Entrevistas

ORTHOSTAT – A intenção do grupo nunca foi ficar famoso ou entrar para a parte nobre das revistas…

Formado no ano de 2015, os catarinenses do ORTHOSTAT ganharam um grande destaque no Brasil início de 2019 com o lançamento de “Monolith Of Time”, que colocou a banda dentre os principais nomes do estilo e emplacando ótimas críticas na imprensa especializada. Hoje conversamos com David Lago (vocalista e guitarrista) para saber mais deste trabalho e de outros projetos do grupo, confira:

David Lago, Foto por: Divulgação

Olá amigos, “Monolith Of Time” é um álbum extremamente técnico, brutal e agressivo, contenos, quais são as principais influências da banda na hora de compor?

David Lago – Olá, Lucifer Rising! É um prazer escrever para vocês novamente. O “Monolith of Time” é um reflexo das influências que todos os membros da banda possuem durante nosso tempo como músicos e como fãs do estilo. Uma característica em comum entre todos os membros é a apreciação por tempos musicais ímpares e compassos complexos, bem evidentes em bandas como Suffocation, Deicide antigo, Disincarnate, além da característica mórbida e sombria do death metal, assim como percebido em bandas como o Incantation, Disma, Deteriorot,  Krypts, Obliteration, entre diversas outras. Quem gosta do aspecto sonoro e do clima afônico dessas bandas, certamente  vai se agradar com o som do Orthostat.

Aproveitando a primeira pergunta, como o ORTHOSTAT trabalha no quesito composição? Todos participam?

David Lago – O Orthostat surgiu como uma continuação para um projeto antigo chamado Hellfrost, que nunca teve a oportunidade de gravar algo, desta forma, houve um tempo onde todas as composições musicais ficavam comigo, mas hoje em dia a banda tem uma dinâmica muito forte e compartilhamos composições, ideias, arranjos, e temos uma liberdade de experimentação muito grande, o que garante novas composições com um conteúdo criativo e técnico de uma forma intrincada e com uma intensidade ainda maior. Hoje consideramos ter uma pegada mais técnica de uma forma abstrusa, e com personalidade. A grande sacada de fazer um som complexo e mórbido é que as características técnicas não ficam evidentes, isso nos agrada muito, principalmente por que não gostamos de bandas que compõem com intenção de esbanjar técnica e velocidade.

Orthostat, Foto por: Divulgação

Fale um pouco desta atual formação, acreditam ser a mais sólida desde o início da banda?

David Lago – Sem dúvidas que sim. Apesar da maior frequência de ensaios na formação da época da demo de 2016 – o que nos garantiu ótimas experiências musicais, hoje temos uma banda mais concisa e mais alinhada com a proposta do nosso som. Essa formação atual se dá muito bem no quesito técnico e na facilidade de execução e principalmente nas ideias para composição e arranjos.
Nosso novo baterista Igor Thomaz (Offal) é muito aplicado e possui uma técnica muito original, o que dá uma grande personalidade à cozinha da banda quando se combina com a criatividade das linhas de baixo do Eduardo Rochinski. Um outro detalhe notável são os solos do meu colega de guitarra Rudolph Hille, que mantém um conhecimento muito técnico de harmonia, modos e escalas complexas ao compor os riffs e solos. Eu por minha parte, tento me aplicar o máximo possível aos instrumentos que toco. Temos um dream team, experimentalmente criativo, obscuro de forma poética e técnico de forma medrada. Neste momento da nossa trajetória estamos muito empolgados com as novas composições e ainda mais ansiosos pelas novas referências musicais.

Santa Catarina é um berço de ótimas bandas, seja de Metal Tradicional, ou de Metal Extremo. Na opinião de vocês, qual o principal fator que propicia este fenômeno?

David Lago – Santa Catarina sempre impressionou o Brasil no quesito metal. Bandas ímpares como o Khrophus, Deadpan, Volkmort, Impiedoso, etc. Talvez isso se deva ao fato de possuir maior quantidade de músicos, ou pela melhor condição econômica da região, além da grande quantidade de shows que vinha acontecendo entre os anos 2010 e 2017. Sem dúvidas estes foram motivos muito evidentes na permanência e evolução da cena metal na região sul do Brasil. Porém, temos tido uma grande redução na frequência de eventos no país inteiro, principalmente nestas imediações, o que tem desanimado muitas bandas. Exceções vêm mantendo viva a chama do estilo, como o Fear Festival, o River Rock, e o MMM. Entretanto, o underground, meio onde temos orgulho de fazer parte, tem sofrido muito com esta carência de eventos. Infelizmente as previsões não têm sido boas para os próximos anos. Espero que o metal consiga manter uma estabilidade em nível nacional e que seja possível manter os a cena underground ativa nos próximos anos e que esta volte a ter a ter atenção e apoio nos próximos tempos.

Orthostat, Foto por: Divulgação

Como vem sendo a recepção da mídia e do público acerca de “Monolith Of Time”?

David Lago – Em uma palavra: Inesperada! A intenção do grupo nunca foi ficar famoso ou entrar para a parte nobre das revistas, sites e meios comerciais de divulgação, e sim, receber reconhecimento pelas composições e pelas ideias musicais apresentadas nas nossas composições. Temos recebido bastante atenção dos meios de divulgação do gênero musical além de diversos depoimentos de metalheads que realmente entendem o estilo e gostam das temáticas, e principalmente do estilo mórbido de fazer death metal. A nossa surpresa em relação à recepção do público quanto ao nosso modelo de death metal e às nossas composições têm provocado um grande engajamento no grupo que se mantém em constante evolução técnica e criativa a todo vapor. Temos muito a agradecer aos que entendem nosso som e que nos apoiam, tornando esta vontade quente e latente de continuar neste trabalho que fazemos ainda mais homogenia e persistente.

O ORTHOSTAT já está trabalhando em novas composições? Há previsão para um novo trabalho?

2016 – Into the Orthostat “Demo”

 

David Lago – Já temos letras bem definidas e boa parte das músicas compostas para o novo álbum, algumas músicas já estão bem desenvolvidas, outras possuem o esqueleto bem definido, mas ainda permanecem em edição, no processo mais legal e divertido da composição: arranjos e detalhes.
Temos a expectativa de lançar o próximo disco no fim de 2020, com um som mais tenso, mórbido, dolorosamente grave e remotamente arrastado nos extremos ínfimos, assim como irresponsavelmente caótico nas seções intensas, além de diversos momentos hipnotizantes nos quesitos técnicos de uma forma não compelida ao ato, porém original.

Vocês acreditam que com “Monolith Of Time” a banda pode apostar em uma turnê europeia? 

David Lago – Nosso disco será lançado através de uma gravadora na Macedônia, está em processo de negociação por uma gravadora francesa e temos outras propostas de lançamento de alguns selos em alguns lugares na Europa. No momento que respondo esta entrevista estou na Europa e tenho divulgado nosso material e conversado com alguns produtores de shows, surpreendentemente estamos tendo uma boa recepção, desta forma acredito que a turnê europeia é só uma questão de tempo. Neste momento estamos preparando uma turnê de sul a norte do Brasil para julho de 2020. Esperamos todos os fãs de death metal mórbido da velha escola presente nestes shows, fiquem ligados!

2019 – Monolith of Time “Full-length”

E sobre as influências líricas da banda, poderia falar um pouco sobre?

David Lago – Nossas influências não são constantes. O primeiro disco foi conceitual no sentido histórico e mitológico, abordando temas relacionados às civilizações antigas, e seus deuses, suas táticas de guerra e outros assuntos relacionados. As nossas influências líricas são variáveis de acordo com o que a banda conversa, e como uma banda que não está na cena popular, nosso principal elo é a amizade, e as nossas conversas influenciam muito nossas letras, pois conversamos sobre o que gostamos, o que nos chama a atenção. Durante as gravações do “Monolith of Time” havíamos conversado muito sobre física clássica, física quântica, astronomia, cosmologia e outros temas relacionados. Naturalmente, as letras deste próximo disco foram moldando-se em torno destes temas que nos fascinam. Aos que gostam da abordagem lírica, esperem algo ainda mais elaborado, porém, mais mórbido, mais filosófico, mais denso, porém verdadeiro e fidedigno no que concerne à ciência e estudos mais inerentes aos assuntos abordados. As letras são atualmente a parte mais fixa do nosso próximo disco e mal podemos esperar para que elas nos rendam os feedbacks que esperamos, não só da comunidade metal quanto da científica!

Muito obrigado por esta entrevista, deixamos este espaço para as considerações finais. 

David Lago – Estamos honrados em mais uma vez ter o interesse da Lucifer Rising na divulgação o nosso honesto esforço musical. Agradecemos às pessoas que nos acompanham e entendem o nosso som. Temos em mente que somos uma minoria no subgênero do death metal, porém – de forma não pretensiosa – consideramos que este estilo que tanto nos fascina, faz com que estejamos seguros de que os headbangers que gostaram do nosso primeiro álbum vão apreciar o segundo disco em uma intensidade ainda maior. Esperamos que fiquem tão empolgados quanto nós estamos! Stay Death, keep the old flame alive!

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Luis Lozano

Programador e designer gráfico para a web, com diversos trabalhos realizados com foco na informação e fortalecimento do underground.

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