Resenhas - Demos

PROMETHEAN GATE – Plague Wilder

Hammer Of Damnation (Nacional)

Selvageria e adoração. Dois conceitos que parecem antagônicos, mas que nunca estiveram tão bem alocados como em Plague Wilder a última demo tape do Promethean Gate lançada em meio a pandemia de 2020 pela Hammer Of Damnation. O projeto até então one-man band de Alex Sanchez traz o melhor do Black Metal Ortodóxico com navalhadas de raw black metal no melhor estilo noventista.

A Hammer Of Damnation lança “Plague Wilder” no bom e velho formato analógico, limitados em 50 cópias numeradas à mão.

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A tape abre com “ Aurora” trazendo todo o clímax de culto e oficialidade com o ribombar de tambores e preparando a casa para “ Invocação dos Poderes Solares de Thagiriron ” que com suas guitarras cortantes e potentes navalham o ar e antecedem o cataclismo vocálico de Promethean P. Priest. Urros ensurdecedores se mesclam com guturais ritualísticos que evocam o submundo. Blasts de raw black metal  dividem espaço com uma harmonia crua e fria.

A sequência é “Aesthetic Invocatio Aequilibrium Femininus Lux ” que traz uma surpresa encantadora que não vou revelar, surpreendente. A delicadeza e a brutalidade podem coabitar e produzir algo único. Uma sonoridade pesada e arrastada com elementos harmoniosos parecem dilapidar o que conhecemos como sólido, trazendo nossos conceitos estabelecidos à ruína do insignificante mundo moderno.

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Um belíssimo mantra entra na sequência, estamos falando de “Om Shum Shukraaye Namah ” mantra para fazer Vênus favorável a você e trazendo grandes bênçãos espirituais e materiais, só um detalhe se for fazer o mantra, priorize as sextas feitas que são regidas por Vênus, você não vai querer ter as consequências negativas de Vênus…Tome o que é seu por direito diante do Universo corrompendo todas as imposições do pífio mundo moderno.

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Plague Wilder” que carrega o título da demo sob seus ombros é poderosa e tem uma aura ensurdecedora, vocais secos e cantados ao limite. O destaque aqui é o impacto de teclados que ordenam o caos por um breve momento. Há toda uma escatologia musical nas passagens de Plague Wilder, os teclados acabam criando uma atmosfera de controle que implode a si mesma diante do raw black metal. É destrutivo, como sua própria proposta.

A demo é encerrada com a genial “Cosmic Unification of Man and Phosphorus – the Union to Invoke the Uno form of Spiritual Ascendance “, uma união entre o homem e a Estrela da Manhã, do grego “Phōsphoros“, ou o “que traz a luz”, a ascensão espiritual e a união cósmica entre a entidade e o homem, a dualidade possível, indivisível que a crença cristã deturpa e julga impossível, aqui o Promethean Gate ressalva o místico e os conceitos primordiais a eras ancestrais da qual a luz é a própria essência da treva, o único meio da ascensão espiritual.

A faixa tem tons firmes, extremos e um peso cadenciado, o grande destaque aqui é a rítmica de culto e os vocais fortes e devastadores. Há uma entoação robusta e vibrante, energética que parece nos conduzir à verdadeira chama primordial da criação: να είσαι άλλη μια φορά.

Nota: 10/10

A boa notícia é que você ainda pode adquirir a tape: https://blackmetalstore.com/produto/promethean-gate-plague-wilder-demo/

E pode conferir uma entrevista com Alex Sanchez aqui: https://luciferrising.com.br/promethean-gate-abandonando-costumes-do-eu-anterior-para-a-transformacao-do-eu-superior/

Lucifer | classical mythology | Britannica

 

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Ricky Lunardello

Historiador e Sociólogo, Pagão de alma Viking, apaixonado pelo Metal Extremo e pela cultura underground.

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