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SERPENT RISE – Doom Metal

SERPENT RISE, um dos pilares do Doom Metal no Brasil, banda que teve seu início no primeiro mês de 1993, houve um hiato de 2000 a 2004, como nos conta Agnaldo Gomes, um dos mentores remanescentes da formação original da banda. Recente o clássico Gathered by… kharma (magnifico CD lançado originalmente em 1998) foi relançado e com direito a ter como bônus um disco com suas clássicas demo tapes…; nesta conversa, o amigo Agnaldo Gomes nos relata um pouco acerca do retorno da banda aos palcos, a nova vida que a Serpent Rise esta a trilhar, um pouco acerca do que está por vir e, até problemas recentes…

 

Agnaldo Gomes, Vocal

E ai meu amigo Agnaldo “Pussy Fucker”, rapah, acho que poucos ainda te chama assim né, kkk!! Fiquei bem intrigado quando vi News do retorno da banda, que, aliás, pra mim, é um dos mais fortes representantes do Doom Metal no Brasil.

Agnaldo – Salve, ZArtan!  Então, este pseudo eu usei lá no começo dos anos 90 e foi a forma que encontrei para expressar minha influência por Osvaldo “Pussy Ripper” (Sextrash), que algum tempo depois tive o prazer de conhecer pessoalmente, tomar uns gorós e dividir o palco. E também de um amigo, aqui da cidade, que no final dos anos 80 tocava bateria na primeira banda extrema, que eu tive a oportunidade de assistir, e que se chamava Flavio ”Fucker” (banda 666).

Na trajetória da Serpent Rise, nós tivemos um hiato de 2000 à 2004, depois disso eu sempre fui levando a banda com outros integrantes permanecendo assim até 2008, então, após saída de integrantes, eu esperei o retorno do Júlio à cidade e conversamos sobre o futuro, ou não, da banda.  Nós decidimos que se Serpent Rise tivesse que existir, então, seria com nós dois na formação e daí em diante viemos trabalhando e construindo condições para podermos existir, uma vez que agora eu estou no Rio Grande do Sul e ele no Mato Grosso. O Júlio investiu muito na construção de seu studio (Loudness Art), para que possamos apresentar um novo trabalho com muita qualidade, eu tenho desde então investido boa parte do meu tempo para promover a música e a história da Serpent Rise.

Gathered by…, CD 1998

E, fiquei ainda mais satisfeito quando vi que o “Gathered by…kharma” foi relançado, e com bônus! Algo interessante é que hoje em dia é bem mais, digamos, rápido e pratico lançar CDs, visto que, em 1996, época das gravações do Gathered by… e que só foi lançado em 1998. Aproveitando este retorno magnifico, nos conte um pouco do que esse relançamento do “Gathered by…kharma” tem de atrativo e como chegaram ao consenso de incluir os bônus, aliás, o CD é todo remasterizado, certo?!

Agnaldo – Então, em 2018, eu estava conversando com o Fábio (Mythological Cold Towes/Unholy Outlaws) e na brincadeira perguntei pra ele quando o selo dele (Nuktemeron Prod) iria relançar a Serpent Rise, pra minha surpresa ele respondeu de uma forma séria, positiva e que tinha interesse, então, rolou o projeto do re-lançamento comemorativo de 20 anos do “Gathered by…”.  Falando como fã de música, se eu vou comprar uma reedição de algum álbum, que eu já tenha, eu gostaria que ele trouxesse algo de diferente e foi por este viés que nós começamos a pensar nas possibilidades que o “Gathered by…” poderia oferecer de diferente para que não fosse apenas um “xerox” do que havia sido lançado nos anos 90. A primeira coisa foi aproveitar toda a estrutura do Loudness Art Studio e todo o investimento em conhecimento que o Julio fez, para remasterizar todas as músicas utilizando assim a tecnologia ao nosso favor para deixar a sonoridade atualizada a qualquer produção gringa. Juntei algumas fotos antigas, inéditas e refizemos a artwork de capa, por fim para encerrar um ciclo resolvemos colocar nossas duas demo tapes: “Anastenarides” (1994) e “Travellin’ free…” (1995) em um CD bônus para que os antigos apreciadores pudessem ter nossa obra completa e para que a nova geração pudesse conhecer e ter nosso trabalho completo.

O logo do Serpent Rise teve uma repaginada, creio que além do original, o da demo de 1993 “Misericordium”! Aliás, este som é que está na coletânea “The Winds of a New Millenium – Comp. Vol.01”.

Agnaldo – Sim, nós mudamos o logo após 2009, mas ele foi um presente que ganhamos, em 2000, do Christophe Szpajel – Lord of Logos.

Sobre a coletânea, eu não me lembro qual música foi usada.

Julio Wojciechowski, guitar

Nos apresente a atual formação da banda, a que está nos palcos! E, como está a agenda de shows da banda? – Creio que da formação original somente você e o Júlio Wojciechowski seguiram, aliás, acho que somente no 7”EP que ele não está.

Agnaldo – Atualmente a banda é formada por mim (Agnaldo) e pelo Julio. Ao vivo contamos com a participação especial de músicos da cena metal aqui de Santa Maria. A Serpent Rise, mesmo com a questão da distância do Julio, ela tem uma agenda ativa, prova que no ano passado fizemos 3 shows, porém, ela necessita de uma logística antecipada. Para este ano, nós recebemos alguns convites bem tentadores, mas estamos concentrados em terminar a pré-produção das novas músicas e assim poder lançar algo novo e talvez fazer algum show no segundo semestre.

Anastenárides, DT 1994

“Anastenarides”, demo 1994, esta foi uma (aliás, ainda é) das demos que mais apreciei, o clima mórbido e arrastado é magistral, pra época, foi algo inovador! Esta DT foi relançada em CD em 2005 via Satanael Records e em 2019 veio como bônus no Gathered by…, houve alguma reedição por algum selo de fora do Brasil? Eu li algo mas achei a informação bem vaga.

Agnaldo – Eu acho que a “Anastenarides” ela foi lançada em uma época em que o estilo Doom Metal ainda engatinhava no Brasil. Lembro que Pentacrostic tinha LP lançado, tinha a Demo do The Cross, tinha a demo da Goryhost, do paraná, Medicine Death, Asaradel, além do que bandas como Amen Corner e Murder Rape faziam um Black Metal com partes cadenciadas e isso aproximava o público e tornava a cena ampla. Naquela época usamos ao nosso favor o fato de termos sido (eu e o Julio) tape traders, nos anos 80, então, não vendemos a demo, nós trocávamos com músicos de outras bandas, ou para quem não era de banda, pedíamos uma fitak7 virgem e 7 selos. Isso foi positivo, porque essa fita correu o mundo e nos rendeu algumas aparições em zines de todo planeta.  Em 2005 a Wolfshade Record e a Satanael Records lançaram uma versão em CD e agora remasterizamos e re-lançamos na edição comemorativa do “Gathered by…”.  Sobre algum selo de fora ter lançado a “Anastenarides”, eu não tenho conhecimento, nem fui procurado, sobre isso.

Euphoric Waves of Melancholy, 7″EP 2008

“Euphoric Waves of Melancholy”, 7”EP, 2008, foi lançado por seu selo, o Doom Worshippers, este selo foi criado só para este lançamento ou seguiram adiante?!

Agnaldo – Doom Worshippers Productions na verdade nasceu em 2006 e minha intenção era ter uma pequena distribuidora voltada só para Doom Metal.  Então, quando gravamos aqueles sons, em 2008, eu ví a oportunidade de usar a DWprod como selo para distribuir, divulgar, aquele lançamento. Foram feitas pouquíssimas copias, apenas 20, então, a banda sofreu baixas no line up e resolvi encerrar. Neste momento, eu após ter conversado com o Julio, então, resolvi mudar o direcionamento da DWprod e passei a utiliza-la como uma produtora voltada para a divulgação e o gerenciamento das bandas ao qual eu estou envolvido, ou seja, Serpent Rise e Arcanum XIII.  Eu não descarto a possibilidade de voltar a atuar, novamente, como selo para o lançamento físico do futuro trabalho tanto da Serpent quanto da Arcanum XIII.

Travellin’ Free…, DT 1995

Um Split CD do “Serpent Rise / Arcanum XIII” via Doom Worshippers Productions é algo a se pensar?

Agnaldo – Já pensei nesta hipótese e pode acontecer, sim.

Amigo Agnaldo, você esteve um tempo no Mausoleum, chegou a gravar algo ou foi só uma temporada?! Aliás, me recordo de quando o Serpent Rise fincou suas atividades você chegou a criar um outro projeto, o Arcanum XIII que se não me engano tinham 2 ou 3 membros do Serpent Rise, este projeto chegou a lançar apenas uma promo ou ainda há mais trabalhos? Permanece adormecido o projeto? E o Nuctemeron, que é bem diferente o estilo do Serpent Rise, aliás, o Nuctemeron lançou um CD em 2017, creio que antes dele, o ultimo trampo seria uma demo tape de 1991, The Last Massacre (tenho a tape aqui no acervo, hehe)!

Agnaldo – Mausoleum foi o começo de tudo… naquela época gravar em studio era muito caro, então, gravamos alguns ensaios em um velho rádio toca fitas, ela durou pouco porque éramos imaturos, mas originou a Nuctemeron, onde não deixamos de ser imaturos, mas que acabou se tornando uma banda cult no meio underground dos dinossauros. A Nuctemeron teve uma fase Death/Black, inicialmente, migrando para um Grindcore violento. Eu não tinha noção do quanto ela representa(ou) para a cena extrema do RS, até que recebi de presente do meu amigo Maicon Leite (Wargod Press) um exemplar do livro “Tá no Sangue – a história do Rock pesado gaúcho”, onde somos considerados pioneiros.  Cara, já ví vários CD´s da Nuctemeron, nunca ganhei uma cópia de royalties, muito pelo contrário, eu acabei comprando.  Se compararmos Nuctemeron com Serpent Rise, eu concordo que há muitas diferenças, mas é que neste meio tempo (em 1992) eu e o Julio fizemos parte de uma banda, que inicialmente, tinha a proposta de ser Death Metal, mas com influencias minhas e do Julio acabou criando um Death/Doom, esta banda chamava-se Garbage. Gravamos uma demo tape (1992) e logo em seguida deu racha na banda, então, eu e Julio montamos a Serpent Rise com a proposta de ser ainda mais pesada e com passagens atmosfericas. Arcanum XIII foi um projeto que criei, quando a Serpent Rise parou suas atividades em 2000, e comigo estavam o Julio (desde Nuctemeron esta parceria musical existe) e o Luis Henrique (baterista da Serpent). Com Arcanum XIII lançamos um EP – “Evolution Requires Death” (2001),entao, quando o Julio precisou se afastar de nossas bandas (Serpent Rise e Arcanum XIII) ,em 2005, pois ele estava de mudança para outra cidade, eu acabei tentando manter a Arcanum XIII ativa com uma formação completa e isso durou algum tempo. Não chegamos a registrar essa fase, mas acho que há um video de um show que fizemos.  Eu ainda não pude conversar com o Julio, mas em 2021 o EP-”Evolutions requiers death” completará 20 anos e seria legal poder tê-lo re-editado mesmo que em uma pequena tiragem, além de preparar algo novo.

Mah, vi um lance que me intrigou, no Metal-Archive tem um item do Serpent que se chama “Remastered Collection” e está catalogado como “limitado a 2 cópias”, procede esta informação?! (N.E.: Se sim, dá uma cópia ai, hehe!)

Agnaldo – Bom, eu não sei sobre o que se trata isso, mas a cerca de dois meses viemos sendo “atacados” por algum “hater” que insiste em criar videos no youtube usando imagens de capas da Serpent Rise, os nomes das músicas, porém o áudio é completamente nada a ver com nossa música. Ví, também, recentemente uma página no facebook, onde uma pessoa supostamente se diz “produtor” e coloca músicas e imagens de um trabalho da Serpent Rise, além de outras bandas, mas nunca tivemos relações comerciais com esta pessoa. Dias atrás recebi uma mensagem, de um perfil fake do facebook, com um link direcionando para uma página de compartilhamento de arquivos (livros / cd´s) onde lá estava nossos cd´s sendo comercializado sem autorização… o que eu posso te dizer, amigo ZArtan, é que já identificamos quem está fazendo isso e não só a Serpent Rise, mas todos os outros músicos que tem sido usado por esta pessoa, nós estamos tomando nossas providencias legais para que isso acabe.

(N.E.: Que coisa chata da peste mah, oportunismo desse hater!)

Você comentou algo em relação a um novo trabalho do Serpent Rise, o que poderias para saciar a curiosidade dos doomers?! E, aproveitando o ensejo, que tipo/estilo de música você e Júlio mais tem ouvido e que possa (ou não) ser influencia neste novo trabalho!

Agnaldo – Quando retornamos, em 2004, houve um período bem intenso de ensaios, composições e isso gerou alguns frutos, antes do Julio precisar ir embora de Santa Maria, que foram registrados em uma pré-gravaçao no ano de 2005 e guardados.  Quando eu e o Julio decidimos que levaríamos adiante a Serpent Rise, isso em 2009, nos lembramos que já haviam aqueles sons, então, depois que o Julio estruturou seu studio foi possível começar a re-trabalhar aquele material e linkar com composições novas.  Sobre influencias, nós continuamos ouvindo de tudo que existe no universo metal, rock progressivo, gothic, trilhas de filmes, então, eu creio que o novo trabalho não irá ser tão distante do que foi o “Gathered by…”.

So tenho a agradecer pelo tempo cedido e, desejar supremas vitorias sempre! E, deixo este espaço para algo mais que desejem relatar! É isso. Stay Doom!

Agnaldo – Hioderman, eu é quem agradeço pelo espaço cedido neste importantíssimo canal disseminador de cultura, muito obrigado!  Obrigado, também, a cada um dos leitores que investiu seu tempo e leu minhas palavras até aqui.  Stay Doom!

CONTATOS: doom.worshippers.productions@gmail.com
FACEBOOK: https://www.facebook.com/oficialserpentise/
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Hioderman ZArtan

Editou os zines "Anaites" e o "Guerreiros Zineiros". Designer gráfico Underground e mentor do Anaites Records.

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