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OPVS NOSTRI – Brado Soturno

CD /2019/ Black Hearts Records

O que inicialmente tinha o objetivo de ser um projeto one-man, tomou forma como banda e apresentou a este podre mundo a demo “Sob o Signo de Baphomet”. Exatamente 10 anos depois, envolto sobre trevas,  a OPVS NOSTRI retorna com seu debut album “Brado Soturno”.

Lançado pela Black Hearts Records no ano passado, teve também sua distribuição através do Zine Death Metal, na edição 35 (veja AQUI).

O Black Metal brasileiro, já há muito tempo, tem uma identidade própria. Assim como, nos anos 80/90 quando ouvíamo o Death/Black feito principalmente em Minas Gerais, em qualquer lugar do planeta identificavam: “Isso é feito no Brasil!”. Percebo que essa linha de Black Metal, ríspido, veloz, odioso, cantado em português,  tem personalidade e sonoridade singular.

“Brado Soturno” é um trabalho feito com brio, tendo uma boa qualidade de gravação o que me agrada, e muito! A OPVS NOSTRI manifesta um Black Metal que particularmente me traz uma sensação de ódio, violência e destruição ao ouvir sua música.

A faixa ‘Ave Lvxferre‘ já demonstra o que estou falando. Destruidora, rápida e com um sentimento perverso. É uma música bem construída, um riff vibrante feito por Paganvs e um solo entre um trecho bem ritualístico, vociferado em latim. ‘Sob a Chama do Fogo Pagão‘ é uma reverência a  Catherine Deshayes, mas conhecida como La Voisin, famosa bruxa francesa do século 17. Cantada em português e latim, essa é uma característica lírica deste CD. A música tem uma variação entre partes rápidas e cadenciadas que dão um clima à mais na composição.

Existem músicas que facilmente se tornam hinos, que ficam eternamente fazendo parte do set list de uma banda. ‘ Gloriam Majorem Samhain’ tem tudo para cumprir minha profecia. Inicialmente veloz e destruidora como um tsunami ( o que faz o público “destruir” o local da apresentação) torna-se cadenciada, num clima de veneração às profundezas (nesse momento o público já está aglomerado na frente do palco exaltando em uníssono: “Gloriam majorem samhain, gloriam majorem”...). A próxima faixa é ‘Suprema Força Obscura‘, como se uma metralhadora fosse acionada num campo de guerra. O baterista Luiz Fernando impõe sua fúria nas baquetas, acompanhado pelo peso do baixo de Mascarum (confira também a faixa ‘ Perpétuo Domínio da Escuridão’ e confirme o ataque imposto pelo baixista) . Música para contar os corpos após sua execução. No meio do trabalho, na quinta faixa, temos uma breve música instrumental, denominada ‘Le Triomphe de Belzebuth‘, contudo não se engane, não tem nada de melódico nessa faixa. É pancadaria e rancor do início ao fim.

Já estamos na sétima faixa e ‘Lagrimas Negras da Morte’ tem uma guitarra com um timbre interessante, o vocal bem audível e compreensível, a variação entre rapidez e cadenciamento, faz a música se destacar pelo conjunto criado.

As duas últimas adorações às trevas são também cantadas variando entre o português e o latim. ‘Gebvrah Glória Intacta’ e ‘Lvcifer Illvminatio Mea‘ nitidamente demonstram como esses seres se debruçaram na escuridão e criaram um trabalho coeso e vibrante. Caracterizadas no mesmo padrão das demais faixas, confirmando a identidade do Black Metal brasileiro.

A forca para o bastardo do Vaticano já tem suas músicas de execução…

 

 

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Giovan Dias

Editor do The Glory Of Pagan Fire Zine, trabalho iniciado ainda na década de 90, voltado ao Black, Death, Doom Metal.

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