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TWO OLD MEN – Dois veteranos se unem para criar música sem fronteiras

O Two Old Men é um duo oriundo da baixada santista e se propõe à fazer uma música cuja principal característica é a liberdade criativa em primeiro lugar. É obvio, que a ligação de décadas dos membros Claudio Cardoso e Paulo Ferramenta com bandas de Metal extremo reflete também nas composições do Two Old Men, onde destacam-se o peso, melodias, morbidez e aquele punch que nos leva por caminhos sonoros alusivos à década de 70, ao classic Rock, ao Gothic oitentista, ao Hard e mesmo assim, continuando extremo, soando muito original, com uma sonoridade própria.  Com um 7`EP e um álbum lançados, deixemos o amigo Claudio Cardoso nos contar algo mais sobre o universo peculiar do Two Old Men.

Cláudio Cardoso, Foto Por: Divulgação

Saudações caro amigo Cláudio Cardoso! Como andam as coisas nesse momento para o Two Old Men?

Claudio Cardoso – Salve meu Brother Tiago. Tudo anda como deve, estamos ensaiando, bebendo e compondo, não exatamente nessa ordem, mas dessa maneira. (risos)

A música do Two Old Men soa para mim como algo bastante original. Eu consigo absorver influências da década de setenta, do Southern Rock, de Stoner e até mesmo alguns elementos góticos e obscuros nas melodias. tudo isso aliado ao metal mais extremo que é a escola de onde a dupla vem, com suas bandas pretéritas e projetos. Mas na sua visão como criador do projeto, qual seria a melhor maneira de se classificar a música do Two Old Men para um leigo que nunca a ouviu?

Claudio Cardoso – Cara, essa é a pergunta de um milhão de dinheiros. Quer me constranger, me pergunte isso! Nós sempre brincamos que fazemos rock, rock do mau. Então se alguém pergunta, nós respondemos brincando que fazemos “evil rock”. (risos) Acho que essa é essência do início, você quer tocar pesado, distorcer a guitarra, quer protestar (ou não) nas letras, enfim, quer se fazer ouvir. Então vem a crítica especializada (ou não) e vê onde você se encaixa, se não encaixar em lugar nenhum eles criam um lugar pra você.  A única coisa que esperamos é fazer um som que nos agrade, que seja honesto. E se mais alguém gostar, esse é nosso lucro.

Two Old Men, Foto Por: Divulgação

Como estão as vendas e a divulgação do debut álbum do Two Old Men que saiu no segundo semestre de 2018? Vocês estão distribuindo mais nos shows ou por encomendas postais? Qual tem sido a resposta do público e das mídias especializadas em relação ao conjunto do álbum em si?

Claudio Cardoso – O álbum foi totalmente produzido por nós e distribuído em conjunto com alguns parceiros, aos quais agradeço imensamente. Eles distribuem de uma forma mais ampla, pois estão em diversas regiões e sei que alguns já estão quase sem nenhum disco no estoque. Nós temos distribuído em shows e através de contatos via redes sociais. Tenho vendido varias cópias do álbum, além de outros materiais como o vinil de 7” lançado em 2014 (que ainda tenho algumas cópias) ou camisetas, e tem sido muito gratificante a receptividade e resposta que tenho recebido por parte de quem adquiri o material ou apenas escuta de forma online. O mais interessante é que temos boa receptividade de pessoas que tem afinidade com os mais diversos estilos de música pesada. Recebo críticas positivas ou pessoas querendo adquirir nosso material que são aficionados por diversas vertentes do metal, então creio que de modo geral nosso som tem agradado alguém mais além de nós mesmos, isso significa que nossos objetivos estão sendo mais que alçados.

Em 2017 o Two Old Men surge na cena com um 7`EP em vinil bastante luxuoso. Nós sabemos que há uma espécie de revival do vinil no mercado musical. O underground sempre teve um carinho especial pelo formato. Todavia, muitas pessoas hoje nem possuem um aparelho para tocar o disco. Como vocês lidaram com essa realidade digital, tendo já de cara lançado algo em um formato clássico, que a nova geração não está muito afeta? As cópias do compacto foram todas esgotadas?

2018 – Two Old Men “Debut CD”

Claudio Cardoso – Não, ainda tenho algumas cópias.  Optamos por fazer em vinil por gosto pessoal, como eu disse, fazemos para nos agradar. Fazer em vinil foi exatamente isso, pensar na satisfação interior, lembrar dos bons momentos de comprar um vinil e perder horas degustando o som, o encarte, e sentindo aquele cheiro incomparável. Mas se o cara prefere escutar online, baixar pra escutar em casa ou enquanto vai pro trabalho, até mesmo porque as vezes não tem essa grana sobrando, é só ir nas redes sociais que está lá também, de graça.  Hoje em dia a música é livre, mais livre que nunca e deve ser assim pra todo mundo. Claro que fazê-la custa dinheiro, mas se você não vive disso e encara isso como prazer pessoal então está valendo.  O importante é ser resiliente, se adaptar à realidade de cada um e de cada época, fazemos música pesada por prazer, e se conseguirmos ficar sem prejuízo ótimo, senão paciência, na próxima tentamos empatar novamente.

Tenho visto a banda anunciada em alguns eventos e em alguns programas especializados. Um deles será o conceituado Franca Metal Fest, organizado pelo grande amigo Sidinei da banda Masturbator. Nos fale sobre as apresentações ao vivo da banda. Estão tocando ao vivo como um duo, ou contam com membros convidados para reproduzir a atmosfera contida no EP e no álbum?

Claudio Cardoso – Cara, tocar no FMF pra mim é um revival. Toquei lá em Franca há 25 anos atrás com outra banda (o God).  Eu conheço o Masturbator e o Sidinei desde 86/87 quando nos reuníamos em Campinas (porque eu sou do interior de SP) na frente de uma loja de discos (a Metalica) pra irmos pra shows pelo interior ou na capital (SP). Nos anos 90 tocamos juntos várias vezes, era uma época mágica.Tenho certeza que nesse evento vou rever mais de uma dúzia de amigos que fizeram parte daqueles momentos de outrora, então Franca deve ser um capitulo a parte.  Quanto as apresentações do TOM, sempre foi e sempre será um duo. Quando gravamos sempre tem algumas coisas que acrescentamos pra dar uma certa qualidade ou peso, mas na maioria das vezes compomos pensando sempre que haverá somente dois músicos. Eu gosto de tentar deixar a composição o mais perto possível de ser realizada ao vivo.

Nos fale um pouco sobre o direcionamento das letras do Two Old Men. Vocês parecem não se prenderem á apenas um determinado enfoque lírico e sim abordar múltiplos assuntos nas letras da banda, certo? Nos detalhe mais sobre esse aspecto.

Claudio Cardoso – Exatamente assim, sem se prender a diretrizes ou dogmas. Se você ler a letra de Cargo Cult, você verá uma crítica feita com ironia a religião, Stone of The Witch é sobre uma lenda que existe a respeito de um pedra na praia da cidade de São Vicente por onde eu passava sempre em minhas corridas matinais, In the Deep é um momento de tristeza, My Friend the Devil fala de alguém nos seus últimos momentos invocando o demônio, (foi dedicada ao Johnny Hansen).  Enfim creio que letras têm que retratar sentimentos ou momentos em que o compositor/escritor está vivendo ou querendo transmitir.

Cláudio. Você fez parte de uma banda hoje com status de cult no cenário underground brasileiro. Falo sobre o antigo GOD, formado em Vinhedo-SP, em 1990, ficando ativa até 95. Nos conte sobre como foi vivenciar aquele período mágico do underground nacional e a projeção que alcançaram me eventos e fanzines da época:

2014 – Don`t Kiss me Baby “7`EP”

Claudio Cardoso – Foi um momento importante, sou muito grato por ter vivido e absorvido a melhor época do underground mundial. Ter tido uma banda, tocado e feito amizades (a maioria por cartas) dentro do underground foi uma experiência ímpar. O God teve seu momento, naquela época aparecemos em diversos zines do mundo, fizemos vários shows, troquei cartas e tapes com grandes nomes do metal extremo, sou muito grato por isso, mas foram outras épocas. Prefiro apenas lembrar com gratidão e nostalgia, não só pela banda, mas pela época, pela aquela geração.  Como você mesmo disse, época mágica.

Já seu parceiro de projeto, Paulo Ferramenta é um velho conhecido da cena santista, tendo tocado com bandas como No Sense, Wrinkled Witch, In Hell, Empire of Souls, etc. Como se deu a escolha dele para integrar o TOM e de que maneira ele concilia sua agenda entre as bandas que toca?

Claudio Cardoso – Quando o No Sense voltou depois de um tempo parado, eu ia aos ensaios com frequência, e sempre depois rolava um “happy hour” foi entre umas e outras bebidas que acabamos marcado um ensaio pra brincar, pois fazia anos que eu não chegava perto da guitarra. Então essa foi a premissa, desde o início fazer um som sem compromisso, e ser um duo foi uma consequência que deu certo. Sobre a agenda, sempre damos um jeitinho pra tudo acabar bem, nunca rolou de haver conflito de datas.

Para o ano de 2019 o Two Old Men já se encontra compondo músicas novas para o lançamento sucessor do debut álbum? Poderia nos adiantar algumas nuanças sobre o direcionamento dos novos sons?

Claudio Cardoso – O método de composição continua o mesmo desde o início, juntamos riffs de guitarras e de bateria, e o som vai sendo feito aos poucos. Se ficar legal continuamos, senão descartamos completamente.  Sempre, tem que nos agradar em primeiro lugar, e como falei, se mais alguém gostar esse vai ser o lucro. Já tenho algumas ideias para o próximo álbum e algumas novas composições, mas o lançamento deve ficar pra 2020.

Cláudio, em nome de toda a equipe do portal Lucifer Rising, eu agradeço pela entrevista e desejo tudo de melhor para a banda. Deixe suas últimas considerações aos nobre leitores do Lucifer Rising!

Claudio Cardoso – Agradeço muito por se lembrar de nós. Poder estar presente entre as matérias deste grande portal é muito honroso. Vida longa ao Lucifer Rising!!!

TWO OLD MAN online: https://www.facebook.com/TwoOldMen.EvilRock/

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Tiago Siqueira

Tiago Siqueira edita fanzines impressos desde 1994. É editor do Akkeldama e do Rip Ride. Trabalha com jornalismo comunitário em Planaltina-GO.

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