Resenhas - LPs/Cds/K7sStormy News

PROFANE WAR / PESTIS – “Triumphant Journey”

CD 2021 - Sotero Distro/Anaites Rec./Kingdom of Darkness

Não é de hoje que temos grandes bandas no submundo nordestino e baiano fazendo girar essa cena maldita. Aqui temos dois representantes juntos num split muito bem elaborado, com qualidade sonora muito boa e uma boa sacada de estilos de Metal Negro um tanto distintos, mas mostrando que são aliados.

São ao todo dez músicas divididas em cinco para cada banda que, como disse acima, possuem discursos distintos e linhas sonoras também. Abrindo o Split temos a PROFANE WAR que foi fundada em 2014 e tem em seus histórico dois eps, três Splits e uma demo, já nos devendo um álbum completo, diante de tantas experiências de estúdio, já ta na hora!

Execution of War” é uma música curta e bem direta, chega ser insana e furiosa, com passagens muito interessantes no decorrer do tempo. A sonoridade da PROFANE WAR me faz lembrar muito o som da Twin Obscenity, banda que por sinal lançou um de seus álbuns aqui no Brasil recentemente, por tanto, é fácil para alguns conseguir alcançar essa referencia sonora. Em seguida temos uma musica mais triunfante “Nightmare Soldier” que nos apresenta boas ideias, variações rítmicas bem idealizadas e construídas, ainda que eu me sinta um pouco incomodado em alguns momentos com os excessos de efeitos no vocal, penso que não precisava tanto, inclusive já passei por experiências parecidas quando ouvi bandas como Amen Corner em seus primeiro álbuns, achava que era para encobrir “defeitos” /” deficiências” vocal e as vezes é só uma inexperiência de estúdio mesmo.

Acho o trabalho de guitarras muito interessante da banda, que constantemente mantém uma linha melódica como guia da música, sem perder nenhum aspecto de brutalidade. Em muitos momentos percebemos arranjos inteligentes de baixo. De qualquer modo, PROFANE WAR mantém boas características do Black Metal que são as arestas no som, pontas de guitarra soando ou trinando, aqueles velhos arames farpados nas músicas que caem bem para a proposta da banda.
As músicas seguem com “The Great Iron Titan”, “Triumphant Journey” que dá título ao split, e “Ancient Battle Memories”. Nas letras a banda faz uma junção interessante de campo de batalha e guerra sobrenatural, uma mistura, talvez, impossível de se conceber, mas que algumas bandas com esse perfil conseguem mesclar ao estilo.

Na segunda parte do split temos a veterana PESTIS, banda que já está na estrada há vinte anos e tem poucos registros de sua obra, outra banda que também nos deve um álbum completo, mas que talvez esteja no rol daquelas bandas injustiçadas que preferem se manter no limbo e ali seu alimento parece mais profícuo que estar circulando em muitos espaços. A banda me surpreendeu com esse material que se mostrou mais empolgante, trabalhado, com tendências mais rápidas que seus materiais mais antigos que seguiam, em algumas músicas importantes, uma linha mais arrastada que chegava a lembrar as bandas de DSBM, quando ainda esse tipo de banda nem era “moda”.

PESTIS abre sua parte do split com a ótima música “What can the eyes see?”, realmente um tiro na cara em boa dose de velocidade e precisão, com vocal semi-gutural, muito interessante e preciso, uma melodia absoluta durante o início da música e oscilações muito boas de tempo. O andamento é frenético na música e nos faz sentir um vulto de Black Metal noventista mas com toda a sordidez do século vinte e um.
Destaque para os belos arranjos de bateria e a sacada nas divisões das músicas. A experiência da banda demonstra coesão e perspicácia na hora de compor, deixando poucos buracos nas canções, ou seja, composições lineares, limpas sem muita firula, mas com uma noção de estrutura musical muito boa. A segunda música começa com a tonalidade diferente da primeira, dá a impressão que foram gravadas em estúdios e tempos diferentes entre si, inclusive a gravação parece mais aberta e com mais brilho que a primeira faixa, como no encarte não tem essas informações técnicas, vai ficar apenas na minha impressão mesmo.

É claro que não é esse fato sensível de percepção sobre a diferença de gravação entre as músicas que faz a banda perder a essência sobre o que compuseram para esse split, continuam com toda maestria, acho até que ficou melhor a partir da segunda faixa. Outro fato curioso do split é o título ter sido em formato de logo onde a logo das duas bandas são usados como referência e misturados entre sim para formar o título do split, muito boa ideia.
A capa também é muito bem pensada, apesar de particularmente não curtir muito esse tipo de trabalho digital (extremamente pessoal), mas reconheço que foi um trabalho muito bem feito e o resultado final bem satisfatório, o encarte possui oito páginas com as letras das músicas, e ao centro foto identificando os músicos de cada banda em jewel case e altamente recomendado para os amantes do Metal Negro Nacional.

Fica aqui minhas reverências ao trabalho, esperando que ambas reapareçam com seus álbuns completos e que a repercussão deste material seja grandiosa. Estamos cada vez mais fazendo nossa cena ascender e isso é muito importante para o firmamento, assim como manter a chama acesa adquirindo os materiais físicos das bandas, é isso que mantém a força do underground, nunca deixem morrer os discos, as fitas, os cds, os fanzines e magazines impressos essa é a verdadeira essência.

Aquisições: https://anaitesrecords.loja2.com.br

Mostrar mais

Anton Naberius

Vocalista da Eternal Sacrifice (Pagan Black Metal) Professor de Arte Visual, Artista Plástico e Especialista em Arte e Patrimônio Cultural.

Veja também...

Botão Voltar ao topo
Fechar
Fechar