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WOLFLUST – “O verdadeiro Underground se mantém com uma legião de pessoas, que nunca abandonaram o verdadeiro conceito “

Nascidos do ódio e de uma cena underground extrema, o Wolflust foi concebido como um vetor capaz de canalizar a brutalidade e a intolerância de seu tempo. Pautado nas vivências de seus fundadores dos anos 80/90, o Wolflust lançou seu debut álbum Satanic Megatons em 2020, um ano dominado pela pandemia mundial, cenário propício para o metal da morte e toda sua atmosfera destrutiva.

Então, se você ergue qualquer bandeira humanitária, social ou igualitária, militância ou poser…você está no lugar errado, esta entrevista não é para você. Tive a oportunidade de falar com Cernunnos Legion sobre a trajetória desta banda que é hoje o centro do necro underground brasileiro, conversamos sobre tudo um pouco. E podemos constatar que não se fala em metal extremo no Brasil se não se fala em Wolflust e se você não concorda sua opinião não é relevante.

Obrigado pela oportunidade de realizar essa entrevista com o WOLFLUST! É uma honra estar em contato com vocês. De início, poderia dar um panorama de como foi o ano de 2020 para o WOLFLUST?

Cernunnos Legion:  Salve, obrigado por abrir espaço para o Wolflust… Nós é que temos a honra de participar desse artefato que compõe o verdadeiro Underground. Bem o ano 2020 foi um ano atípico para todos e conosco não foi diferente… Mas foi nesse ano controverso que lançamos nosso primeiro registro, ou seja, ficamos 100 % envolvidos com esse lançamento.

Satanic Megatons foi lançado em Setembro de 2020, de lá para cá como tem sido a repercussão do álbum?

Cernunnos Legion:  Então tem sido muito boa. Ficamos realmente impressionados com o feedback das pessoas que adquiriram o material… Tanto daqui, quanto do exterior.. A aquisição recorde de todos combos na Black Metal Store/Hammer of Damnation também foi algo muito expressivo. Está quase esgotando as 500 cópias lançadas.

Há quanto tempo o WOLFLUST está ativo e como tem sido a trajetória desde o início até o lançamento do EP com a Hammer Of Damnation?

Cernunnos Legion:  Por volta de 2015 começamos a conversar sobre fazer um projeto, no qual resgatasse todo o sentimento que vivenciamos nos anos 80/90. Da fúria, da ira, da não aceitação de posers, novas tendências, etc…. Fomos estruturando os sons, tocamos algumas vezes ao vivo… Até chegarmos efetivamente no lançamento de Satanic Megatons. Parceria mais que honroso, sair pela Hammer of Damnation. Fizemos a máxima questão de sair por esse selo. O Wolflust não foi feito para agradar posers, militantes de causas sociais, embalos, uaiti merdas…. Temos um conceito intolerante sobre essas questões…

Além das faixas destruídoras de Satanic Megatons, temos uma versão para “Sacrifice”do Bathory. E que versão, está impecável e brutal, como foi a escolha deste hino?

Cernunnos Legion:  Obrigado por suas considerações. Fomos convidados pelo Luiz da Hammer Of Damnation, para participar do tributo Under the Sign Of The Black Goat. De cara já aceitamos e logo escolhemos Sacrifice. Procuramos fazer uma versão Wolflust para esse massacre sonoro, um tributo realmente ao fuderoso Bathory.

Quais as grandes influências do WOLFLUST? Quando ouço o álbum sou teletransportado para os anos 80/90. Posso estar enganado, mas houve muita preciosidade em situar este artefato nessas décadas tão emblemáticas para o metal extremo. Este álbum se encaixaria perfeitamente se lançado naquele período.

Cernunnos Legion: Tudo o que sempre ouvimos nos influencia e influenciou diretamente no trabalho do Wolflust. Bandas como: Sarcófago (WN e INRI), Inquisitor, Angel Corpse, Incantation, Blasphemy, Mutilator (WN), Poison (Ger), Impiety, entre outras que sempre cultuaram o verdadeiro conceito do Metal Extremo. Tanto composição, letras, visual tudo foi bem natural, apenas resgatamos o mesmo sentimento que vivemos nesse período magistral do Metal.

Pode-se dizer que o Satanic Megatons foi forjado durante a pandemia. Há marcas deste período no álbum? Algo nas composições ou mesmo na energia bruta que foi empregada?

Cernunnos Legion: Então ele foi realmente forjado nesse ano caótico. Fomos com uma ânsia violenta capturar os instrumentos, uma fúria e ira natural. Talvez todo esse contexto acabou influenciando e contribuindo para que essa energia bruta ficasse mais intensa.

Quanto às bandas nacionais, o que vocês tem ouvido e apoiado de modo geral no underground? Como vocês tem observado o underground como um todo no Brasil?

Cernunnos Legion: Eu particularmente aprecio muito o trabalho de bandas como Spell Forest, Vobiscum Inferni, Exterminate, Crucificator, Anarkhon, Beast Conjurator, Headhunter D.C., Escarnium, Walsung, entre outras…  Sem esquecer dos mestres Abhorrence, Nephast, Rebaelliun (old), Ophiolatry, Sarcófago (old), Holocausto, etc. O verdadeiro Underground se mantem com uma legião de pessoas, que nunca abandonaram o verdadeiro conceito.  É claro que existe aqueles que estão aí por causas sociais, preocupados com a humanidade, acusadores, militantes políticos.. isso não teve e nunca terá nada a ver com Underground verdadeiro.. Então Hail para toda Legião que compõe o verdadeiro Underground.

Acredito que “Under Satan’s Command” seja minha faixa favorita do EP, os solos são navalhas, devastadores. Quando o WOLFLUST está em processo de criação, geralmente o que vem primeiro? Houve prevalência das composições ou havia conteúdo instrumental que já vinham trabalhando?

Cernunnos Legion: Porra fico muito satisfeito com isso, que você realmente aprecia essa composição e os solos. Então, para Satanic Megatons pegamos os nossos sons e trabalhamos da seguinte forma: levei a ideia dos riffs em uma sequência, mas ainda sem definição de repetições e tal, aí juntos começamos a trabalhar e ordenar as passagens. Alguns riffs foram alterados e tal, mas nada que descaracterizasse o conceito original. Para os próximos trabalhos, o Mauro tem gravados vários ritmos de batera o que vem acrescentar, porque em cima da bateria eu desenvolvo riffs com intensões diferenciadas… Então, participação ativa dos dois no processo de composição.

Quanto às temáticas, o que norteou o teor lírico de Satanic Megatons? E aliás, de onde veio o título do EP?

Cernunnos Legion: O título veio do Mauro mesmo, ele me ligou e deu a ideia do nome… achei foda porque está totalmente dentro do conceito do Wolflust.. Então, as letras expressam o conceito do Wolflust, sobre: guerra, devastação, blasfêmia, anti humanismo, apocalipse, caos..

A arte visual do álbum é um ponto de destaque a capa rendeu uma bela camiseta no lançamento do kit pela Black Metal Store (Eu garanti a minha!), poderia comentar um pouco sobre a capa do álbum e quem a criou? Obra de arte!

Cernunnos Legion: Já solicitamos a confecção da camiseta com a arte oficial da capa do Satanic Megatons. Quem fez esse excepcional trabalho foi Marcos Miller, um dos artistas mais surpreendentes do Brasil e do mundo. Sempre em seus trabalhos encontramos uma carga gigantesca de criatividade e detalhes. O Mauro passou a maioria das ideias para o Marcos, que desenvolveu com maestria. A capa do nosso full length já está pronta de autoria, também, de Marcos Miller.

Há um projeto “Nataslived” que é uma ponte com a Inglaterra com um EP “The Attainment of the Anthropoid’s Pulverisation”, se não me engano Atmospheric Black Metal. É uma sonoridade bem distinta do WOLFLUST, poderia adiantar algo para a gente sobre este projeto? Há planos para o futuro?

Cernunnos Legion: Então o Nataslived é um projeto idealizado por mim e o Cristhyano, vocal da banda inglesa Decrepid. Esse primeiro registro veio com uma atmosfera mais cadenciada e obscura. Para o próximo trabalho, que será em formato de split com outra banda de Black Metal brasileira, os sons estão numa pegada mais veloz, mas sem deixar de lado a atmosfera obscura. Serão 3 sons novos para esse próximo lançamento, que já estão prontos, apenas fazendo alguns ajustes nas letras.

A parceria com o Mauro Trojillo Jr. já tem uma boa data. Como chegaram a essa união obscura que acabou gerando este EP devastador?

Cernunnos Legion: Conheço o Mauro a muitos anos… até que em 2015 trocando ideia, resolvemos concretizar um projeto com um conceito sonoro e lírico, que a gente sempre curtiu. E foi aí que o Wolflust surgiu, de um projeto que se tornou uma banda efetivamente. É realmente foda poder concretizar uma banda ao lado de um brother que sempre esteve no conceito do verdadeiro Metal.

Nas últimas semanas temos visto alguns “choros” nas redes sociais do Wolflust sobre o seu anti-humanismo e sua atitude diante das causas sociais em geral. Como a banda vê essa postura criticada pelos assistencialistas do metal extremo?

Cernunnos Legion: O Wolflust é uma banda niilista, misantrópica, profana, com postura totalmente anti-humanista… Não nos prendemos e estamos pouco se fudendo com policatigem esquerda/direita. Nosso conceito é de total destruição de todas as religiões e seus dogmas, regras…de seres humanos (escória), que representam esse ou outro tipo de manipulação… Nós humanos somos vulneráveis, agimos de acordo com situações, nos isentamos de atitudes que abominamos em outras pessoas… Nosso posicionamento é totalmente misantrópico… Em nossas letras você encontrará : caos, guerra e blasfêmia… nada mais. Então espere sempre o pior….

Obrigado pela oportunidade da entrevista. Vou deixar em aberto um espaço para o WOLFLUST deixar uma mensagem para nós em 2021!

Cernunnos Legion: Obrigado pelo suporte, vamos manter a verdadeira Legião Underground unida. Lucifer Rising realmente faz parte dessa legião e que seja permanente as chamas desse portal do inferno. Hail Legions. War Death Black Metal Attack.

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Ricky Lunardello

Historiador e Sociólogo, Pagão de alma Viking, apaixonado pelo Metal Extremo e pela cultura underground.

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