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TIWANAKU – Ed Mowery e a sua explosão criativa após o Nocturnus

"A única razão pela qual qualquer religião possa ser mencionada em uma canção é, muito provavelmente, para ser zombada"

Algumas bandas, álbuns, músicas e músicos causam uma impressão muito forte em algum momento de nossas histórias pessoais e por motivos diversos ficam marcados pra sempre em nossas vidas. Nos anos 90 eu descobri o Death Metal e uma banda em especial definiu o rumo de vários eventos futuros em minha vida; essa banda era o NOCTURNUS. Formado em 1987 nos nos Estados Unidos , a banda conseguiu ser inovadora ao adicionar teclados a seu Death Metal extremamente técnico e visceral. Provavelmente eu jamais teria me interessado em aprender a tocar um teclado se não fosse pelos álbuns desse colosso metálico. Anos depois quando tocava no LoneHunter eu quis mostrar a algum membro da extinta banda nossa música tão influenciada por eles e agradecer por toda inspiração e isso me levou a entrar em contato com Ed Mowery antigo baixista e vocalista da banda. Ed foi sensacional comigo e descobrimos vários assuntos de interesse comum estreitando uma forte amizade apesar da distância. Descobri com isso sua mais recente banda, o TIWANAKU que em sua música extremamente criativa conseguia manter o legado criado pelo NOCTURNUS e expandi-lo ainda mais. Ed sempre foi um lutador e seu amor genuíno pela música que faz o fez superar inúmeros obstáculos  para trazer ao mundo o primeiro álbum de sua banda intitulado “Earth Base One” que se encontra gravado e em breve será lançado. Aproveitando esse momento, convidei Ed para um bate papo em que ele conta muito de sua história passada e nos dá um panorama para esse que promete ser um dos grandes lançamentos de 2021.

 

1) Ed conte nos um pouco sobre o seu ínicio no Metal, quais as primeiras bandas e álbuns que ouviu, quais as maiores influências e o que te motivou a deixar de ser um mero espectador e se tornar um músico?

 

Foto arquivo pessoal Ed Mowery

Comecei a ouvir música desde cedo. A primeira vez que me lembro de ter notado música quando criança foi quando meus pais davam festas com os amigos do exército de meu pai e eles tocavam Elvis, Sinatra e coisas de sua época. Eu odiava ouvir algumas daquelas músicas, mas se fossehoje eu toleraria, já que me trazem lembranças de meus pais. A primeira vez que realmente dei atenção à música foi no cinema. Eu tinha 5 anos e um amigo da família levou meu irmão, minha irmã e eu para assistir Star Wars. Antes disso, eu era um grande fã do Homem-Aranha, do Hulk e do Superman. Quando Star Wars finalmente chegou à tv a cabo, eu já o tinha visto no cinema mais de 20 vezes. Eu também gravitei em direção a filmes como Star Trek e mais tarde a Stargate e outros. Eu ainda assisto a todas essas franquias. Eu amei Star Wars, mas não era apenas o filme em sí, era como a música era conduzida incrivelmente bem durante o filme. As grandes orquestrações, cordas e percussão eram incríveis! Não me entenda mal, eu adorei o filme também. Meus pais tinham o álbum com todas as músicas em vinil e eu acabei ficando com ele. Quando eu tinha 10 anos, comecei a comprar fitas cassete pelo correio da Columbia House. A promoção “Compre 11 álbuns por um centavo”, o que, na verdade equivale a comprar 1 álbum por um centavo e, em seguida, compensar pagando mais do que o preço total pelos outros 10 álbuns, para que você realmente pague mais por eles. Haha. Minha primeira pilha de cassetes incluía Judas Priest (British Stee)l, ACDC (Back in Black), Van Halen, (Van Halen II), Scorpions, Pink Floyd, Black Sabbath e muitos outros mais. Cada um eu pedi olhando a capa do álbum e esperando que fosse legal. Não houve amostra de nenhuma música antes do tempo. Meu primeiro show foi o Scorpions e Jon Butcher Axis. Esta foi a noite em que percebi o que queria fazer para o resto da minha vida. Logo depois, fomos ver o DIO durante a turnê Holy Diver. Scorpions foi minha introdução à necessidade de tocar música. DIO foi o show em que me apaixonei pelo metal e sabia exatamente que estilo de música eu amava. Eu fui atraído especialmente pelas guitarras, mas com DIO havia os vocais e teclados malvados também. Metal para sempre! Não muito tempo depois disso, ganhei minha primeira guitarra e amplificador.🤘🏼👽🤘🏼

 

2) Entre 1989 e 1991 você fez parte da banda FALLEN IDOLS, Fale nos mais sobre esse período…

Foto : Arquivo pessoal Ed Mowery

Sim, comecei tocando guitarra na banda. Tínhamos todos que precisávamos, menos um baixista. Recebíamos ofertas de show após show e tínhamos que dizer que não estávamos prontos porque no s recusavamos a subir no palco sem um baixista. Tínhamos gravado um vídeo na “Public Acess TV” que passava na tv local e os clubes de metal estavam nos convidando para tocar. Então eu finalmente disse: vamos fazer um show e vou passar para o baixo para que possamos tocar na frente das pessoas e ver o que elas pensam. Começamos a fazer o primeiro show e o lugar explodiu completamente. Foi minha primeira experiência vendo um mosh pit do palco e eu AMEI !! Ainda tenho contato com um dos membros do FALLEN IDOLS. Houveram conversas sobre regravar nossas músicas antigas, mas nosso baterista faleceu em 2018. RIP Scott Sanders. Nós te amamos e sentimos sua falta mano! Quem sabe possa haver alguma regravação um dia🤘🏼👽🤘🏼

3) Em 1992 você se juntou ao NOCTURNUS como baixista , lançando no ano seguinte o 7”EP homônimo. Como se deu essa entrada ? Quais são suas principals lembranças dos primeiros dias e meses na banda?

Mike Davis e Ed Mowery Foto arquivo pessoal Ed Mowery

O FALLEN IDOLS se separou em 1991. Estávamos em Seattle naquela época. Eu procurei por uma nova banda, mas ficou claro que eu precisava me mudar do Noroeste do Pacífico, já que o grunge estava governando aquela cena e eu não queria fazer parte daquilo de jeito nenhum. Todos os tipos de bandas queriam que eu tocasse baixo, mas tudo seguia o som grunge e era algo totalmente diferente do meu estilo no baixo ou guitarra. Eu sempre me esforcei para ter precisão e tocar os riffs da mesma maneira todas as vezes. Eu poderia ter ficado em Seattle e não tocado metal, mas comecei a ler sobre como a cena de Tampa na Florida estava crescendo. Foi uma grande mudança de Seattle para Tampa, com uma parada rápida em Albuquerque. Recebi uma ligação de um amigo e baterista, o incrível Rob Soltis, que também era de Albuquerque, mas morava em Tampa na época. Ele me convidou para trabalhar com sua banda. Então, arrumamos um carro e partimos de Seattle para Tampa. Bem no estilo rock n roll, na segunda semana depois que eu apareci, a banda decidiu acabar. Acho que alguns dos membros viram que a coisa ia ficar sério e ficaram com medo. Naquela mesma época o Nocturnus estava procurando um baixista. Rob havia conhecido Chris Anderson, que gravou as linhas de baixo no álbum “Thresholds” algumas semanas antes. Sentei-me com Chris e ele me mostrou como tocar as faixas “Arctic Crypt”, “Grid Zone”, “Alter Reality”, and “Climate Controller” então eu não estaria entrando em um teste sem saber tocar nada. Eu também aprendi  “BC / AD” ouvindo. Tocamos essas músicas juntos algumas vezes e então Lou (Panzer, tecladista) veio me perguntar se eu poderia fazer 3 shows, se eu estava com medo de uma câmera de vídeo ou se tinha um passaporte. Eles tentaram mais um baixista depois de mim e foi isso. Eu participei dos três shows de aquecimento em Tampa, a turnê “European Thresholds” de 1992, o vídeo de “Alter Reality”  pro programa Headbangers Ball da MTV e então partiríamos daí. Tornei-me o que pensei ser um membro de tempo integral com igual poder de participação nas decisões durante a viagem de volta pra casa no aeroporto de Frankfurt após a turnê. Eu era um membro de tempo integral, mas a palavra igualdade na verdade não estava lá. O que mais me lembro sobre o início do ingresso no Nocturnus é que eu praticava as músicas o dia todo, todos os dias, e depois ia ensaiar com a banda cinco noites por semana. Nós ensaiavamos muito. Eu trabalhei muito duro para adiantar meu trabalho e consegui.

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Fizemos uma pausa depois do Eurotour e quando colocamos James Marcinek na bateria, decidimos gravar “Mummified” e “Possess the Priest” como uma demo para ver como James e eu nos sairíamos no estúdio. Esta foi minha segunda aparição com a banda após o vídeo. Eu adoro aquele 7 “Ep por um motivo, acho que é a gravação com melhor som que o Nocturnus fez. Você pode ouvir todos os instrumentos e os vocais de Dan Izzo agradáveis ​​e à frente do jeito que os vocais deveriam ser. O segundo motivo pelo qual adoro esse trabalho é que fui eu que fiz ele acontecer junto com Odin e a “Moribund Records”. Odin era o empresário do FALLEN IDOLS antes de começar a “Moribund Records”, então foi assim que nos conhecemos.🤘🏼👽🤘🏼

 

4) Após um hiato de seis anos o NOCTURNUS lançou o álbum “Ethereal Tomb” em 1999 com você assumindo os vocais. Nessa época a banda já havia lançado dois álbuns considerados clássicos “the Key” e “Thresholds”. Como foram as sessões de gravação e os shows que se seguiram a esse lançamento? O peso dos álbuns anteriores  e a responsabilidade de tomar a frente da banda foram uma pressão dificil de se lidar? Acredito que tenha sido uma experiência que o fez crescer e evoluir muito como músico, estou correto?

As sessões de gravação foram tipo ei ei, rápido vamos fazer isso”. Gravei o baixo dentro do tempo que me foi concedido e fiz meus vocais para o álbum em menos da metade do tempo destinado à gravação de vocais. “Apostle of Evil” foi feita em uma tomada, sem os vocais de apoio. Foi um grande teste para minhas habilidades. Precisávamos de tempo para mixar, então foi incrível que minha voz respondesse da maneira que eu queria. Eu me diverti muito com os caras e Greg Marchak (RIP) nosso engenheiro / produtor do álbum “Ethereal Tomb”.

Nocturnus – Foto por Divulgação

Sim, eu senti um pouco desse tipo de pressão, mas particularmente eu reajo melhor quando a pressão está alta. Eu senti mais pressão porque foi a minha primeira vez na frente de uma banda. Eu sempre fui o guitarrista ou baixista\ backing vocal. Então, sim, nessa experiência, eu aprendi muito sobre gravação e algumas coisas que você faz ou não quando grava se você é o vocalista. Cantar e tocar ao mesmo tempo era uma montanha e tanto para escalar, mas eu apenas continuei e muito disso veio para mim naturalmente. Depois dessa gravação, meu interesse sobre o processo de gravação real cresceu e agora sou eu que estou gravando muito do álbum “Earth Base One” do TIWANAKU. Não devo tudo que faço agora ao tempo que passei no NOCTURNUS, mas aprendi muito sobre a parte de negócios, gravação e principalmente como tocar. Eu não trocaria meu tempo com o NOCTURNUS por nada. Eu aprendi muito sobre como tocar guitarra enquanto estava na banda apenas por estar perto de Mike e Sean. Aprender a cantar e tocar ao mesmo tempo também foi algo que aconteceu quando eu estava na banda. Eu vi isso como um desafio, ouvi meus backups gravados e queria tentar e funcionou para todos nós.🤘🏼👽🤘🏼

5) A banda infelizmente chegou ao fim em 2002. O que os levou a encerrar as atividades? Existe algum material não lançado que chegou a ser trabalhado pra um successor de “Ethereal Tomb” ? Você ainda tem algum contato com algum antigo membro da banda?

 

Foto arquivo pessoal Ed Mowery

Vários foram os motivos que separaram a banda, mas o que o maior deles foi que dois caras perderam completamente o interesse em continuar A mesma razão pela qual terminamos nos anos 90. Ninguém queria fazer turnê, fazer shows ou viajar naquele momento. Eles não estavam interessados ​​em nada além de gravar e então as pessoas começaram a faltar aos ensaios. Eu não sei sobre nenhum outro músico, mas eu gosto de ensaiar e tornar a música melhor nesse processo. Eu também queria trazer um segundo vocalista com uma voz limpa e eles se recusaram a encontrar alguém. Foi quando comecei a pensar que era hora de criar minha própria banda. Cansei da inatividade. Eu estava em uma banda de metal bem conhecida e eles eram muito preguiçosos e desinteressados ​​para continuar a ser uma banda de verdade. Além disso, todas as coisas que eu queria fazer musicalmente não eram usadas e eu estava cansado disso. Quaisquer riffs rápidos eram destruídos porque dois deles não queriam mais tocar rápido e isso é um sacrilégio no metal, no que me diz respeito, e o NOCTURNUS era conhecido por sua guitarra base trituradora, que é o que mais me atraiu como músico e então eles pararam de tocar desse jeito. No “Ethereal”, minhas linhas de baixo e vocais foram abaixados na mixagem nas minhas costas e eu não faria isso de novo também. Entre a inatividade e eles rejeitando minhas idéias, eu estava pronto para começar minha própria banda sem eles. Eu não estava fazendo outro álbum em que seria rejeitado na mixagem. Também não havia razão para isso. Minhas sessões foram perfeitas e é meu melhor trabalho. Mas, historicamente, os guitarristas abaixam outros na mixagem. A mesma coisa aconteceu em “Thresholds” com as trilhas de baixo de Chris Anderson. Você mal consegue ouvir seu baixo e aquelas linhas de baixo eram incríveis pra caralho. Não estou dizendo quem os abaixou, mas sei quem fez isso. Enfim, foi por isso que deixei a banda em 2002.🤘🏼👽🤘🏼

6) No ano seguinte à dissolução do NOCTURNUS você criou o TIWANAKU. A banda toca Death Metal, tem a presença de teclados e alguns aspectos líricos são semelhantes ao NOCTURNUS. Podemos considerar o TIWANAKU uma continuação daquilo que você fazia em sua antiga banda? Na verdade parece que Mike Davis guitarrista do NOCTURNUS estava em uma das primeiras formações da banda, correto? Fale nos mais sobre as propostas musicais e líricas da banda.

Foto arquivo pessoal Ed Mowery

Na verdade, o dia em que deixei o NOCTURNUS foi o mesmo dia em que comecei o TIWANAKU. Eu gosto de teclados no metal desde quando Sabbath, DIO, Deep Purple, Maiden, Ozzy e Judas Priest e mais bandas os usavam. Sintetizadores de guitarra ou teclados. Eu amo todas as paisagens sonoras e situações que as teclas podem criar. A mistura de sons com riffs de guitarra é muito divertida e tem possibilidades infinitas em estúdio. É incrível poder criar um tipo de trilha sonora para um filme na minha cabeça e então combinar as histórias e letras com essas paisagens sonoras e quando alguém ouve e consegue entender, então eu fiz meu trabalho direito. Eu tenho estado dentro de tópicos como ficção científica, fatos científicos, paranormal, pesquisa de OVNIs, arqueologia antiga e o universo desde que eu tinha 5 anos de idade e isso foi muito antes de eu entrar no NOCTURNUS. Eu assisti muito Twilight Zone, Star Trek, Planeta dos Macacos, Battlestar Galactica etc. Não estou dizendo que a banda não influenciou o que eu faço agora. Eu sou definitivamente influenciado pelo NOCTURNUS por ter estado nessa banda. Ela me tornou um músico melhor em todos os aspectos. Mike, Sean e eu estávamos tão sintonizados um com o outro que poderíamos ter continuado a fazer ótimas músicas juntos se eles quisessem. Eu não seria o músico que sou sem meu tempo com eles, mas uma das razões pelas quais saí da banda e comecei o TIWANAKU foi porque estava cansado do desinteresse a riffs e ritmos mais rápidos e paisagens sonoras mais grandiosas com orquestrações, sons espaciais ou paranormais, cordas , horns, o que quer que soe melhor. Eu estava tentando expandir o NOCTURNUS e eles não quiseram. O TIWANAKU é uma espécie de continuação, mas também se tornou muito mais com uma mentalidade mais aberta para a música. Você pode apostar que os teclados e a bateria são muito mais bem pensados, diversificados, técnicos, orientados para o groove e detalhistas no TIWANAKU do que no NOCTURNUS. Os riffs de ritmo de guitarra que são na verdade guitarra solo foram o que me impressionou no NOCTURNUS e foi o que me atraiu na banda no início. Eu gostava das teclas também, mas Mike e Sean eram uma dupla de guitarras do caralho. Tenho certeza de que todos ouvirão semelhanças entre o NOCTURNUS, mas você também ouvirá influências de bandas como SLAYER, CARCASS, JUDAS PRIEST, DEATH e muitos mais. Davis ficou na banda por cerca de um minuto antes de eu decidir que se ele não comparecesse aos ensaios não iria funcionar para nós. Seu coração não estava totalmente envolvido e ele estaria bem se não o fizesse. Nenhum ressentimento com isso. Os conceitos líricos de Tiwanaku são baseados em muitos dos meus sonhos e pesadelos, histórias que me fascinam, coisas da vida real que aconteceram comigo, civilizações antigas, ignorância dos humanos, respeito pela vida e a resposta às origens do homem. Os temas de ficção científica também estão lá, mas a única grande diferença no conteúdo das letras entre as duas bandas é que, embora o TIWANAKU possa se tornar espiritual, não trazemos religião para nossa música. A única razão pela qual qualquer religião possa ser mencionada em uma canção é muito provavelmente para ser zombada. Temos uma música em nosso álbum de estreia, “Earth Base One”, chamada “Visitor from Titan” e é exatamente como o título soa. É uma história verdadeira e uma experiência que tive com nosso último guitarrista, Michael Estes, nas montanhas do norte do Novo México. Vou guardar a história para o lançamento do álbum e outra entrevista.🤘🏼👽🤘🏼

7) No mesmo ano vocês lançaram uma demo com você dividindo os vocais com Wade Black que entre outros trabalhos já havia sido vocalista da banda Progressive Heavy \ Power Metal CRIMSOM GLORY e o resultado dessa mistura a meu ver foi algo sensacional que ainda possui elementos inovadores quase vinte anos após seu lançamento. Esta demo também apresenta Richard Christy, que entre inúmeras bandas foi o baterista do lendário DEATH. Por que então essa joia do Extreme Metal nunca foi oficialmente lançada e amplamente divulgada por uma gravadora? Há a possibilidade de que esse material ainda possa ser relançado com melhor promoção algum dia?

Tiwanaku 2004 – Foto por Divulgação

Sim, eu ainda tenho esse material e também a demo que fizemos com a participação de Alex Webster (CANNIBAL CORPSE) em uma música. O lançamento dessas demos também seria uma ótima ideia! Se alguma gravadora ou promotora no Brasil tiver interesse em lançar uma edição limitada do nosso debut  “Earth Base One” ou essas demos, entre em contato comigo e vamos resolver isso. Vamos lançar uma versão limitada das duas demos no futuro. Estamos trabalhando com o licenciamento da “Earth Base One” na Bolívia, Irlanda, Chile, talvez Austrália, México, Indonésia e mais. Entrem em contato conosco e vamos fazer uma incrível edição limitada do “Earth Base One” no idioma do país interessado. Uma versão em português do nosso primeiro álbum seria incrível e um sonho tornado realidade, meu amigo.🤘🏼👽🤘🏼

8) Após isso, Stephen Elder se juntou à formação que gravou a primeira demo do TIWANAKU e sob o nome LEASH LAW vocês lançaram o EP “Stealing Grace” e um excelente álbum chamado “Dogface”. A sonoridade do LEASH LAW, entretanto, tinha uma abordagem mais Heavy \ Power Metal, embora existam algumas doses de extremismo em faixas como “Hail to Blood” e “Hellhole”. Podemos considerar o LEASH LAW como uma progressão natural dos experimentos que vocês estavam fazendo com o TIWANAKU, já que faixas como “What If” na demo de 2003 já tinham uma direção mais melódica?

Stephen Elder nunca esteve no TIWANAKU. Ele era o baixista do LEASH LAW. LEASH LAW era uma banda à parte. Rick Renstrom que era o guitarrista principal naquela demo do TIWANAKU com Richard Christy, e Wade veio com o LEASH LAW enquanto eu criava o TIWANAKU. Tinhamos as duas bandas e ajudavamos um ao outro. O LEASH LAW recebeu uma oferta de contrato de gravação da “Black Lotus Records” da Grécia na época. Isso foi logo depois de lançarmos a primeira demo do TIWANAKU que deixamos adormecido por alguns meses e gravamos o álbum do LEASH LAW. Rick e Wade escreveram as músicas para o álbum e eu peguei alguns dos riffs dessas músicas e adicionei um toque a mais e peso a elas, no caso “Stealing Grace”  “Hellhole”  “Hail to Blood” e “Dogface”. A única música que escrevi foi “Dogface “(letra / música) e Richard escreveu “Paving the Way”, que fizemos soar exatamente como ele queria. Foi ótimo trabalhar com Richard. Você não precisava pedir nenhum tipo de bateria. Ele simplesmente já sabia o que eu queria. Esse projeto era definitivamente uma abordagem mais Power Metal com mais peso adicionado por mim e / ou Richard. No TIWANAKU naquela época eu escrevia todas as músicas, 90% das letras e dos vocais. Agora eu escrevo todas as letras e vocais e todas as músicas, menos uma música que Chris Scales nosso baixista escreveu e algumas que colaboramos. A faixa “What If” foi renomeada de “Closed Minds” e abandonamos o começo com o piano, ela também estará no álbum. Podemos ter escrito as idéias básicas das músicas, mas sem a contribuição de Steve Martinez, a magia do teclado de Ryan Oneill e a incrível bateria de Ryan e Liam Hurkas “Earth Base One” não teria sua sonoridade. Precisou de todos nós para fazer isso acontecer e não apenas um de nós. Acredito que o segundo álbum contará com mais colaborações.🤘🏼👽🤘🏼

9) Em 2009 TIWANAKU lançou as faixas “Playing God”, “Ghost War” e “Today in Battle” em formato digital com uma nova formação com Michael Estes (Ex RESSURECTION, Ex ACHERON, RIP 2020) na guitarra e Royse Bassham na bateria. A faixa “Today in Battle” também contou com Alex Webster (CANNIBAL CORPSE) no baixo. Essas faixas na minha opinião mostram uma abordagem mais brutal, baseada em um Death Metal mais tradicional. Essa mudança foi planejada ou foi consequência natural do background da nova formação?

Alex Webster, Ed Mowery, Michael Estes – Foto arquivo pessoal Ed Mowery

Sim, por favor, todos enviem vibrações e pensamentos positivos para a família de Mike, descanse em paz, eu te amo, irmão! Michael Estes e eu éramos melhores amigos e irmãos por muitos anos. Tivemos um desentendimento idiota que encerrou seu tempo na banda cerca de um ano e meio antes de ele falecer. Sinto falta dele! Éramos melhores amigos e quando tocávamos guitarra juntos, era incrível. Ele era meu irmão e é estranho que ele não esteja aqui enquanto estou gravando  as guitarras para o “Earth Base One”. Não é que eu não possa fazer isso sozinho, mas sempre ajudamos um ao outro durante o processo de gravação, não importa em qual projeto um de nós estava trabalhando. Nós protegíamos um ao outro assim. Ele sempre estava preparado e pronto para ir onde eu precisasse. Em nossa última conversa foi dito que nossa amizade não deveria sofrer porque tínhamos um desentendimento musical. Nós dois concordamos com isso. Íamos conversar melhor sobre ele voltar e foi a última vez que tive noticias dele. Muito triste. “Today In Battle” e “Playing God” foram o resultado de Michael e eu sentarmos e escrevermos juntos. Havíamos escrito algum outro material, mas esse não verá a luz do dia. Infelizmente, essas duas músicas e qualquer outra coisa não estarão no álbum. Você pode ouvir alguns dos riffs que escrevi nessas canções sendo usados em outras composições. “Ghost War” eu escrevi toda, então estará no álbum.

 Nós já temos a maior parte da bateria gravada para nosso segundo álbum ainda sem nome agora e se tudo der certo, estaremos prontos para o lançar dentro de 6 a 9 meses após “ Earth Base One”. Tudo na mesma linha também. Trabalhar com Alex na faixa “Today in Battle “ foi muito legal para mim. Ele trabalhou na música e a ensaiou conosco antes de gravar suas linhas. É um cara muito legal e humilde, além de um baixista incrível 🤘🏼👽🤘🏼

10) Nos dez anos que se seguiram ao lançamento do single “Today in Battle” você esteve envolvido no processo de composição do seu primeiro álbum “Earth Base One”. Durante esse tempo, você teve várias mudanças de membros e problemas que atrasaram a criação deste álbum. Ed, agora em 2021, a banda tem uma formação sólida pela primeira vez em anos. Apresente-nos aos membros do TIWANAKU e conte-nos um pouco mais sobre a formação de cada um.

Deixe-me começar apresentando a formação mais recente e arrebatadora. Todos nós estaremos  juntos com o TIWANAKU ao redor do globo.

Chris Scales é nosso baixista. Ele e eu nos conhecemos desde que eu era adolescente. Tocamos em outra banda juntos e com muitas pessoas em comum e sempre nos demos bem. Nós dois tocamos com o baterista Scott Sanders (RIP). Scott era um irmão próximo de nós dois. Chris terminou a gravação das partes de baixo para “Earth Base One” e ficou um baixo limpo e pesado de sacudir as paredes.

O mago dos teclados Ryan Oneill voltou à banda. Ryan fazia parte da banda quando eu estava em Pittsburgh tocando com o baterista Keith Hurka e Michael Estes. Ryan Oneill é um incrível pianista, orquestrador e soundscaper! Sempre quis que ele tocasse conosco de novo, então isso está sendo incrível!

 

Os sensacionais, velozes, groovadores e irmãos Ryan Hurka e Liam Hurka (ex-The Adventures of Bear Grylls) se juntaram à banda como nossos bateristas. Ambos gravaram a bateria para as músicas e ambos estarão disponíveis para fazer apresentações ao vivo. Esses dois são filhos do nosso ex-baterista Keith Hurka (Watcher). E é meio louco como as coisas funcionam! Esses dois vão explodir suas mentes. Em nosso segundo álbum, planejamos levar a bateria dentro do metal ainda mais longe.

Foto arquivo pessoal Ed Mowery

Por último, mas não menos importante, nossa última adição ao TIWAMAKU é o guitarrista Steve Martinez. Steve mora perto de mim e Chris. Nós três tocamos juntos ao vivo várias vezes e gravamos algumas músicas juntos em outra banda. Portanto, é um ajuste perfeito. Steve vai destruir este álbum com algumas fritadas na guitarra principal e iremos mixar tudo logo depois para entregar à gravadora.

No que diz respeito aos atrasos nos últimos 10 anos, sou muito culpado por isso. Já passei por mais de 10 cirurgias desde 2010. Grandes cirurgias no pescoço e na coluna lombar, substituições de joelho, estimuladores da medula espinhal e muito mais. Estou do outro lado das cirurgias agora e estou muito melhor. Esta é uma das razões pelas quais podemos fazer a música do TIWANAKU novamente. Meus cirurgiões se saíram bem.🤘🏼👽🤘🏼

11) Fale-nos mais sobre o “Earth Base One”, algum convidado especial?

Foto por Divulgação

Até agora o “Earth Base One” soa mais claro com grande separação entre os instrumentos e ainda nem está mixado. Você pode esperar bumbos MUITO rápidos, batidas de skank, batidas de groove e muito mais. Nosso medidor de tempo sobe e desce muito. Baixo forte, um som de guitarra base altíssimo / esmagador, teclados grandiosos com paisagens sonoras, orquestrações, coros e algumas linhas de guitarra fritantes. Vocalmente, você pode esperar ouvir minhas mesmas vozes de Death Metal / Black Metal e algumas novas vozes e canto gutural em que tenho trabalhado. E temos um convidado especial. O mestre dos Pipes Daniel Heiman ex-LOST HORIZON e atualmente do WARRIOR PATH que cantará a última música do EB1 chamada “Interdimensional”. Essa música se tornou uma homenagem ao nosso falecido empresário Brian “Progcop” Goldsmith. Brian é responsável por colocar Daniel em contato comigo originalmente e depois com todos na banda. Brian também é responsável por me ajudar a ficar na linha e a manter o TIWANAKU vivo enquanto eu estava caído. Nós o amamos e sentimos falta dele! RIP Progcop 🤘🏼👽🤘🏼

12) Alguma possibilidade do TIWANAKU descer à América do Sul em um futuro próximo?

Sim, contanto que o mundo reabra e possamos fazer shows novamente. Viajaremos para todos os lugares para tocar. Temos conversado com promotores na Bolívia, Chile, Irlanda, Reino Unido e muito mais. Tudo dependerá de como nosso álbum será recebido. Este é o melhor trabalho que já fiz e esperamos que gostem dele tanto quanto nós! 🤘🏼👽🤘🏼

13) Meu irmão eu agradeço pelo tempo e atenção, te desejo sorte em seus projetos e deixo esse espaço pra você…

 

Juliano muito obrigado! Tem sido um longo caminho para tirar essa banda do chão, mas ela finalmente vai ter sua chance. Juliano espero que esteja tudo bem com você, sua família e amigos e que estejam todos seguros e com saúde.

Eu também gostaria de agradecer aos novos membros da banda por se jogarem como campeões e fazerem tudo isso acontecer! Obrigado irmãos !! 🤘🏼👽🤘🏼

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Juliano Bonacini

Tecladista e letrista da LoneHunter (Death Metal), historiador e editor do Crypt of Eternity - fanzine da década de 90.

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