Entrevistas

PROFANE SOULS – SATÃ é nosso espírito negro de guerra da sabedoria e da verdade

Como toda grande banda da cena metálica, principalmente do underground Black Metal, a Profane Souls é uma das poucas que resistiu ao tempo e conseguiu alcançar seu objetivos e construir seu legado. São 25 anos de muita luta na cena underground nacional e correndo em paralelo à muitas outras que foram caindo de seus pedestais ou sendo levadas por carruagens fúnebres. Com tanto tempo de estrada e lutas a banda conseguiu, finalmente, lançar seu Debut álbum “Ritual de Blasphemia” e nos honra com a cessão dessa grandiosa entrevistas as sangrentas páginas da Lucifer Rising. A conversa é bem histórica, trazendo fatos muito importantes sobre a banda e sua trajetória, fazendo jus à estes vinte e cinco anos batalhando pelo Metal Negro Nacional. Com a palavra o nobre Witchhammer.

É com grande honra que entrevistamos uma das bandas mais antigas da cena nacional, que está na ativa desde 1996 e pegou uma das épocas douradas do Black Metal Mundial. Sejam bem vindos, demônios! Nos conte um pouco dessa longa trajetória desde o início até o presente momento.

WITCHAMMER: É uma honra para nós também, e agradecemos desde já pela oportunidade em poder nos expressar nessas negras páginas de uma revista conceituada como a Lucifer Rising . A PROFANE SOULS é de origem da cidade Corumbá/MS foi formada em início de 1996, a princípio um lugar distante demais dos grandes centros undergrounds, das gravadoras, dos estúdios de ensaios de shows etc., mesmo assim acreditamos que era possível construir algo que pudesse chegar aos grandes centros. Com muita luta e dificuldades estruturais e financeiras conseguimos gravar algumas DEMO TAPES e realizar algumas entrevistas para zines da época e trocar correspondências pelo brasil e exterior, além de fazer alguns shows aqui pelo estado, chegamos até a fazer uma tour pela Bolívia, essa época não tínhamos acesso à internet tão pouco à redes sociais. Por troca de correspondências enviávamos dezenas de cartas para os amigos e a partir disso divulgávamos nosso material e ficávamos sabendo o que estava acontecendo mundo afora. Hoje estamos residindo em Curitiba/PR desde 2005, uma cidade que nos acolheu muito bem, construímos grandes amizades e uma negra aliança!!! Desde então seguimos trilhando nossa negra saga que é disseminar e denunciar e desmascarar toda a mentira e enganação propagada ao longo desses 2 mil anos de uma cultura imposta e enfiada goela abaixo pelo cristianismo, uma ilusão de salvação que cometeu genocídios, pregou o sectarismo, etnocídios (genocídios) e deixou seus rastros de sangue por onde passou até os dias de hoje.

Sendo uma banda de origem nos anos 90 e vindo de uma cultura completamente diferente da difundia hoje, qual a visão da Profane Souls sobre o cenário do Metal Negro no Brasil?

WITCHAMMER: Quem viveu parte dos anos 80 e início dos anos 90 sabe que muita coisa aconteceu ao longo desses anos e que consequentemente trouxe algumas mudanças em nosso cenário , surgiram ainda mais hordas do gênero, muitas que vieram a contribuir ainda mais com nosso cenário e a nos fortalecer e tornar o nosso necroundergorund ainda mais coeso. Creio que o cenário brasileiro segue construindo grandes hordas, grandes fanzines, revistas especializadas no gênero, grandes eventos, festivais, produtoras e gravadoras, enfim… estamos no caminho certo!!! alguns falsos infiltrados e algumas divergências de ideias e pensamentos acontecem e precisam ser as vezes discutidas, mais isso é um fenômeno que acontece em toda parte do mundo.

Assim como muitas bandas, a Profane Souls conseguiu lançar seus materiais, mas passou por alguns problemas quanto a divulgação. Sabemos que o Real Radicalismo pregado nos anos noventa também era um dos principais motivos que faziam da bandas, zines e tudo envolvido na cultura underground algo restrito, como vocês encaram hoje essa questão do acesso ser um tanto mais “fácil” que anos atrás?

Ritual de Blasfêmia (Full-length 2021)

WITCHAMMER: Realmente essa época fazíamos nosso material chegar nas mãos de guerreiros(as) em que quem a gente realmente confiava, que trocávamos correspondência e sabíamos que nosso material estaria seguro. Sabendo disso quando gravávamos nossa demo tape já era praticamente para um grupo de pessoas na qual tínhamos contato, era em média 100 a 200 cópias no máximo. Anterior a Profane Souls eu tive 2 bandas uma em 89 a 91 (Autópsia) e a outra em 92 a 95 (Sacrifício) então eu pessoalmente tenho um pouco a falar sobre o que acontecia nessa época, foi uma época de muito radicalismo e luta que de uma certa forma foi positiva para a consolidação do nosso necrounderground brasileiro se tornar coeso e fortalecido até os dias de hoje. O reflexo de tudo isso é que hoje podemos contar, com grandes gravadoras, produtoras, eventos, lojas especializadas no gênero, bons estúdio de ensaio. E com a chegada da internet e redes sociais tudo ficou mais acessível e, consequentemente começou a dar mais visibilidade as hordas antes menos conhecida a divulgar seus materiais mundo afora. É difícil nos dias de hoje uma horda se manter totalmente no anonimato ou no total underground a maioria quer aparecer de uma certa forma até para expor suas ideias e sua luta.

Vocês lançaram algumas demos na sua trajetória, qual teria sido entre elas, a demo que mais deu visibilidade a Profane Souls na cena?

WITCHAMMER: Lançamos 5 demo tapes em Corumbá/MS e 1 demo CD que foi “Na terra de Satã” aqui em Curitiba com nosso grande irmão e aliado de guerra Lanfernnis, com esse lançamento e já morando em Curitiba e com a ajuda da internet e das redes sociais conseguimos alcançar uma melhor visibilidade da horda e construirmos novas negras alianças pelo Brasil afora e consequentemente a ser convidados a realizar várias celebrações pelo brasil.

É bem difícil uma banda brasileira conseguir sair de suas fronteiras estaduais, mas a Profane Souls conseguiu tocar fora do país, como se deu esse convite e como foi essa experiência?

WITCHAMMER: Como tínhamos contato também com países vizinhos e podíamos enviar nosso material para esse países, acabamos recebendo o convite de um velho amigo e guerreiro Windsor da Congregacion Black Morbid de Santa Cruz de La Sierra. Então nos preparamos para a guerra e fomos lá realizar esses negros rituais em 1997, depois em 99 fomos novamente. Foi uma experiência infernal, superou nossas expectativas, tudo muito bem organizado, fomos bem recebidos e o que mais me surpreendeu foi a quantidade de guerreiros (as) presente nos eventos. São muito fãs das bandas brasileiras, tivemos até que tocar um cover do sarcófago.

Há um excelente histórico de bandas nacionais que cantam na língua portuguesa, Profane Souls é uma dessas bandas, o que os levou a escolher cantar seus hinos na língua materna, apesar de aqui, ali terem algumas referências em inglês?

WITCHAMMER: Desde um começo tínhamos a ideia de cantar em português e também algumas letras em inglês, gravamos algumas poucas blasfêmias em inglês até os dias de hoje. Esse novo trabalho está todo em português, quem sabe num próximo trabalho podemos compor 1 ou 2 letras em inglês, mas nossa proposta é de seguir blasfemando em nossa língua pátria mesmo.

Aproveitando a questão anterior, quais são os temas abordados em suas letras, sobre o que versam? Quais as intenções por trás de suas palavras? Doutrinação, mensagem, lirismo, poesia…

WITCHAMMER: Ao longo dos meus 50 anos de existência de conhecimentos empíricos e literários … posso te dizer que nossas letras falam sobre uma sociedade livre de preceitos morais, livre de doutrinações, de religiões as quais são apenas instrumento de controle e manipulação . SATÃ é nosso espirito negro de guerra da sabedoria e da verdade. É uma luta constante para um mundo livre de tantas mentiras e ignorâncias que nos foi imposta desde que nascemos. Devemos desmascarar, profanar e blasfemar contra todos esses 2000 anos de mentiras e enganações, para que nós e nossas futuras gerações possam usufruir e gozar de um mundo melhor… precisamos descontruir todas essas mentiras do cristianismo e todas suas vertentes, para vivermos realmente livres para nosso anseios…

Após tantos anos de batalhas, finalmente Profane Souls lança seu primeiro álbum “Ritual de Blasfêmia”. O que causou tamanha demora e como surgiu a oportunidade de lançar através do selo paulistano Black Hearts?

WITCHAMMER: Tudo que foi construído nesses 25 anos de história foi com muita dificuldade e luta!!! contudo, temos nossas vidas pessoais, trabalho, estudo , família etc., e sem nenhuma produtora ou gravadora nos dando suporte fica difícil de gravarmos com mais frequência. Temos sempre que tirar dinheiro do bolso para tudo, mas sempre estou criando novas letras, novas composições para estarmos prontos para um futuro álbum. O Paulo Olaguivel da gravadora Black Hearts que nos acompanha a algum tempo, resolveu nos enviar esse convite para lançar nosso novo trabalho e ficamos honrados com isso. Podendo construir algo ainda mais grandioso futuramente com essa negra aliança.

De forma bem interessante, a Profane Souls atacou em várias frentes para divulgar seu poderoso material, inclusive investindo num Vídeo Clipe, nos dê alguns detalhes sobre esse material promocional e um pouco do Making off.

WITCHAMMER: Na verdade são alguns recortes de vídeos, celebrações e ensaios que juntamos com trechos de filmagem e conseguimos de uma forma amadora criar esse vídeo “BATALHAS SANGRENTAS DO MAL”, mas brevemente estaremos lançando um vídeo oficial da blasfêmia “NA TERRA DE SATÔ que foi regravada nesse álbum, aguardem!!!

Fazem alguns anos que nós aqui no Brasil vemos muitos materiais gringos saírem com caixas promocionais especiais para colecionadores e sempre criticamos o fato de aqui no Brasil isso ser raro de acontecer, porém estamos testemunhado uma sensível mudança nisso tudo, como surgiu a ideia de vocês também, através do selo Black Hearts, investirem nesse material específico?

WITCHAMMER: Tínhamos a intenção de fazer tudo isso, inclusive em lançamento em vinil também, hoje o acesso e facilidade para uma horda fazer tudo isso é mais fácil apesar de ainda ter um custo alto, mas com a gravadora Black Hearts ter se proposto a fazer todo o lançamento e merchandising da horda, nos facilitou todo esse processo. Já estamos combinando também de lançarmos esse álbum em cassete e vinil aguardem!!

Quais são as expectavas da banda em relação a promoção desse novo álbum, expectativa para shows (apesar dos tempos pandêmicos) etc.?

WITCHAMMER: No momento temos convites para entrevistas e lives para estarmos mostrando nossas novas blasfêmias e divulgando nosso trabalho . Enquanto tudo está indefinido por consequência da pandemia, vamos propagando e disseminando esse negro artefato para o Brasil e exterior.

Qual a posição da banda quanto ao quesito de algumas bandas que se dizem Black Metal, porem seus dizeres começam e terminam apenas no campo musical?

WITCHAMMER: O satanismo é algo espiritual que está além da música, mas o black metal, a musicalidade, a atitude comportamental e toda sua estética visual é sim uma ferramenta crucial para difundir todo seu conceito.

“Unraveling the Mysteries of Darkness”. Esse Material ainda está disponível, como se deu esse lançamento e como foi a repercussão dele?

WITCHAMMER: Gravamos esse artefato em 2014, apesar de termos distribuído poucas copias dele, acabou tendo uma boa repercussão e aceitação por quem o adquiriu, iremos brevemente fazer mais copias para disseminar para os guerreiros(as) logo estará novamente disponível!!!

Finalizando, quero agradecer a disposição em participar destas páginas enegrecidas e deixamos o espaço aberto para suas palavras finais e profanações.

WITCHAMMER: Nos sentimos honrado , e queremos agradecer a Lucifer Rising a você Anton Naberius que nos propiciou esta oportunidade de fazer parte dessas negras páginas e a todos envolvidos, estamos juntos nessa negra batalha!!! NA TERRA DE SATÃ NASCEMOS, AQUI LUTAREMOS E ASSIM VENCEREMOS!!!

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Anton Naberius

Vocalista da Eternal Sacrifice (Pagan Black Metal) Professor de Arte Visual, Artista Plástico e Especialista em Arte e Patrimônio Cultural.
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