Entrevistas

SERPENT RISE – Aos nossos apreciadores e apoiadores, minha eterna e profunda gratidão.

"...já temos material praticamente pronto, com alguns ajustes para serem feitos e estamos ansiosos para lançar."

Saudações Júlio, em nome da Lucifer Rising e da Pagan Tales Records é uma honra fazer essa pequena entrevista com você para falarmos sobre o Serpent Rise e a participação da banda na coletânea Brazilian Doom Metal e sobre a cena do Doom Metal no Brasil e no mundo como um todo…

Júlio Wojciechowski – A honra é nossa.

Júlio Wojciechowski, foto por: Divulgação

Para começarmos, como a banda tem levado esse período tão difícil de pandemia, que tem nos afastado dos shows e do convívio social e como estão as atividades do Serpent Rise durante esse tempo…

Júlio Wojciechowski – Bem Rogério, a Serpent teve um hiato muito grande eu diria antes, bem antes do início da pandemia. Retornamos aos palcos em 2019 e fizemos em um curto espaço de tempo 3 apresentações, uma em Santa Maria, em Porto Alegre e outra em Santa Catarina na décima sexta edição do River Rock Festival. Tínhamos mais um festival na agenda, mas em seguida veio as restrições e as apresentações aos poucos foram escasseando. Antes mesmo de tudo isso acontecer, nos estruturamos em relação a ter um espaço para compor e gravar com boa qualidade. Acredito que foi a escolha de muitos músicos e bandas atualmente, ter seu próprio home studio ou algum equipamento que possa registrar a banda, sem os custos elevados dos estúdios tradicionais.

Júlio, o álbum Gathered by… gravado em 1996 e lançado em 98, se tornou um clássico do doom metal brasileiro e até hoje é muito cultuado por todo o mundo, em 2018 o álbum foi totalmente remasterizado e relançado com as duas lendárias demos do começo dos anos 90 como bônus e no ano passado todas as músicas foram revisitadas com novos arranjos e lançadas nas plataformas de streaming, nos fale um pouco mais sobre todo esse processo, sobre a formação atual que conta somente com você assumindo toda a parte instrumental e o Agnaldo nos vocais e sobre as novidades e planos para o futuro… vocês pretendem lançar essa nova versão fisicamente?

Agnaldo Gomes, foto por: Divulgação

Júlio Wojciechowski – Tanto o trabalho de remasterização do Gathered by… e das demos, como a versão do CD revisitada foi realizado aqui no Loudness Art Studio – LAS, para tanto tive que aprender algumas coisas alheias a tocar instrumentos o que demorou um tempo, na verdade logo depois que gravamos o Gathered, queria modificar algumas coisas, mas isso acarretaria mais horas de estúdio, dinheiro, que não tínhamos, além de possivelmente atrasar ainda mais o lançamento do álbum. Algumas coisas me incomodavam na gravação de 96, mas nada que obscurecesse o trabalho como um todo e o entusiasmo pelo que foi registrado na época. Já com o estúdio, e algum conhecimento necessário, me debrucei no material, fiz os cortes e atualizações necessárias, acrescentei de maneira sutil, alguns teclados, climas e guitarras, fragmentei alguns trechos, reordenei e apresentei a ideia para o Agnaldo, como eu, ele gostou muito do resultado e comentou que era a versão definitiva que deveríamos ter feito.

Então segui o processo com os devidos ajustes, melhorias na estrutura de ganho (CD de 96 é bem mais baixo em punch e volume que a versão revisitada) e por fim masterizei. Todas as músicas tiveram modificações exceto Betrayer God. O resultado por enquanto, so pode ser apreciado via streaming, mas temos interesse genuíno em lançarmos esta versão em vinil. Em relação a formação, a Serpent Rise atualmente conta apenas comigo e com Agnaldo e vamos mantê-la assim, componho e gravo a parte instrumental e o Agnaldo cuida da parte lírica e divulgação do nosso material e ele é incansável nisso, ao vivo convidamos bons músicos que fazem a coisa acontecer. Mudei para o norte do Mato Grosso em 2006, são 3000 km de onde morava, a distância atrapalha um pouco, mas muita coisa mudou em termos de tecnologia, internet entre outros, o que ajuda a contornar.

No que tange a assumir toda a parte instrumental, posso dizer que a experiência de compor e gravar diferentes instrumentos além da guitarra não é nova. No próprio Gathered by… gravei as guitarras (não todas, mas eu diria 90% delas) e a bateria (aliás, comecei na SR tocando bateria), na demo-tape Anastenarides, gravei a bateria e os teclados. O que é novo para mim é a produção, mixagem, masterização, algo que quero terceirizar se puder, pois apesar de gostar muito, acho salutar a visão de um produtor, alheio a execução da música, que possa acrescentar algo diferente que não foi pensado. Falo isso pois é o que tento fazer quando pego um material de outros artistas para contribuir, você tem mais liberdade criativa. A produção e pós-produção é instigante, um universo a parte onde tenho muito a aprender

Em relação ao futuro, já temos material praticamente pronto, com alguns ajustes para serem feitos e estamos ansiosos para lançar.

Gathered By… “Versão exclusiva para streaming”

Sobre a coletânea Brazilian Doom Metal, que terá também uma revista falando sobre as 11 bandas participantes e tem o lançamento previsto para março de 2021 pela Pagan Tales Records, me fale o que vocês estão achando dessa participação e sobre a música escolhida para essa coletânea… uma dessa nova versão do Gathered by…

Júlio Wojciechowski – Foi uma grata surpresa e uma participação que muito nos honra, por vários motivos. Estar junto com ilustres nomes do Doom Metal nacional, poder lançar em meio físico, uma música do material revisitado que até então so estava nas plataformas de streaming que é a During the Eternity. E por fim, fazer parte de um material bem elaborado em toda sua concepção que contribui muito com a cena nacional do estilo.

O Doom Metal nunca foi um gênero mainstream dentro do metal, mas teve o seu auge nos anos 90 e atualmente parece que vem crescendo e ganhando espaço novamente, me fale o que você está achando da cena atual do Doom Metal no Brasil e no mundo, quais são as influências do Serpent Rise e nos indique 03 bandas gringas e 03 nacionais que você curte dentro do Doom Metal…

Júlio Wojciechowski – Assisto a escalada de qualidade das bandas em termos sonoros e de produção e isso renova minha esperança nesse estilo que temos tanto apreço. Acredito que isso tende a crescer mais e mais, e estamos falando exatamente de um momento ímpar no mundo.

Talvez o fato da restrição do convívio social as pessoas resinifiquem suas vidas, prestem mais atenção ao que é importante, aos detalhes, deem mais valor a um bom livro, escutar com mais atenção aquele som lento e introspectivo, refletir sobre isso e tudo que está relacionado. Exatamente o timing que este segmento do metal talvez precise para ser apreciado por mais pessoas e difundido. Lembrando sempre que quando falamos de Doom metal, estamos se referindo a uma vertente do metal extremamente complexa, diversa e que possui uma liberdade criativa que a meu ver, pouco se observa em outros estilos. Neste quesito, ainda vejo espaço para algumas texturas pouco exploradas e que atualmente estamos trabalhando e no qual pretendemos contribuir.

Coletânea Brazilian Doom Metal “Pagan Tales Records 2021”

Em relação as influências da Serpent posso citar Cathedral, Sisters of Mercy, The Jesus and Mary Chain, Godflesh, N.I.N, Winter, Hellhammer, Esoteric e algumas pérolas dos anos 70 como Dust, Jane, Captain Beyond, Caravan, Aphodite’s Child, Van Der Graaf Generator entre outras, poderia encher algumas páginas com isso pois, ao longo da minha vida musical, enquanto estava na Serpent, ou mesmo antes, toquei em vária bandas e projetos que formei ou participei de Grindcore, Death Metal, Industrial, Alternative Rock, Funeral Doom, Stoner e por ai vai. Posso resumir que fui influenciado por toda essa experiência e a sonoridade da Serpent Rise reflete um pouco isso.

Sobre as indicações de Bandas, as gringas cito Katatonia, Moonspell e ultimamente tenho ouvido Mammoth Weed Wizard Bastard. Em relação a bandas nacionais é difícil pois tem muita gente fazendo boa música e restringir a 3 opções é um sacrilégio, mas regras são regras. O eterno Mytological Cold Towers, Helllight que está fazendo um trabalho muito consistente e o Stoner Doom do pessoal do Pesta.

Júlio, para finalizarmos agradeço a boa vontade e o tempo cedido a essa entrevista e agora deixo para você as considerações finais, um grande abraço e… Stay Doom!

Júlio Wojciechowski – Quero deixar meu agradecimento ao Lucifer Rising em nome do Rogério pelo espaço cedido a Serpent Rise, nosso muito obrigado. Aos nossos apreciadores e apoiadores, minha eterna e profunda gratidão. Acompanhem a Serpent Rise acessando nosso link unificado que direciona para todas nossas mídias via streaming e nossa pagina https://serpentrise.hearnow.com/. Stay dooooooooommmm!!!!!.

ENTREVISTA POR: ROGÉRIO MARQUES

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Luis Lozano

Programador e designer gráfico para a web, com diversos trabalhos realizados com foco na informação e fortalecimento do underground.

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