Entrevistas

PAPA NECROSE – Fidelidade ao Death Metal Old School

Ofendendo o representante maior do Deu$ Morto

 Definitivamente o Death Metal é algo para ser levado muito a sério por esse grupo. Totalmente aversos aos modernismos e atualidades duvidosas, a PAPA NECROSE mantém uma linha do mais puro “Death Metal Old School”. Nesta entrevista conheça um pouco mais da banda que vem se destacando no cenário baiano, lutando arduamente de todas as formas para manter o Underground vivo!

A primeira vez que ouvi o nome da banda, achei bem original. De onde surgiu a ideia?

Alessandro Necrose – Salve irmãos! Antes de qualquer coisa respondida, quero agradecer a oportunidade /espaço para nós do PAPA NECROSE.  Eu,  como vocalista,   agradeço em nome da banda, admiro muito quem mantém esta essência, sempre que posso leio zines, páginas online etc… Sobretudo as dedicadas ao metal underground ao qual me interesso mais.

Formação da gravação do CD. Foto por: Roots

Então cara, este nome surgiu de nossas insanas conversas minha e de Danilo (guitarrista) sobre a nossa visão de mundo e o que pensamos sobre o ser humano e sobre religiões , PRINCIPALMENTE  a católica, a maior e mais antiga entidade opressora da Terra. Quando mudamos do nosso antigo projeto de Thrashcore para a atual sonoridade voltada pro Death Metal  tradicional ou como falamos Olds chool , em conversas sobre a linha de crítica da banda (sempre ao som de DEATH ou OBITUARY rsrsrss),  nós decidimos por este nome para ofender o representante maior das igrejas, tirar dele a referência de $antidade e colocá-lo como necrosado, apodrecido, então o nome PAPA NECROSE, é uma referência a degradação da religião , apodrecimento humano e mostrar as pessoas que este inimigo não está distante, muito pelo contrário, é apresentado como solução de problemas cujo os mesmos criam.
PAPA (igreja, representante do Deu$ morto) NECROSE (degradação da humanidade apodrecida em corrupção moral).

As influências da velha guarda do Death Metal mundial são nítidas no som da PAPA NECROSE, porém, além disso, vocês já citaram SLAYER e antigo SEPULTURA. O bom e velho Thrash Metal oitentista faz parte dessa podreira ?

Alessandro Necrose –  Sim… Faz bastante!! Eles contribuíram  muito com nossa sonoridade, álbuns como Schizophrenia e Hell Waits  são verdadeiras aulas de violência musical,  e a gente segue muito essa linha de sonoridade baseada em riffs poderosos, Speed na bateria e solos, esses elementos fazem parte do contexto sonoro do PAPA NECROSE.  Além de tudo, essas bandas são grandes influências para nós integrantes, (SLAYER mudou minha visão de musica  rsrsrs…) e  SEPULTURA  (álbum Arise) foi a primeira coisa que eu ouvir de metal em minha vida seguido depois de MALEFACTOR e daí por diante… Posso falar por Danilo (guitarra  base) e Carlinhos (guitarra solo) que gostam bastante desses elementos  que o Thrash Metal oitentista traz. Cito essas coisas pessoais por que a sonoridade da banda  tem muito haver com nosso gosto pessoal, nós tocamos o que gostamos de ouvir praticamente e todos da banda tem liberdade para opinar no processo de criação das músicas.

Como aconteceu a aliança com a banda DISFORMES para o lançamento do split “ Culto a Morte” ? Ficaram satisfeitos com o resultado e divulgação?

2016 – Culta à Morte “Split CD”

Alessandro Necrose –  Cara,foi de uma forma bem surpreendente e inusitada, quando a gente terminou de gravar a demo, tivemos a ideia  de nos concentrar na gravação de um Ep, porém eu e Danilo achamos melhor criar esta aliança e pensando também  a nível estratégico de divulgação, lançar um Split junto com outra banda, então fizemos a proposta para Elton do Deathreign Records, (diga-se de passagem um grande irmão e batalhador do meio underground também como as prensagens do ZINE VISÃO UNDERGROUND) .Então ele aceitou e a principio propôs o split com a banda peruana DEATH INVOKER,  mas eles tiveram problemas pois estavam envolvidos em outros projetos, então o Elton trouxe a DISFORMES, e na hora aceitamos pois trata-se de uma banda séria e muito fudida. O resultado da divulgação foi excelente, tanto para nós quanto para eles, pois o material chegou nas mãos de headbangers  que não  conheciam ambas as bandas, além de estreitar o laço entre nós e eles que futuramente vamos fazer mais parcerias para eventos.

Fazendo desde 2010 um ‘Old Death Metal’ , sem meios termos, após esses 9 anos de estrada, como vocês vêem o Death Metal atualmente ?

Foto por: Roots

Alessandro Necrose –  Então, para nós são dois aspectos, o Death Metal Underground nacional e o estrangeiro, as bandas clássicas estrangeiras estão voltando a perceber que o publico gosta mesmo é  de “Rispidez”e peso, digo isto por ter ouvido os lançamentos de 2017 do OBITUARY  e IMMOLATION, dois monstros consagrados do Death Metal, e das novas como: SKELETAL REMAINS  (EUA), GRUESOME (EUA) etc… Trazem para si desde seus primeiros lançamentos os aspectos que tornaram o Death Metal o que ele era na grande fase clássica de 90, o que eu penso ser ótimo para os fãs do Old School  Death  Metal. Trazendo um pouco para o ambiente baiano saíram alguns lançamentos de demo, Ep, full das bandas daqui nos últimos três anos que eu achei muito interessante e num nível altíssimo, exemplo álbum do DEVOURING “‘suffering and  Deformity”,  ótimo material!  Estou falando só de lançamentos, que eu acredito  que somente isso não mensura  o todo cenário Death, eu vou a shows, e  as bandas de Death Metal estão cada vez mais preocupadas com  a qualidade sonora, estou muito otimista com os anos a frente.

Foto por: Roots

Danilo Vagner –  O Death Metal sempre foi e sempre será o terreno que mais nos sentimos à vontade. Eu posso dizer que vivo isso 24hrs na minha vida, seja escutando ou falando sobre, para irmãos do Metal, no trabalho, na faculdade, em casa, como integrante da ROTTENBROTH ou editor do REX INFERIS WEB ZINE. Hoje em dia o Metal da Morte consegue permear por muitas realidades e a que está mais em foco hoje é o Death Metal atmosférico e o com características Doom, mas sabemos que o Death Metal tradicional terá sempre o seu espaço pois não existe uma disputa no estilo.
O Death Metal sempre será dos mais insanos e de alma impura, principalmente aqui na América do Sul. Não suporto bandas que investem mais em imagem do que atitude. Para muitas bandas que existem em todos os lugares, que se maquiam como Death Metal mas com posturas de “groselhas”, eu só lembro que calça de homem não cabe em guri!

Um dos grandes problemas de qualquer banda underground é manter uma formação estabilizada por um longo tempo. E com a PAPA NECROSE, como lidam com isso?

Alessandro Necrose –  Exato! Enorme problema isto, desde o inicio do PAPA NECROSE foram 3 baixistas e dois bateristas cada um deles com motivos pessoais de família, trabalho etc..Tiveram que se afastar e dos membros fundadores estamos eu e Danilo que acabou meio que se tornando dois pilares da banda, e após a gente tem Carlinhos (guitarrista solo) com mais tempo. A gente tenta transformar o ambiente da banda no mais prazeroso possível, dando voz e respeitando qualquer integrante independente do tempo que esteja conosco. Somos uma banda que gosta muito de ensaio, estúdio, parte de criação, tentando sempre melhorar nosso nível de musicalidade por isso é bem complicado ficar trocando sempre de formação, dificilmente a gente sai de um ensaio sem criar ou modificar nada RS.. Mas tentamos sempre respeitar a individualidade de cada um, suas correrias pessoais

Foto por: Divulgação

decidimos junto horário de ensaio, dia etc… Se for interessante ou não tocar em alguns eventos que aparece e tal, e quando ocorre um inevitável de um membro sair, substituímos pensando nestas características que acreditamos ser melhor para estar no PAPA NECROSE.

Danilo Vagner –  O nosso maior problema sempre foi com bateristas, quando não podem estar presentes nos eventos, negligenciam ensaios, nos enrolam e acabam perdendo oportunidade de tocar em uma banda séria e de irmãos, na verdade a PAPA NECROSE é literalmente uma família. Sendo bem sincero, acho que os bateristas (Não com menção a todos), são os instrumentistas que dão mais trabalho, isso é uma opinião de muitas e muitas bandas que eu troco ideia. Na PAPA NECROSE já passaram 5 bateristas (Claro que alguns não tiveram nem a hombridade de explicar o porquê saíram) e agora estamos no sexto.

 Estão atualmente com um novo baterista.  O mesmo já tem um currículo no Metal Extremo, correto? Apresente-nos.

Danilo Vagner –  Luã Barros, baterista da GRAVEREN e OVERDOSE ALCOÓLICA,  está conosco agora, é um cara que domina a técnica necessária para a nossa linha de som e não tem problemas em aceitar críticas. Tenho certeza que estamos aprendendo juntos e temos a certeza que se depender da PAPA NECROSE, ele perdurará o maior tempo possível.  Luã foi um cara importante no retorno das nossas atividades, ele assumiu a responsabilidade com muita destreza, não é envolvido com conversa fiada como muita gente adora aqui em Salvador, tem a gana de seguir e é doente por música extrema como todos da banda são.

Formação atual. Da esquerda para direita: Carlos Silva (G), Danilo Vagner (G), Alessandro Necrose(V), Luã Barros (D) e Eric Gusmão (B). Foto por Divulgação.

A PAPA NECROSE é uma banda nitidamente ativa na cena soteropolitana. Como vocês vêem a cena de Salvador atualmente em termos de bandas e produtores?

Papa Necrose ao vivo, Foto por: Divulgação

Alessandro Necrose –   Cara em termo de bandas aqui em salvador dispenso até meu comentário … As bandas daqui já nascem inalando enxofre no Death Metal mesmo. Temos desde bandas consagradas mundialmente até as novas com um bom nível de qualidade,só surdo não ouvi o barulho que sai da terra sem $alvação ou quem tem má vontade com metal Underground local e nacional, eu fico e fiquei  até meio surpreso com aceitação da boa parte da cena local com a gente pois aqui o Black Metal e Death Black sempre foram prioridades no respeito do publico, e nós trazemos uma linha um pouco diferente,  mais puxada para as bandas tradicionais da Flórida  com elementos oitentistas, então nós temos muito orgulho em está nesta cena da Bahia e somos mais um de muitos que há aqui. Eu vejo muita qualidade nas bandas e também alguns pontos a melhorar, nós temos que se preocuparem cada vez mais, lançar materiais oficiais,Full álbuns, saber que evento local é consequência e não sempre prioridade, tocar é extremamente foda e necessário, sobre tudo aqui que o publico passa uma energia anormal, mas registros oficiais são de bastante importância, claro que há muita dificuldade em gravar CD, porem a busca tem que ser constante, claro, se isso for do desejo da banda,auto valorização é desnecessário nos temos que se misturarmos com qualquer banda ou qualquer tipo de produção só para se apresentar, vejo isso aqui e em outros locais e fico puto !!  Porem isso vem melhorando em uma velocidade muito grande. Em relação aos produtores, PUTZ… SÃO GUERREIROS, parece que o público de alguns anos pra cá tem perdido a vontade para com shows undergrounds, eventos que antes davam facilmente 150 até 200 pessoas para chegar a 50 ta difícil, são acúmulos de prejuízos e isso não pode ocorrer, SHOW TEM QUE DAR RETORNO RS! Mas retorno para poder ter outros eventos, isso está ocorrendo em todo Brasil,é necessário  estudar possibilidades de saídas, em outro lado tem aquela minoria de “Pseudo produtores” que tentam ganhar nome em cima de banda underground, colocando elas para tocar sem nenhum  tipo de suporte, o que é um absurdo, eles com discurso de “ah estou tentando fazer pela cena” fazer o que? RS… se nem respeito a banda tem ! Então é preciso ficar ligado nesses caras, pois eles mancham a imagem de uma maioria que quer realmente produzir, entre outros cuidados como seleção de cast no evento, saber utilizar bem as bandas locais, temos boas bandas, não precisa repetir uma banda 15 vezes ao ano, dar oportunidade as novas (o que tem ocorrido)  mas os integrantes também precisam colaborar, picuinha desnecessária entre nos não leva a porra nenhuma (..) vamos nos respeitar cada vez mais pois facilitamos o trampo  das produções sérias, Enfim, são esses pontos que tenho a dizer.

Foto por: Divulgação.

 Danilo Vagner –  Hoje em dia, Salvador tem se mobilizado e tem ocorrido muitos eventos bacanas e em diferentes lugares, seja em sons só com banda de BLACK, DEATH, THRASH ou HEAVY METAL, as coisas tem acontecido por aqui. A responsabilidade dos produtores tem aumentado e acho que isso é de fundamental importância, pois se a organização vale a pena, as bandas e o público fazem questão de estarem presentes.  Acho que algo aqui em Salvador que demora de mudar é a frequência nos eventos por integrantes de banda ou do pessoal do Black Metal nos eventos de Heavy, Thrash ou Death Metal, não sei se muitos deles acham que são demoníacos demais pra estarem nesses eventos,  mas eu só quero lembrar a esses, que o Heavy Metal veio antes de tudo ahahahaahh Será que sabem disso? Será que quando estão no aniversário de um parente eles se retiram do local por tocar uma lambada por exemplo? Muito complexo de entender! Eu acredito numa melhora referente ao Underground de Salvador,  pois as bandas e o público merecem, nós fazemos nossa parte, estamos nos eventos como Metalheads, participamos dos eventos e executamos da melhor forma possível nosso repertório e os eventos que nos metemos a organizar, fazemos com todo capricho e cuidado possível pra que seja um evento foda.

Antes que um apocalipse nuclear chegue, já podemos destruir nossos tímpanos com o  o début  álbum  “ The Souls Collector Vatican!!!   Dê todas as informações possíveis deste lançamento. O que os deathbangers vão encontrar? E como está a divulgação? Acredito que quando esta entrevista for ao ar, o show de lançamento já aconteceu!

2018 – The Souls Collector Vatican “Primeiro Álbum”

Danilo Vagner –  É irmão, literalmente foi um trabalho porque deu um trabalho da desgraça. Pensamos em todos os detalhes deste álbum de forma que demonstrasse ali, todo nosso raciocínio quanto ao que pensamos sobre as mazelas da humanidade e com foco principal na instituição mais corrupta, mentirosa, genocida, deteriorada, manipuladora, vazia e prepotente existente na terra, a igreja católica.
As letras falam sobre a revolta que todo ser humano sente quando lhe é usurpado qualquer forma de descontar, tudo o que um vaticano da vida, fez com a história de todos, verdadeiros ladrões e financiadores do genocídio humano, propagadores do medo na massa e verdadeiros ventríloquos do poderio mundial, por isso o título numa tradução corrente fica: “O colecionador de Almas do Vaticano”, uma referência ao papa que para nós, sempre estará podre. Isso também se espelha na própria capa do álbum: Um papa em um barco, com uma foice, pescando em um mar cheio de representações da própria igreja católica se afogando (Acho bem pouco), numa linguagem de semiótica, atingimos com a arte, todo o conceito do álbum. A igreja sempre foi boa em pescaria, principalmente quando pescam os peixes já mortos, concorda?
Como todos sabem, mantemos nossa veia voltada ao Death Metal dos anos 90, porém acrescento que nas composições do álbum, imprimimos também muita coisa do Death Metal mais brutal, seja em letras ou em partes nas composições.
O processo de produção começou no SD estúdio (Sidney) quando gravamos todo o material separadamente e em pistas, para posteriormente, enviar os arquivos para serem mixados e masterizados pelo Vincente Fonseca (Também responsável pelo Sixth Legion da MALEFACTOR).
A arte da capa foi criação do Emerson Maia (Bugtrog), coloração digital pelo Cayo Bakarky, a parte gráfica do álbum ficou a cargo de mim mesmo, o que nos ajudou muito em quesito de economia e para produção do material físico, contamos com a ajuda dos parceiros de selos: COSSOCO RECS (SP), BLACK ORDER PRODUCTIONS (BA), SATANIC SOUNDS (AL), THE METAL VOX (BA), BLAPHEMIC ART (RS) e REX INFERIS (BA).
Estamos divulgando pelas redes sócias e principalmente pelo facebook que mantemos inclusive uma página (https://www.facebook.com/papanecrosedm). Vários Headbangers tem adquirido o cd por todo país e até agora, as críticas tem sido bem construtivas.Como você mesmo disse, participaremos do evento de lançamento do álbum dia 09/02/19 aqui em Salvador e espero vê-lo por lá pra batermos cabeça juntos e encher a cara!!! Stay Death!!!!

O espaço é seu para as considerações finais!

 Danilo Vagner –   Agradeço a oportunidade e suporte que você sempre nos dá, Salvador precisa de pessoas assim, que fazem mais do que falam. Longa vida ao LUCIFER RISING MAG e a você Giovan. O Underground merece isso… “Certain Death, Life is Not”

(*) Entrevista originalmente publicada na terceira edição do THE GLORY OF PAGAN FIRE ZINE em 2017. Reeditada e complementada exclusivamente para o Portal da Lucifer Rising Magazine.

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Giovan Dias

Editor do The Glory Of Pagan Fire Zine, trabalho iniciado ainda na década de 90, voltado ao Black, Death, Doom Metal.

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