Entrevistas

SODOMA – A Matilha Sodoma Fornix sob a imensa escuridão eretos e sombrios

“...Somos cães primitivos e marcharemos de encontro aos nossos desejos até que viremos poeira estelar.”

A horda Sodoma, após quinze anos de trabalhos no underground e quatro obras lançadas, está em curso para uma nova produção, porém como os mesmos citaram em sua entrevista, estão em processo criativo sem muito compromisso de tempo. Estivemos imersos nas palavras dessa horda a fim de conhecer melhor seus pensamentos, seus conceitos, seus objetivos musicais e sua forma própria de ver o exterior.

Hate Devoro, Foto por: Divulgação

Conte-nos sobre a trajetória da horda de sua fundação até os tempos atuais, os propósitos, os êxitos?

M.S.F – Salve Frater & Lucifer Rising! A Matilha Sodoma Fornix saúda todas as entidades à frente deste manifesto e aqueles que o consumirá. Iniciamos nossa marcha em 2003, em nossa cidade, João Pessoa – PB. Desde então seguimos firmes com nosso propósito; manifestar sinistras sonoras, livre de qualquer visão que venha a frear aquilo que desejamos, pois somos partículas de caos, mesmo aprisionados neste plano, a contaminação é real.

Toda banda, em sua trajetória, em algum momento passa por algumas frustrações, como vocês lidaram com isso e de onde tiraram “energia” para supera-las?

M.S.F – Vivemos e morremos em meio de seres frustrados e se você se deixa ser contaminado se torna a consequência destes parasitas. Nossa visão vai mais além do que é dito ou apontado por esta raça, fomos criados em meio ao fel, alimentados pelo caos e nada que possa vir contra aquilo que temos ímpeto, será capaz de obter êxito, neste frenesi somos o nosso próprio mal e com ele geramos gozo.

Quais as principais influencias literárias e musicais que a Sodoma possui, ou isso é tão diluído que não é possível mensurar?

M.S.F – Proliferamos as nossas alquimias, e o fruto de nossa V.i.t.r.i.o.l, consumimos de tudo que nos é viável, das raízes mais escuras a mescla de informações natimortas e a respeitamos e a marcha segue com a visão de soma.

Seth, Foto por: Divulgação

Fale-nos a respeito de vossos lançamentos primórdios, suas respectivas repercussões e sobre a satisfação pessoal de ter realizado os registros.

M.S.F – Sadomazocristo lançado em 2005 , nossa 1° demo Argh!! Tanto sangue envolvido ao mesmo, tantas barreiras destruídas, assim rasgamos o hímen e começamos a enxergar por trás do véu, um novo caminho, onde espinhos eram emanados como uma cascata, nos banhando e matando nossa sede de querer mais do desconhecido. Renascida em Trevas em 2008; Um êxtase que estávamos cada vez mais certos do que queríamos construir e proliferar. Tudo que ocorreu até aqui serviu para que pudéssemos nos lapidar e isso é gratificante e assim seguiremos.

A Sodoma segue alguma linha filosófica ou construiu, no decorrer do tempo, um pensamento isolado, único?

M.S.F – Seguimos a visão do que é libertador, de que toda ação jorrada ao cosmo terá sua reação, pois vibramos, pulsamos e nos deleitamos com o que a matéria nos presenteia, somos regidos por nossa sede a carne e nossa busca por conhecimentos ocultos. Mesmo tragando doses de informações, não somos arautos das antigas escrituras, respeitamos quem esteve à frente das mesmas. Mas nosso foco é criar e oferecer aos quatro pontos cardeais a visão que desejamos, assim será, pois somos cães primitivos e marcharemos de encontro aos nossos desejos até que viremos poeira estelar.

Como é o processo de composição e de definição das músicas para a Horda? Quem fica a frente disso ou todos se envolvem diretamente nas composições?

M.S.F – Todos seguem com o mesmo objetivo colocando seu sentimento quando lhe é de sua vontade, é um bacanal de escritas, acordes, solfejos açoitando almas… A lapidação é natural. Quando copulamos não temos pressa e fazemos apenas aquilo que desejamos, pois o que importa no final é o prazer que será libertado em nossa obra.

Samidarish, Foto por: Maria Sousa

Existe uma diferença de cinco anos entre o primeiro álbum “Sempiterno Agressor” e o “Mutapestaminação”, quais as diferenças entre os dois álbuns em sua opinião? Esse período de produção entre um álbum e outro você enxerga como necessária, salutar?

M.S.F – Cada artefato tem em si seu próprio peso direcionado por vivencias de cada entidade presente na Horda, ele soa como portal. A compreensão de cada material não se determina no tempo em que foi criado, ele transcende os enigmas do tempo e deve ser desmitificado por parte de quem o aprecia. Não determinamos um tempo entre um material e outro, quando sentimos que o sigilo foi gerado o apresentamos e assim como Sol (A Mutapestaminação) ele irá contaminar todos que estiverem abertos para novas experiências; será como uma chave; ativando novos sentidos, adormecidos em teu ser.

Qual visão, ideológica a Sodoma tem a respeito do Metal Negro Nacional, quais a maiores dificuldades enfrentadas pelo gênero em sua opinião?

M.S.F – Observamos fogo sendo emanado, só que muitos sem foco com sua evolução, muita rinha de ego que só arrasta para o abismo acefálico, como podem dizer que estão à frente disso ou daquilo, se não dominam seu Eu primordial. A dificuldade é a capacidade de pensar por si só. Se tiveres o domínio de sua vibração, estarás mais próximo de tua evolução. Afinal querer ser rio sem mina é seca certa.

Dagon, Foto por: Divulgação

Como está o processo de divulgação do “Mutapestaminação”?

M.S.F – Excelente! Marchamos em lugares fudidos fora de nosso estado, onde pudemos ver a força de todos que participaram sendo exalada, agradecemos a todos que se prontificaram para que isso se tornasse real. Total respeito e admiração!

A banda já vem se debruçando sobre uma nova produção? Já há novas composições, contatos…?

M.S.F – Sim, estamos copulando e extraindo o que o oculto nos oferece. Uma alquimia de sentimentos que será traduzido em sonoras livres e libertinas. Sem pressa, acionamos todos os nossos sentidos, pois temos a certeza que faremos aquilo que temos vontade e o tempo é nossa carruagem para Vênus.

Qual o pensamento da Horda sobre o aguçamento dos sentidos através do uso visual que é provocado pelo Sodoma através de seu figurino, como vocês associam a identidade visual da banda com a música que vocês proliferam?

M.S.F – A Mutapestaminação é real, a visão nunca foi aparecer e sim propagar símbolos pessoais em nossas manifestações. Desde sonoras manipuladas pelos quatro, marcarmos nossas peles com sigilos no qual criamos, a negra marca mostra que por mais rápido que seja a luz pensante, somos a escuridão; semente kaim germinada antes, para a Matilha, isso é real. Acima Seth! Acima Devoro! Acima Samidarish! Acima Dagon! O Mal Habita Aqui!

Agradecemos muito por terem aceitado participar do Lucifer Rising e o espaço final é todo de vocês para expressarem o que desejarem.

M.S.F – Sob a densa escuridão, eretos, sombrios, trilharemos conforme aquilo que desejamos, pois somos dono do todo habitado em nós, e neste ventre abismal fecundaremos aquilo que será do sinistro soprado e assim será feito, pois sangue será ofertado a cada Opvs e com nossas presas e garras de cães primitivos que somos conquistaremos mais fogo e não temeremos o limite desta imensidão. Acima Lucifer Rising! Acima Legião! Acima Matilha Sodoma Fornix!

Assista abaixo o Lyric Video da música Mutapestaminação:

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Anton Naberius

Vocalista da Eternal Sacrifice (Pagan Black Metal) Professor de Arte Visual, Artista Plástico e Especialista em Arte e Patrimônio Cultural.

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