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WITHBLOOD – Então cheguei à conclusão de que tudo foi feito com sangue…

One-Man-Band Death Doom Metal, WITHBLOOD é um projeto audacioso, feito com esmero e sangue underground correndo nas veias. Marcelo Ricardo é uma figura underground que vivencia a música constantemente. Conversamos um pouco com ele sobre a origem do WITHBLOOD, que, também está prestes a lançar seu primeiro registro, “Dark Wings” …

Stay Doom.

E ai Marcelo Ricardo, de boas por ai mah!, seria possível um breve relato sobre a nomenclatura de WITHBLOOD, o motivo do mesmo ser um “One-Man-Band”?!

Marcelo Ricardo – Grande brother ZArtan. Antes de mais nada, obrigado pela oportunidade e pelo apoio ao meu humilde trabalho. Sobre sua pergunta, o tempo e o empenho desprendido para gravar e produzir todo o material sozinho, requer muito esforço e dedicação. Então cheguei à conclusão de que tudo foi feito com sangue (withblood), o nome do projeto acabou representando muito bem o sentimento durante o processo. Sobre ser uma one-man-band, foi proposital, confesso. Acabei, na verdade, realizando um sonho antigo. Foi uma espécie de desafio pessoal. Eu queria saber como me sairia nessa tarefa. O meu instrumento de origem é a guitarra. Tenho pouco conhecimento de bateria, baixo e teclado. Mas a tecnologia acaba nos auxiliando com certas limitações.

O WITHBLOOD está a se preparar para lançar o CD “Dark Wings”, este seria o primeiro trabalho do WITHBLOOD? Este material será lançado pelo ECLIPSYS LUNARYS PRODUCTIONS (selo do meu amigo Leandro), como se deu essa parceria? Será um material limitado a somente 100 cópias mesmo?

Fly 2019, Divulgação

Marcelo Ricardo – Inicialmente, eu lançaria apenas uma demo com três ou quatro músicas. Acontece que durante o processo de composição, ideias foram surgindo e o número de músicas acabou aumentando. Mas mesmo assim seria apenas uma demo. O grande amigo Leandro Fernandes da Eclipsys Lunarys Productions vai lançar o primeiro álbum de minha outra banda, MORIENDI. Ele ouviu o material da Withblood completo (ainda sem mixagem) e achou que seria interessante lançarmos de forma oficial. Então resolvemos soltar um EP completo que será lançado provavelmente no início do próximo ano (2020). Quanto ao número de cópias, acredito que serão 500.

Death Doom Metal de alto nível, neste material há 2 covers inusitados (Depeche Mode e Sisters of Mercy), aproveitando o gancho, te pergunto, você se prende a estilos ou somente cria a música de acordo com a vontade musicada sem amarras? (Pergunto, pois, geralmente as bandas em sua maioria se prendem a um tema somente, a um seguimento único…).

Marcelo Ricardo – Ótima pergunta. Obrigado pelas palavras. Definitivamente, não me prendo somente ao estilo do qual estou trabalhando. Como músico, acho que devemos expandir nosso conhecimento em harmonias, variações de tempos, intervalos, etc.  Antes de ser um músico, sou um fã de vários estilos. Inclusive toco (como lazer) em bandas de jazz, blues, rock psicodélico anos 60 e 70, enfim…A minha escola é ampla. Desenvolvo trabalhos dentro do death-metal, black-thrash-metal também há quase 30 anos. Acho muito importante ter esse leque de possibilidades dentro da música. Bandas como Depeche Mode, Sisters of Mercy, Joy Division entre outras, são algumas das que fizeram parte da minha formação como fã e músico, desde a década de 80. Inevitavelmente acabo sendo afetado por esse período de minha vida. As letras dessas bandas são desoladoras, introspectivas e trazem muita tragédia pessoal em seu conteúdo. Vejo muita similaridade no conceito lírico e na atmosfera sombria dessas bandas citadas com o estilo doom-metal. Obviamente temos muitas vertentes dentro do doom de forma geral. Alguns exploram o ocultismo, magia negra, satanismo entre outros assuntos.

Você fez parte de algumas bandas undergrounds antigas, renomadas, de imediato vem à mente o NECRONOMICON BEAST, creio que ainda estão na ativa, tenho aqui no acervo a demo tape “Hell Thrash War”, mas, creio eu que vocês lançaram outras demos e também algumas versões…

Marcelo Ricardo – Sim. Em 2019 completamos 20 anos de banda. Temos muito material lançado. Hell Thrash War foi o nosso álbum de estreia, na verdade. A cópia que você tem em tape foi lançada via SUBTERRÂNEO RECORDS juntamente com o nosso EP de 10 anos. Originalmente, Hell Thrash War foi lançado em vinil na Alemanha pela gravadora IRONBONEHEAD em 2004 e relançado em CD via HELL Productions da Tailândia em 2010. Depois lançamos a série de demos independentes NECROMANDO a partir de 2002. Se não estou enganado, estamos para lançar a NECROMANDO V. Temos um EP de 10 anos de banda (DECADE IN WAR). O segundo álbum SOWERS OF DISCORD saiu em 2011 via DOOMENTIA RECORDS da República Tcheca em vinil, CD e tape prensado. Temos um Split também com o FETID ZOMBIE do grande amigo Mark Riddick (EUA). Temos algumas compilações em tapes também lançadas no exterior. Enfim, eu já me perco um pouco nos lançamentos. Estamos na ativa sim. Hoje somos um trio (o mesmo que gravou o sowers of discord em 2011). Planejamos um novo álbum para 2020 talvez, além de shows também.

Aproveitando a deixa, o fato de terem muitos lançamentos por selos de fora do Brasil, mostra um, digamos, reconhecimento da causa ou seria pelo fato de no Brasil os lançamentos estão se limitando mais a materiais mais trabalhados em cooperativismo de selos e assim fica um pouco fechado o leque de opções?

Marcelo Ricardo – Na verdade, os selos do Brasil nunca demostraram qualquer interesse pelo nosso material. Lembro que enviamos a master do nosso primeiro álbum para várias pessoas na época. Alguns inclusive, fizeram pouco caso com a gente. Não era um estilo musical em “evidência” naquele período. Nos consideravam de certa forma ultrapassados, já que a nossa proposta era resgatar o bom e velho black-thrash-metal dos gloriosos anos 80. O Necronomicon Beast surgiu antes daquela onda retrô do thash-metal. Por isso a falta de interesse pela banda e pelo nosso material, penso. Algum tempo depois do surgimento da onda, até vieram nos procurar, mas já estávamos com muito material lançado, e mais um relançamento não nos interessava naquele momento. Sinceramente, acho uma pena termos uma banda produtiva com 20 anos de estrada, muitos lançamentos e praticamente nenhum reconhecimento da cena nacional, com exceção de poucos que acompanham a banda desde o início, claro. Muitas pessoas nos procuram querendo adquirir o nosso material, mas como 90% do que lançamos está fora do Brasil, fica praticamente impossível para os bangers conseguirem adquirir algum álbum antigo nosso, infelizmente. Enfim. Ainda tenho esperanças em lançar um álbum com exclusividade para o underground nacional, que na minha humilde opinião, não deve nada para a cena mundial.

O KAUSTIK (Stooner Metal) ainda está na ativa? Vocês lançaram somente o “Hard Drugs” (2009)?

Marcelo Ricardo – Não me lembro exatamente em que ano foi gravado o álbum hard Drugs. O Kaustik era uma banda de churrasco, na verdade. Somos fãs de rock psicodélico há muitos anos. No ano 2000, me juntei com alguns membros do glorioso Folklord e o objetivo era nos divertir tocando um rock and roll calcado em Black Sabbath, Motörhead, Kiss entre outros. Chegamos a compor material para um segundo álbum do Kaustik na época, mas outros projetos musicais e familiares acabaram tomando conta de nossas agendas. Infelizmente não estamos mais na ativa com essa banda. Já chegamos a conversar sobre uma possível reunião, mas nunca se concretizou efetivamente.

Bom, entrevistei você em outra oportunidade, na época você respondia pelo MORIENDI, que fim se deu essa fuderosa banda? Ainda estão na ativa, e, se o estão, isto ajuda ou atrapalha no WITHBLOOD?

Marcelo Ricardo – O MORIENDI ainda está na ativa sim. O Withblood não chega a ser de alguma forma afetado pela existência do Moriendi ou vice-versa. Mesmo ambas as bandas flertando com o mesmo estilo, são diferentes em vários aspectos. Vejo o Moriendi muito mais extremo, calcado na velha escola do estilo death-doom-metal. Já o Withblood tem uma atmosfera mais gótica, com elementos orquestrados, pianos, etc. Com o Moriendi tivemos um hiato de quase duas décadas, pelos mesmos motivos que acabaram interrompendo nossas atividades com o KAUSTIK. Nós gravamos como “duo” uma demo tape no ano 2000 intitulada “a call to martyr”. Eu gravei todos os instrumentos e vocais, com exceção da bateria, gravada pelo baterista na época do Folklord Márcio Tadeu da Silva.  Depois dessa demo chegamos a montar uma banda com quatro integrantes. Começamos a gravar o que seria a nossa segunda demo tape intitulada “fascilis descensus averni”. O material ficou “hibernando” por quase 17 anos, até que resolvemos resgatá-lo das profundezas empoeiradas de alguma gaveta. O material já foi lançado há pouco mais de um mês de forma independente. Em agosto desse ano (2019) finalizamos as gravações do nosso álbum de estreia intitulado “the art of dying”, como dito anteriormente, será lançado pelo grande amigo Leandro Fernandes da Eclipys Lunarys.

Bacana mesmo, 2 lançamentos que vão ser muito bem falados. Você tem já preparado um cronograma de divulgação do CD do WITHBLOOD, falo de, se o mesmo terá foco mais na divulgação aqui no Brasil ou se já há algum contato fora que vai auxilia-los? E, ainda sobre o assunto, o WITHBLOOD terá suas músicas divulgadas em plataformas de músicas ou se restringe somente à versão física?

Marcelo Ricardo – A propósito, ambos os álbuns serão lançados pela Eclipsys Lunarys em CD. Quanto à divulgação dos materiais, por enquanto não tenho nada muito definido ainda. Estou para começar as gravações de um vídeo clipe de uma das faixas do WITHBLOOD que provavelmente será exibido nos canais online, a princípio. Pretendo priorizar a divulgação primeiramente no Brasil. O cenário nacional hoje está muito fortalecido, com grandes nomes, com trabalhos maravilhosos lançados, tanto das bandas mais antigas como do pessoal mais novo. Me enche de orgulho ver o quanto o doom-metal progrediu nesses últimos 10 anos. Espero que de alguma forma eu esteja contribuindo para o fortalecimento da cena nacional com esses dois lançamentos.

Creio ser tudo por esta, valeuz ai meu amigo! E, que você continue a criar músicas insanas e diversos projetos e sempre a nos agraciar com essas belas canções, hehe!

Espaço para algo mais que deseje relatar.

Marcelo Ricardo – Muito obrigado pelo espaço, nobre irmão ZArtan. Espero que curtam o material. Agora em 2020 vamos botar as duas bandas na estrada para shows. Se algum organizados tiver interesse, favor entrar em contato.

Obrigado novamente. Grande abraço a todos.

Contatos:

e-mail: viscotty@gmail.com

Páginas da banda: https://www.facebook.com/withbood

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Hioderman ZArtan

Editou os zines "Anaites" e o "Guerreiros Zineiros". Designer gráfico Underground e mentor do Anaites Records.

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