Entrevistas

NORDEATH – Quando o abismo chama os demônios para blasfemarem

Para honrar velhas tradições novos guerreiros são necessários. E eles estão aqui, armados até os dentes, visual carregado, odor pungente de cova aberta, muita blasfêmia e ódio no coração. Abram o livro dos cadáveres e conheçam os pestilentos do NORDEATH.

Saudações, maníacos! Sejam bem vindos ao inferno. O NORDEATH é um grupo de demônios formado em 2015. Devido ao pouco tempo de maldição muitas criaturas ainda não estão cientes da existência de vocês. Gostaria que vocês apresentassem o cartão de visitas da banda.

Nordeath – Saudações galera do Zine Precatório, nós somos a Nordeath de São Luís do Maranhão, nós tocamos um Speed/Black metal Forjado no abismo da ilha caótica de São Luís. A banda é formada por HellRipper nos vocais, Pestilence nas guitarras, Lehnsherr no baixo, e Possessed na bateria Recentemente lançamos nosso primeiro material intitulado O Chamado Do Abismo que está disponível nas plataformas digitais e também em mídia física.

Fotopor: Divulgação

Eu olhei no Metal Archives e este site descreve o som da banda como sendo thrash metal. Eu particularmente discordo, acho que esse rótulo limita p som de vocês. O que vocês me dizem?

Lehnhserr – Limita sim, a gente no começo tocávamos Thrash, temos até uma música chamada de Máquina De Guerra que é bem Thrash. Mas, nós tocamos Speed/Black Metal, que é a atual “cara” da banda.

Minha avaliação a respeito da sonoridade de vocês vai bem nessa linha mesmo, speed black metal e com uma atmosfera thrash, porque não… Esse novo direcionamento surgiu em decorrência de que? Novas influências? Falando nisso, nos diga quais são as principais influencias de vocês para a composição das blasfêmias musicais.

Pestilence – O novo direcionamento em relação a sonoridade aconteceu por conta de que estávamos procurando o som ideal pra banda e chegamos a conclusão que o Speed/Black era o gênero que mais agradava a proposta da banda. Sobre a questão das nossas principais influências, podemos listar bandas como Bathory, Cruel Force, Nocturnal, Sabbat, Nifelheim, Celtic Frost e nacionais como o Velho, Power from Hell, Flageladör, Whipstriker e entre outras bandas com essa sonoridade mais obscura.

Ouvindo o ep O Chamado Do Abismo é exatamente isso que nossos ouvidos testemunham, um amontoado de referências diretas às desgraças que assombravam e ainda assombram o submundo. Lembrei do NIFELHEIM em alguns momentos, do velho por conta das letras em outros… Bom, o que importa é que vocês não negam as influências. Para os próximos trabalhos a ideia é se manter nesta mesma atmosfera cadavérica?

HellRipper – No próximo trabalho iremos sim continuar nesta mesma linha de som, mas com riffs, viradas e letras ainda mais velozes e obscuras.

2018 – O Chamado do Abismo “EP”

Já que mencionaram as letras eu queria saber quem as faz e de onde tiram as inspirações para as mesmas. Também gostaria que falassem mais detalhadamente sobre os trechos que mencionam “sacrifícios de crianças, o sangue de inocentes hoje banha a nossas almas, faça o pacto do mal”. Que tipo de mensagem maldita vocês pretende passar com esse conteúdo?  

Lehnsherr – As letras desse material foram feitas pelo nosso baterista e por mim. Com inspirações em filmes trash e por conta disso a faixa Pacto do Mal (que lançamos o vídeo clipe recentemente) é baseada em relatos de sacrifícios e cultos de magia negra muito constante em nossa região.

Bom, o Maranhão é famoso pela prática de cultos e religiosidades herdadas dos africanos que vinham para estas terras como escravizado. Cidades como Caxias e Codó são famosas pela quantidade de “terreiros de macumba” para usarmos uma expressão chula. Em São Luís este cenário também está presente. Então eu perguntaria qual a visão de vocês acerca desse contexto e o que pensam de manifestações religiosas em geral, tanto as pequenas quanto as de grande repercussão quanto o cultos monoteístas: judaísmo, cristianismo e islamismo.

Nordeath – Sobre nossa opinião sobre manifestações religiosas, não compactuamos com nenhum tipo de religião, e somos totalmente contra a qualquer tipo de extremismo das mesmas.

Sendo assim então não apoiam ou compactuam com as bandas que colocam o cristianismo como seu rumo ideológico, ou sendo mais claro, as bandas de white metal.

Lehnsherr – Definitivamente não apoiamos.

Foto por: Divulgação

O som e o visual de vocês me fazem lembrar outra banda ai da ilha dos demônios, o GRAVE REAPER, cujo som eu aprecio também. Vocês certamente conhecem essa banda. Bem, acho que podemos falar da cena ludovicense não é? Qual a visão de vocês a respeito do que acontece na ilha em termos de underground?

Nordeath – Sim, inclusive já tocamos com eles. A respeito da cena underground, nós achamos que é bem completa em gêneros do metal, além de ser um grande celeiro de novas bandas.

Quando vocês tocam ao vivo obviamente o repertório de vocês abrange mais músicas do que as que estão no ep O Chamado Do Abismo. Gostaria que você falasse a respeito dessas músicas e se pretendem lançá-las em algum material. Aproveitem e digam nos se costumam tocar algum cover.

Hellripper – Sim, nós temos uma música chamada Máquina de Guerra, que foi uma das primeiras músicas da banda, e pretendemos lança – la numa versão ao vivo no próximo material, nos nossos shows sempre tocamos um cover que já faz parte do nosso set list, que é a música Satã Apareça! do Velho, banda no qual temos muitas influências.

O nome da banda é um trocadilho não é mesmo, ou melhor dizendo, é uma aglutinação de palavras. Poderia nos explicar isso em detalhes?

Nordeath – sim, é um trocadilho, o nosso baterista que pensou no nome, é uma junção de Nordeste com Morte, é uma sacada bem simples.

Já imaginaram que músicas e letras como as que o NORDEATH possui estão sujeitas à críticas e censura no atual momento de conservadorismo e patrulhamento moral em que o país vive, especialmente no ambiente das redes sociais? O que pensam a respeito dessa situação? 

Nordeath – então, achamos o conserva-dorismo uma merda, e independente da situação, continuaremos com a mesma pegada nas letras.

Agradeço a atenção. O espaço final é de vocês….

Valeu galera do Zine Precatório, agradecemos a entrevista,foi realmente do caralho,ouçam nosso ep que está disponível em todas as plataformas e também em mídia física, e ainda esse ano estaremos lançando mais um material do mais puro necro metal veloz!!! Abraços!!!…666.

Entrevista realizada entre os dias 19/02 e 20/02/2019

Facebook: www.facebook.com/nordeath.thrash/

Assista abaixo o vídeo oficial da música Pacto Do Mal:

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Carlos Soares

Edita os fanzines: Pecatório (desde 2001) e Sindicato Dos Assassinos (desde 2012). Já participou de diversas bandas dentro do underground.

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