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THE BLACK SPADE – O espírito negro e inquieto em busca de conhecimento

“As bandas de Black Metal atualmente, em sua maioria, são apenas mais umas bandas gritando Satã...”

É com muita honra que trazemos às nossas páginas, a magnifica banda The Black Spade, um projeto idealizado por Cavalo Bathory alguns anos atrás e finalmente efetivada em 2017. A banda usa esse espaço pra falar um pouco sobre questões históricas para a banda e seus integrantes, questões ideológicas e planos para o futuro. A conversa é muito reveladora e instigante, vale muito a pena a leitura e a interação com essa que começa a se destacar no cenário nacional:

Saudações meu nobre, é com muita honra que entrevistamos vossa entidade nas páginas negras da Lucifer Rising, por favor, nos apresente esta aos nosso sedentos leitores:

Cavalo Bathory: Extremas Saudações Lendário Anton e a todos os leitores que aqui lerão esta entrevista, na qual em Nome de todos da “FALANGE THE BLACK SPADE”, é uma Honra poder expressar um pouco das nossas manifestações nas negras páginas deste Livro das Sombras “LÚCIFER RISING”. Após minha saída da “MAUSOLEUM” na E.V. de 2004, resolvi pôr em prática os meus anseios obscuros através da música em um “projeto” chamado “CONDESSA SANGRENTA”, em conjunto com 02 aliados. Na época chegamos a ensaiar umas duas ou três vezes, não lembro ao certo, mas, como fomos convidados a cada um se envolver com outras bandas de nome mais expressivos, resolvi então, dar um tempo a este projeto que por fim, acabou que adormecido, porém, nunca esquecido; durante os 11 anos enquanto fui vocalista da “AMAZARAK”. Após isso, com a minha saída, resolvi dar continuidade, e logo de início, por sugestão de conhecidos, mudei o nome de “CONDESSA SANGRENTA” para “THE BLACK SPADE”, e encontrar as pessoas certas para trilharem ao meu lado, tanto que foi fácil, já que praticamente quase todos na época, já tocaram comigo na “AMAZARAK”, e de certa forma, isso ajudou e muito no entrosamento dentro da banda. Passamos por algumas baixas com alguns membros até gravarmos  nosso EP  “SANGVIS ET HONOR”, e após também; a formação atual é: C. BATHORY – FRONTBEAST AND BARK AT THE MOON; T. AVERSVS – HERETIC NEKROKAOS; T. ANDVSCIAS – THE INFERNAL TRVMPETS OV STORMS (sendo que este gravou toda linha de baixo em nosso novo ópus, e agora assumiu as guitarras, já que Nosso Grandioso Frater E. THANATVS, deixou a FALANGE por problemas pessoais) e recentemente preenchendo as duas pontas do Pentagrama está S. DAMBALLA – STRINGS POSSESSION AND POISON e M. NABERIVS – BLOOD RITVALISTIC PERCUSSION, ambos ainda não realizaram um ensaio conosco devido a esta pandemia causada pelo COVID-19, porém, já demonstraram  um sério comprometimento com a Música e a Ideologia da “PHALANX BLACK METAL”….

C. Bathory. Foto por: Leandro Cherutti

O C. Bathory é um velho integrante da cena de Metal Negro Nacional tendo participações em hordas de grande expressão como Amazarak e Mausoleum. Conte-nos um pouco sobre essa trajetória, percalços e conquistas nessa trilha até concretizar o antigo projeto Condessa Sangrenta em The Black Spade:

Cavalo Bathory: Praticamente foram 21 anos de total dedicação ao Underground, e mesmo entre altos e baixos, tenho orgulho de ter feito parte da história de ambas as Hordas, desde shows, entrevistas em zines e claro, trabalhos lançados… Na Mausoleum, durante sua primeira década de existência, vociferei nas demos “Malign Souls” ( 1996); “Hynmof War” (1998); “O Retorno à Batalha” (2000); a Comp. Cd “Southern Warriors Cult” (1999); comp. K7. “JourneyThrough… (1999); “Brazilian Underground Attack vol.I” 4 split LP (2001) e “10 Anos de Bestial Massacre” Full LP (2004)…. Quanto a shows, foram muitos que de certa forma foram Importantes, mas a última celebração como vocalista da Horda foi a “Noite do Aço e do Fogo” (2004), show memorável onde até hoje, muitos que foram comentam sobre…. Já na Amazarak, foram gravados a demo “Comando Blasfêmia” (2005); “Ascenção do Anticristo” (2009) Fulllenght CD; “10 Anos de Comando Blasfêmia” em DVD/CD; “Ascensão do Chaos” (2016) 10′ split EP com Nervo Chaos; e “No Reino da Feitiçaria” (2016) 7′ EP split com Velho. Foram muitos shows Importantes, mas “Heavy Metal e Álcool I” (tocamos num puteiro); Setembro Negro (Enthroned/Sadus); Headhunter D. C. ( não lembro a data), Watain (2007); Marduk e Ad Hominen ( não lembro a data); Sabbat do Japão (????); Novamente com Enthroned (2015), onde gravamos nosso DVD comemorativo de 10 anos da Demo Comando Blasfêmia…. E por fim, lembrei-me de uma situação memorável para todos os presentes até então, quando uma conhecida nossa, subiu no palco e enquanto estávamos tocando, ela fez um “discreto” strip-tease…. Isso deu e muito o que falar…

Com uma formação firme e alguns meses, vocês conseguem contrato com a Mutilation Rec. E logo lançam um fabuloso EP no segundo semestre de 2018. Como se deu esta relação com o selo e porquê um EP e não um álbum completo?

Cavalo Bathory: Conhecemos o Tullula há muito tempo, um cara extremamente apoiador da Cena Underground e um grande amigo, como também possui um selo digno de respeito. Já trabalhamos juntos na época da Amazarak, então foi fácil, mais uma vez esta parceria, pelo qual vem nos dando um grande suporte e somos eternamente gratos por isso! Sobre nosso EP, a princípio seria lançado em Demo, mas por sugestão do próprio Tullula, resolvemos lançá-lo como um EP. Poderíamos até lançar como um álbum Full logo de início, mas decidimos que, foi melhor assim, justamente por termos muitos sons e termos a ideia  de lançarmos muitos materiais futuramente…

Foto por: Leandro Cherutti

O nome da banda, imediatamente, me remeteu ao Motorhead, existe alguma alusão ou foi apenas impressão minha? Qual o significado de The Black Spade?

Cavalo Bathroy: Apreciamos e muito Motörhead, e você não é o primeiro a perguntar sobre, justamente porque o “ÁS DE ESPADAS” se tornou uma característica Grande ao Poderoso Motörhead. Mas, o Nome “THE BLACK SPADE”, vem do meu antigo pseudônimo, quando eu usei na Amazarak. Foi uma forma de homenagear Quorthon que junto a sua Grande Horda BATHORY, foi de fundamental Influência para mim. Quorthon antes de adotar seu nome artístico até o fim, tinha o seu pseudo conhecido como “BLACK ACE SPUNKY SPADE”, e eu apenas adotei o “THE BLACK SPADE” pois sua pronúncia soa forte!!! O Nome em si não tem significado, pois pode ser traduzido como o NAIPE “Ás Negro” de cartas do baralho, como também “A Espada Negra” ou até “A Pá Negra” (essa, muito interessante). No baralho, representa uma carta maior ou menor, dependendo do jogo, seu uso pode ser como símbolo de sorte ou negativo, por ter um passado negro na História das Segunda Guerra Mundial e Vietnã (como símbolo da morte, ou guerra psicológica: tirar a sorte de quem e ou como iria morrer…); no Tarô “SPADE” é a Espada que é o objeto ou uma arma. Representa o ar, símbolo de espírito… Então, The Black Spade pode soar como “O ESPÍRITO NEGRO”… Ou ainda, dos quatros naipes do baralho é o mais complexo por representar a existência inquieta…. E sempre buscando o Conhecimento… Assim é The Black Spade : ” O ESPÍRITO NEGRO E INQUIETO EM BUSCA DE CONHECIMENTO”

O Black Metal, atualmente, tem sido apresentado e representado por uma série de novas entidades as quais são conhecidas (ou auto intituladas) como Ortodoxas, muitas delas negam-se pertencer à cena Black Metal, qual a visão de vocês sobre este “novo” conceito de Metal Negro ou Musica Obscura Espiritual?

T. Andvscias. Foto por: Leandro Cherutti

Cavalo Bathory: É uma questão muito complexa e delicada, pois muitos não entendem e quando escutam ou leem a palavra “ORTODOXO”, a primeira coisa que vem em suas mentes é o “cristianismo radical” junto as suas leis e morais dos bons costumes arisca!!!… E a palavra “ORTODOXO” no Black Metal, nada mais é do que “DISCIPLINA E COMPROMETIMENTO ESPIRITUAL”, não é somente “MÚSICA”… Essa Filosofia vai muito mais além do que se possa imaginar, talvez por isso esse “DIVISOR” entre o “BLACK METAL TRADICIONAL” para com o “ORTODOXO BLACK METAL”, devido a muitas Bandas de Black Metal atualmente, que em sua maioria são apenas mais umas bandas… gritando Satã repetidamente, evocando e invocando, abrindo portais, acendendo velas e usando ossos, sem conhecimento e fundamento algum, sem saber exatamente o sentido e a sua essência…. Isso é muito perigoso, e tudo isso, apenas por “VISUAL E STATUS”… A Cena está cheia de Bandas assim, “VAZIAS”…. Mas, é claro que não estou generalizando, pois há excelentes bandas pelo qual se intitulam apenas como “BLACK METAL” e são muito “REAIS” no que fazem, isso eu não tenho dúvidas!!! Já, sobre o “ORTODOXO BLACK METAL”, tem surgido uma onda muito grande de bandas e zines ligadas a este estilo, e nada melhor, como em todas as “FASES”, O TEMPO para mostrar muitas coisas, correto? Quanto a mim, tenho  Conhecimento sobre muitas bandas da cena, tanto as de fora como as daqui, e posso dizer que são de fundamental Influência para mim, pois sou envolvido neste meio, já que sou baixista como “SESSION MEMBER” da Grande VOBISCVM INFERNI, como também conheço algumas pessoas envolvidas não só com a Música Extrema, mas também ligadas a grupos  espirituais do “CAMINHO DA MÃO ESQUERDA”, inclusive para quem queira conhecer sobre Bandas de Black Metal Ortodoxo no Brasil, procurem escutar VOBISCVM INFERNI; AMPLEXVS MORTEM; ISFET; OUTLAW; PRALAYA; SPELL FOREST; CATACOMB VOICES; SOVEREIGN (R.I.K.); VULTURINE; PACTVM; INFANDVM; AIN SOF AIR… ETC! Respeitadas e Honradas Hordas do Brasil!!!! S.E.H.S.

Falando sobre o EP, como tem repercutido esse material aqui e fora do país?

Cavalo Bathory: A Mutilation Rec. tem feito o seu papel, e mais uma vez só tenho a agradecer pela divulgação de nosso EP, de forma discreta temos lido ou escutado comentários de muitas pessoas que adquiriram, nos parabenizando, e isso é muito gratificante… Saibam que somos muito gratos à todos….

Sabemos que as apresentações ao vivo são a mola propulsora para muitas bandas, de metal em geral. Como tem sido este contato de vocês com o público ao vivo e como vem funcionando o entrosamento da banda nestes espetáculos?

T. Aversvs. Foto por: Leandro Cherutti

Cavalo Bathory: Isso é verdade, pois é uma chance de você poder mostrar sua essência manifestando-a e contagiando todo o público presente…. Mas até o presente momento, a “THE BLACK SPADE” só se apresentou uma única vez em um show organizado pelos Camaradas da “OUTLAW” em 2018, e confesso que a princípio, eu não estava muito afim (como deixo claro que a “THE BLACK SPADE” não é uma banda para tocar direto, seja em qual for o lugar devido as más organizações, aparelhagens precárias e organizadores irresponsáveis ou com qualquer banda “carne de açougue”, por opção pessoal e ideológico); mas os demais membros da banda me convenceram e fizemos o nosso papel, o qual agradou a todos os que estavam presentes, inclusive após esse show, alguns organizadores chegaram a nos contatar, e até hoje muitos perguntam quando iremos tocar novamente…. Houveram duas oportunidades no RJ, em 2018, que não tocamos porque eu estava impossibilitado de vociferar…. E em 2019, iríamos tocar com a Banda Alemã “GOATH”, e que não sei por qual motivo a milícia mandou fechar o local (parece que as forças invisíveis não querem que toquemos no RJ). E no kaótico ano de 2020, iríamos nos apresentar em 3 festivais de Grande Nome, “DEATH WAR KULT (SC), BRAZILIAN RITUAL FEST e METAL NEGRO (Tributo ao BATHORY) ambos em SP, e não rolou por conta desta pandemia…. Tínhamos até o intuito de organizar algo para divulgar nosso Full, mas Infelizmente, tudo atrasou, inclusive nossa gravação, e devido a estes fatos, é cedo e incerto para dizer algo a respeito….

Os integrantes da The Black Spade, dedicam-se exclusivamente à banda ou possuem outras bandas e/ou projetos? Fale-nos sobre essa capacidade de se desdobrar transitando entre estes vínculos paralelos.

Cavalo Bathory: T.AVERSVS toca guitarra na CREPTUM e é envolvido em outros projetos dentro do Underground; T.ANDVSCIAS toca guitarra na “AMAZARAK” e baixo na “THE LAWS KILL DESTROY” e também tem seus projetos dentro do Underground. M. NABERIVS toca batera na “GUERREIROS HEADBANGERS; OPUS TENEBRAE; THE LAWS KILL DESTROY, entre outras, S.DAMBALLA toca baixo na “PORTAS NEGRAS”, e por fim, como na questão #05, sou “SESSION MEMBER” como baixista da “VOBISCVM INFERNI”. Pelo fato justamente pensando, de a “THE BLACK SPADE” ser uma banda que não terá o costume de tocar direto, concilia e muito neste desdobramento para com os nossos compromissos paralelos, não atrapalhando de forma alguma nossa dedicação nas bandas ou projetos envolvidos.

E. Thanatvs. Foto por: Leandro Cherutti

Quais são os projetos futuros da The Black Spade para além do EP “Sangvis et Honor”?

Cavalo Bathory: Infelizmente esse ano de 2020 fodeu todas as nossas expectativas, atrasando todos os planos… Porém continuamos a nossa luta, e estamos terminando as gravações de nosso FullLenght intitulado “… E DO FIM, SE FAZ O INÍCIO…”, a ser lançado pela grande “MUTILATION REC.” e após isso e seu lançamento, esperamos que caso QAYIN já esteja satisfeito com a sua colheita, talvez possamos fazer uma modesta apresentação de divulgação deste trabalho, e claro começarmos a trabalhar e ensaiar os sons novos, pois acredite, temos sons para pelos menos uns 03 discos além deste FullLenght… E muitas ideias  para manifestar  as quais ainda, é muito cedo para citar… Aguardem!!

Agradecemos imensamente a participação nesta praga midiática, deixamos o espaço aberto para seus últimos dizeres:

Cavalo Bathory: Em Nome da Falange The Black Spade, agradeço a tí Anton e a todos da Lucifer Rising por este tempo e espaço dedicado, no qual foi muito grandioso, e a todos os Hellbangers e Hellgirls que leram e descobriram um pouco mais das nossas ideias aqui manifestadas, sintam-se a vontade para nos contatar…. Que a Chama Ctônica prevaleça sempre queimando entre as sombras iluminando os olhos daqueles que realmente buscam o conhecimento, cegando os fracos não dignos de Sabedoria…. V.Q.F./A.S. H.L./ L.E.P.G.É.M./ S.E.H.S.

Confiram a faixa “Soberano Exu Caveira” que fará parte do Full:

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Anton Naberius

Vocalista da Eternal Sacrifice (Pagan Black Metal) Professor de Arte Visual, Artista Plástico e Especialista em Arte e Patrimônio Cultural.

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