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SÜNOHPFER – Hic Regnant Borbonii Manes

Debemur Morti Productions (Importado) – Hammer Of Damnation (Nacional)

Já aviso de antemão que vocês nunca vão me ver fazer uma resenha de uma banda que eu não tenha gostado. Meu tempo é muito escasso e precioso e em vez de perde-lo escrevendo sobre um álbum que não tenha me agradado eu prefiro gasta-lo indicando outras bandas que pessoalmente eu recomende. O metal é muito vasto e pra cada banda que não apeteça tuas preferências sempre haverá dez outras que poderão te agradar.

Aviso dado tenho que confessar que a atual cena Black Metal francesa tem trazido à nós constantemente verdadeiras pérolas e se mostra como uma das mais fortes do mundo no estilo . Se você diz curtir Metal Negro e ainda não percebeu isso, muito provavelmente deve estar vivendo em uma caverna, portanto abra os olhos e ouvidos….

“Hic Regnant Borbonii Manes” é o terceiro trabalho da banda SÜHNOPFER, que completa sua maioridade nesse ano existindo desde 2001 e mostra uma qualidade de composição e execução que saltam aos olhos. Inacreditável porém é constatar que um instrumental tão rico e de tão alto nível é executado todo por um único integrante; Sim, pois a SÜHNOPFER é uma one-man band fruto da mente criativa do multi-instrumentista Ardraos que está envolvido em vários outros projetos dentro do underground francês além de ser ex baterista da também soberba AORLHAC .

Após uma intro instrumental densa, arrastada e mórbida convenientemente intitulada “Invito Funere”  os auto falantes explodem com “Penitences et Sorcelages” escancarando à todos  a proposta da banda em se fazer um Black Metal Melódico repleto de harmonias e fraseados de guitarra esplendidos e inteligentes, vocalizações insanamente carregadas de sentimento e bateria geralmente à velocidade da luz, com pedais duplos dando a tônica, ainda que não falte algumas passagens à meio tempo quando o feeling da música pede e que com certeza agradará a todos aqueles que curtam uma sonoridade aos moldes de DISSECTION e SACRAMENTUM.

Fica até difícil destacar uma faixa que se sobressaia num álbum tão homogêneo  e coeso.   Dificil porém não se arrepiar com o arranjo de violões na parte final da faixa titulo “Hic Regnant Borbonii Manes”, as harmonias hipnóticas de “La Chasse Gayère” que me lembrou algo do próprio AORLHAC e tem um final daqueles que te transporta pra dentro do álbum.”Je Vrivoie Liement” com letra do poeta e compositor francês do século XIV  Guillaume de Machaut e que tem uma passagem acústica extremamente melancólica ao meio e alguns vocais cantados  que dão o toque perfeito pra se criar toda uma atmosfera medieval. “Dilaceratio Corporis”  que é a mais DISSECTION do álbum pra mim, sem perder nunca a identidade da banda e a faixa que fecha  o álbum “L’Hoirie de Mes Ancestres”, um épico de mais de dez minutos e que possui todos os elementos de destaque das faixas anteriormente citadas e encerra o álbum de forma grandiosa.

O álbum está sendo lançado agora lá fora pela Debemur Morti Productions e como a qualidade do projeto é gritante o selo brasileiro “Hammer Of Damnation” está licenciando uma versão nacional  extremamente limitada. Pra quem  ainda não conhece fica a dica, ouçam, comprovem  e adquiram logo porque vale muito a pena.

 

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Juliano Bonacini

Tecladista e letrista da LoneHunter (Death Metal), historiador e editor do Crypt of Eternity - fanzine da década de 90.

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