Entrevistas

U.N.C.U.L.T. – Uma Nulificação Catalizadora Ultrapassa os Limites Transcendentais

“...não nos sigam, não nos ouça, não nos adore, pois nós amamos todas as forças que irão destruir sua vida...”

Essa é uma entidade que, no ano passado, lançou um dos álbuns mais aclamados no undergound o Vcifrtnsmael Cantvs Adramlas Ostivm (Ucifrtnsmael Cantvs Adramalas Ostivm : Anti-Estrutual Formulas da Genesis do Anti-Mundo), originalmente lançado pelo selo Coreano Bersek Ritual Production. Tivemos a oportunidade de conversar com a entidade U.N.C.U.L.T. e conhecer um pouco mais sobre seus pensamentos, suas ações, seus objetivos dentro da música extrema e caótica, assim como esclarecer seus pensamentos sobre Metal Negro como um todo. De fato, a carga de energia emanada por Uma Nulificação Catalizadora Ultrapassa os Limites Transcendentais é ímpar e cheia de simbologias, confiram os dizeres destas sombras sonoras…

É com muita honra que recebemos essa entidade em nossas galerias, por favor, faça-nos uma apresentação de Uma Nulificação Catalizadora Ultrapassa os Limites Transcendentais aos nossos leitores…

U.N.C.U.L.T. –  U.N.C.U.L.T é uma expressão ritual musicada da energia superior do Senhor Cego, são hinos de Dor, Devoção e Disciplina!

A entidade possui dois registros oficiais, um EP e um álbum, fele-nos a respeito do primeiro registro (Gnoses Ex Diablorvm Trangvlvm), sob quais auspícios ele foi concebido? Para onde migram as emanações intrincadas que essa entidade propaga?

U.N.C.U.L.T. –  Atualmente, em fevereiro de 2019 Demivrgica, nós lançamos um EP K7 pela Áudio Miasma, e um Full-album pela Berserk Ritual da Coreia. Estes dois materiais são resultados de uma longa trajetória, material e espiritual, um fato que indica isto é que estes materiais surgiram no mundo dos vivos mais de 10 anos depois da fecundação que deu origem a entidade U.N.C.U.L.T.

2018 – אַד טֶסְטַמֶנְטְבְס דִיאַבְּלוֹרְבְם אִינְפְרָה פּוֹרְטַל אֶלֶמֶנְטַל גְנוֹזִ “EP K7”

Suas obras são repletas de signos e códigos muito intrínsecos, heméticos, a utilização destes tem um teor provocativo, no sentido de despertar o interesse dos leigos, ou apenas atingir um círculo restrito de ouvintes versados?

U.N.C.U.L.T. –  Evocamos formulas do anti-mundo, do universo não material das sensações que ejaculam nas mentes e espíritos dos humanos, acreditem nisso este humano ou não! Tudo que falamos, acreditamos, sentimos e vivemos saem das palavras sagradas das grutas do leão, que estão expressas no LIBER EVTHANASIAS LVX – O GRIMORIO DO NÃO-NASCIDO! Nós somos os mensageiros do S.A.A (Satanismo Andramaliko Antimateria). Não temos nenhum interesse previamente refletido sobre as artes do nosso disco, a mesma aconteceu em termos de inspirações do inversvm universvm.

Vocês possuem uma postura muito misteriosa quanto a imagem dos integrantes da entidade, a comunicação entre a banda e o ouvinte se dá apenas através da música e da arte visual. No caso da música, temos uma manifestação imaterial que cria uma conexão emocional sem mensura, o que há por trás deste “mistério”, existe um conceito ideológico que faz com que essa entidade não use da identidade dos integrantes como elemento visual em suas obras?

U.N.C.U.L.T. –  Creio que o que é mais importante refletir sobre isso é que nós somos uma ilusão, nosso corpo, nossas ideias, estas palavras que você pode ler agora também são uma ilusão. Então nossos nomes, nossa identidade, tudo isso é apenas representação de vida no mundo, e não é isso que o U.N.C.U.L.T representa, a horda é o poder do fogo, eterno, ardente, material e imaterial, um paradoxo da existência no cosmos.

Qual o uso literário que a U.N.C.U.L.T. usa para elaborar seus cânticos? Dentro deste mesmo conceito, o que vocês tem a dizer sobre o contexto de inserção da entidade como uma emissora de sons e estéticas mergulhadas no seio cultural que o Metal Negro consiste?

U.N.C.U.L.T. –  Sobre o agrupamento literário, por assim dizer, tudo que está em nossas letras são palavras do LIBER EVTHANASIAS LVX – O GRIMORIO DO NÃO-NASCIDO. Sobre a cultura do METAL NEGRO, bom não temos ou ao menos não pretendemos ter nenhum vínculo com o mesmo, ao menos em termos de grupo, ou no caso em questão de rebanho, não vejo o METAL NEGRO em geral, claro que não falo de todas as hordas, de forma muito diferente dos evangélicos, ambos os grupos são extremamente alienados, no sentido Marxiano da palavra sobre uma falsa ideia da realidade, ambos produzem e reproduzem falsas ideias de grandeza baseadas em fraquezas substanciais, ambos tem uma forte carência cognitiva/intelectual, ao menos a nível Brasil onde temos um forte combate a ciência, e o que para mim é mais interessante é que estes dois ambientes culturais que citei, os evangélicos e o METAL NEGRO, estão extremamente conectados, eles promovem vícios, falsos lideres, muitas vezes tem alvos simbólicos muito parecidos, ou seja não nos interessa ter proximidade com nenhum destes grupos. Nós fazemos música para o INFERNO, temos nossos próprios dogmas, nós somos nosso próprio Círculo, expressos sobretudo pelas ideias do C.H.P.V (Círcvlo Hermético Pvtrid Vox), nós somos a força e o combustível que produz a chama.

Qual visão a entidade tem sobre uma série de bandas de Metal Negro que, atualmente, tendem a mostrarem-se mais versados que antes? O que acha de alguns estereótipos, alguns clichês e onde vocês se encaixam nesse perspectiva de bandas que seguem uma linha musical e literária, um tanto “inovadora” neste sentido?

U.N.C.U.L.T. –  Sobre as “bandas” em si ai já migramos para uma questão mais particular, penso que existem hordas que se declaram ou defendem a bandeira do tal METAL NEGRO, muitas vezes por falta de outra nomenclatura, mas que estão muito distantes do rebanho como um todo. Hordas que tem um profundo conhecimento espiritual, que não estão presos a dogmas demivrgicos deste grupo, mas quando falo em “hordas” em muitos casos também não estamos falando em todos os membros da mesma, pois é fato que na esmagadora maioria dos casos uma horda é presentada por uma ou duas pessoas. Vejo que o início da mudança foi com o advento do que hoje chamamos de Metal Negro Ortodoxo, mas hoje, penso que devemos ir além, declarar a música livre do dogma do Metal, que no princípio versava sobre liberdade e criação de novos parâmetros mas que acabou mordendo a própria calda. Sobre a nossa linha musical e onde nos encaixamos, creio que diria que fazemos músicas espirituais, que expressam sensações e espectros do infra-mundo, apenas isso.

Há algum tempo vem se notando a ruína de muitos pilares construídos pela cena do metal extremo, principalmente de duas, três décadas atrás como o radicalismo, por exemplo. Por uma ambiguidade é possível notar que existem algumas entidades que usam destes valores de outras formas, como lançamentos de materiais especiais e ultra limitados. Qual a concepção que a entidade tem a respeito desta visão que cerne a erosão de pensamentos passados sobre o radicalismo no metal extremo e ascensão de novas concepções para um outro tipo de radicalismo?

U.N.C.U.L.T. –  O radicalismo, ao menos na forma como ele é pensado dentro do “Metal Negro” é algo muito controverso. Quando falamos sobre “ser radical” que isso deve ser direcionado a alguma coisa e no Metal Negro vemos isso jogado ao nada, cada um que fale que é radical por isso ou aquilo, ou você é radical por cheirar cocaína ou você é radical por não ver bandas no youtube, balela! Para nós radicalismo é DISCIPLINA, ser radical é ser rígido com seus princípios e objetivos, assim chegamos a resultados, e o que eu vejo com relação aos supostos resultados do tal “radicalismo” destas pessoas do metal negro é apenas ego e mais ego.

2018 – אוּסִיפְרְטְנְסְמַאֶל קַנְטְבְס אַדְרַמַלַס אוֹסְטִיבְם (Ucifrtnsmael Cantvs Adramalas Ostivm : Anti-Estrutual Formulas da Genesis do Anti-Mundo) “Full-length”

Recentemente a entidade U.N.C.U.L.T. assinou com o grande selo brasileiro Hammer of Damnation, o qual adquiriu todo o estoque do selo Coreano Bersek Ritual Production. Existe uma série de polêmicas que são levantadas, sobretudo na rede social sobre a aliança de muitas bandas ao selo. Qual o posicionamento de vocês a respeito e como vocês enxergam o trabalho feito pelo selo diante da entidade?

U.N.C.U.L.T. –  A H.O.D sempre nos tratou com muita honra e cuidado. Nós caminhamos em uma trilha dialética de construção de sentimentos, experiências e formas múltiplas de inteligências racionais e espirituais, nesta trajetória, no passado, eu tinha diversas ideias adversas sobre a H.O.D, sobretudo com as polêmicas que envolviam a mesma em torno da sua conexão com o Nazi-fascismo. Até poder conhecer pessoalmente o mentor da H.O.D e dialogar sobre estas ideias e propostas do mesmo.
Não há dúvidas que em termos de trabalho especializado com relação a música extrema a H.O.D é no Brasil um dos, se não a maior, gravadora. Isto fica expresso no investimento material que a mesma faz em seus lançamentos, assim como no cuidado com as negociações com as hordas. Estes são pontos importantes para mim pois nascemos em um país de cultura serviu, imbecilizada por uma elite do atraso que manifesta suas ideias em um gado que não reflete, não produz, que tem críticas inconsistentes a absolutamente tudo que sai da sua zona de conforto, então em um contexto como esse um selo como a H.O.D realmente produz efeitos controversos. Por tanto, este é nosso primeiro ponto com a H.O.D, temos a liberdade de expressar nosso trabalho com a maior qualidade possível em negociações transparentes e honestas, algo praticamente extinto na cultura da “malandragem” que se prolifera dentro do dito “Metal Negro”. Com relação ao segundo ponto, as polemicas em torno da H.O.D com relação aos movimentos e ideias do Nazi-fascismo creio que temos que ser bem claros com relação a isto. O U.N.C.U.L.T é uma entidade completamente espiritual, ela não dialoga com as formas ou razões deste mundo, por tanto ideias políticas sejam elas quais forem ou demandas sociais de qualquer espécie não despertam nenhum tipo de interesse ou envolvimento do U.N.C.U.L.T. Não estamos negando os efeitos espirituais, por exemplo, de ideias políticas sobre as pessoas, de fato estas ideias produzem fortes efeitos, mas não é algo que nos move em termos de tema. Isso também não quer dizer que temas como estes não interessem aos membros do U.N.C.U.L.T, sem dúvida interessam, mas quando entoamos nossas canções, nós não temos mais cor, sexo, família, paixões ou corpo, nós nos transformamos em espíritos e falamos para os mortos que nos ouvem. Eu particularmente nunca tive nenhum tipo de interesse em músicas que falam sobre política, justamente pelo fato de em minha profissão eu falar e estudar os aspectos da política é que sei que o fato é muito mais complexo do que as substancializados sobre “esquerda e direita”. Com isso pontuo, por fim, que além de escravos espirituais o gado do Metal Negro também é iletrado e impulsivo, uma composição perfeita para ideias de massa, eles são o gado das ideias fáceis, do preto no branco, do bem contra o mal, da liberdade e da tirania… O pior escravo é aquele que por ter uma corrente muito longa amarrada ao seu pé pensa que é livre. Não, nós não somos livres, alimentamos esta ilusão, mas no momento que o primeiro pulsar de nossas vidas é dado no útero de nossa materna estamos imersos em uma cadeia que só nos livraremos na morte, a cadeia dos sentidos da vida.
A H.O.D é o selo oficial do U.N.C.U.L.T à nível mundial, todos os nossos trabalhos serão lançados por eles, qualquer opinião a positiva ou não negativa sobre isso realmente não nos impacta, continuaremos a existir e a promover a dor.

No ano Vulgar de 2018, a entidade U.N.C.U.L.T. lançou o aclamado Vcifrtnsmael Cantvs Adramlas Ostivm (Ucifrtnsmael Cantvs Adramalas Ostivm : Anti-Estrutual Formulas da Genesis do Anti-Mundo). Como tem sido a repercussão do mesmo?

U.N.C.U.L.T. –  Não sei ao certo como mensurar isto, mas creio que, para nossa surpresa, muitas pessoas estão compreendendo nossa mensagem, as pessoas nos procuram para falar sobre isso, nosso CD teve uma procura muito grande e se esgotou no Brasil em muito pouco tempo, tanto que a H.O.D, como você havia mencionado, comprou todo o estoque de nosso lançamento na Coreia para trazer para o Brasil. Isso me surpreendeu e mostrou que existem pessoas que não conhecemos que conseguiram entender nossas ideias, isso de fato foi interessante.

Vivemos cercados de uma humanidade tola, em curva de declínio permanente, durante muito tempo o Metal Negro criou códigos de conduta torpes como classificar todos automaticamente como elites intelectuais ou vomitar superioridade. Por outro lado, é muito fácil notar que isso não é verdade. Sabendo um pouco da visão da entidade U.N.C.U.L.T. sobre o tema, gostaria que discorresse uma opinião sobre essa observação.

U.N.C.U.L.T. –  Um sorriso surge no meu rosto quando leio ou escuto coisas assim, que o “metal negro” do Brasil é algum tipo de elite ou entidade intelectual, talvez até sejam, tendo em vista que tenho uma ideia muito elevado do que seja uma elite de algo ou que seja um alto nível intelectual. Mas para os meus parâmetro, como dito anteriormente, são apenas gado, rebanho, com raras exceções.

Quais são os planos para o próximo lançamento da entidade U.N.C.U.L.T. e quais serão os caminhos seguidos por vocês quanto as questões líricas para esse material? Com qual (quais) artista (s) vocês pretendem trabalhar para a concepção estética deste próximo trabalho?

U.N.C.U.L.T. –  Para as próximas manifestações já anunciamos um novo EP intitulado ANANKE PHYSIS HERMETIKVS MVSIK que será lançado nos seguinte formatos A5 DIGIBOOK CD PRO COM LIVRETO (LIMITADO EM 150 CÓPIAS) pela Wolfmond Production (ALEMANHA), PRO K7 LIMITADA pela HAMMER OF DAMINATION (BRASIL) limitada em 67 cópias e um Especial BOX SET CD limitado em 3 CÓPIAS (DOR*DEVOÇÃO*DISCIPLINA) pelo C.H.P.V. Adianto aqui os títulos dos hinos presentes na mesma pela primeira vez:
I – PRECES VI – INVERSA FVSIS KARMA
II – ALTERA LXVII VOID
III – PRECES V – אוֹרֶה פַּרָה אוֹ סֶנִיוֹר אַדְרַמְלַס
IV – PRECES IV – IV . IV . IV
Também revelamos aqui pela primeira vez que no ano de 2019 (E.V) iremos celebrar um split U.N.C.U.L.T & VOBISCUM INFERNI! Além disso temos planos para um outro SPLIT com uma grandiosa horda de fora do Brasil mas este ainda não será anunciado agora, pois estamos acertando alguns detalhes!

Mais uma vez, muito grato por ter cedido esta entrevista às galerias do Lucifer Rising Mag., deixo o espaço a vontade para proliferar o que desejar como últimos murmúrios:

U.N.C.U.L.T. –  Gostaria de dizer que me sinto satisfeito em responder estas questões para este trabalho, o portal da L.R, que ao meu ver pode colaborar para ampliação da leitura e esclarecimento com relação a certos temas, eclodindo como mais uma fonte de informação e conhecimento que pode colaborar no crescimento daquele que o procura. No mais, sobre o U.N.C.U.L.T, não nos sigam, não nos ouça, não nos adore, pois nós amamos todas as forças que irão destruir sua vida, nós somos o nada, nos apoiar ou nos seguir é apoiar a sua própria ruína, ou ao menos a ruína do seu EGO, mas no caso de que tenhas forças para ultrapassar estes limites então lá estaremos nós, do outro lado do Portal, além da morte o tudo é o nada e nós seremos o vazio dançando sobre as cinzas da vida.

Ouça abaixo o álbum Ucifrtnsmael Cantvs Adramalas Ostivm:

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Anton Naberius

Vocalista da Eternal Sacrifice (Pagan Black Metal) Professor de Arte Visual, Artista Plástico e Especialista em Arte e Patrimônio Cultural.

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