Entrevistas

OFFAL – Referência na estética de Horror ao Death Metal Old School

Quando uma banda se torna referência no estilo que pratica, sua obra deve ser avaliada em todos as perspectivas para assim poder ter uma idéia Real de sua importância, que pode variar de opinião para opinião.
O Offal é atualmente uma das referências na cena Death Metal, por inúmeros fatores, pois a aliança entre a estética de Horror ao Death Metal Old School, juntamente com a postura profissional e sincera da banda, vem fazendo com que seu nome esteja a frente do estilo. Contando com André Luiz no vocal ( Lymphatic Phlegm) , Tersis Zonato nas Guitarras ( Lutemkrat, Ex – Axecuter) , Igor Thomaz na batera ( Carrasco, Face do Horror) e João Carlos Ongaro no baixo ( Deformed Slut) a banda fala sobre sua carreira e seus projetos futuros com exclusividade para os leitores do Portal Lucifer Rising Magazine.

2006 – Offal “Full-length”

Salve Offal, tudo bem? Uma honra receber vocês em nosso Portal. O primeiro álbum de vocês, autointitulado, foi relançado pela Mindscrape Music, com inúmeros bônus que reacendem a carniça (no bom sentido hehe), inclusive com algumas músicas de um ensaio da Orgy in Excrements, banda pré-Offal. Podem falar um pouco a respeito? As músicas eram muito boas!

André – Olá Jonatan, como vai? Muito obrigado pela oportunidade de estarmos aqui no grande portal da Lucifer Rising e aproveito para enviar um grande abraço a alguns amigos que fazem parte deste grande projeto: Sérgio Tulula “The Boss”, Fábio Brayner (The Old Coffin Spirit) e o grande Diomar Souza (Rotten Foetus). Bem, as atividades da banda tiveram início em meados de 2002 quando ainda se chamava Orgy in Excrements, mas apenas no final de 2003, após algumas mudanças de formação tivemos a criação propriamente dita do Offal. A banda teve início apenas como um projeto entre amigos, um passatempo de final de semana, nos encontrávamos para tocar alguns covers das antigas bandas que sempre gostamos como Sodom, Destruction, Sarcófago, Death, Autopsy… Porém com o passar do tempo surgiram algumas oportunidades interessantes como o lançamento do primeiro CD e convites para tocar “ao vivo”, então o Offal realmente passou a ter caráter de banda mesmo e não mais de um simples projeto. Os objetivos sempre foram bastante simples, apenas fazer o que gostamos sem compromisso algum, tocar o bom e velho Death Metal essencialmente com características da velha-escola sempre tendo isso como uma grande homenagem, uma retribuição ao que as velhas bandas do final dos anos 80 e início dos anos 90 fizeram e nos deixaram como legado e manter esse espírito sempre vivo e presente! Exato, em 2016, nosso primeiro álbum completou dez anos e como já estava a um bom tempo esgotado resolvemos relançar o material em uma edição comemorativa com uma série de bônus oriundos dos primórdios da banda. A reedição ainda encontra-se disponível através do site da Mindscrape Music ou diretamente conosco e recentemente o álbum original também foi lançado em cassete no Canadá.

2008 – Putr-essence/Bowel Fetus “Split”

Já com a nova formação, em 2008 a banda lançou seu segundo artefato oficial, o Split MCD com a banda australiana Bowel Fetus. Como rolou o convite? E a resposta obtida?

André – Esse lançamento é muito importante para nós, pois ele marca o início de uma nova fase da banda, principalmente na questão das letras e conteúdo em geral. Nesse Split abandonamos de vez a temática estritamente porn/scat do primeiro álbum e dos dias de Orgy in Excrements para a temática que seguimos até hoje, cinema Trash/B de Terror de baixo orçamento. Esse Split foi todo organizado pelo Renzo Onofre (I Shit on Your Face), que na época realizava os trabalhos com o seu selo The Hole Productions e que já havia lançado o primeiro álbum do Offal em 2006. A ideia original era pra ser um Split 7”EP, mas exatamente naquela ocasião não tínhamos mais nenhuma fábrica no Brasil prensando vinil e então a ideia inicial teve que ser alterada. Como não havia outra opção e fazer fora do Brasil era inviável devido aos altos custos de produção, transporte, taxas, etc, o Renzo lançou em um MCD. O resultado final não poderia ter sido melhor, o CD foi lançado no formato “promo”, tinha um preço bem acessível e era de fácil envio, até pouco tempo atrás ainda tínhamos cópias disponíveis, mas no Discogs ainda é possível encontrar algumas cópias desse material. Em 2014, finalmente esse Split foi relançado no formato que deveria ter sido lançado originalmente. O 7”EP saiu pela Rampant Thrush na Austrália, selo do Leo Whitcroft (Die Pigeon Die/Meatal Ulcer). O resultado final ficou fantástico, vinil branco…

2010 – Macabre Rampages and Splatter Savages “Full-length”

Com uma nova mudança de formação estabilizada em André Luiz (Vocal), Eduardo (Bateria), Tersis (Guitarra e vocal) e João Carlos (Baixo), vocês gravaram e lançaram o segundo disco intitulado “Macabre Rampages and Splatter Savages” que obteve uma ótima repercussão na mídia especializada fale sobre isso, por favor?

Tersis – Eu entrei na banda como baixista em 2004, logo depois do primeiro álbum ter sido gravado, haveria um show de estreia, porém umas duas semanas antes tive alguns contratempos por causa do trabalho e da faculdade. Passei as músicas para o João me substituir nesse evento e emprestei meu baixo e amplificador (ele estava sem, pois seus equipamentos haviam sido roubados). Então, eu e o João entramos definitivamente na banda em 2006, dois anos antes da gravação do EP “Putr-essence”, ele ainda como baixista, e eu como guitarrista e a partir daí, começamos a compor novas músicas focando em filmes de terror. Penso que o Macabre Rampages and Splatter Savages é um dos mais importantes materiais na discografia do Offal. O Eduardo entrou durante o processo de composição em 2009, se não me engano. Todo o trabalho foi desenvolvido sem uma data final estabelecida, portanto pudemos moldar o material de acordo com nossos objetivos. Um destaque nesse álbum são as conexões conceituais, começando pela capa e seguindo por toda a estrutura do disco, desde as músicas, intros, letras e material gráfico em geral. Nele, temos algumas faixas bem emblemáticas, algumas das preferidas pelos fãs e que sempre empolgam o público presente em nossos shows, muitos inclusive sabem as letras, cantam os refrãos, etc.

André – O Macabre é um divisor de águas na história da banda, com esse álbum consolidamos o Offal definitivamente dentro em um gênero bem específico, recebemos convites para fazermos Split com bandas consagradas e um contrato para um novo disco com o maior selo do gênero até então (Razorback Recordings/USA). Até hoje recebemos vários comentários positivos de forma geral. Além das músicas, o pessoal sempre elogiou bastante o material gráfico, a produção, os conceitos abordados e o cuidado que tivemos com os pormenores. O álbum já está esgotado faz algum tempo na Black Hole, recentemente ganhou uma versão oficial em cassete no Canadá e também um modelo oficial de camiseta lançado pela Mindscrape Music no Brasil. O plano é relançar o Macabre em LP se houver essa possibilidade em 2020, ano em que completará dez anos de lançamento… seria um grande presente. O Macabre também quebrou aquele estigma que infelizmente até hoje algumas pessoas ainda insistem em citar o Offal como uma banda de Gore Grind! O Offal nunca foi uma banda de Gore Grind, sempre soamos estritamente Death Metal, desde o primeiro álbum. Talvez por algumas características específicas como o efeito nos vocais e algumas músicas mais curtas que ao contrário dessa definição foram totalmente influenciadas por músicas do Shitfun do Autopsy (Brain Damage, I Shit on your Grave, Bowel Ripper…), algumas pessoas ainda fazem essa associação.

2010 – Over There, Guts Everywhere/Merciless Torment “Split”

Vocês disponibilizaram também uma série de vídeos no YouTube da gravação do disco, um material muito legal, até aparece você “aquecendo” a goela haha, fale a respeito dos vídeos?

André – O Tersis teve a brilhante ideia de documentar todo o histórico de gravação e fazer pequenos vídeos para mostrar o andamento das gravações. Recentemente os vídeos começaram há completar dez anos e estamos publicando novamente os mesmos nas respectivas datas de lançamento para relembrar as gravações do Macabre. Quem quiser assistir todos os vídeos basta acessar nossa página oficial no YouTube, estão todos disponíveis, assim como todos os outros vídeos oficiais.

Eu conheci a banda através do vídeo clipe do som “Trial of the Undead” no qual vocês tocam em meio a um apocalipse zumbi, fale a respeito do vídeo e sua resposta obtida.

Tersis – Recebemos o convite de uma amiga de longa data para produzir o videoclipe: era um trabalho para o curso de design de uma faculdade de Curitiba. Eles queriam produzir o material focado em cinema trash e terror em geral, especialmente zumbis. Aceitamos a proposta, oferecendo a faixa “Trial of the Undead“, antes mesmo de terminarmos o álbum todo. Apesar de a equipe ter apenas uma semana para organizar e produzir todo o material para as gravações, conseguimos o apoio de várias pessoas. Ao final tínhamos tudo organizado: roteiro, make-up, câmera, transporte, equipamentos de som, alimentação, locais para filmar, etc…

André – A repercussão não poderia ter sido melhor, é o nosso vídeo oficial com o maior número de visualizações e o mais antigo também, em breve irá completar dez anos de lançamento! Como curiosidade, o convite do pessoal que atuou como zumbi no clipe foi bastante fácil, a produção publicou uma nota na comunidade ZOMBIE WALK CURITIBA do extinto Orkut, explicando sobre a produção e de um dia para o outro já tínhamos dezenas de interessados em participar e aí o pessoal da produção se encarregou de fazer a seleção dos figurantes! Não há planos de fazermos um novo vídeo, creio que realmente não iremos fazer devido a uma série de fatores, custos principalmente, mas esse em especial assim como o “ao vivo” da música “Flesh-grinding…” são bastante conhecidos e a “Trial” é uma música que nunca saiu do nosso set.

Offal, Foto por: Ingrid Marina

Já no segundo álbum vocês estão imersos no conceito dos filmes B de horror, letras, arte gráfica e o som com direito às intros dos filmes mais fodas do gênero. Em minha opinião, vocês são a banda que mais conseguiu amarrar isso de uma maneira natural, coisa feita de fã para fãs. Fale como chegaram a esse nível? Fale também sobre a obsessão pela obrigatória “Quadrilogia dos Mortos Cegos” do diretor Armando de Ossorio (R.I.P).

2010 – Bloodshed from Beyond/Obsessed with Oblivion

André – Obrigado pelas palavras brother! Na verdade não existe uma fórmula ou uma regra para fazer com que as coisas caminhem em conjunto, temática, música e a parte visual precisam obrigatoriamente sempre andar juntos, uma completa a outra, cada uma da sua forma. Durante a produção do disco, foi um pouco difícil abordar filmes nas letras que outras bandas ainda não haviam citado, mas assim mesmo conseguimos homenagear alguns grandes clássicos de maneira bastante peculiar. Fulci, Argento e Ossorio, por exemplo são essenciais em qualquer discografia, não há como fazer algo dentro do gênero sem citar um ou vários dos trabalhos deles. Já no Horrorfiend conseguimos de certa forma sair dos filmes e diretores mais óbvios para abordar produções e nomes mais obscuros, apesar de que há uma nova música em homenagem ao Argento e ao clássico “Suspiria” (1977), “By the Head of the Coven’s Will”. Essa música integra a trilogia das “Três Mães – Suspiriorum, Tenebrarum e Lacrymarum”, com o “Inferno” (1980) e o “The Mother of Tears” (2007). A música dedicada ao “Inferno” sairá em breve no Split com o Gruesome Stuff Relish e a sobre a “The Mother of Tears” será produzida futuramente.

A quadrilogia do Ossorio é uma coleção de clássicos absolutos dos Zombie films dos anos 70 composta por “A Noite do Terror Cego” aka “La Noche del Terror Ciego/The Night of the Blind Terror” (1972), que prestamos homenagem na música “The Cold Grips of Death” no Macabre Rampages… (2010), “O Retorno dos Mortos-Vivos” aka “El Ataque de los Muertos Sin Ojos/The Return of the Evil Dead” (1973), “O Galeão Fantasma” aka “El Buque Maldito/The Ghost Galleon” (1974) e “A Noite das Gaivotas” aka “La Noche de las Gaviotas/Night of the Seagulls” (1975). Apesar de todos fazerem parte do mesmo universo, os filmes são independentes entre si e são tão importantes que em 2007 uma das maiores bandas do gênero foi criada como uma explícita homenagem aos filmes dos zumbis cegos do Ossorio, o grande Hooded Menace, sem falar nas inúmeras outras produções que os filmes da série influenciaram! Ossorio introduziu um novo tipo de zumbi até então desconhecido no universo dos filmes de mortos-vivos: os “mortos cegos”, corpos reanimados mumificados, aterrorizantes cavaleiros Templários procurando por vítimas enquanto cavalgavam em seus corcéis cadavéricos, guiados apenas pelo som e sedentos por sangue humano para sustentar sua existência amaldiçoada. Para finalizar, assim como exaltamos os clássicos filmes de zumbis americanos ou italianos, podemos dizer que a Espanha também tem a sua própria iconografia e pioneirismo quanto à produção de filmes de zumbis, além de combinar elementos visuais de outros gêneros de terror mais antigos, como vampiros, religião – Ex.: os Cavaleiros Templários – e outros elementos do folclore espanhol, contos populares, as lendas de Bécquer (que foi quem inspirou Ossorio a fazer a tetralogia junto ao Romero!), ou histórias sobre fantasmas que aparecem à noite para aterrorizar os vivos. Amando de Ossorio e Jorge Grau são duas lendas do cinema espanhol e deste subgênero e devem ser lembrados e reverenciados para sempre!!!

2013 – Pile and Burn/Cadaverous Crawls to Putrefact “Split”

Entre 2010 e 2015 a banda lançou 05 Split, um mais podre e desgraçado que o outro, dividindo o espaço com bandas do mundo inteiro, em destaque o Split com os zumbis decrépitos do Zombie CookBook. Fale brevemente se possível como rola a concepção de tais Split. E mesmo sendo gravações distintas vocês mantém a mesma qualidade sonora… fale a respeito?

André – A organização, o desenvolvimento e tudo o que é necessário para o lançamento de um Split às vezes pode ser bem onerosa e cansativa. Dois exemplos recentes foram os Split com o Surgikill e o Gruesome Stuff Relish que deveriam ser lançados em vinil pelo selo FatAss da Polônia. O sujeito simplesmente nos deixou mais de um ano aguardando pelos lançamentos e de uma hora para outra disse que não poderia mais lançar nenhum dos dois. Aí houve todo o processo novamente para conseguir novos selos interessados no material e felizmente o Split 7”EP com o Surgikill saiu recentemente pelo selo canadense Von Frost Records e o Split CD com o Gruesome Stuff Relish será lançado muito em breve via Black Hole Productions (BRA). De forma geral, os Split são agendados pelas próprias bandas que então se encarregam de forma conjunta a agilizar toda a produção de preferência com algum selo ou de forma independente mesmo. O Split com o Zombie CookBook especificamente foi idealizado por mim em conjunto com meu grande irmão Fábio Görresen (Flesh Grinder), que na época também tocava no ZCB. Ambos fanáticos por cinema de Terror barato, resolvemos fazer um Split e o velho Fernando Camacho (Black Hole Productions), entrou junto conosco na produção lançando o material. O Split foi prensado nos EUA e ficou realmente muito bonito, com diversas tonalidades de cor. Inclusive no começo do ano, ele nos comunicou que a prensagem estava praticamente esgotada. Então quem ainda não conseguiu uma cópia e tiver interesse deve recorrer ao Discogs velho de guerra. Esse Split, como curiosidade, foi o único que não abordamos um ou mais filmes específicos nas letras, fizemos uma homenagem geral ao gênero e há uma série de diretores, além de gravarmos um novo medley do Autopsy para “Spinal Extractions” e “Fiend for Blood”. No lado do ZCB, a música 1, é uma homenagem ao eterno “Motel Hell” (1980) aka “Motel Diabólico” que depois gerou a produção de um dos clipes mais fantásticos já feitos no Brasil em que fui brutalmente assassinado em umas das mais LINDAS cenas da produção literalmente, hehehe… Ahhh, o Igor, nosso baterista, também morreu rsrsrs… assistam e descubram!

2014 – Dementia Trash/Motel Hell “Split”

João – Creio que o motivo a que você se refere sobre, “manter a mesma qualidade sonora” vem do fato de que as músicas que estão nos Split foram compostas todas na mesma época, ou seja, para a gravação do nosso segundo álbum, o Macabre. Quando entramos nesse processo de composição não pensamos quais músicas vão para o disco e quais vão para os Split. Conforme vamos desenvolvendo as músicas e a estética que queremos para o disco é natural que algumas músicas não se encaixem no contexto, essas são gravadas com as demais para aproveitamentos futuros, como os Split.

Nesse meio tempo tocaram em SP se não me engano e em festivais Brasil afora, fale um pouco sobre?

André – O Offal sempre foi uma banda que tocou muito pouco “ao vivo”, mesmo depois da entrada do Igor e com a estabilização definitiva da formação, nossa rotina e uma série de outros fatores como tempo, trabalho, estudos e principalmente custos sempre foram alguns dos principais entraves para tocarmos com mais frequência. Apesar disso, confesso que não é algo tão importante para nós, isso nunca nos fez falta e não comprometeu as atividades e os objetivos da banda. Claro que sempre é especial tocar em eventos específicos, ao lado de bandas parceiras ou de bandas que são importantes para nós: foi uma grande honra abrir para o Vital Remains, Nunslaughter, Holocausto Canibal, Vulcano e Amen Corner, por exemplo! Temos sim planos de tocar em lugares onde não estivemos ainda e quem sabe até fora do país apesar de sabermos o quanto isso é difícil para nós e de já termos recebido algumas propostas e convites, porém a frequência e a distribuição de datas “ao vivo”, realmente não devem mudar nos próximos anos, ou seja, o Offal vai continuar tocando muito pouco e somente em ocasiões bastante específicas.

Em 2015 é lançado o single “Flesh-Grinding Thrills and Bone-Crushing Chills” que vem (Vinha né? Com certeza não se sente nem o fedor desse artefato), com um DVD que trazia o filme que inspirou o som e um pôster? 

Tersis – Esse material foi extremamente limitado, pois apenas 35 cópias foram produzidas devido ao alto custo de produção. Trata-se de um lançamento especial realizado pela Sonoros Records do grande Rodrigo Romanin em parceria com o Alisson Couto da Cine Macabro, onde continha um lathe-cut 7″ transparente (que é uma espécie de vinil 7 polegadas, low-fi, com som mono), acompanhando pôster, o DVD do filme “The Corpse Grinders” (1971) e um saquinho de vômito (para aqueles que não consigam suportar a nojeira!), haha. Até hoje algumas pessoas me escrevem pedindo o material, mas esgotou tão logo foi anunciado.

2015 – Beyond Madness​.​.​. Where Terror Rise “Split”

André – A ideia do single foi muito legal, foi a primeira vez que lançamos um single de um dos nossos álbuns, não havíamos feito isso anteriormente ainda com capa exclusiva, etc. O single havia sido lançado apenas de forma digital e também fizemos um videoclipe oficial da mesma música para promover o Horrorfiend naquela ocasião. Então em meados de 2017 o Rodrigo Romanin (Sonoros Records), de Piracicaba/SP, sugeriu lançarmos esse single de forma física em um lathe-cut 7” e junto incluímos uma série de itens extras que acompanharam o disco. O material final ficou muito legal, especialmente pelo DVD, afinal nada mais interessante do que você assistir o filme em que a letra da música foi inspirada!

Ainda em 2015 vocês lançam o aguardadíssimo terceiro pedaço purulento sonoro “Horrorfiend” que traz uma das melhores capas de vocês feita pelo fudido Mark Riddick, fale sobre essa arte, por favor? Vocês já tinham essa ideia? Ou a compraram pronta?

João – A ideia de ter a arte produzida pelo Mark Riddick surgiu de diversos complicadores que aconteceram na época. O motivo principal foi que o artista de maioria de nossas capas, o Putrid (@putridgoreart), estava com uma agenda de trabalhos muitos extensa e não estava mais pegando trabalhos para capas de banda, etc. A partir daí começamos uma busca para encontrar um artista que conseguisse entregar o mesmo nível de qualidade do Putrid para nossas artes. Encontramos Daniel “Troma” Johnsson, artista sueco que já trabalhou com bandas como Decrepitaph (USA), Entrails (SUE), Wooden Stake (USA) entre muitas outras. Porém o resultado, apesar de muito bem feito, não ficou dentro da estética da banda, e a descartamos. Começou então, do zero, a busca pelo artista que faria a capa do Horrorfiend. Era um desejo pessoal ter um trabalho feito pelo Mark Riddick no Offal. Eu já conhecia os trabalhos dele e o admirava como artista. Então entramos em contato com ele, passamos o briefing e o resto da história vocês já sabem. A título de curiosidade, quem ficou com a arte desenvolvida pelo Daniel foi o Rogga Johansson do Paganizer (SUE), que provavelmente vai usar em alguma capa dos múltiplos projetos/bandas dele.

“Horrorfiend” traz o Offal na sua melhor forma, as composições são divididas entre todos? Como funciona? Ele traz um som um pouco mais trabalhado. Foi mais devido a mudanças de formação ou um amadurecimento natural da banda?

João –  Acho que um amadurecimento natural da banda. É importante salientar que o Offal tem um compromisso extremo com a qualidade de tudo que sai com o nome da banda. Dito isso, ao entrarmos em período de composição para o Horrorfiend, nossa linha de corte era o Macabre Rampages…, que, como já foi citado aqui, havia sido muito bem recebido. Nada abaixo disso poderia ser pensado para o novo álbum. É claro que quando estamos produzindo música e temos pessoas consumindo essas músicas, existem os fatores de gosto e opinião pessoal de cada um, e já ouvimos relatos pessoais de que o nosso primeiro álbum, assim como o Macabre são os melhores. Porém é unânime entre a banda que o Horrorfiend é nosso melhor trabalho até o momento. Agora ele é nossa linha de corte para lançamentos futuros.

2015 – Flesh-Grinding Thrills and Bone-Crushing Chills “Single”

Sobre as composições. Sim, são divididas entre todos. A qualquer momento qualquer integrante pode trazer/fazer ideias para músicas novas, como sugerir mudanças nas que já existem durante o processo de composição.

Igor – Quando eu entrei na banda, as composições para o Horrorfiend já estavam bem adiantadas, porém eu ainda tive muita liberdade para criar as linhas de bateria e acrescentar novas ideias nas composições em geral. Com o passar do tempo, a experiência que se vai adquirindo é muito importante para o amadurecimento da banda, e a evolução dos seus próximos trabalhos. Sobre as composições não há muito segredo, o Tersis e o João criam as bases, riffs e a estrutura das músicas, e até o André compõe algumas coisas. Então o Tersis grava esses riffs e me envia, a partir daí eu crio as linhas de bateria conforme a música precisa, por fim acertamos todos os detalhes e alterações nos ensaios. Devido à distância em que moramos, eu moro em Rio Negrinho/SC, aproximadamente 100 km de Curitiba, essa foi a forma mais eficaz que encontramos para não desperdiçarmos tempo nos ensaios.

O disco traz as inesquecíveis intros e inclusive contou com lyric videos com cenas dos clássicos de Terror! Uma baita sacada! Eu gostei muito de todos! Vocês pretendem continuar com essa ótima ideia?

André – Obrigado!!! As intros sempre foram um item indispensável neste gênero, especialmente para aguçar a mente dos ouvintes e preparar de certa forma uma atmosfera para a música que vem em seguida. Eu fazia um esforço absurdo para tentar descobrir de quais filmes foram extraídas as intros das músicas do Impetigo por exemplo, e não sossegava enquanto não descobria. Que satisfação quando assisti a cena do “Pavor na Cidade dos Zumbis” – L. Fulci (1980), que foi utilizada na introdução de um dos meus álbuns favoritos de todos os tempos, o “Effortless Regurgitation of Bright Red of Blood” do Regurgitate (SUE), aquilo foi surreal, inesquecível, e assim foi com tantos outros filmes e discos. Não sei se ainda existem pessoas como eu, que se preocupam realmente com isso e dão valor para esse tipo de coisa, de qualquer forma se houverem alguns já estarei satisfeito. Apesar de que facilitamos as coisas para todo mundo, pois colocamos nos encartes de quais filmes as intros foram extraídas, no nosso caso ninguém vai precisar ficar procurando rsrsrs! Ainda faltam três lyric videos para completarmos todas as faixas do Horrorfiend, apesar de termos recebido uma resposta bastante positiva quanto aos vídeos e um número razoável de visualizações, não creio que vamos fazer outros em sequência como desta vez, talvez somente algo mais específico para uma ou outra música ou algum material futuro. A produção é de certa forma bastante simples, mas toma um pouco de tempo para fazermos. Como o Tersis é o responsável pela montagem e finalização dos vídeos, e a rotina dele é bastante complexa, fica complicado achar um tempo extra para mexer nisso, mas aos poucos vamos finalizar todos, certamente antes do lançamento de algum novo material importante! Todos os lyric videos estão disponíveis em nosso canal oficial do YouTube.

2015 – Horrorfiend “Full-length”

Como foi à resposta obtida pelo disco?

André – De forma geral o Horrorfiend obteve um excelente retorno, apesar de não ter sido lançado no Brasil, e isso deve acontecer futuramente, sempre recebemos um retorno bastante positivo do álbum. Creio que ele representa a afirmação da banda no gênero porém ele ainda não foi nosso principal material, creio que nosso ápice ainda deve vir nos próximos anos com os próximos lançamentos, em especial no novo álbum programado para 2020. O retorno sempre foi mais expressivo no exterior, em especial na Europa e nos EUA, onde o disco foi lançado originalmente. Também não houve distribuição específica do álbum por aqui por outros selos ou distribuidoras, quem adquiriu o CD foi diretamente conosco ou nos eventos em que estivemos presentes. O gênero aqui é muito específico, não há um público realmente numeroso ou interessado nesse segmento. Para muita gente no Brasil, cinema de Horror ainda se limita a Jason, F. Krueger e Halloween ou seriados hipsters do Netflix. Sabemos também que a preferência nacional é o Brutal Death Metal nos moldes do forjado pelo Krisiun a partir de meados dos anos 90, são inúmeros os clones nacionais bebendo dessa fonte até hoje, é um segmento muito forte e que continua funcionando a todo vapor, obviamente sem o mesmo retorno do original mas ainda com muito alcance de público. De qualquer forma seguimos divulgando, trabalhando na divulgação do disco tanto que ainda estamos liberando os lyric videos das músicas do Horrorfiend e muitas delas são constantes em nosso set. Recentemente o álbum também foi lançado em formato cassete no Canadá e o grande objetivo é lançá-lo em LP o ano que vem. Ainda temos algumas poucas cópias disponíveis de uma nova remessa que adquirimos no começo do ano junto a gravadora, interessados entrem em contato para mais detalhes informações.

Em 2018 foi lançado o Split com o Surgikill limitado em 250 cópias, pela Von Frost Records do Canadá e pela mesma saiu um box em tape contendo os três álbuns com pôsteres! Um material que deixa qualquer DeathBanger salivando! Fale qual foi a reação de vocês ao verem o produto finalizado?

André – Trabalhar com o John (Von Frost/CAN), foi realmente especial, uma pessoa incrível, de honestidade ímpar e um maníaco por Metal antigo em seus mais diversos gêneros e subgêneros, um “die-hard” mesmo, o tipo de cara que vive a coisa como ela deve, como filosofia de vida! Com o cancelamento do lançamento do Split pela FatAss da Polônia, oferecemos o material para ele e ele aceitou de imediato, além de ter feito uma superprodução com material extra que incluía pôster e cards exclusivos para quem comprou o 7” na pré-venda! O material ficou fantástico, nossas cópias se esgotaram rapidamente e foi uma honra enorme ter lançado esse Split com ele e com o Surgikill, que conta com grandes e velhos amigos como o Billy Nocera (Razorback Recordings), o Ash e a Zdenka Prado que tocam em outras bandas extraordinárias como Estuary, Crucified Mortals, Shed the Skin e um dos heróis de uma das minhas bandas favoritas de todos os tempos, o grande Stevo do Caixão do imortal IMPETIGO, que honra absurda! Quanto às tapes, elas foram a continuidade da parceria com o John, nenhum dos nossos álbuns havia sido lançado nesse formato até então e de imediato fechamos com ele a produção dos três álbuns de uma só vez em cassete. A produção foi ultralimitada também e repleta de extras para quem adquiriu na pré-venda, com pôster exclusivo, cards das capas, etc… Creio que restam poucas cópias disponíveis e somente com ele (vonfrostrecords.storenvy.com), o material ficou fantástico, extremamente profissional e para quem gosta da banda e especialmente desse saudoso formato vale cada centavo do investimento.

Tersis – Vale lembrar que o pôster que acompanhava esses lançamentos em cassete foi desenvolvido pelo artista curitibano Marcus Zerma da Black Plague. Além disso, os 50 primeiros pedidos vinham com cards especiais com as capas dos três álbuns.

2018 – Surgikill/Offal “Split”

Igor – Sempre achei muito interessante essa ideia de lançar Split com outras bandas que são referências no gênero. E esse material é muito importante para mim, pois foi o meu primeiro trabalho lançado em vinil, no qual tive total envolvimento na composição da faixa que o compõem, além do fato do material que foi feito pela Von Frost ter ficado impecável, e também por ter sido em conjunto com um nome como o Surgikill.

Vocês tocam Old-skull Death Metal com uma devoção que salta aos ouvidos, como vêm o desenvolvimento do estilo ao longo dos anos? Com tantas produções soando totalmente artificiais, fale sobre a gravação e produção do “Horrorfiend”, que ficou espetacular!

Tersis – Nossa proposta é sempre buscar uma estética old school, seja pela própria construção musical, o conceito lírico, a arte da capa, do encarte e até mesmo em relação à produção. Gravamos o Horrorfiend num estúdio de Curitiba/PR chamado AudioStamp, com o produtor Virgilio Milléo. O estúdio possui uma excelente estrutura, no entanto trabalha geralmente com outros gêneros e foram pouquíssimas bandas de metal extremo que gravaram lá: um exemplo é o Amen Corner, que gravou o “Lucification” em 2007 (inclusive esse disco foi relançado pela Mindscrape Music como edição comemorativa de 10 anos). No AudioStamp gravamos nosso álbum, além dos Split com o Surgikill e com o GSR mencionados anteriormente. Eu sempre fiz parte da produção dos álbuns, buscando referências, sugerindo timbres e ajustes desde a captação, passando pela mixagem e masterização. Na realidade todos da banda tem voz ativa e participam em todos os processos, mas no Horrorfiend e nos Split, acabei “metendo a mão” mesmo, haha. Em alguns momentos eu fazia pequenos ajustes, procurando alcançar a sonoridade que a banda buscava. Penso que atingimos um ótimo resultado, mas só foi possível devido a participação de todos.

Igor – Obrigado pelas palavras referente ao Horrofiend! A cada ano que passa muitas produções têm ficado cada vez mais artificiais, polidas e mecânicas, muito por conta das bandas que realmente buscam por isso, mas muito é devido a facilidade no uso de softwares como o pro-tools por exemplo, cada vez mais modernos e que proporcionam esse tipo de estética, porém, em contrapartida, muitas bandas tem se preocupado bastante em procurar um som mais orgânico e visceral que lembre as bandas clássicas. Existem várias bandas extremamente novas que se você escutar sem conhecer, você jamais vai dizer que aquilo não foi gravado no começo dos anos 90, nós sempre nos preocupamos em deixar as nossas gravações o mais orgânico possível, desde a captação até a masterização, sem esquecer a parte gráfica, em que sempre optamos por desenhos feitos a mão e com pouca, ou nenhuma, “manipulação” digital.

Offal, Foto por: Marcelo Pimenta (2013)

E em termos a nível nacional o que vocês andam ouvindo e o que gostariam de recomendar aos nosso leitores? Alguma banda gringa também?

André Luiz, Foto por: Divulgação

João – Em âmbito nacional minha última aquisição foi o novo álbum do Orthostat “Monolith of Time”, banda que o baterista do Offal recentemente entrou para a formação. Eu já conhecia a banda de um evento em que iríamos tocar juntos em Guaramirim/SC, porém na ocasião nós não tocamos por decorrência de uma batida policial no local e que acabou encerrando o evento prematuramente. Como o Orthostat abriu o evento aquele dia pude conhecer a banda. Se não me engano eles tocaram 4 músicas que estão na demo “Into the Orthostat”, que eu também tenho. Mais tarde viemos a tocar juntos em outro evento, dessa vez em Joinville com o grande Nunslaughter (USA).

Da gringa tenho ouvido vários sons que vão desde os clássicos Iron Maiden (UK), Megadeth (USA) (old), passando por Paradise Lost (UK), Evoken (US), Gehenna (NOR), Attic (GER), Sulphur Aeon (GER), Deathspell Omega (FRA), Batushka (POL), Aversio Humanitatis (ESP), Father Befouled (US), Dead Congregation (GRE), Embrace of Thorns (GRE), Hooded Menace (FIN), Krypts (FIN), Ulcerate (NZ), Obliteration (NOR) e por aí vai. Os clássicos Death (USA), Autopsy (US), Incantation (US), etc. Acho que nem precisaria citar, isso aí é obrigatório.

André – A cena nacional sempre foi e continua muito rica, há muitos novos nomes em evidência, alguns não tão novos assim, e tenho acompanhado de perto tudo o que é possível, vou citar apenas bandas de Death Metal, não vou citar outros gêneros que ouço com frequência como Black, Grind, Gore, Crust, etc. Algumas bandas nacionais que tenho ouvido bastante, são muitas para lembrar de todas, mas: Echoes of Death (CE), Open de Coffin (RN), Heretic Razor (MT), Gorempire (MT), Wargore (PR), Cemitério (SP), Deadnation (SC), Puttrefication (SC), Volkmort (SC), Cerebral Cannibal (SC), Podridão (SP), Extinction Remains (DF), Eternal Putrefaction (SP), Preceptor (MG), Divine Death (MG), Sepulchral Whore (PE), Venomous Breath (PB), Escarnium (BA), Poisonous (BA), Holder (PR), e as bandas nacionais clássicas de costume… Embalmed Souls (DF), Nauseous Surgery (DF), Eminent Shadow (DF), Headhunter D.C (BA), Infamous Glory (SP), Flesh Grinder (SC), Sarcastic (RS), Rotting Flesh (SP)…

Do exterior tem muita coisa também, mas o que vem a cabeça agora: Cryptic Realms (BRA/MEX/GRE), Surgikill (USA), Oniricous (ESP), Cardiac Arrest (USA), Krypts (FIN), Embalmer (USA), Crematory Stench (USA), Skeletal Remains (USA), Cerebral Rot (USA), VHS (CAN), Paganizer (SWE), Fetid (USA), Hyperdontia (DIN), Tomb Mold (CAN), Carnation (BEL), Chthe’ilist (CAN), Musmahhu (SUE), Atavisma (FRA), Torture Rack (USA), Ruin (USA), Morbid Messiah (MEX), Ectoplasma (GRE), Funebrarum (USA), Sepolcro (ITA), Cruciamentum (UK), Dead Congregation (GRE), Anatomia (JAP), Undergang (DIN), Phrenelith (DIN), Necrot (USA), Eruptive (PAR)… e os clássicos de sempre… Autopsy, Impetigo, Xysma, Repulsion, Blood, Cianide, Asphyx…

João Carlos Ongaro, Foto por: Divulgação

Tersis – Eu sempre fico um pouco frustrado quando vou fazer listas ou mencionar bandas, pois sempre esqueço de algo e acabo lembrando depois de enviar a resposta, haha… Como eu sou responsável pelo selo Mindscrape Music, acabo recebendo bastante material para distribuição, o que faz com que eu ouça muita coisa. Recentemente tenho ouvido Absent (DF), Beast Conjurator (PE), Cruscifire (SP), Deadnation (SC), Dying Suffocation (PR), Erasy (BA), Escarnium (BA), Extinction Remains (DF), Gorempire (MT), Holder (PR), Infamous Glory (SP), Labirinto (SP), Orthostat (SC), Preceptor (MG), Queiron (SP), Rotten Penetration (RS), Rottenbroth (BA), Sepulchral Whore (PE), Svatan (PR), Wargore (PR) e várias outras. Tenho muito material nacional em minha coleção e sempre estou recebendo coisa nova.

Das bandas internacionais: Abigor (AUS), Amezarak (Rus), Blood Incantation (USA), Corpsessed (FIN), Dead Congregation (GRE), Deathspell Omega (FRA), Der Weg einer Freiheit (GER), Disma (USA), Hooded Menace (FIN), Horrendous (USA), Katavasia (GRE), Krigere Wolf (ITA), Krypts (FIN), Mgla (POL), Necrot (USA), Obliteration (NOR), Slugathor (FIN), Sulphur Aeon (GER), Temple of Void (USA), Uada (USA), Vorus (ROM), dentre tantas outras… ah, tenho ouvido bastante o novo álbum do Kampfar (NOR), que foi lançado no Brasil pelo meu selo, além das bandas clássicas do metal extremo (que nunca saem do playlist).

Igor – Sempre procuro estar por dentro do que está rolando na cena local e nacional em geral, dentre as diversas bandas e gêneros que escuto, algumas delas são: Escarnium (BA), Wargore (PR), Expurgo (MG), Echoes of Death (CE), Rebaelliun (RS), Rotten Soul (SC), Violent Curse (SC), Xico Picadinho (SP), Malicious Intent (DF), Podridão (SP), Venomous Breath (PB), Ethel Hunter (PR), Zombie CookBook (SC), Enforcation (SP), Chemical Disaster (SP), In Torment (RS), Fornication (PR), Jupiterian (SP), Nephasth (RS), Siege of Hate (CE)…

No âmbito internacional vou tentar citar bandas mais novas (algumas nem tanto), as bandas clássicas nem precisam ser mencionadas pois como foi dito acima, nunca saem da playlist… segue: Dead Congregation (GRE), Disfigured Dead (USA), Ascended Dead (USA), Blood Incantation (USA), Krypts (FIN), Skeletal Remains (USA), Crematory Stench (USA), Butcher ABC (JPN), Machetazo (ESP), Remains (MEX), Desolator (SWE), Vomitory (SWE), Obliteration (NOR), Krypta (ITA), Nekromantheon (NOR), Surgikill (USA), Incarceration (BRA/GER), Seance (SWE), Fetus Stench (SWE), Undergang (DEN), Ectoplasma (GRE) Morthus (POL), Morgue (USA), Unnatural (USA), (USA) Defaced Creation (SWE), Ritual Necromancy (USA), Burial Invocation (TUR)…

Tersis Zonato, Foto por: Divulgação

E filmes, andam acompanhando algo novo? Você viu o “Hereditário” o que achou? E vocês nunca vieram ao Fantaspoa? Ano passado teve o lançamento do “Mata Negra” do Rodrigo Aragão e foi um evento muito foda!

João – Sim. Falando por mim, sou viciado em cinema, vejo todo tipo de filme, desde os que são puramente entretenimento até os mais “cults”. Sou fã dos Slashers clássicos dos 70’/80′ como Halloween e Friday the 13th. Não confundam a série de filmes de Friday the 13th com a série de filmes Jason (Jason goes to Hell, Jason X e Jason vs Freddy), que são patéticos. Não sou uma pessoa nostálgica que vive de passado e acha que só o que é antigo é que presta. Atualmente tem bastante coisa boa, é necessário uma busca um pouco mais refinada, porque o que chega fácil pra gente é medíocre, mas tem sim coisas boas atuais.

Eu vi o “Hereditário” e achei do caralho, uma pena não ter visto no cinema. O enredo não é uma novidade, mas foi tratado de uma forma muito original e interessante em “Hereditário”. A forma como foram executadas a direção, produção, atuação e fotografia desse filme foram sensacionais também. É perturbador do começo ao fim sem os clichês típicos de filmes de terror atuais como os jump scares, gritaria, barulheira e baldes de sangue. Se você SÓ gosta dessas coisas em filmes de terror é melhor ficar longe de “Hereditário”, que é bem slow-paced. Esse estilo de Terror está se tornando uma tendência dentro do gênero que é bem desgastado. Outros filmes recomendo na mesma linha são o “The VVitch” (2015) e o Suspiria (2018), clássico de Dario Argento de 1977, recentemente regravado, o resultado ficou excelente.

Tersis – Gosto de filmes que exploram os símbolos de uma forma mais subjetiva, amarrando temas de diversas culturas e dando um toque macabro… e esse é o caso do filme “Hereditário”! Eu vi “Mata Negra” na Cinemateca de Curitiba e achei espetacular! Já conhecia o trabalho do Rodrigo Aragão, inclusive assisti também “Mar Negro” no cinema. Quanto ao Fantaspoa, é um evento que pretendo participar um dia. Recentemente, tenho buscado filmes antigos (décadas de 30 a 50) e, embora eu já tenha visto alguns desse período, tive vontade de rever e também conhecer outros. Posso dizer que a estética mórbida me atrai, independente do gênero. Gosto muito de terror dos anos 80 e 90, incluindo os filmes trash/cinema-B, mas também acompanho filmes de suspense, dando preferência àqueles mais psicanalíticos e/ou filosóficos.

Igor Thomaz, Foto por: Divulgação

André – Assim como na música quanto nos filmes estou sempre procurando me atualizar, conhecer coisas novas dentro do gênero e apesar de já termos visto muita coisa, sempre há muito ainda a ser explorado. Os anos 60, 70, 80 e 90 para mim são o ouro puro das produções do cinema de Terror de baixo orçamento, período do surgimento de gêneros clássicos, diretores incríveis e da consolidação do cinema fantástico ou de gênero como queiram no mundo todo. Segue uma pequena lista do que tenho visto ultimamente e que serve também como recomendação: Assistam tudo de Petter Baiestorf (Canibal), Rodrigo Aragão (Fábulas Negras), Joel Caetano (Recurso Zero), Fernando Rick (Black Vomit), Gurcius Gewdner (Bulhorgia), Paulo Biscaia Filho (Nervo Craniano Zero), Luciano de Azevedo (Old Man), Kapel Furman, Ricardo Ghiorzi, Felipe Guerra… tudo o que puder encontrar de produções e diretores nacionais! A MUST SEE japoneses: Tokyo Gore Police (Yoshihiro Nishimura), The Machine Girl e Robogeisha (Noboru Iguchi), Samurai Princess (Kengo Kaji), Meatball Machine (Yûdai Yamaguchi e Jun’Ichi Yamamoto), Tumbling Doll of Flesh (Tsamachiki Amaru – GORNO, imagine o Guinea Pig Series com muito sexo extremo!), Splatter: Naked Blood (Hisayasu Satô), Zombie Hunter Rika (Ken’Ichi Fujiwara), Kichiku dai Enkai (Kazuyoshi Kumakiri), Ichi the Killer, Fudoh e Visitor Q. (Takashi Miike), e Junk (ULTRA ZOMBIE GORE FEST – Atshushi Muroga). Outros clássicos Gorno… Porn of the Dead (Rob Rotten), Re-Penetrator (Doug Sakmann), Orgy of the Dead (A.C. Stephen) e Erotic Nights of the Living Dead (Joe D’amato), esse já é bem antigo, de 1980, mas como D’amato comanda, então…. Produções mais recentes ou nem tão recentes assim: Subconscious Cruelty (Karim Hussein), German Angst e Masks (Andreas Marschall, o German é simplesmente dirigido junto com o Buttgereit!), The Mildew From Planet Xonader (Necrostorm Co.), American Guinea Pig: Bouquet of Guts and Gore (Stephen Biro), American Guinea Pig: Bloodshock, (Marcus Koch), Atroz (Lez Ortega), Francesca (Luciano Onetti), We Are Still Here (Ted Geoghegan), It Follows (David Robert Mitchell), Thanatomorphose (Eric Falardeau), Headless (Arthur Cullipher), Deathgasm (Jason Lei Howden), Carne, Enter the Void e Climax (Gaspar Noé), Taeter City (Giulio de Santi), Baskin (Can Evrenol), Flowers e Lung II (Phil Stevens), e Green Room (Jeremy Saulnier) – Punks Vs. Neo-nazi Skinheads… Acho que é isso por enquanto!

Quais os próximos passos da banda algum show e lançamentos vista? Quando veremos vocês aqui pelo Sul?

Tersis – Estamos focados na composição e gravação de alguns Split a serem lançados em vinil. Temos esse compromisso e, devido a alguns empecilhos na rotina de todos os integrantes, demos uma pequena pausa nos shows. Tocamos uma vez em Estrela/RS e também em São Leopoldo/RS, mas pretendemos voltar e também tocar em outros locais do RS.

Igor – Estamos focados na produção de alguns Split, que por sinal já estão bastante atrasados devido a distância e compromissos pessoais, e já começamos o processo de composição do novo álbum também. Sobre shows, no momento temos apenas uma data agendada para Novembro em Curitiba, e outra em março de 2020 em Pomerode/SC no grande DeathKult Warfest (Será nossa segunda participação neste evento, a primeira foi em 2018), desta vez junto com Master (USA/CZE), Death Strike (USA/CZE) e uma série de outras grandes bandas nacionais.

Como vocês veem o uso das redes sociais e mídias digitais, visto que a discografia de vocês se encontra em algumas plataformas de streaming, vocês tem canal no YouTube onde sempre postam conteúdo…?

Tersis – Esse é um tema controverso e que foi muito debatido, especialmente com a grande mudança que ocorreu ao final dos anos 90, mas que merece levantar a discussão de tempos em tempos: enquanto achávamos que o MP3 tinha vindo para substituir definitivamente as mídias tangíveis como os CDs e LPs, demos mais um passo em direção ao streaming. Creio que existam fatores positivos e negativos nesse contexto. Um exemplo dessa polaridade foi quando lançamos o Horrorfiend pela Razorback Records em 2015: exatamente 3 dias após a data oficial de lançamento do CD nos Estados Unidos, já tinham sido publicados 2 vídeos não oficiais no YouTube com o álbum completo e alguns links para downloads em blogs. Certamente o CD não chegaria tão rápido ao fã russo que publicou em seu canal, o que leva a crer que alguém que teve acesso, tão logo o CD saiu, converteu o álbum e o compartilhou de algum modo com outras pessoas. Isso é excelente pelo ponto de vista da banda, pois algumas pessoas se interessaram em nos promover de alguma forma, fazendo com que outras se interessem em nossa música. No entanto, esse movimento digital fez com que diversos selos, lojas, revistas, zines e outras atividades relacionadas viessem a se extinguir: basta verificar o declínio da distribuição de materiais tangíveis com o passar do tempo. Embora a produção de CDs, LPs e cassetes nunca tenha acabado, a procura é muito menor, tornando os itens mais raros e, por vezes, mais caros. O LP, por exemplo, é tido hoje como um artigo de luxo, pois até para comprar e manter um toca-discos, é preciso investir uma boa grana. Ao mesmo tempo, muita gente não tem espaço ou vive de modo em que não seja possível armazenar coleções, fazendo com que a música digital seja algo muito conveniente. O fato de podermos ouvir as músicas em qualquer ambiente, sem ter que carregar equipamentos pesados e pilhas de discos também tem suas vantagens: devo admitir que também utilize a música digital quando estou fora de casa (creio que a maioria também faz isso). Gosto muito de colecionar materiais, pegar um disco para ouvir, degustando uma boa cerveja ou outra bebida, mas sei que isso não é algo necessário para todo mundo e cada um é livre para ouvir música como achar melhor. Penso que a arte deve estar disponível para todos, mas aqueles que querem mais envolvimento com a música, devem buscar outras informações, afinal capa, encarte, letras e conceito são, na verdade, uma extensão da música.

Offal, Foto por: Divulgação

Outro aspecto que pode ser analisado é vínculo cultural: embora a velocidade de transmissão e a acessibilidade de informações por meio da internet seja interessante para que ocorra promoção e espalhe a obra para todos os cantos do planeta, a relação que as pessoas passaram a ter com a arte, em muitos casos, se tornou mais superficial. Enquanto vivíamos num cenário onde conseguir um álbum (tanto o original quanto uma gravação) era uma batalha épica, me parece que em certos aspectos a música acabava sendo mais valorizada. Digo isso pois, enquanto tínhamos uma vida não tão acelerada como a da nossa realidade atual, as pessoas tinham mais tempo e, consequentemente, mais imersão nas obras: a experiência de ouvir um álbum acompanhando as letras, observando todos os detalhes da capa e buscando compreender as mensagens presentes nos discos era algo mais presente e intenso. Hoje é tanta informação circulando que mal conseguimos acompanhar os lançamentos, sendo impossível absorver as obras em sua plenitude.

Em relação às mídias sociais, é preciso saber filtrar muito bem aquilo que você segue e buscar uma boa maneira de utilizar essas ferramentas. Nem sempre vemos as informações que queremos: ontem mesmo eu estava rolando a minha timeline do Instagram e percebi que a cada 4 ou 5 postagens, 1 delas era propaganda. Ainda que, devido a segmentação e interesses dos usuários, os algoritmos são desenvolvidos para “oferecer aquilo que estamos procurando”, mas fiquei muito irritado com a quantidade de publicidade irrelevante. Contudo, temos a vantagem da comunicação instantânea com pessoas do mundo todo, além de estarmos por dentro do que as bandas e selos estão lançando.

Como eu comentei anteriormente, penso que a arte deve ser acessível e, por esse motivo, colocamos toda a discografia em diversos canais de streaming como Spotify, Deezer, Google Play Music e outros, além de nossos canais oficiais do Bandcamp e do Youtube.

Agradeço a entrevista e atenção, o espaço é seu!

Tersis – Ficamos extremamente agradecidos e honrados com a oportunidade de responder a essa grande entrevista, muito obrigado Jonatan e Lucifer Rising pelo espaço e apoio. Quem quiser ouvir nossos materiais, basta buscar nos canais oficiais que comentei na questão anterior e, se houver interesse em adquirir os materiais, basta entrar em contato conosco pelo e-mail andre.offal@gmail.com, pela página do Facebook, ou pela webstore do meu selo www.mindscrape.net. Mantenham a chama da velha escola sempre acessa!

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Jonatan Emanuel

Respiro e vivo o Bom e velho Metal em todas as suas vertentes, tá no sangue..desde 1985…!! Headbanging Man!!

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