Resenhas - LPs/Cds/K7s

WARDRUNA – Skald

Banda formada em 2003 por monstros do metal extemo e ex-membros do Gorgoroth como Ghaal, Einal Selvik, somando-se a eles Lindy Fey Hella. Além disso, o Wardruna vem mostrando o quanto as raízes de sua cultura podem ser fortes. E como a emoção e a música vai além da língua falada.

O Wardruna é famoso por utilizar instrumentos da era Viking, bem como chifres, flautas de madeira, tambores de peles, kraviklyr, etc.

Em mãos o fantástico trabalho entitulado Skald. Neste álbum, Selvik reúne algumas versões de álbuns anteriores e mescla peças musicais novas gravadas ao vivo em estúdio. Sim, Selvik faz todo o trabalho sozinho.

O álbum baseia-se em um uso fantástico de harpa e lira, os dois únicos instrumentos de corda utilizados nesta obra, além do tambor nórdico. Ao iniciarmos a audição de Skald, “Vardlokk” (Chamando os Guardiões) é a primeira faixa e há uma apresentação do que será utilizado neste álbum, o foco aqui são as cordas. Uma abertura instrumental que em seu final temos a evocação e Selvik usa sua voz como um instrumento musical que evoca os deuses vikings protetores de Midgard. A sequência com “Skald” (Escaldo), que fala de um construtor de barcos de Odin e protetor da cerveja de Yggdrasil. Neste ponto a voz é um elemento essencial que traz dramaticidade e força ao instrumental.

 “Voluspá,” “Fehu” and “Helvegen” faixas já  preexistente em álbuns anteriores do Wardruna são prova da evolução da banda. As versões são melhoradas, diferentes e eu alma essas músicas carregam em sua essência. Não deixa o minimalismo ser elemento que julgue a qualidade do álbum: Sim, é Selvik e três instrumentos trancado em um estúdio produzindo folk metal viking e funciona muito bem.

Skald é um álbum simples, o eu o torna grandioso é a capacidade de Selvik interpretar e dar vida aos poemas Vikings, como em “Ormagardskvedi” (Poesia do Ninho da Serpente) recria a história do guerreiro “Ragnars Loðbrókar” e sem anunciar isso em sua música, ele consegue transcrever vividamente as palavras finais de Ragnar ao ser lançado ao Ninho de serpentes antes de sua morte, as palavras que foram ditas a sua nação estão vivas na música do Wardruna. Ponto alto do álbum.

Gravbakkjen” (Colina fúnebre) – música de Petter Strømsing – ganhou letra e voz. A música utilizada para ambientação de funerais vikings é aqui dotada de uma magia lírica que nos passa o canto do cisne que esse momento reflete. A cerimônia, o porvir. Melancolia e fatalidade se mesclam com a esperança dos salões de Valhalla. É o eu temos na letra traduzida: “Quando eu estiver no chão, ainda viverei entre os mundos nos cânticos que entoei”.

Sua antiga banda Gorgoroth camuflava culto pagão arcaico sobre o manto blasfemo anticristão o que deu a Selvik muito conhecimento e tempo para se aprofundar na cultura nórdica. Havia muito por baixo da bateria e das guitarras gritantes.

Os 15 minutos a capela de “Sonatorrek” deixa os instrumentais na costa à deriva e vemos aui um resgate aos cânticos antigos, como eram feitos nos primórdios. Impossível não se emocionar. Como um todo, Skald soa como uma reverência ancestral, mais do que como Folk music.

Há mais que música, o Wardruna já cantou as runas Vikings e gloriosas batalhas e heróis, mas aui, acredito que haja mais há um conhecimento genuíno da Edda* (Compilação da história e cultura Viking), um resgate ao culto, um resgate às raízes de sua civilização. Um grito de que os reis dos mares e das terras geladas ainda vivem entre nós.

 HAIL, VIKINGS! SKAL!

Nota: 8/10

* Eddas ou simplesmente Edda, é o nome dado a duas coletâneas distintas de textos do séc. XIII, encontradas na Islândia, e que permitiram iniciar o estudo e a compilação das histórias referentes aos deuses e heróis da mitologia nórdica e germânica: A Edda em prosa e a Edda em verso.

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Ricky Lunardello

Historiador e Sociólogo, Pagão de alma Viking, apaixonado pelo Metal Extremo e pela cultura underground.

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