EntrevistasStormy News

ODE INSONE – Doom Metal

...o Doom por sua vez reserva maior parte do que fazemos...

Quando se comenta algo de Doom Metal, há um certo receio de que seja algo moderno e com clichês, devido à mídia…, mas, não é o que se pode ouvir no som do Ode Insone, eu por sua vez tem uma musica forte, versando em nossa língua pátria e sempre buscando a poesia musicada. O CD “Relogio” muito bem expressa o que digo… “Enfrentamos primeiro a luz! Como estilhaços de fogo!”

Conversamos um pouco com a banda, que, nos conta os preparos pós isolamento e o sucessor do Relógio, confiram!

E ai mah, de boas por ai! Sim, bom, o ODE INSONE é um projeto criado em 2018, como intuito de fazer Doom Metal com uma pegada Gothic e também Death Metal, e, o que mais chama atenção é o fato de as músicas serem cantadas em português, que, deixa ainda mais sorumbático o som. Comente como se deu a ideia inicial da banda e, se desde o início o ideal seria cantar em português!

Mad: Primeiramente agradeço a LUCIFER RISING por nos convidar para esta entrevista. Falando um pouco da ideia da banda de cantar em português, de início Tiago (Vocalista) e eu conversamos sobre a possibilidade de criar uma nova banda mais voltada para o Doom porque era algo que tínhamos em comum no gosto musical, o grande porém é que ele já tinha uma banda nesse estilo (Aporya) mas que era uma coisa voltada mais para o Death/Doom e que possuía letras em inglês, daí então partimos da ideia que seria algo mais diferenciado cantar em português e que daria uma perspectiva diferente do que poderíamos fazer nas letras, expressando as coisas na nossa língua.

Rélogio, CD 2018

“Relógio” CD 2018, primeiro CD da banda, sim, logo direto prum full CD, sem lançar uma promo ou uma demo, isso demonstra que a banda é bem profissional já. E, o CD teve uma outra versão lançada por um selo gringo, formato digipack, este há algo diferente do full normal ou foi somente uma reedição?

Mad: Isso foi uma surpresa para nós porque não tínhamos a expectativa de que alguém lá fora teria interesse em lançar algo nosso já que estávamos cantando completamente em português, mas aconteceu. A versão gringa é apenas um relançamento do disco original com as mesmas faixas, porém com o tratamento dos encartes e selo deles.

A Origem da Agonia, CD 2019

“Relógio” tem recebido bons comentários, tanto da mídia nacional quanto a gringa, e, já possui um sucessor, “A Origem da Agonia”, que, por sinal, tem uma arte gráfica muito bonita. Sendo que, este foi lançado somente em 2019, somente em formato digital, mas, há uma possibilidade do mesmo vim a ser lançado em formato físico?

Mad: Sim, o disco físico será lançado pelos nossos selos parceiros como Tales From the Pit e o Kaotic Records. Muito em breve teremos o lançamento oficial.

Notei um pouco de esmero neste segundo álbum, mas, mantendo o ritmo sorumbático da coisa, com adição de vocais femininos em “Valsa dos Infelizes” que por sinal é feito por “Amanda Lins” (Seeds of Destiny). Como vocês avaliam, a digamos, nítida evolução musical de um CD para o outro?

Mad: Eu dediquei uma atenção muito grande em como esse disco soaria, me preocupei bastante com a ambientação e a atmosfera que eu queria que marcasse, diferentemente do primeiro onde o som está mais na cara, limpo e simples de assimilar, ‘A Origem da Agonia’ soa mais para dentro, denso e sujo porque era algo que eu acreditava ser necessário para que tudo funcionasse bem, George (Baterista) e eu sentamos mais de uma vez para escolher o timbre da bateria e as peças que ficariam mais compatíveis com o ambiente, na música de Diego (Baixista) chamada “Alvorecer”, nós passamos dias para encontrar um timbre de teclado que passasse um tom sombrio na canção e foram esses pequenos detalhes que aos poucos deixaram o disco com sua própria cara, bem diferente do primeiro. Na minha concepção ficou muito bom e foi realmente um salto para nós em termos técnicos também. Este disco resulta numa mudança sonora tanto das composições em si que ganharam um tom mais sombrio quanto do clima da banda ao decorrer do disco.

Quando fala-se de Doom Metal logo o povo associa automaticamente ao Gothic Metal assim, digamos melódico (na pior parte da coisa, kkk), mas, o som que o Ode Insone pratica bebe muito de influências de bandas soturnas, me arrisco a dizer que há algo de M.D.B. e Sadness, munido de um pouco de Black Sabbath e Cathedral. Aproveitando o ensejo, comente o significado do “Doom Metal” na existência da banda!

Mad: Doom é o nosso segmento principal, acredito que por mais que a banda tenha influencias de Gothic, Death e até Black Metal, o Doom por sua vez reserva maior parte do que fazemos. Todos da banda tem suas influencias diversificadas, Lucas (Guitarrista) e eu por exemplo, temos outras bandas de estilos completamente diferentes e isso tudo acaba acrescentando na nossa forma de compor, o que é uma coisa excelente porque faz nosso som ser algo mais único, eu diria que é um Doom com mais atributos que o convencional mas com uma base fiel ao gênero.

Não poderia deixar de comentar o inusitado cover, aliás, versão, de “O Tempo Não Para”, que ficou bem sombria e melancólica, que é a penúltima música do CD Relógio. Como surgiu a ideia e, se vocês têm versões de outros músicas no mesmo seguimento? Não houve um pouco de receio por parte da aceitação do público em fazer esta versão?

Mad: De início não pensamos em reação negativa do público ou algo assim, Tiago deu a ideia de lançarmos um cover e ele mesmo escolheu “O Tempo Não Para” porque achou que combinaria mais com o conceito de “Relógio”, e eu achei uma boa ideia, o resultado foi aquele, curtimos e teve muita gente que gostou também e é isso que importa no fim.

“Ode à João Pessoa”, com a participação do Rodrigo Barbosa (Soturnus), uma homenagem sombria à sua cidade!? Comente um pouco do contexto deste som.

Mad: Essa é a minha favorita do disco, ela fala dos aspectos da cidade, um pouco de como as coisas aparentam ser e algumas características únicas dela como quando Tiago canta “Enfrentamos primeiro a luz! Como estilhaços de fogo!” querendo dizer que em João Pessoa é onde o sol nasce primeiro nas Américas, isso tudo na visão do Tiago, que por sua vez descreveu de forma excelente na letra, tudo isso junto de um riff num estilo semelhante ao Candlemass. Rodrigo cantou divinamente como sempre fez e foi muito divertido o momento da gravação no estúdio, gostaria até de agradecer o pessoal do Soturnus por fornecerem o espaço, isso ajudou muito mesmo. Um fato interessante é que fizemos a gravação de todas as participações do disco em um único dia no estúdio do Soturnus, foi um excelente momento. Amanda surpreendeu com o brilho angelical de sua voz e Eduardo (Vermgod) nos arrepiou cantando em um único take “Entre Vermes Eu Respiro”, quase estourando meu mic, foi sensacional.

Daria até pra terminar logo um split CD no studio, hehe! Aproveitando o ensejo, quais bandas aí da região vocês nos indicaram a conhecermos?!

Mad: Primeiramente nossos projetos paralelos hehe, estou iniciando um outro projeto na vibe Doom, porém com uma pegada mais obscura e com músicas em inglês, chama-se “Doomed Spirits”, é basicamente um projeto para lançar umas músicas que tenho há muito tempo e que não faria muito sentido lançar com Ode. Além disso eu também toco na Sea of Monsters (Metal/HC), Lucas toca na The Unknown’s (Deathcore), George toca na Vermgod (Black Metal), nossa mais nova integrante, Venore, tem um projeto solo maravilhoso, Diego tem a Leaving the Planet e Tiago além da Aporya toca na Flamenhell (Death/Thrash). Também recomendo muito as bandas Soturnus, Quid Est, Exille Alef e Dolorem.

Estamos a viver um momento bem insano (no pior significado da palavra) com a atual situação brasileira (a pandemia do Covid-19), este é uma bela inspiração para um som doom metal, não acham? E, o que dizem sobre o medo decorrente de adversidades humanas, o “homem prega a morte e a desilusão”, mas, quando ela chega, ele se apega a medos interiores!!

Mad: É realmente um momento bem difícil, isso (Covid-19) complicou muito tudo que havíamos planejado pra esse ano e ver o país em uma situação dessas é muito frustrante, mas apesar de tudo isso, de todos os medos, dores e tristezas estamos nos adaptando e buscando novas possibilidades e caminhos pra seguir, acredito que superaremos essa pandemia com dificuldade, mas conseguiremos.

Venore: Em momentos como esse nos deparamos com o ser humano em todas as suas nuances, em seu pior e em seu melhor. A ganância, a ignorância e também a bondade e o altruísmo, se revelam na sua forma mais pura. Apesar de trágica, essa é uma oportunidade para percebermos o que realmente tem valor em nossas vidas. Tudo isso é muito inquietante e inspirador. Tanto que decidimos lançar um EP para simbolizar as nossas vivências durante esse período.

Quais os planos para este final de 2020, considerando-se que, o atual isolamento social embarreirou um pouco a divulgação underground e eventos!

Mad: Decidimos por adiar o lançamento do terceiro disco para o próximo ano, por conta da grande movimentação e trabalho que um Full Álbum exige, tivemos que fazer essa mudança de planos, já que tudo que tínhamos em mente foi por água a baixo com o isolamento. Shows, clipes e logísticas que levam muito tempo para produzir terão que esperar um pouco.

Venore: Apesar das dificuldades para nos encontrarmos, optamos em produzir um EP com 4 ou 5 músicas, o que seria menos complexo que gravar um álbum completo nesse momento. O novo material será baseado na nossa vivência da quarentena, como eu já havia comentado. Particularmente, me sinto bem animada por ser meu primeiro trabalho com os meninos, espero que consigamos lançar o mais rápido possível.

Creio ser isto por hora, agradeço o tempo cedido e, deixo este espaço para que deixe suas considerações finais ou algo mais que queiras relatar!

Mad: Novamente agradeço a oportunidade dessa entrevista e ressalto que atitudes como essa são muito importantes para manter o underground vivo, principalmente nesse período de crise que enfrentamos.

Stay Doom!

Contatos:

https://www.facebook.com/odeinsone/

https://www.instagram.com/odeinsone/

@odeinsone

https://www.youtube.com/channel/UCTM8tHRz7fjmiU029OFxnaw

Mostrar mais

Hioderman ZArtan

Editou os zines "Anaites" e o "Guerreiros Zineiros". Designer gráfico Underground e mentor do Anaites Records.

Veja também...

Botão Voltar ao topo
Fechar
Fechar