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VULTOS MURMÚRIOS – “Estirpe Caótica”

CD 2021 - Black Heart Records/Irmandade Hermética do Ódio/Kult Of Bloody Rites/Intifernal Records


Tocando no covil desde que chegou, esse álbum me fez acreditar que sim, é possível reviver o passado com “imagens” novas. Que você ainda pode se surpreender com um tipo de metal pesado que não seja mais do mesmo com fórmulas pasteurizadas e feitas para exportação. Que pode sim, cantar em português e porque não? e ser um trabalho de respeito.

Infelizmente nós acabamos por levar a obra de arte para o lado racional, querendo buscar referencias, contextos e deixando em segundo, terceiro plano as emoções que uma obra pode nos proporcionar, ademais a obra de arte é uma manifestação a fim de produzir a emoção do receptor, ainda que o emissor (o artista) não tenha essa intenção explícita, a obra de arte te faz se emocionar primeiro.

A tendência humana é produzir um discurso que amenize suas emoções porque estamos impregnados de teorias positivistas e evolucionistas, que nos distancia dessas reações primitivas. Não que eu defenda o teocentrismo ou metafísica, justamente porque não tenho esse tipo de visão maniqueísta de mundo e não me atenho a certos parâmetros par medir as razões ou emoções alheias. Até que ponto podemos julgar a obra de arte que deve ser um fluir intenso, incessante e nela mesma? a obra nem sempre corresponde a uma peça material ou materializada capaz de se tornar permanente, ela pode ser fugaz, passageira, efêmera, mas nós, humanos positivistas, buscamos a explicação nos ditames da sociedade para nos vermos enquadrados nesses estereótipos, nesse espaço cercado e sermos doutrinados feito animais de estimação.

Piet Mondrian, um artista Neoplástico do século passado dizia: “Porque nada é mais concreto nem mais real do que uma linha, uma cor, uma superfície… uma mulher, uma árvore, uma vaca são concretos no estado natural, mas, no contexto da pintura, são abstratos, ilusórios, vagos, especulativos – enquanto um plano é um plano, uma linha é uma linha, nem mais nem menos.” Ou seja, o homem não necessariamente, quer se ver projetado na obra e quando isso ocorre do contrário, o humano perde sua humanidade…

O que temos aqui é um desafio que se mescla em símbolos oníricos de diversas camadas, que vão desde a estética que pode nos direcionar à um caminho, uma música que nos remete à outros espaços e um tipo de letra que dialoga com o sobrenatural de uma forma selvagem e avassaladora. Como classificar a música da VULTOS MURMÚRIOS ? e ela deve ser classificada ou simplesmente apreciada? agora chegou onde eu queria, mas a resposta eu não vou dar, porque cabe a cada um SEMPRE, escolher suas andanças, seus caminhos e não proliferar frases de efeitos que nem acreditam como a célebre mensagem de Crowley “faz o que tú queres, há de ser toda lei” se não pratica, se, do contrário, vive na janela à espreita de tomar parte do que outro faz para relatar aos que estiverem nas adjacências? Às vezes é um bom passo lhe por no contraditório, no ilusório não, não sou sombra de ninguém e nem fico à espreita da sombra de alguém…não, eu jamais andarei a sombra de alguém, eu quero ser a própria sombra, visto e intocado, próximo e distante…

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Anton Naberius

Vocalista da Eternal Sacrifice (Pagan Black Metal) Professor de Arte Visual, Artista Plástico e Especialista em Arte e Patrimônio Cultural.

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