Resenhas - LPs/Cds/K7s

PIAREVARACIEN – Nad Krajem Braslauskich Aziorau

Crush The Desert / Werewolf Promotion - Importado

Recebi da Crush The Desert Records o álbum Nad Krajem Braslauskich Aziorau (Abril, 2019) da banda Piarevaracien e digo a vocês que estou ouvindo há quase 5 dias seguidos. Um looping intricado, culpado e revolucionário, nutrido pelo sangue bielorrusso que emana dos cânticos desta obra prima.

A mente por trás do projeto Bielorruso de Minski é Naisha Vaina, e demonstra muita técnica e evolução ao longo das faixas. Há muito amor, nacionalismo e ressentimento de tudo que a região sofrera ao longo dos séculos.

A Bielorrusia sofreu profundas alterações sociais e culturais com anexação territoriais e principalmente após a Revolução de 1917, que nao foi nada boa para independência do país. “a Russa Branca” como foi vulgarmente conhecida após a anexação de territórios e formação territorial pós quwda da União Soviética ainda colhe os frutos do ignorância europeia e através desta obra traz um tributo ao que é de fato seu. Identidade.

“Dom Mihiel” traz guitarras lindamente trabalhadas, mas potência. Uma ótima abertura para a segunda faixa Ad Naradzennia (À Nação) que evoca a que o álbum veio. Guitarras fortes, ritmadas com um vocal forte a la Death Metal anos 80.  O peso da melodia encanta, mas também faz transbordar clamores em torno de uma pátria amargurada e sofrida.

A banda se intitula Pagan Black Metal, mas confesso que não é o mais obscuro dos Black Metals que já ouvi e nem precisa ser. Se você está curioso pelo nome da banda, o que eu posso te fornecer é “Werewolf” – Lobisomem. Mas o título do álbum é alo que não tenho uma tradução exata.

“Imhniennie Viecnasci” tem melodia, potencial e sentimento. As guitarras são impressionantes e superam a barreira linguística. Vale muito a pena conferir este hino. Atmosfera encantadora que te prende em cada acorde.

Na sequência temos “Kraj” que é bem folk. Um pouco de Black Metal, Punk e polca? Acho que sim. Parece bem aquelas músicas de rebeldia operária dos camaradas russos após 1917. E é um portal para o lamento que se segue em “Nad Krajem Braslauskich Aziorau ” (algo como Para além do fim….) que traz desintegração misturada com o fim de esforços pela liberdade. É um hino de aprisionamento e de desespero com o cárcere que deve ser vencido.

“Pusteca” traz guitarras rítmicas com instrumentos de cordas. – Um violino? – creio que sim e é lindo. Muito sonoro, mas há uma pegada dramática de clímax da música com muita harmonia e power riffs. Somados com blasts de Black Metal bem Darkthrone.

“Zorka” (Curandeiro? Padre?) a palavra vem do Bósnio e é um lamento. Se você não chorar ouvindo esta faixa como eu chorei, então cuide desse coração seu “Coração Gelado” (rs). Desespero por ter templos pagãos em chama, cidades tomadas, povos mortos e como é achar que não se renasce dessa destruição nunca mais.  Lembra da barreira linguística? Pois é, aqui ela já não importa. Após os 3:40 dessa faixa você vai entender porque o sangue, o suor e as lágrimas são importantes na formação de uma identidade cultural.

Nota: 8/10

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Ricky Lunardello

Historiador e Sociólogo, Pagão de alma Viking, apaixonado pelo Metal Extremo e pela cultura underground.

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