Resenhas - Zines

NOCTUM ZINE #15 – 2020 – REEDIÇÃO IMPRESSA 2021

E quando eu pensei que a última pá de terra havia sido lançada, enterrando de vez esse grande zine, eis que surpreendentemente sou pego de surpresa. Não posso dizer que seja “o retorno”, mas se um “morto-vivo” aparece, já é um grande sinal de alerta.

Originalmente lançado em fevereiro do ano passado, nos dias que antecediam a pandemia mundial, este trabalho acabou sendo engavetado e passado apenas para alguns aliados no formato PDF.

Um pouco mais de um ano, a reedição impressa é lançada para divulgação no meio daqueles que apoiam essa arte e ainda enxergam a grande importância dos zines impressos.

O José Arimatéia faz um trabalho muito bem feito. Layout de primeira e o cara sabe “catar” aquelas bandas dos confins da Terra, além de trazer de um passado remoto bandas que muitas vezes se perdem em nosso subsconciente. Ou você lembra constantemente de bandas como EVOL da Itália (mas o clássico “The Saga of the Horned King” é inesquecível) ou também os italianos do  NECROMASS (outro clássico inesquecível para os brasileiros: “Mysteria Mystica Zofiriana”)  ou THANATOS da Holanda  (Death Metal desde 1984!!!) ?

A seleção é de alta qualidade e já abri o zine na verdade com uma dupla que fez e ainda faz história e são referências do Black Metal Grego: Jim Mutilator e Magus VAmpyr Daoloth e YOTH IRIA. Ainda falando de Grécia, temos a banda HOR que segue uma linha diferente do já conhecido Black Metal Helênico, deixando se arrastar pelo som escandinavo dos meados dos anos 90..  A cena brasileira começa a ser representada com a banda IMPERFECT SOULS (“não escolhemos fazer Metal, O Metal nos escolheu para fazer parte da história dele musicalmente e na vida em seu dia a dia!”).  A Finlândia é aqui representada  pela banda de Black Metal  MARRAS (“Aqui não há demônios típicos estuprando os anjos ou clichês de ‘anno domimi lucifer satani’. As letras são sobre desespero., sobre ir mais fundo na miséria onde a luz não brilha”).

Sinceramente coisa rara de se vê pelos lados de cá é entrevista com banda francesa. São poucas. “french Black Metal Kvlt” é representado através da banda GORGON (“o Black Metal deve lidar com satanismo, a vida após a morte, ocultismo, morte, bruxaria.. jamais com política, seja qual for a ideologia”) e pelo duo do HEXEKRATION RITES ( “o Black Metal deve ser um modo de vida, não uma moda”).  Não podia faltar um representante do Doom Metal, e nacional! Uma boa escolha foi a ETERNAL SORROW, falando  do passado e seu retorno há poucos anos atrás.

Da longínqua Rússia  temos a banda formada por mulheres : BLACKTHORN (…não chamamos nossa música de Symphonic Black Metal, mas de Symphonic Extreme Metal…” / “Black Metal é uma ferramenta para aproximar a pessoa do abismo, do escuro”). As terras lusitanas surge a banda ARCHAIC TOMB onde o vocal e guitarra também é responsável pelo selo Caverna Abismal que já lançou bandas brasileiras como VULTURINE e POISONOUS (” Que se foda a mediocridade, seja onde for, mas Vulturine e Poisonous são bandas que qualquer brasileiro deveria apoiar,-incluindo os católicos e evangélicos e toda a escumalha e putaria do Estado – Fuck Off Bolsonaro!”). Da terra do Tio Sam, temos a banda EVIL INCARNATE fazendo um Death Metal desde 1997.  Os países andinos são representados pelos peruanos do BLASPHEMOUS DIVISON onde nos contam um pouco de sua história e da cena metálica peruana.

Como pode ser visto, na imagem da capa, temos a já mais que conhecida mundialmente MYSTIFIER. 90% das entrevistas  com bandas gringas citam a banda formada por outrora Blackgoatbeelzebuth, hoje simplificado por Beelzebuth (“eu não criei o Mystifier para repetir as mesmas letras, o Mystifier é uma banda imprevisível quanto a álbuns”). Entrevista essa feita pessoalmente, quando a banda foi tocar em Mossoró/RN.

Finalizando as entrevistas representando o Metal oitentista brasileiro temos a banda SEPULCHRAL VOICE falando de sua trajetória e retorno, agora com a participação de Ron Set do IMPURITY e ainda falando da Grécia a mais que conhecida NIGTHFALL (“Eu gosto do fato de conhecer e conversar com pessoas inteligentes em todo o mundo, graças a essa música e a essa banda. Este é o verdadeiro ouro que nenhum dinheiro pode comprar”).

As sessões de reviews estão presentes, e o zine ainda conta com a peculiaridade de ter as entrevistas com as bandas gringas duplicadas, em português e inglês.

Que esse seja o despertar de um recomeço para que num futuro breve sejamos amaldiçoados com mais um grande trabalho.

Aquisições pelo WhatsApp: (84) 9 9601 3870.

 

 

 

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Giovan Dias

Editor do The Glory Of Pagan Fire Zine, trabalho iniciado ainda na década de 90, voltado ao Black, Death, Doom Metal.

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