Entrevistas

THE MIST – Um passo de cada vez

“Nossos temas ainda são atuais e cada vez mais é assustador reconhece-los nas pessoas e nas cenas ao nosso redor”

É com muita satisfação que trazemos às nossas galerias essa banda que marcou época e fez a história do Metal Brasileiro com seus álbuns magníficos, em especial o “Phantasmagoria” e o “The Hangman Three” que se tornaram clássicos do Thrash Metal. No final de 2018, foi revelada a notícia que a banda estaria voltando a se apresentar ao vivo e por esse motivo, rapidamente entramos em contato com eles para extrair mais detalhes dessa reunião, assim como saber sobre histórias e pensamentos dos mesmos, não somente sobre o passado da própria banda, como o presente da cena Metal e a visão deles sobre.

Vladimir Korg, Foto por: Divulgação

Bem vindo meus caros, recentemente fomos surpreendidos com um excelente notícia aos fãs do The Mist que foi a reunião da formação do grande álbum “The Hangman Three”, mais precisamente no final de dezembro de 2018. Essa notícia caiu como uma bomba e causou um imenso burburinho, aliás um ótimo burburinho, por se tratar de uma notícia excelente. Em uma postagem feita na rede social o comentário era que vocês já estavam ensaiando juntos há sete meses. Como se deu essa reunião, qual a motivação, a banda vai voltar a atuar de fato ou o propósito é apenas um celebração?

Vladimir Korg – Muito obrigado pela atenção. Estávamos ensaiando no intuito de nos afinarmos de novo, no sentido estético, profissional e psicológico. Estamos dando um passo de cada vez. Queremos inicialmente entrar em contato com nossos fãs. Aqueles que pediram que nós voltássemos e que sempre nos citaram como influenciadores de seus trabalhos, quando músicos ou da participação de nossa música em suas vidas. Não queremos e nem podemos adiantar o que virá pela frente por enquanto, só a vontade de ver os amigos, fazer novos e tocar. Posso garantir que o que está saindo está foda. O difícil está sendo tirar músicas do set list.

Em uma entrevista na internet, uns 3 anos atrás o Jairo disse que o “Phantasmagoria” e “The Hangman Three” seriam parte de uma trilogia e que o terceiro disco desta trilogia seria o “Necropolis”. Existe a chance da trilogia se completar? Esse material está escrito?

Vladimir Korg – O nome seria Metrópolis. Eu usei a maioria das ideias das letras em um trabalho experimental chamado NUT . A ideia de fazer o Ashes to Ashes deu uma nova direção ao projeto e consequentemente ao The Mist. Acho que todo o universo do Phantasmagoria e The Hangman Tree fecham com a música Leave me Alone. Não acredito que se retome uma ideia de quase 30 anos atrás com a mesma vivacidade e honestidade e é claro, um compositor novo, para isso desvirtuaria conceitualmente mais ainda um caminho harmônico dos álbuns iniciais. Cello Dias é uma peça essencial na junção musical desses álbuns.

1989 – Phantasmagoria “Full-length”

Você (Vladimir Korg), saiu da banda antes do “Ashes to Ashes, Dust to Dust” ser lançado, e o EP seria uma espécie de intervalo na trilogia iniciada no “Phantasmagoria”. Em termos musicais esse disco soou um pouco diferente dos anteriores, você participou nas composições deste trabalho?

Vladimir Korg – Participei de em uma fase inicial e lembro de algumas músicas que fiz. Acho um trabalho interessante e a melhor capa do The Mist, mas eu não me encaixaria nesse trabalho. Acho que eles atingiram o objetivos que eles queriam e esse trabalho é tão respeitado quanto os outros.

Considero seus vocais extremamente originais, confesso que gostava muito quando você cantava no início do Chakal, sendo que no The Mist sua voz ganhou tons mais melódicos. Essas nuances foram propositais? Direcionadas aos “propósitos de cada uma dessas bandas?

Vladimir Korg – Obrigado. São trabalhos diferentes. Direcionamentos melódicos diferentes. Não dá para repetir o mesmo timbre em músicas com tons diferentes e acho que eu mesmo queria explorar mais outras texturas vocais. As letras interferem também na atitude quando você interpreta o que você canta. Acho que isso tudo influenciou nas mudanças notadas por você.

1991 – The Hangman Tree “Full-length”

Qual a visão que a banda tem agora que anunciou um retorno, como tem sido a receptividade do público, das gravadoras?

Vladimir Korg – Estamos sendo muito bem recebidos. Produtores nos procuraram, fãs antigos e novos, músicos. Ainda estamos muito concentrados na energia interna da banda. É uma coisa muito delicada de se gerenciar. Acredito que depois dos primeiros shows teremos uma dimensão da coisa toda. Mas cada vez estamos mais focados na responsabilidade que temos em colocar isso para os que gostam do The Mist e para os que ainda não nos conhece. Nossos temas ainda são atuais e cada vez mais é assustador quando reconheço esses temas nas pessoas e situações ao meu redor.

Havia, se não estou enganado, um projeto para os dois primeiros álbuns serem relançados, principalmente em vinil, inclusive o “The Hangman Three” em Picture LP, porém apenas as versões em CD foram lançadas. Como está o andamento deste projeto?

Vladimir Korg – O Phantasmagoria foi relançado em vinil, mas só é encontrado nos Estados Unidos pela Gray Haze Records. O The Hangman Tree deverá sair esse ano.

Os dois primeiros álbuns da banda são muito bons, álbuns fantásticos e históricos no cenário Metálico Mundial. Quando vocês olham pra trás, como foi ter vivido todo aquele momento e quais as melhores lembranças que vocês tem desta época?

Vladimir Korg – Eu quando ouço os álbuns me espanto: como conseguimos com tanta precariedade fazer esses trabalhos! Éramos muito inocentes em termos profissionais e ainda pagamos por isso. Mas a época era fantástica principalmente por sermos todos jovens. Reviver um pouco desse tempo com essas músicas está sendo muito legal mas o melhor é encaixar esses trabalhos no agora. Está sendo bem melhor! Sei muito bem cuspir essas letras na cara de quem merece.

The Mist, Foto por: Divulgação

Como estão os ensaios para o Abril ProRock (Festival que acontece na Cidade de Recife/PE), qual a expectativa da banda em tocar no Nordeste mais um vez depois de tantos anos? E a agenda de shows, quais outros espetáculos estão sendo preparados para comemorar esse retorno imenso?

Vladimir Korg – Eu sou suspeito para falar. Eu sempre declarei meu total amor pelo nordeste. Por Recife tenho uma ligação quase de sangue com a cidade. Os ensaios estão sendo intensos e como disse antes, o difícil está sendo compor o set list. Cada música que cortamos é aquele olhar de que aquela música é fundamental para o show. Mas temos no máximo uma hora para tocar tudo e não vai dar tempo nem para respirar entre uma música e outra. Estamos em um festival e temos que respeitar o tempo que nós temos e das outras bandas.

1995 – Gottverlassen “Full-length”

Como vocês enxergam o “mercado” para o Metal na atualidade, cercado de novas fontes de informação, de acessos a música como as redes sociais, as plataformas digitais, um certo ar de antiguidade sendo dada ao CD (meio louco isso), mas por outro lado sendo mantida uma chama muito forte no meio a cultura dos K7, CDs e LPs?

Vladimir Korg – Mais louco é a volta do K7. Esse papo de mercado é chato demais para o músico, mas é a realidade. Se você não o compreende você está fora. Postar talentos no facebook é fácil, o difícil é na hora do palco ou na dificuldade da estrada. Respeito cada uma das bandas que conseguem fazer tours e se manterem. Independente do estilo. As plataformas digitais são uma realidade. Não há como fugir delas. Faz parte desse dia a dia das pessoas ficarem lambendo a tela do celular de cinco e cinco minutos. O celular virou um dispositivo perfeito para se vender coisas (principalmente as que não precisamos) e o capital vai nadar de braçada com esse aliado fantástico.

Agradecemos muito, mas muito mesmo por terem cedido essa entrevista as galeria do Lucifer Rising, desejamos todo sucesso à vocês e que venham mais surpresas para os fãs da The Mist. Deixo o espaço aberto para o que desejares dizer aos leitores:

Vladimir Korg – Agradeço a vocês pelo interesse pelo nosso trabalho. Estamos trabalhando duro para que nos shows a gente retribua a fidelidade que vocês tem à nossa arte. Um grande abraço a todos e nos vemos na estrada.

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Anton Naberius

Vocalista da Eternal Sacrifice (Pagan Black Metal) Professor de Arte Visual, Artista Plástico e Especialista em Arte e Patrimônio Cultural.

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