Entrevistas

OUTLAW – Amoralidade e Liberdade Espiritual

O Black Metal brasileiro vem cada vez se fortalecendo com bandas de alto nível técnico e musical. Dentre elas destacamos a banda paulista OUTLAW.  Finalizando as gravações do novo trabalho, o ano de 2020 promete ser intenso com esse lançamento e turnê pela Europa! Conheçam mais sobre sobre a banda e seus conceitos… 

Por que o “batismo” sobre a nomenclatura de OUTLAW?

O conceito do nome OUTLAW, parte da ideia de uma anarquia espiritual. Vemos o nome como uma representação de nosso conceito musical e espiritual. OUTLAW é a amoralidade, e a total liberdade espiritual.

Vocês se intitulam como Orthodox Black Metal. Entendo esse termo como característica filosófica e não musical. Qual o significado dessa ortodoxia?

Nos colocamos como Orthodox Black Metal pois temos realmente a ideia de nossas musicas como não somente música, quando falamos em luciferianismo ou qualquer culto de mão esquerda, estamos falando de algo que realmente cremos, não usamos isso somente como um artifício para chocar as pessoas.

Partindo ainda nessa linha de pensamento, quando para vocês o Black Metal deixou de ser um estilo de apenas duas palavras e precisou de complemento e adições?

O Black Metal foi diferente em todas as épocas. Em sua origem era um estilo muito próximo do Heavy Metal britânico, com o tempo foi ficando mais obscuro, surgiram bandas mais melódicas, bandas mais sinfônicas, e assim foi começando a necessitar de novas nomenclaturas. Vejo o nome Orthodox Black Metal como uma maneira de nos diferenciar de bandas que falam de lúcifer de forma totalmente infantil.

Recentemente anunciaram a entrada do baterista da banda finlandesa SPELL OF TORMENT, Tommi Tuhkala. Como aconteceu esse convite? Será membro fixo da banda para gravações e turnês nacionais e internacionais?

O Tommi entrou em um momento que não encontrávamos músicos com a mesma mentalidade que nós para tocar na banda. No Brasil, infelizmente, temos poucos bons músicos dentro do Black Metal, e a maioria deles está preocupado apenas em colocar blastbeats, e isso não é algo que se encaixa com o som do OUTLAW. Durante esse ano, eu estava procurando no Youtube covers de bateria de bandas de Black Metal, logo de cara me apareceram alguns vídeos do Tommi. Consegui encontrar o perfil pessoal dele, e o convidei para tocar com a gente na tour européia. O resto foi se desenrolando até que decidimos colocá-lo oficialmente na banda.  Ele será nosso baterista em todos os shows que puder comparecer, e já gravou nosso novo álbum.

Qual o motivo da saída de Luck Arnold? 

Incompatibilidades ideológicas e musicais, nós levamos ambos a sério.

Ainda falando em formação da banda, algo que me chama atenção, são os pseudônimos. “D”, “B”, “A” e agora “T”. Algo em especial? Algum motivo ideológico?

Utilizamos isso desde o início pois não vemos nossos nomes como algo importante. Sentimos que para dar o melhor de nós todos, temos que nos dissociar de características egocêntricas quando trabalhamos em nossa música.

 Aqui no Brasil, muitas bandas/hordas de Black Metal, tem uma postura radical, onde as apresentações quando não são restritas, são unicamente com bandas do próprio estilo. O OUTLAW tem alguma restrição para suas apresentações?

Não vemos sentido em apresentações restritas. A música assim como o caminho ocultista, tem como o propósito a expansão. Porém, não confunda a expansão, com a necessidade de novos adeptos. Temos em mente de que tudo que é muito secreto, não passa de conspiração, por isso, não temos medo de nos expor e tocar com bandas de outros estilos. Sinto que no Black Metal, muitas vezes as bandas agem com um certo medo dos outros estilos, porém, são as pessoas de fora que devem nos temer, e não o contrário.

Ano passado foi lançado o debut “Path to Darkness” . É um trabalho de extrema qualidade, com sua assinatura na produção. Para quem ainda não conhece, posso assim dizer que este trabalho soa como feito por um “filho” do DISSECTION e WATAIN?

Você conseguiu captar nossas maiores influências, porém, não tivemos essa intenção quando compusemos esse disco. Queríamos fazer um trabalho que soasse belo, porém, obscuro. Talvez por isso sejamos tão comparados com essas bandas, e essa comparação não nos incomoda nem um pouco, já que todos temos uma ligação muito forte com elas.

Títulos de algumas faixas como “Mahapralaya”, “Kali Yuga” e a faixa título do álbum nos demonstra o lado ideológico da banda. Qual o caminho da escuridão seguido por vocês?

Não temos um único caminho, felizmente a mão esquerda nos da a opção de seguir por diversas vias diferentes para chegar ao mesmo objetivo.

O que podemos esperar para o próximo trabalho. O que pode nos adiantar em termos de sonoridade, conceito, letras, arte?

Vemos o nosso segundo trabalho como uma continuação do primeiro. Esse disco vem mais pesado, mais obscuro e mais melódico. Esse é um álbum de devoção, e isso é tudo que posso dizer sobre as letras. A arte já está pronta, e revelaremos em breve.

Já ouvimos comentários sobre uma turnê europeia. Há datas definidas, locais e bandas que dividirão o palco? Quem ou qual banda você teria a honra de notar que estaria assistindo a apresentação do OUTLAW no velho mundo?

Ainda não temos notícias a respeito de quais bandas tocarão conosco, porém, já sabemos que o SPELL OF TORMENT dividirá o palco com a gente em alguns shows na Finlândia e no norte na Europa, e obviamente o POWER FROM HELL. Não sei se faria alguma diferença para nós ter alguém de alguma banda que admiramos em nosso show, pois eu nem mesmo consigo imaginar como isso seria.

Agradecemos por aceitar nosso convite. Fique a disposição para finalizar essa entrevista com o que melhor lhe convier. O espaço é seu.

Gostaria de agradecer em nome do OUTLAW à LUCIFER RISING e ao Giovan pelo espaço e pelo trabalho realizado para o underground.

Todas as fotos por: Leandro Cherutti

CONFIRAM ABAIXO O DEBUT :

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Giovan Dias

Editor do The Glory Of Pagan Fire Zine, trabalho iniciado ainda na década de 90, voltado ao Black, Death, Doom Metal.

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