Entrevistas

WITCHING HOUR – Entrem na escuridão pois a hora da bruxa chegou

Os demônios do WITCHING HOUR iniciaram suas manifestações diabólicas em 2006 e desde então já lançaram 3 discos de estúdio além de outros materiais. Legítimos herdeiros da escola de metal alemã estes maníacos blasfemam de maneira magnífica. Conversamos com Sascha Bastian que atualmente ocupa a função de baterista.

2009 – Rise of the Desecrated “Full-length”

Saudações maníaco Sascha! Bem vindo! O WITCHING HOUR lançou o terceiro álbum em dezembro de 2018, portanto este míssil acabou de sair do forno… Apresente este artefato bélico para os nossos leitores.

Sascha Bastian – Olá, você está certo. Nosso terceiro álbum foi lançado em 21-12-2018 pela Hells Headbangers Records. …And Silent Grief Shadows A Passing Moon” consiste em 6 músicas e uma introdução instrumental. O álbum tem um comprimento total de 42 minutos. Como há 7 anos entre “..And Silent Grief e nosso segundo álbum Past Midnight … muita coisa mudou musicalmente. Eu descreveria isso como Black Heavy Metal com um sentimento profundo / melancólico.

Eu fiquei surpreso com este álbum por causa da sonoridade. Eu havia lido que a banda executava thrash/black metal, mas quando o disco tocou eu percebi que ali existe um fudido heavy metal, com algumas partes speed e uma atmosfera bem sombria. O que aconteceu para esta mudança?

Sascha Bastian – Eu acho que é por causa da abundância de influências musicais que nós, como os membros da Witching Hour, temos. A música deve transmitir sentimentos e desencadear sentimentos no ouvinte. E esse é um aspecto importante para nós.

Eu tive a curiosidade de ouvir discos anteriores da banda e observei uma atmosfera de speed black/thrash metal. Eu creio que mais importante para vocês é o fato de terem produzido bons discos mesmo mudando um pouco a sonoridade, correto?

Sascha Bastian – Nosso som mudou ao longo dos anos para um estilo mais tradicional, atmosférico e melódico. Esses elementos sempre estiveram presentes em nossa música, mas são mais proeminentes no novo álbum.

Eu realmente gostei do design na capa do disco. Eu prefiro este tipo de arte do que as montagens de computador. Quem é o desenho e o que você imagina para transmitir com ele?

Sascha Bastian – Obrigado. É muito importante para nós que as capas dos nossos álbuns sejam 100% desenhadas à mão. A capa foi desenhada por Paolo Girardi. Ele percebeu perfeitamente nossas idéias. A capa reflete o humor do título do álbum e das músicas. Ele espalha uma atmosfera sombria.

Foto por: Divulgação
2011 – Past Midnight… “Full-length”

Quando o álbum começar a tocar, imagino que vou ouvir uma banda de Doom Metal. O instrumental é muito viajando e pensei assim: logo o vocalista começará a cantar como: SORCERER, CANDLEMAS ou SOLSTICE. Você já pensou em usar vocais limpos em algum trabalho de banda?

Sascha Bastian – Os vocais de Jan evoluiram muito ao longo dos anos. Enquanto isso, conseguimos incorporar mais e mais melodias aos vocais. O canto claro ainda não foi experimentado. No entanto, você nunca sabe para onde o desenvolvimento está indo… 

Os vocais deste álbum transmitem um clima de desespero, de sofrimento, enquanto o instrumental parece ter sido “suavizado” para servir de palco para a voz ganhar toda a atenção. Você já imaginou que seria o resultado?

Sascha Bastian – Eu não acho que o instrumental se tornou mais suave. Os riffs são mais melódico e atmosférico. Nós tentamos equilibrar os vocais e instrumentos igualmente. Vocais e riffs devem ter a oportunidade de se destacar nos momentos certos.

Esta nova face musical acaba por mostrar uma banda com mais melodia e menos agressividade. Alguns apreciadores mais antigos podem não gostar muito nesta nova fase. O que você diria a eles? 

Sascha Bastian – Claro que isso é possível. Mas em primeiro lugar nós escrevemos músicas que nos agradam. Portanto, não somos tão influenciados pela opinião de pessoas de fora. É claro que é ótimo se recebemos boas críticas ou quando as pessoas nos dizem que gostam de nossas músicas. Mas isso não é crucial para nossas composições. Você nunca pode satisfazer a todos e é ok para nós, se as pessoas não gostam do desenvolvimento musical. Além disso, acho que nossa música ainda respira o mesmo espírito e energia que nos primeiros dias. 

2014 – Where Pale Winds Take Them High… “EP”

Bom, já falamos bastante sobre este novo disco. Acho importante que outros materiais da banda… O segundo disco, por exemplo, que possui um magnífico desenho de capa também, eu ouvi e gostei bastante. Notei algumas coisas de DESASTER e DESTRUCTION nas músicas. Nós poderíamos dizer que são influencias para vocês?

Sascha Bastian – Absoluto. Old Destruction, Kreator e especialmente os álbuns de Sodom nos influenciaram muito. Também o antigo Desaster até o álbum “Tyrants of the Netherworld”. Outras influências foram e são muitas bandas NWOBHM, especialmente Diamond Head. Também Metallica, Thin Lizzy etc. só para citar alguns.

A parte lírica da banda permanece a mesma desde o início pelo que eu li, Satanismo e ocultismo. Estas propostas líricas sempre fizeram parte do contexto do metal extremo. De que maneira vocês abordam este temas? Como crença ou como elemento de oposição e contestação ao cristianismo e à moral conservadora e religiosa como um todo?

Sascha Bastian – Para mim, as letras são um elemento importante na música. Eles adicionam à atmosfera de cada música. Eu não chamaria nossos textos exclusivamente ocultos ou satânicos. Em vez disso, eles são sobre: morte desespero, tristeza e outros tópicos relacionados a terror ou mórbidos.

2018 – …and Silent Grief Shadows the Passing Moon “Full-length”

Existe alguma letra do WITCHING HOUR que você coloque em um lugar especial?

Sascha Bastian – Não…

A cena do metal na Alemanha sempre foi uma das mais fortes e importantes do mundo desde os anos 80. Existem bandas antigas e clássicas, e também há bandas da nova geração. Você destacaria alguma dessas bandas? Quais?

Sascha Bastian – Sim, existem algumas excelentes bandas underground alemãs. Sim, existem algumas excelentes bandas underground alemãs. Noturna, Presa da Meia-Noite, Capela da Doença, Bruxa Noturna, Cherokee, Fogo Cruzado Infernal, Força Negra e outras que eu provavelmente esqueci de mencionar. 

Camarada, obrigado pela sua atenção. Para encerr ar esta entrevista, peço que deixem seus comentários finais e não nos digam quais bandas brasileiras você gosta. Até breve!

Sascha Bastian – Obrigado pela entrevista e apoio. Então minhas últimas palavras devem ser as seguintes: “The gates are open for your entry. Light of the day turn to the darkness of hell… Nightmare”

Entrevista realizada entre os dias: 31/01 e 01/02/2019

Ouça abaixo o álbum …and Silent Grief Shadows the Passing Moon na íntegra: 

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Carlos Soares

Edita os fanzines: Pecatório (desde 2001) e Sindicato Dos Assassinos (desde 2012). Já participou de diversas bandas dentro do underground.

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