed” que você me mandou, tem 17:13 e a que consta no CD, tem somente 9 minutos creditados…, por qual motivo?

É a mesma gravação nas duas versões. A diferença é que no CD colocamos uma faixa oculta que na fabricação ficou contabilizada como sendo “Enchanted Bleed”, mas na verdade é outra faixa que reverencia a lua congelante e seu poder quase hipnótico.

Se não me falha a memória, acho que vi algo do Nigrae Lunam a fazer uma versão de Freezing Moon, era esta ou eu me equivoquei?

Sim, fizemos. Tivemos uma reação muito boa. Outros covers estão em nossos planos.

As influencias de bandas antigas são bem peculiares no som do Nigrae Lunam, aliás, pra quem aprecia o Doom Metal de idos de 80’s, alias, Black Sabbath e Katatonia (old) são bem latentes no som… aproveitando o gancho, consegue indicar-nos algumas bandas Doom Metal, aliás, podem até ser de outros estilos! Podem ser novas ou antigas…, nacionais ou gringas! Recente houve um “boom” de bandas Doom Metal no Brasil, que, pra mim foi maravilhoso, visto que sou um apreciador do estilo!

Nossas principais influências são as clássicas bandas de Doom e Black Metal. Mas existe muito mais coisas envolvidas no processo, até mesmo não pertencentes ao Metal.  Das bandas clássicas as minhas preferidas são Black Sabbath, Deep Purple, Dust e Bang. No Doom Metal inegavelmente My Dying Bride é a que mais gosto, em todas as suas fases, mas também Saint Vitus, Trouble, Solitude Aeturnus, Electric Wizard… Metal Extremo: Sadomator, ABSU, Obituary, Carcass, Emperor, Enslaved, Mayhem, etc…  No Brasil sempre tivemos grandes bandas e dentre as que fazem Doom Metal destaco The Cross, Denial of Light, Son of a Witch, Pesta, Volkmort, e realmente estamos com um grande número de bandas excelentes dentro do estilo. Outros grupos que indico são Eternal Sacrifice, Sulfur, Ancestral Cântico, Ezequial, In Infernal War, Morcrof, realmente muitos para mencionar…

Sendo que, o CD Lilith Regnator Est foi lançado no ano pandêmico de 2020, podemos esperar já algo engajado para agora final de 2021 ou quem sabe já o sucessor em 2022?

Vamos soltar um Split CD com o Ancestral Cântico até o final do ano. Paralelamente vamos compor o nosso próximo CD, mas ainda não temos uma data definida. Só adianto que procuramos radicalizar musicalmente. Queremos uma atmosfera realmente obscura.

Participaremos do volume dois da coletânea Brazilian Doom Metal da Pagan Tales Records com a faixa “Death Cult (Maha Kali)” que saiu inicialmente como um single/cerveja e é inédita em CD.

Sendo que o duo do Nigrae Lunam é você Paulo Brasil – vocal e o Kastiphas – All instruments (Eternal Sacrifice, Forsaken, Fuego Eterno, In Infernal War, Kastiphas, Mortius, The Cross, ex-Transcendental Magick, ex-Hellbutcher, ex-Mystifier), para as gravações do full álbum, vocês convidaram mais pessoas?

Ocvltvs Saatanalivs é o nosso aliado nas baquetas. Neste primeiro trabalho, além dele, tivemos a participação de Eduardo “Falsão” (Ex Headhunter D.C.) na faixa “Enchanted Bleed” e Paulo Palma (meu filho) que criou alguns efeitos sonoros em “Paradise Lost”. Lançamos o single “Death Cult (Maha Kali)” com a participação de Nuit (In Infernal War) nos vocais. Provavelmente teremos algumas participações especiais em lançamentos futuros.

Aliás, amigo Paulo, recente você divulgou sua nova empreitada, o “Éris Stepmother”, que é mais um valoroso projeto Doom Metal, e que conta com a participação do Leandro “Herege” Silva (Ancestral Cântico, Haxan Chaos) e também o Pedro Ferreira. O que podes falar-nos deste projeto?

Está em estágio embrionário. Estamos definindo alguns conceitos e trabalhando nossa primeira música. Minha intenção é fazer algo bem diferente do Nigrae Lunam em termos de som. Pedro Ferreira é um excelente compositor e letrista. Vamos explorar a mitologia Grega nos nossos temas. Ao contrário do Nigrae Lunam, este será um projeto apenas para um lançamento em CD. Como novidade, teremos L. Kastiphas como nosso produtor.

Sim, o Kastiphas também lançou o novo projeto, homônimo…, um musico de muitas facetas, além de produtor musical, eximo desenhista/artista plástico…

Kastiphas é um artista completo. Sinceramente não sei como ele consegue conciliar o trabalho em tantas bandas. Também é designer gráfico, fotógrafo e artista plástico. Trabalhará como produtor nas gravações do Éris Stepmother.  Está lançando agora um EP (Nascemos Mortos Recs), CD e Vinil (Brazilian Ritual Recs) do projeto Kastiphas, praticando um Tormentor Death Metal (assim ele define). Garanto que o trampo está matador e vão se destacar como grandes lançamentos neste ano de 2021.

Creio ser tudo por hora, despeço-me ao som de Sadness “Ames de Marbre”, e, agradeço imensamente o tempo cedido para responder meus questionamentos, espaço para algo mais que os amigos desejem comunicar!

Agradeço o espaço e reconhecimento. Parabéns pelo trabalho desenvolvido no portal. Saudações a todos que lutam pelo fortalecimento do Underground. E antes que me esqueça, só o físico é real! Fodam-se as plataformas de streaming.

Hails!!!

Hail’z Nigra Lunam!

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[email protected]

https://www.blackheartsrecords.com.br/

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Hioderman ZArtan

Editou os zines "Anaites" e o "Guerreiros Zineiros". Designer gráfico Underground e mentor do Anaites Records.

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