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OUTLAW – “The Fire in My Tomb”

CD - 2020 - Drakkar Productions South America Division

Ouvindo esse álbum, pensei profundamente como nós temos grandes pérolas no nosso país e, muitas vezes, essas pérolas estão ainda dentro das suas conchas. “The Fire in My Tomb” é uma pérola rara, aquela pérola negra que ainda está dentro da sua concha e que precisa ser descoberta e exibida feito um troféu.
É necessário se debruçar sobre esse álbum para poder descobrir suas entrelinhas, seus meandros e se aprofundar em seus detalhes mais sórdidos, de uma música complexa, atmosférica e cheia de grandes recursos técnicos que não deixam nada em dívida com nenhuma banda de renome no mundo. “The Fire in My Tomb” começa soando feito IMMORTAL em seus primeiros álbuns e, no decorrer das audições vou identificando referencias muito interessantes de DISSSECTION nas construções rítmicas e melódicas, até que lá pras tantas, por volta da quarta faixa “Indestructible Destroyer” fica bem clara a influência primaz dos suecos WATAIN, essa talvez seja a referência que posso situar a todos o nível das composições dessa banda.

O álbum abre com uma introdução bem soturna, sombria composta por Narciso Legio, até que se desvela uma faixa suprema chamada “Archangel´s Fall”, de uma poesia ímpar narrando uma passagem muito bonita entre linhas de nascimento e morte, de queda e ascensão “Muito além da graça de Deus/A verdade vai destruir todas as estrelas vivas/Para você meu amor, minha rosa negra/Para se limpar do jahveh/Venha, pegue minha mão e saia deste lugar/Para um lugar para morrer/Morra em minha mão pela queda do arcanjo/Na escuridão, que te devora…” escrita por Renan Furlan.

A terceira faixa, muito bem elaborada, aliás vale ressaltar a habilidade incessante do barerista T. (o finlandês Tommi Tuhkala – SPELL OF TORMENT), que dá uma atmosfera potente as músicas da OUTLAW, tamanha sua precisão e criatividade, o que dá uma riqueza impar as músicas. “The Fire in My Tomb” mostra essa potência com um encaixe de vocal muito bem feito, com algumas partes intercaladas e uma voz não muito rasgada, chega a lembrar um pouco vozes de bandas de Thrash Metal mais violentas dos anos oitenta, mas casaram perfeitamente com a proposta da banda e, como já disse acima, soa muito semelhante ao trabalho da WATAIN, porém quero deixar claro que estou usando apenas como uma referência sonora, nada além.

A quarta faixa é a que mais me chamou atenção nesse álbum, primeiro pela letra, que tem uma construção muito interessante e soa extremamente versada na teoria do caos, uma teoria relativamente nova, mas que construiu adeptos ao redor do mundo rapidamente. Bom, quero crer que fiz a leitura corretamente, inclusive essa leitura acontece mais uma vez na faixa “The Entropy” e “Ashes and Blood”, faixas cinco e oito respectivamente. Trata-se de uma teoria/empírica de Frater Nemidial que criou o grimório Liber Azerate os quais foram responsáveis pela co-autoria das letras do aclamado álbum “Reinkaos” da banda DISSECTION.
A faixa “Indestructible Destroyer” fora escrita por Thomas Karlsson (DEVIL LEE ROT / PAGAN RITES) e, certamente merece uma audição mais atenta. Outra faixa que me chamou muita atenção foi a sétima “I am the Seed” que tem a luxuosa participação de Aron Romero (POWER FROM HELL, ANARKON), uma música extremamente atmosférica e, vale muito ressaltar que não há adições de teclados no álbum, pois muitas vezes associamos atmosfera aos teclados e aqui a reverberação foi muito eficiente. Falando em eficiência, o encarte possui um bom gosto especial em sua elaboração, o uso das ilustrações, apesar dos contrastes poderem terem sido usados de outras maneiras, os negativos e os dourados ficaram confusos com a harmonização das gravuras, mas no geral o trabalho ficou muito bom. Outro fato que, como apreciador do estilo, me intriga um tanto o fato da banda só usar a inicial na descrição dos integrantes e não ficar evidenciado o uso dos corpse paints de forma ostensiva, na foto, me pareceu algo pontual e discreto.

OUTLAW nos entrega em “The Fire in My Tomb” nove faixas muito bem feitas, muito bem executadas e sua apreciação me faz reforçar a ideia da importância de se ter o material físico em mãos, o quanto é importante conhecermos profundamente o lirismo e a arte de uma banda de Metal (em sua magnitude). Quero aqui deixar meus sinceros parabéns aos OUTLAW por este segundo álbum de altíssimo nível e que não pode faltar no acervo de nenhum metal maníaco.

Confiram a faixa ‘Indestructible Destroyer’:

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Anton Naberius

Vocalista da Eternal Sacrifice (Pagan Black Metal) Professor de Arte Visual, Artista Plástico e Especialista em Arte e Patrimônio Cultural.

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