Entrevistas

PACTUM – 25 Anos Sob os Domínios de Satã!

“...não tornem o Black Metal apenas mais uma forma de entretenimento como tantos outros...”

É com grande honra e satisfação que publicamos a entrevista de uma das mais antigas bandas de Black Metal brasileira, tendo sua origem ainda no auge do Metal Negro Mundial que foi a década de noventa. De lá pra cá a PACTUM lançou diversos materiais que marcaram sua discografia e a de muitos dentro do círculo de admiradores. A banda passou por algumas reformulações e retornam com um poderoso EP lançado via Drakkar Productions Brasil. Nessa conversa, exploramos de tudo: carreira, turnês, lançamentos e opiniões, sendo essa uma das grandes entrevistas que tive o prazer de conduzir.

Saudações meus nobres aliados, quanto tempo! É uma honra poder entrevista-los depois de tanto tempo em silêncio, contem-nos sobre as novidades da banda, os projetos e etc.

Abigor: Saudações meu grande irmão Anton Naberius, realmente já se faz algum tempo! É uma honra imensa conceder essa entrevista. Apesar do silêncio durante alguns anos, permanecemos trabalhando de forma bem lenta com o PACTUM e também trabalhando com outros projetos musicais que temos ou tivemos envolvimento, no mais temos estado concentrados na criação de um novo disco para o próximo ano.

Uma banda como a PACTUM, que surgiu no auge do Black Metal brasileiro e mundial nos anos noventa, como vocês percebem o cenário para o estilo no decorrer destes anos?

Abigor: O Black Metal já teve dias de glória, já foi temido e muito mais respeitado, e isso foi se perdendo com o passar dos anos porque nos tornamos tolerantes demais, atualmente, alguns poucos bastiões do estilo defendem aquilo que sempre nos orgulhamos como ideologia e atitude, no demais a “cena” se amontoa de diversos embustes de todos os tipos, vários “wannabes”, asseclas cegos de novas visões distorcidas, de atitudes tendenciosas que ao meu ver se movem sorrateiramente para destruir o que conquistamos com sangue e honra.

Posso me vangloriar por possuir praticamente todos os artefatos lançados pela banda, com exceção da primeira demo: “Ascension and Proliferation of the Black Empire” de 1996, mas é possível notar que os materiais desde a demo: “Ad Majorem Luciferi Glorium” de 1999 até o álbum “Desecration is the Cult We Belong” há uma regularidade sonora preservada pela banda no decorrer desse período, a que se deve essa regularidade e o que fez a banda abolir o teclado de lá pra cá?

Abigor: A “Ascension and Proliferation of the Black Empire” foi uma demo ensaio que teve algumas dezenas de cópias divulgadas, eu mesmo perdi a minha cópia e estou tentando recuperar uma nova com um dos velhos amigos para poder digitalizar e colocar à disposição daqueles que nos acompanham. De certa forma, há uma regularidade sonora em todos nossos trabalhos, há uma essência, não só ideológica, mas também musical, que liga um trabalho ao outro, por mais que possamos perceber uma diferença na maneira de compor ou como soa um disco para o outro, ainda assim, é possível perceber essa regularidade, e acredito que isso se deve ao desejo primordial pelo qual a banda foi criada e é isso que nos move ainda. Já a questão de não usar os teclados nos demais trabalhos do PACTUM após a segunda demo é que com a saída da tecladista na época, tivemos uma dificuldade imensa em encontrar alguém que pudesse ocupar o posto de novo tecladista e isso foi se arrastando durante os anos, e fomos nos adequando sem necessitar do teclado, foi simplesmente uma questão de achar a pessoa certa, o que não aconteceu até então.

Vocês estão lançando um material inédito após um período de hiato, aliás dois hiatos importantes na banda desde o “Desecration…” de 2007 até o Split com PRIMORDIAL IDOL que só saiu em 2015. Como avaliam esse novo lançamento, como vocês nos apresentariam o trabalho e o que ocorreu com a banda durante estes 13 anos desde o lançamento do último álbum e o lançamento de “Nigredo”?

Abigor: Nigredo na verdade reúne algumas coisas inéditas que fizemos durante esses hiatos e algumas coisas velhas que antecedem os hiatos, e que entraram nesse lançamento como bônus como forma de presentear aqueles que acompanham e apoiam nosso trabalho, na verdade esse lançamento não é um Fulll –length e sim um EP que a Drakkar Productions lançou, Nigredo é uma prévia para o próximo álbum que sairá no próximo ano. Em relação aos últimos 13 anos, o que ocorreu é que, antigamente morávamos todos na mesma cidade e tínhamos uma frequência de ensaios maior, as coisas aconteciam com mais rapidez em se tratando de compor um material novo. Depois nos mudamos de cidade, de país, tivemos outras prioridades que exigiam uma atenção maior, como profissão e estudos, tudo se dificultou ainda mais, a distância tem um peso maior em toda essa questão, apesar da aproximação digital que há hoje em dia, a distância física ainda dificulta as coisas em se tratando de uma banda e acaba sendo lento um processo que deveria ter um pouco mais de agilidade, mas vamos superando os obstáculos na medida do possível.

Ingressando no quesito lirismo, há uma grande confusão atualmente sobre o que versa uma banda de Metal Negro, a confusão principal são referentes a contextos que não dizem respeito a mão esquerda e sim a contextos políticos partidários e sociais, qual a visão de vocês sobre isso, essa distorção sobre a filosofia pertinente ao Metal Negro?

Abigor: Tenho me deparado com muitas coisas estranhas ultimamente, o VERDADEIRO BLACK METAL nunca teve um cunho político, partidário ou social, e qualquer banda que se intitule Black Metal e diga ser motivada por tais princípios é um embuste sem precedentes, se uma banda faz isso, ela pode ser tudo, menos Black Metal, foda-se a política, foda-se os políticos, foda-se a direita, a esquerda e todas suas extremidades, foda-se todos esses vermes e os robôs que os seguem, ou seja como o velho Lemmy Kilmister disse outrora: “Nós não nos importamos com a política. Políticos são todos iguais. Todos os políticos, sem exceção, são filhos da puta no final das contas. Não importa em quem você vota, você invariavelmente terá um governo de merda. Eles só se preocupam com eles mesmos e seus bolsos. Todos os filhos da puta mentem.”

Sabemos que o Metal em geral, tem e passa por vários ciclos, notadamente estamos vivendo um ciclo de bandas que se rotulam “Ortodoxas” e, estas, nos oferecem uma estética musical e visual também um pouco destoante da tradicional firmada nos anos noventa, por exemplo, como vocês enxergam esse ciclo?

Abigor: Em se tratando de Black Metal a palavra, ou o termo “Ortodoxo” para mim simplesmente quer dizer Tradicional com uma nova roupagem, uma nova apresentação mas com o mesmo propósito, porém eu ainda prefiro o termo Tradicional, no entanto, desde que estas bandas continuem a fazer o trabalho do Diabo nessa terra moribunda na qual vivemos e defender o Black  Metal (seja ele Tradicional ou Ortodoxo, como queiram intitular) como uma expressão da arte advinda de nossas ideologias e que não tornem o Black Metal apenas mais uma forma de entretenimento como tantos outros no decorrer de décadas já fizeram, qualquer um que viva assim tem meu respeito e minha atenção, no demais, é dever de quem leva a sério e defende o Caminho da Mão Esquerda reconhecer os embustes que vagam entre nós e aos que forem reconhecidos como tais, que sejam marcados em sua alma e que em sua mente ecoe eternamente, os escravos servirão.

A banda sofreu por causa de formações, assim como a maioria das bandas que conheço dentro da cena, como vocês enfrentam isso e como classificam a atual formação? Nos apresente esses novos hereges.

Abigor: Sim, algumas pessoas passaram pela banda, alguns se tornaram grandes amigos, outros já não valem um figo podre e foram chutados da banda por serem verdadeiros embustes. Atualmente temos um novo membro que é nosso novo baixista, o Odes in Tenebris que está conosco desde 2017, o restante da formação continua a mesma do Hate, Evil & Arrogance, que além de mim nos vocais, conta com Azrael nas guitarras e Malphas na bateria.

Em 2005, vocês lançaram um material, que considero melhor trabalho de vocês particularmente falando, que foi o “Hate, Evil & Arrogance” e com esse material vocês saíram em turnê pelo país, inclusive tive a honra de dividir esse altar convosco em uma noite atribulada (risos), como vocês avaliam aquela experiência, como foi a recepção dos asseclas naquela época?

Abigor: Fico imensamente honrado por este material lhe agradar meu velho amigo, pois é, dividimos o palco com o grande ETERNAL SACRIFICE em Feira de Santana/BA, realmente foi uma noite atribulada em todos os sentidos (risos), serviu para elucidar algumas situações, uma noite para rever velhos e novos aliados, foi uma noite de celebração aos deuses sinistros da escuridão. Sobre a turnê como um todo, isso foi muito importante para o PACTUM, sem sombras de dúvidas, foi uma experiência incrível e ímpar, foram 70 dias de estrada e nos apresentamos nos estados do PR, SP, ES, BA, PI, CE, RN, MA, PA, MT, MS, fomos muito bem recebidos em todos os lugares pelos quais passamos e todos os shows foram extremos e intensos, um verdadeiro culto ao underground nacional, particularmente me orgulho muito de ter feito esta turnê e gostaria de repetir a dose no futuro.

Diria que o músico do metal é extremamente inquieto e que dificilmente se dedica a apenas uma banda ou projeto, isso posto, quais são as outras bandas e projetos que os membros da PACTUM estão envolvidos atualmente?

Abigor: Além do PACTUM atualmente eu estou envolvido com o NAHASH HARYM e o BLASPHEMOUS KULT, o Odes In Tenebris está envolvido com WODONAZ, LÁBAR’OCULTO e MAUSOLEUM, Azrael com o SAVAGE AXE OF DEATH e o Malphas com o SACRILEGIA.

Vocês pensam em voltar a fazer turnês e quais os planos da banda sobre um álbum completo?

Abigor: Sim, com certeza, mais do que nunca as apresentações ao vivo estão em nossos planos, faz falta toda essa energia dos shows e um álbum completo sairá em 2021 via Drakkar Productions, estamos concentrados nesse momento nessa produção, em breve teremos novidades a todos, aguardem!

Agradeço imensamente pela colaboração e o estreitamento dessa antiga aliança, deixo aqui o espaço aberto para suas profanações e blasfêmias…

Abigor: Agradeço a você meu velho amigo e ao Portal Lucifer Rising pelo apoio ao PACTUM e por nos ceder este espaço, continuem espalhando a praga satânica e apoiando o evil underground nacional. The cult remains alive and burning like the depths of hell … 666!!!

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Anton Naberius

Vocalista da Eternal Sacrifice (Pagan Black Metal) Professor de Arte Visual, Artista Plástico e Especialista em Arte e Patrimônio Cultural.

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