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SCRUPULOUS – Ostia and Genocide

2021 CD - Heavy Metal Rock

Foi em 1993/94 que ouvi pela primeira falar numa banda  aqui do interior da Bahia, longe pra caralho de Salvador, uma tal de SCRUPULOUS. Entre aquelas dezenas de fitas cassetes que circulavam pelos amigos headbangers da época, havia uma gravação da gravação da gravação da demo- tape “Shadows of Pain”. E foi nessa mesma época, num sábado “calorento” pra desgraça em Salvador, na Galeria Tuiuti, na saudosa loja  Blood, que entrou o Eduardo Slayer da THE CROSS junto com o Crispim Skullcrusher, vocalista da SCRUPULOUS, onde fiquei acompanhando aquele bate papo com o guitarrista Tony da CHEMICAL DEATH. E essas são as primeiras memórias que tenho da banda…

Passaram-se longos anos, quase duas décadas e meia após o último registro de 1997, quando volto a ter contato com a banda, no ano passado, através de uma entrevista para o Warfare Book Zine. Surpresa maior, que além do retorno às atividades, os caras já estavam se preparando para gravar o debut album pela mesma  gravadora que lançou o histórico split “Death Or Glory II” com SCRUPULOUS/CORPSE GRINDER/BLESSED (do saudoso Fabiano Pena).

“Ostia and Genocide” foi lançado em julho pela Heavy Metal Rock e conta com 1 intro e 9 músicas para infernizar nossos ouvidos de Death Metal.

Ventos, clima sombrio, sussurros…assim é a intro para dá passagem à ‘Ius Divinium Schizo / Crown Of Rubble’. A pancadaria e destruição é certeira!  Um riff matador e uma bases bem trampadas, já demonstra a qualidade  do guitarrista Arthur Azaghtothinho Mozart (!!!!!!!!!!). E não é que identifico uma forte influência de MORBIDA ANGEL da fase “Blessed Are The Sick”?  Pelo que sei o Arthur é filho de um dos primeiros guitarristas da banda, ainda na década de 90.  Em seguida temos ‘Ostia and Genocide’ que dá nome ao álbum. Velho, isso é sensacional! Que riff!  Algo como o velho DISMEMBER! É para bater cabeça e arrancar o pescoço do lugar. Os vocais de Crispim são podres e dão um toque infame a música. A mixagem parece que deu um efeito à mais, deixando um timbre bem peculiar nos vocais. Quero sacar isso ao vivo e vê como fica a garganta do Skullcrusher depois de uma hora de apresentação..hehehe

‘The Contestation Knocks On Your Door‘ tem uma letra questionadora e direta (“Onde estão guardados todos os pedidos que eu fiz ao céu? … Flagelos a minha alma em nome de um pai moribundo e genocida”). Uma faixa pesada e reta. Nessa faixa começo a destacar a presença de teclados em certas passagens, onde dá um clima mais mórbido às composições, tudo sobre as teclas do multi-instrumentista Leandro Kastiphas, convidado para este trabalho. ‘Dark Womb‘ começa tímida e introspectiva, mas logo surge um vocal cavernoso juntamente com uma base cavalgada e lenta para aquecer o pescoço, onde os teclados dá aquele clima de um Death Doom soturno e lúgubre juntamente com o vocal do convidado especial, Eduardo Slayer, da banda THE CROSS que ficou responsável também pela letra da música.

‘There’s An Emptiness That Weighs On My Shoulders’ vem com bases rápidas e constantes, entre solos e uma cozinha precisa. A faixa mais rápida de todo o CD com seus 3:02min. A sétima faixa tem o interessante título de ‘Souls Cut To Brunoise’!!! Os amigos da culinária vão entender.. hehehehe.. ela  dá ênfase logo no início as baquetas do “Hammerhand” Fabiano Sousa. Um instrumental criativo para iniciar a fúria desta música. É uma música mais experimental, com variações diversas até mesmo nos vocais, demonstrando a versatilidade do grupo. Em seguida temos ‘Rotten Primacy’, que é uma música pesada e densa. “Azagthothinho” executa a música com excelência com uns solos bem encaixados! Música extrema e caótica! Umas bases que se você não arrancou ainda pescoço, vai acontecer a qualquer momento.  A penúltima faixa é ‘Causing The Rascal To Fury’, seguindo as características deste trabalho mesclando rapidez e cadenciamento, num Death Metal simples e direto.  Por fim, entre o crocitar de corvos e um acústico de violão,  temos ‘In the Crow’s Beak’  com a mesma fórmula de um som rápido e violento, até retornar a introdução da música, caindo para um Doom Metal viajante, entre um solo e vocais fantasmagóricos para retornar ao que mais sabem fazer, Death Metal!.

As letras são uma afronta, bem como, uma crítica ao cristianismo e suas mentiras. Fala-se sobre as mazelas da humanidade e do ser humano. Trechos traduzidos como ” O corpo humano é uma sacola/de sangue, mijo e água”, ” Nascido na sombra da vergonha, expulso do ventre sombrio, rejeitado pela prostituta católica…” nos dão uma ideia do conceito deste trabalho. Coisa interessante é o encarte com a tradução de todas as músicas para o português. Falando na parte gráfica, pelo menos meu gosto pessoal, me leva para artes mais sombrias entre cores que se limitam ao preto, branco e cinza… essa arte de capa talvez tivesse um impacto maior com esses tons, ou não… o encarte apesar do ótimo contraste da cor de fundo com a fonte, ficando perfeitamente legível, poderia ter uma pequena revisão ortográfica, bem como, um layout mais na linha underground.

Que este seja apenas o recomeço.

 

 

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Giovan Dias

Editor do The Glory Of Pagan Fire Zine, trabalho iniciado ainda na década de 90, voltado ao Black, Death, Doom Metal.

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