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WEREWOLF BLOODORDER – Rites of Murder and Sacrifice

Signal Rex (Importado)

“E houve trevas sobre toda a terra, do meio-dia às três horas da tarde.” (Mateus 27: 45)

Quando a luz deixa de ser algo comum e rotineiro em nossas vidas, mas passa a ser a aurora da salvação de uma escuridão crescente e multifacetada que parece nos cercar e bombardear por todos os lados… essa luz brilha apenas por ausência da escuridão… quando ela chega, ela destrona o demiurgo e a matéria caótica preexistente se desnuda e se revela em um uivo perturbador que antecede a passagem da alcateia sombria.

Não há refúgio na luz. Não há saída quando o ar que se respira é dominado por uma aura mortífera e cruel que intoxica a alma e despedaça a esperança. É isso que temos na demo lançada em 2020 do Werewolf Bloodorder sob a alcunha de Rites of Murder and Sacrifice.

Quem está por traz da entidade já trilha os tortuosos caminhos do underground a um bom tempo e liderou projetos importantíssimos para a cena extrema mundial. Warlord von Ravenclaw mais uma vez traz sua vocalização agressiva e característica carregada de ódio e vingança contra os alicerces do mundo moderno. Desta vez ele não está sozinho, temos Lauri Penttilä acrescentando um pouco mais de destruição sonora.

A demo é constituída de 4 faixas. Em tape os lados se repetem no MLP um lado completo e o verso tem a logomarca impressa em silk, uma beleza. Vai rolar um Devil’s Unboxing aqui no Portal Lucifer Rising com as duas versões lançadas em breve! Lembrando que as duas versões em tape já estão esgotadas bem como o MLP. E na versão em vinil temos uma linha de guitarra a mais, o que enriquece e muito o material. Acredito que só na própria Sigal Rex para consegui-lo agora ou no gurmet Discogs.

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Tyrants of Black Blood ” encabeça a demo e já temos a prova a que veio o Werewolf Bloodorder, raw black metal bem feito, sem frescuras e não políticamente correto, muito menos recomendado para pessoas sensíveis. Blasts pesados e aquele contrabaixo doído que demarca os urros e berros de Warlord. Eu destaco em “Under Satan’s Command” as passagens faladas, coisa que o Evil já chegou a fazer bem e a ensinar como se faz. Destaque para a agressividade da guitarra aqui e para a linha de bateria que está bem anos 90.

Em “Witches Sacrifice” temos a essência da combinação de Warlord e Lauri. O peso está presente, mas é cortante e navalhado. Destaque para o baixo cavalgado bem marcado que por mais de 25 anos tem sido parte da personalidade musical de Warlord. A delapidação sonora da bateria é entorpecente e a impressão que temos é que não há o menor esforço em tocá-la, ledo engano.

A demo fecha com “A Journey Through the Firmaments of Death ” que é ao meu ver um resquício das cinzas do Evil. Densa como a névoa, afiada como a lâmina de um machado a faixa traz saudosismo aos anos 90 e ao que a primeira geração do Black Metal fazia. É um lembrete aos incautos de que a morte está sempre presente e que a matéria nunca se esvai totalmente, dela o néctar da aurora de tempos ancestrais está sempre vívido. E não é sobre isso que o Black Metal se trata? Levar a ancestralidade dos crimes primitivos através da vingança do aço sob a trovoada, deixando claro aos … caídos e livres o quanto seus esforços serão lembrados no campo de batalha, pois nunca deixamos de marchar.

NOTA: 10/10

 

 

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Ricky Lunardello

Historiador e Sociólogo, Pagão de alma Viking, apaixonado pelo Metal Extremo e pela cultura underground.

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