Resenhas - LPs/Cds/K7sSábias Palavras...Uncategorized

VINCENT CROWLEY – Beyond Acheron CD

Black Seal Productions\Metal Maniac (Nacional)

Antes de entrarmos na resenha do álbum aqui em questão gostaria de compartilhar com vocês uma discussão ocorrida entre  alguns redatores da LUCIFER RISING durante essa semana. Conversávamos sobre como o underground brasileiro apesar de ter tantas bandas sensacionais e um numero crescente de selos que a cada dia trazem mais e mais lançamentos e licenciamentos de extrema qualidade ao público headbanger nacional (alguns dos quais superando de longe a qualidade dos importados), ainda age com extremo amadorismo em alguns aspectos. Nós aqui da redação recebemos todos os dias uma enxurrada de promos dos mais diversos selos do mundo todo e a diferença na forma de trabalhar dos selos estrangeiros com os selos nacionais é gritante. Vivemos em uma realidade em que 90% das promos disponibilizadas à nós são digitais por toda a facilidade, rapidez e baixo custo que as mesmas proporcionam e ainda assim grande parte dos selos nacionais parecem não ter se adequado ao esmero encontrado lá fora. Selos lá de fora na maioria das vezes além de nos enviar as promos meses antes do lançamento oficial ainda nos dão uma base de dados para pesquisa, se dispõem a nos colocar em contato com as bandas, agendam entrevistas, se colocam à disposição para quaisquer dúvidas que eventualmente apareçam e em grande parte das vezes ainda ajudam na divulgação das resenhas e entrevistas das bandas de seu cast. Entender que facilitar o trabalho dos parcos meios de comunicação especializados no underground é uma forma de fortalecer o nome de seu produto e com isso valorizar o trabalho de suas bandas é uma sacada que muitos selos nacionais ainda precisam tomar consciência. Dentro de um padrão internacional e indo na contramão total de todos os pontos negativos que comentamos de alguns nomes nacionais vem a “Black Seal Productions” que juntamente com a “Metal Maniac ” trazem ao mercado nacional o álbum de estréia de VINCENT CROWLEY que por mais de trinta anos liderou a banda de Death\Black Metal ACHERON e empresta agora sua alcunha  a essa nova empreitada (as motivações que o levaram a encerrar sua antiga banda e iniciar essa nova jornada podem ser encontradas em uma entrevista feita pela LÙCIFER RISING em que o próprio Vincent esclarece e pode ser conferida aqui. ) Chegando aos headbangers de plantão no próximo dia 18 de junho em uma belíssima versão em slipcase com uma apresentação gráfica excepcional e acompanhada de um esplêndido poster. Ainda que seja errado julgar um livro pela capa, a primeira impressão com certeza é muito importante e aqui se torna perfeita uma vez que a arte de capa que também ilustra o já mencionado pôster e foi feita por Timo Wuerz consegue transmitir com exatidão toda a atmosfera sinistra e obscura presente nas oito composições desse álbum; Liricamente “Beyond Acheron” é um trabalho conceitual  apresentando vários contos sombrios que dialogam com a morte mostrando uma forte influência de Edgar Allan Poe. O álbum se inicia com a faixa titulo que na realidade é uma intro composta por Ludo “Evil” Lejeune ,proprietário da “Evil Omen Records”, mente criativa da entidade Melek-Tha e que tem uma ligação interessante com o Metal nacional por ter sido o fundador do fan clube oficial do Sarcófago lá nos idos dos anos 90 ; essa curta introdução com cara de trilha sonora de filme de terror é o prelúdio para “Where no Light Shines” que em seus primeiros momentos já nos mostra os belos fraseados de guitarra, que você vai encontrar por todas as oito faixas à cargo do guitarrista Art Taylor e que são, para mim o maior destaque de todo álbum; os solos aqui não se mostram aquela masturbação sonora que tem como objetivo mostrar o quanto que o guitarrista é técnico e virtuoso e sim agregar à música aquilo que ela realmente pede e precisa com doses cavalares de feeling e melancolia. Vale lembrar que Taylor também fez parte da ultima formação do Acheron e acompanha Vincent aqui e em outro projeto chamado Dominari, porém o mais interessante é perceber que ambos parecem escancarar as portas de suas influências pessoais ao apresentar uma sonoridade que vai muito além de sua antiga banda incorporando elementos de Death Metal, Doom, Metal tradicional e mais. Os vocais de Vincent estão diabolicamente fortes e variados, hora pendendo pro mais grave, hora usados de forma mais rasgados e em alguns momentos dobrados. Outro ponto muito positivo é a clareza dos mesmos te permitindo entender cada palavra. A faixa seguinte “My Eternal Vow” deixam mais à mostra detalhes que perpassam todo o álbum e que você deve ficar atento pra apreender a todos, algo que provavelmente levará algumas adições. Percebam o primeiro riff com uma guitarra dedilhada ao fundo; o solo\fraseado transbordando comoção e taciturnidade e os pequenos detalhes na construção das diversas camadas sonoras. Já que mencionamos a amplitude de inspirações da banda , nessa composição notamos uma latente influência daquele Metal setentista muito bem explorada e direcionada à sonoridade da banda; ouçam com atenção ao riff que antecede ao solo e você vai entender o  que eu digo,os teclados cirúrgicos acrescentando mais camadas enriquecendo e elevando a composição a níveis quase divinos (opa!! rsrs ). Prosseguimos com “La Muerte” , uma faixa densa, com um início mais mórbido e lento quase Doom; destaque às levadas de bateria cheias de viradas brilhantes que com certeza irão saltar aos ouvidos dos bateristas de plantão. o solo chega causando arrepios mostrando elementos de metal clássico e é seguido de um momento maravilhoso totalmente embebido em uma vibe puramente Celtic Frost. “Bring Forth The Dead” chega na sequência mais enérgica e direta com as harmonias de guitarra mais uma vez flertando com o metal tradicional. Por ser um projeto que leva o nome de Vincent Crowley achei que o destaque seria o próprio mas nessa faixa eu cheguei à conclusão de que Vincent não está interessado em ter uma banda para simplesmente dar voz ao próprio ego e sim estar acompanhado de excelentes músicos que possam levar suas composições a outro nível.O trabalho fenomenal de Art Taylor e Ryan Arter nessa faixa comprovam totalmente isso. “Masquerade Du Macabre” começa com alguns samplers e mais uma vez uma levada morbidamente lenta e adequadamente macabra; os vocais aqui são particularmente envolventes  e aos 4’08” entra aquele que é o melhor riff de guitarra de todo o álbum em minha opinião; o encerramento dessa faixa traz uma atmosfera de filme de terror sensacional. Continuamos com  “Farewell (At Death’s Door)” que é minha faixa favorita de todo o álbum pois se todas as composições em “Beyond Acheron” conseguem ser soturnas, densas e diabólicas essa leva essas qualidades ainda mais a fundo. O climão setentista aqui consegue ser mais explicito ainda que distorcido em uma espiral de camadas de escuridão e insanidades. Vale mencionar aqui sobre o quanto que a construção tanto das músicas quanto da track list do álbum como um todo é madura e pensada;dando um sentimento de inicio, meio e fechamento naturais. A”Outro”, também de autoria de Ludo, que chega pra terminar essa obra é prova disso, mostrando o som de um batimento cardíaco e um monitor como se uma vida estivesse se encerrando  e com ela o primeiro trabalho de Vincent Crowley.

Sem dúvidas um álbum de estréia fenomenal , em uma época repleta de ótimos lançamentos “Beyond Acheron” se mostra um trabalho excepcional tanto na apresentação gráfica quanto na parte lírica e principalmente na parte musical e com certeza vale totalmente a aquisição. Se você não conhece a banda ainda acessem os links abaixo, ouçam e adquiram a linda versão nacional antes que se esgote e você se arrependa. Um álbum pra se ouvir no volume máximo , sem moderação.

Nota 9,5\10

 

 

Mostrar mais

Juliano Bonacini

Tecladista e letrista da LoneHunter (Death Metal), historiador e editor do Crypt of Eternity - fanzine da década de 90.

Veja também...

Botão Voltar ao topo
Fechar
Fechar