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PANDEMMY/ABSCENDENT – Obliteration (split)

Digital - 2019

Hoje foi lançado o primeiro split com a banda pernambucana PANDEMMY e os italianos do ABSCENDENT. Já havia visto Pandemmy sendo citado dentro da cena e nunca tinha ouvido nada deles. Ao ouvir “Obliteration” constatei que se trata de uma banda com uma qualidade realmente indiscutível. A banda se classifica como death/thrash. Não sei se poderia colocá-los nesse termo, mas existe sim algumas coisas em comum. A sonoridade da banda me lembrou bastante o AT THE GATES e vou ser muito sincero, o PANDEMMY consegue ser melhor que esses caras. Obviamente é uma percepção muito particular. Cada um ouve uma banda e a entende ou não. Eu nunca entendi bandas como o AT THE GATES. Musicalmente é uma banda que não me conquistou, mas ouvi o suficiente para fazer essa comparação. O PANDEMMY tem aquele cacoete do death metal de Gotemburgo, mas tem personalidade e um grande trabalho musical. A faixa “Fear of Choosing a Side” é bem isso. Tem agressividade, solos excelentes, uma construção estrutural incrível e uma composição impecável. “Unwttnessed” começa pancadas e riffs realmente muito bons. O uso de vocais guturais e rasgados ficou legal também (ainda que os vocais rasgados não me agradaram tanto assim, soa como alguma criaturinha de filme). A parte melódica dessas composições são excelentes e casam muito bem com a agressividade que surge durante a execução das faixas. “Withholding” é uma faixa mais trampadona que tem seus momentos brutais como um ponto alto.A última faixa do PANDEMMY é “Them Not Me”, um cover do imortal MOTORHEAD, que ficou legal. Não curti muito a vocalização, mas não compromete a versão. A produção da parte que cabe ao PANDEMMY é excelente e isso faz uma enorme diferença na percepção de quem ouve. A banda italiana ABSCENDENT inicia com “Elegy” uma intro que não faria falta alguma se não tivesse sido incluída. A música começa de verdade com “Veneration of the Unspeakable” e realmente a banda se mostra um excelente nome para estar nesse split. É um death metal mais trabalhado, com mais partes cadenciadas, apesar de existir brutalidade. Os vocais são mais rasgados e me lembravam um pouco o vocal do Obliveon canadense. Música muito boa e com um nível técnico alto e quando a banda soa mais tradicional, como no final da música a qualidade fica ainda maior. “Relinquishment” vem na sequência e é uma música bem pesada, mas que seria ainda mais se a gravação da bateria tivesse mais peso. Tem horas que apenas as guitarras aparecem. Mesmo ouvindo com um fone de ouvido o caixa da bateria parece muito magro, quase um estalo. A próxima faixa “Shrine of Inhumanity” é a que mais curti. O split fecha com um excelente cover para “Spirit Crusher” do DEATH. Realmente ficou muito bom. O que mais fica evidente nesse split é que as bandas brasileiras evoluiram muito nos últimos anos, principalmente as bandas mais extremas e ao colocar dois nomes de continentes diferentes a qualidade se equivale. Duas bandas excelentes e um split que precisa de uma versão física para honrar de forma concreta o trabalho de ambas. Vale a citação de que parte artística da capa foi feita pelo artista Alcides Burn, que mais uma vez detonou. Ouçam o split no final da resenha e confiram a qualidade do PANDEMMY e do ABSCENDENT.

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Fabio Brayner

Editor do The Old Coffin Spirit zine e um completo metal maniac desde 1985. Ex-membro de bandas como Sanctifier e As the Shadows Fall.

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