Entrevistas

SADE – A humanidade tá falida, a consequência é a destruição de tudo!

"O câncer do cristianismo está enraizado em praticamente todo ser humano desgraçado que vive ao nosso redor, então caminhar pela sombra e defecar sobre essa engrenagem é puro ato de marginalidade e resistência."

SADE é um círculo conspiratório que caminha pelas sombras e assim propagando o ódio em formas horrendas de blasfêmias. Para falarmos e conhecermos mais sobre as trilhas pútridas em que caminham invoquei os demônios Depravator e Necrosadic para esta entrevista, boa leitura à todos!

Depravator, foto por: Divulgação

Salve Depravator e Necrosadic. Para iniciarmos esta entrevista, vou fazer uma pergunta que vocês talvez já estejam cheios de responder para os zines. Como surgiu a ideia da criação dessa aberração indecente chamada SADE?

Depravator: Sade surgiu da necessidade que tínhamos de expor questões ainda vista como tabus dentro do cenário já existente em nossa cidade, Eu Depravator, antes de formar o embrião do Sade, toquei em uma banda Black Metal, logo esta, já não me dava total liberdade para falar abertamente tudo que queria, o Sade já foi uma extensão maior para expurgar aquilo que eu tinha vontade. Era algo além da necessidade de tá inserido dentro do nicho do Metal.

Necrosadic: Todo embrião que Depravator tinha me passado no início, logo foi criando forma quando inserimos alguns elementos que já vínhamos compondo juntos com nossos antigos membros. Tudo soou de forma honesta. Sade naquele momento foi a extensão maior das nossas loucuras. Então logo a gente pode chegar no resultado do nosso primeiro EP (2012).

A proposta lírica e ideológica da banda é bem interessante já que vocês abordam temas como Sadismo, Blasfêmia, Satanismo, Gore e Tantrismo…

Depravator/Necrosadic: Sim! adoramos arte subversiva marginalizada, sejam elas feitas através de filmes B, terror/horror, erotismo, música/antimúsica, livros e diversos conteúdos contraculturais… Estes serviram/servem de influências para compor as temáticas que o Sade aborda. E claro, é um enorme prazer utilizar o Sade como meio de cometer atos de blasfêmias.

Necrosadic, foto por: Divulgação

Em muitas conversas entre meus irmãos sul-americanos que compreende entre Bolívia, Chile e Peru, todos comentam muito sobre o Sade. Como vocês veem esse reconhecimento dos bangers fora de nosso país?

Necrosadic: Desde nossa primeira demo, eu sempre tive esse intercâmbio com os irmãos sul-americanos. Até porque, pra mim, é um dos cenários de metal extremo mais incríveis do mundo. Lá no primeiro EP (The Gore Tantric Sadism), chegamos a re-lançar o EP na Argentina, um lançamento bem simples, porém o mentor deste lançamento tem um vasto canal de divulgação nos esgotos do necrounderground. Além disso, fazemos acontecer de forma honesta, sem a necessidade de ser mais uma banda de agrado das massas! É sonoridade de banger pra banger! O resultado desses intercâmbios vem se tornando real nos últimos anos. Contudo, fazemos contatos com aqueles que têm compatibilidade de ideias.

E falando do álbum Culto à Carne e ao Caos, como foi a recepção para este que é o primeiro álbum da banda?

Necrosadic: As primeiras impressões foram meio que de surpresa. Até então tínhamos uma sonoridade mais inclinada pro gore/grind. Só que essa sonoridade já não supria nossas vontades sendo bem sincero. Então naturalmente alguns elementos foram acrescentados nos sons, inclusive a entrada de novos membros para fazer parte do nosso caos, também foram fundamentais para tudo soar de forma espontânea a essa mudança. Quando o Culto à carne e ao Caos ganhou vida, vários contatos foram formados, muitos bangers do subterrâneo firmaram parcerias de trocas de materiais e diversos outros intercâmbios.

Marabô, foto por: Divulgação

Recentemente tive uma notícia que seria lançado uma tape no chile, esse lançamento chegou a se concretizar? se foi, nos fale um pouco sobre este material…

Necrosadic: O contato surgiu através do selo TRIOM. Mas quando estávamos finalizando a parte gráfica do material, iniciou o caos da pandemia, com isso, não chegou a ser concretizado até o momento. Entendo que por conta da importação dos cassetes, todo o processo que iria acontecer com previsão de lançamentos lá pro meio do ano passado, tenha estendido os prazos. A real que apesar de tudo, é bem provável que role ainda, contudo se não rolar também, tudo bem!

Vejo que o Sade é uma banda que caminha pelo subterrâneo e pelas sombras, o que acredito ser uma posição ideológica…

Depravator/Necrosadic: Sim! Essa é nossa forma de fazer as coisas. Vejo pessoas utilizarem de suas bandas como meio de autoafirmação ou uma busca incessante pelo estrelismo. Coisa bem equivocada quando falamos de underground. Respeito quem trabalha de forma mais profissional. Mas profissionalizar nossa arte não é nosso foco… Até mesmo porque não somos músicos, cada integrante tem seu mundo particular, trabalhos, estudos e milhares de problemas pessoais. Somos pessoas que formam uma banda com um propósito de expressar nos conceitos ideológicos e mandar o sistema se foder! O câncer do cristianismo está enraizado em praticamente todo ser humano desgraçado que vive ao nosso redor, então caminhar pela sombra e defecar sobre essa engrenagem é puro ato de marginalidade e resistência.

Falando desse caos em que vivemos hoje por causa da pandemia que se tornou um pandemônio, houve algum impacto nas atividades da banda?

Depravator: Sim! Estávamos em processo de composição e ensaiando frequentemente. Infelizmente esse processo foi interrompido devido ao agravamento da pandemia, então tivemos que fazer o processo de outra forma. Ao invés de ensaios e mais ensaios, partimos logo para o processo de gravação que está indo bem inclusive.

Necrosadic: A pandemia me trouxe um grande momento introspectivo. Todo esse momento de caos acabou resultando em vários processos criativos, e com isso conseguir fazer junto aos demais, algumas das composições que logo sairão no nosso novo trabalho.

SADE

Voltando a falar do grotesco Culto à Carne e ao Caos que foi lançado em 2018, vocês podem adiantar se está vindo outra obra odiosa por aí?

Necrosadic: Estamos no processo final do nosso novo material, “…Cosmos is the Great Torture Chamber” (Título). Falta alguns ajustes, mixagem e masterização. O processo tem sido feito dentro do nosso tempo. Absorvendo todas as energias e angústias que cercam a vida, estes mesmos sentimentos que no fim resultaram em um processo mais denso e obscuro do que os materiais anteriores, isso é que posso afirmar até o momento.

The Gore Tantric Sadism “Demo 2012”

Essa é uma pergunta que gostaria de ler as respostas pessoais de cada um. Como vocês enxergam o atual cenário underground brasileiro?

Depravator: Não precisamos viver desse eterno resgate de bandas já falecidas/inativas. Elas têm sua importância? Sim! Mas temos pessoas empenhadas em movimentar o cenário de várias formas, todos com fundamental importância para a resistência do cenário. Um exemplo é você com a Lucifer Rising, e que há 17 anos no underground dá espaço para bandas expressarem seus pontos de vista. Hoje Já podemos ver shows pequenos e com qualidade de equipamentos, com um nível técnico de bandas grandes e tudo feito com muito sangue no olho! Acredito que já foi bem mais precário, temos bandas produtivas com ótimos materiais lançados nos últimos anos. Exemplos: Moloch e Hardegon, Wolflust, Echoes of Death, Goatpenis entre outras. Poderia citar várias bandas que lançaram ótimos materiais nos últimos anos e ajudando a fortalecer o cenário. O que sempre notei como uma dificuldade do cenário são os locais para o acontecimento dos shows, infelizmente isso é uma realidade! Em relação a selos eu tenho visto bastante surgindo nos últimos anos e fazendo um trabalho de divulgação e profissionalismo que não deixa a desejar para os gringos. Selos esses que são de fundamental importância também para o fortalecimento do cenário…
(Jazigo Distro, Rigidez Cadavérica, ambos de nossa cidade. Resistencia Underground do Eric Rossini, que longe da capital e no interior de Pernambuco, tem feito um trabalho ímpar no cenário). Poderia citar vários selos que estão impulsionando o cenário e ajudando a manter vivo. Não posso deixar de ressaltar algo que acho preocupante no cenário que é o flerte e crescimento do conservadorismo de extrema direita no mesmo, isso sim é lastimável e incompatível com música subversiva! Temos figuras no cenário que cultuam bandas de Black Metal com todo o aspecto anticristão que o som tem, mas flertando com política conservadora assumidamente cristã, sendo apenas meros ouvintes de música extrema, essa é a única forma que consigo ver essas pessoas, talvez devido à falta de compreensão da verdadeira mensagem que o metal extremo propaga. Vejo esses tipos de ouvintes pagarem pau para políticos com discursos de deu$ acima de tudo. Ridículo! Esse deus não está acima de nada! Por sinal esse fantoche que chamam de deu$ nem existe, e se existe somos os seus opositores aqui neste plano.

Culto à Carne e ao Caos, “Full-length 2018”

Necrosadic: Na minha visão como headbanger, posso dizer que o cenário atual se encontra em um momento de ascensão. Vários selos fazendo um trabalho excelente dentro do subterrâneo, alguns lançamentos de sangrar os olhos, e com qualidade similar ou superior ao que tem saído fora do país. União de várias almas impuras, sem ego, sem vaidades, e que tem trazido uma diversidade de lançamentos excelentes. Alguns selos mais antigos e outros mais novos fazendo uma movimentação importante para propagação da arte extrema nacional. Destaco tudo aquilo que é feito com honra. Além das que Depravator citou, também destacaria: Death Voice (RN), Black Hearts Rec (SP), Irmandade Hermética do Ódio (RJ), Iconoclastia (PE), Satanic Storm Propaganda (BA), aos que movimentam eventos com sangue e garra, um exemplo é o coletivo “Prefacio Negro dos Ritos Obscuros”, que promove eventos em regiões distintas do Brasil. Importante destacar também os Zines impressos, que apesar de toda tecnologia presente, ainda continuam ativos, mantendo vivo os pilares do necrounderground.

Nobres e corrosivos Depravator e Necrosadic, muito obrigado por ceder vosso tempo para esta entrevista, o espaço está aberto para as suas considerações finais…

Depravator: Luís, muito obrigado pelo convite, por nos permitir expor nossos ideais. Parabéns pela resistência e insistência no underground. Acompanho a Lucifer Rising e tenho edições da mesma em minha coleção, na minha concepção Tululla foi um visionário ao criar a mesma. E agora nesse formato online com você no comando, facilita e otimiza muito o crescimento e o fortalecimento do cenário. Quero deixar registrado um abraço para algumas criaturas especiais: (Diana, Diego Sebold, Cleiton Ávila, Paulo Ricardo, George e Micheline, Douglas Alves, Harley, Igor, Moises e Graciliane. Por fim e não menos importante dedico essa entrevista ao Evandro Siebert (Goatpenis) RIP.
Foda-se o lixo cristão que tem se apossado desse país, o cristianismo é um dos principais motivos do declínio global, o Brasil está vivendo uma neurose criada por doentes mentais. Foda-se Bolsonaro!

Necrosadic: Obrigado pelo convite. Lembrando que, o Sade é uma extensão de nossas loucuras aqui nessa droga de humanidade, através desta podemos conspirar e expressar nosso repúdio e ódio. É nossa válvula de escape para toda essa merda que somos obrigados a conviver. Estamos abertos a diálogos e trocas de materiais. Entre em contato conosco ([email protected]). Foda-se o câncer chamado cristianismo! A humanidade está falida! A ganância do homem sobre a natureza e os animais é o motivo de todo caos. A consequência é destruição de tudo!

Veja abaixo algumas fotos ao vivo do SADE feitas pelo fotografo JAN FRAGA (Clique para ampliar):

Clique no video abaixo e assista a performance do SADE ao vivo:

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Luis Lozano

Programador e designer gráfico para a web, com diversos trabalhos realizados com foco na informação e fortalecimento do underground.

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