Entrevistas

YNYS WYDRYN – Onde realidade e ficção se unem

Imagine uma banda que tem uma sonoridade completamente diferente, tudo feito com maestria… imaginou? Depois de ler essa entrevista ouça o Ynys Wydryn e verá que a sua identidade forte aliada à música os faz ser uma das banda mais originais de nosso país. Convidamos o seu mentor Dan Loureiro para nos falar sobre esta criação que pegou o planeta de surpresa e que através do seu trabalho vem ganhando muita atenção mundo afora. Boa Leitura!

Dan Loureiro, Foto por: Divulgação

Salve caro Dan Loureiro, para começar gostaria de saber qual a origem do nome Ynys Wydryn e o por que da escolha desse nome para a banda?

Dan Loureiro – Grande Luís, um prazer enorme falar com você meu irmão e uma grande honra estar aqui numa revista tão importante para o metal brasileiro como a Lucifer Rising. Ynys Wydryn é o nome anglo-saxão para um local histórico em Glastonbury (Inglaterra), numa tradução literal seria “Ilha de Vidro”. É um lugar historicamente importante pois é a referência para a maioria dos poucos relatos históricos sobre Merlin e Artur. Este seria o lugar onde Merlin morou, o que o romantismo cristão chamou de Avalon nos contos Arturianos. Na época escolhemos este nome por que representava um local onde realidade e ficção se unem. A ideia era utilizar a ficção e a idade das trevas para ancorar as letras sobre a maldade inerente do ser humano. Continuamos unindo histórias ficcionais e realidade, mas não mais presos unicamente á idade média. Eu leio muitas coisas do gênero e sempre consigo encontrar um paralelo entre ficção e realidade.

A banda foi formada em 2002 estou certo? Como surgiu a vontade de formar o Ynys Wydryn?

Dan Loureiro – A YnysWydryn foi formada em 2002 e a formação só estabilizou em 2003. Ficamos mais ou menos com a mesma formação por quase 7 anos, quando paramos no final de 2009.
A ideia de formar a YW veio da vontade de fazer um som que unisse brutalidade e melodia, utilizando elementos clássicos e metal extremo ao mesmo tempo. Algo em que eu pudesse combinar e colocar para fora as coisas que ouço, leio e sinto.

Malevolent Creation (Full-length 2018)

Em 2018 foi lançado que minha opinião pessoal foi um dos melhores álbuns do ano. Como foi a repercussão deste trabalho?

Dan Loureiro – Opa valeu pelo comentário e por todo apoio que sempre deu a YW Luís. Sua imparcialidade e apoio à YW e diversas bandas do underground é um exemplo.
Com relação à repercussão, eu posso te falar, sem vergonha ou máscara alguma, que foi absurdamente melhor do que imaginávamos. Este CD seria gravado em casa, apenas para eu registrar as músicas da banda e lançar, sem pretensão da banda voltar à ativa. No meio do processo o fechamos uma parceria para produção e gravação no Studio Revolusom (sem o qual jamais conseguiríamos a qualidade que apresentamos), um contrato de lançamento no continente pela Eterna Hatred Records, acabamos voltando a ser uma banda, todas as resenhas e mídias que abriram as portas para nós fizeram resenhas maravilhosas e nos deram altas notas em suas avaliações, ou seja, só tivemos feedbacks positivos e construtivos até hoje. Para mim, a repercussão foi maravilhosa, muito além do esperado.

Quais são os conceitos líricos por trás de Malevolent Creation?

Dan Loureiro – Não só o Malevolent Creation, como quase tudo que escrevi na YW são referentes á inerente maldade do ser humano. No inicio da banda eu usava muitas coisas da idade média, pelo fato de ser uma época brutal, sem tantos filtros legais e sociais como hoje em dia. No MC eu simplesmente escrevi sobre o terror e a maldade da humanidade. Utilizei muitas coisas para exemplificar, de histórias em quadrinho e personagens Tolkenianos até arquivos policiais de crimes (como o da serial killer mais jovem da história) e histórias de pessoas próximas.

Ynys Wydryn, Foto por: Divulgação

Essa é uma pergunta que sempre tive vontade de fazer para você. Podemos esperar um novo trabalho em breve?

Dan Loureiro – Esta é uma pergunta que estão me fazendo bastante ultimamente, kkkkkkkkk. Bem, em primeira mão, oficialmente teremos um lançamento no segundo semestre. Uma versão de uma música do Sepultura da fase Max para a coletânea Third World Domain II que será lançada pela nossa gravadora. Além disso estamos compondo músicas novas, e eu estou ficando muito contente com o caminho que elas estão tomando. Outra coisa que tem me deixado feliz pra caralho é que os caras estão trazendo suas experiências para o som da banda e músicas deles que se encaixam em nosso estilo, colocando a cara deles na banda. Ah, fechamos uma parceria de produção das músicas, com o mestre Marcos Franco do Studio Revolusom, então, podem esperar muito peso nessas novas músicas. Hehehehe. Se tudo der certo em 2022 temos um novo lançamento aí, cheio de surpresas.

Salvador é uma terra que impressionantemente é uma das cidades que mais proliferam bandas de todas as vertentes do metal, como está hoje a cena soteropolitana? E como você enxerga o underground nacional como um todo?

Dan Loureiro – Bem, como a cena aqui não é muito grande quase todos se conhecem ou são amigos mesmo. Hoje temos poucos lugares para fazer um show com qualidade em salvador, pouco apoio, e acho que pouca organização da nossa parte também para buscar este apoio, mesmo sabendo que as portas se abrem de forma mais difícil para o metal, mas só reclamar não adianta, a gente tem que se unir e arrombar as portas mesmo. Se profissionalizar não só musicalmente, mas administrativamente mesmo. Mas aos trancos e barrancos, com suor e sangue de muitos, a cena vai seguindo e novas bandas continuam surgindo e as antigas bandas seguem espalhando o terror soteropolitano pelo mundo.
Eu acho o underground nacional foda. Sou um consumidor de bandas, não interessa de onde ou de qual estilo. Ouvi e gostei, tô colado com a banda. Apesar dos pesares acho que ainda falta as bandas se apoiarem um pouco mais. Veja bem, rola muita união entre as bandas, mas acho que ainda podemos ser menos egocêntricos e preconceituosos entre nós, headbangers. O mundo já tem todo o tipo de preconceito ridículo contra nosso povo, não precisamos ajudar eles.

Voltando a falar da banda, posso te falar com veemência que a sonoridade é muito diferenciada do que costumamos ouvir por aqui, como surgiu essa inspiração? houve alguma influencia em particular nas composições?

Dan Loureiro – Eu fico muito contente quando ouço que a banda tem uma sonoridade diferenciada. Uma coisa que eu busco muito é ter sempre a cara da banda, e conseguir essa identidade logo de cara é muito difícil, mas é algo que busco sempre. Eu sou muito influenciado por trilhas sonoras de filme, música clássica e bandas de metal. O lance “sinfônico” da Ynys começou por influência do Haggard. Esta banda foi o “start” dos elementos orquestrais na banda. Depois as influências foram se juntando, bandas como Cradle of Filth, SepticFlesh, Dimmu Borgir, Fleshgod Apocalipse, Death, Malefactor e Carnified. Só para citar algumas mais conhecidas, mas tem muito mais bandas aí nesse bolo que eu ouço muito. No final das contas elas todas me inspiraram. Acho que se fosse pegar uma influência em particular seria o Haggard para inserção das orquestras e Dani Filth como influência para os diferentes guturais e métricas vocais, mas veja bem, eu ouço muita coisa e todas estas coisas acabam se juntando em nossas músicas.

Dan Loureiro, Foto por: Divulgação

Como estão hoje as atividades da banda? A praga que assola atualmente o planeta impactou a banda de alguma forma?

Dan Loureiro – A Ynys Wydryn segue compondo músicas novas, preparando alguns materiais em diferentes formatos para lançar e tentando espalhar nosso som por aí, seja por rádios e Cds, seja pelas redes sociais. Infelizmente (ou felizmente), todos nós temos uma rotina de trabalho/família muito intensa na banda e isso nos deixa com poucas horas para nos dedicar a compor e produzir mais material para a banda.
A pandemia afeta todo mundo né? Dificuldade para ensaiar, juntar todo mundo para fazer coisas da banda, eventos, etc. Mas uma coisa que tem ajudado é o fato de sabermos utilizar a tecnologia ao nosso favor. Hoje estamos fazendo as novas composições online, “juntos, porém distantes”. Não é como desejávamos, mas é seguro e não ficamos sem produzir. As vezes fazemos encontros, mas nunca com todos, por razões pandêmicas óbvias. Hehehehe. Assim que pudermos, nos juntamos todo mundo para lapidar as coisas e iniciar as gravações.

Meu amigo Dan Loureiro, muito obrigado por ceder seu tempo a esta entrevista, fico extremamente grato pelo carinho e atenção ao nosso trabalho. As considerações finais são suas…

Dan Loureiro – Eu só tenho a agradecer por todo espaço e apoio que você Luís e a Lucifer Rising tem dado à Ynys Wydryn. É realmente uma honra ver minha banda em uma entrevista para uma revista tão importante para o metal nacional, que eu sempre lí e que eu sempre achei foda. Quero agradecer também a todos em volta da Ynys Wydryn: Eternal Hatred Records (MS Metal Agency), Studio Revolusom, Aline Loureiro Fotografia, Ney Tattoo, Bonne Santanna, às bandas amigas (são muitas e vocês sabem quem são), aos meus irmãos de banda por aceitarem os muitos desafios (Álvaro Moinhos, Daniel Ianinni e Márcio Jordanne), e a todas as mídias que abriram as portas para nós. Toda esta estrutura está envolvida no que é a Ynys hoje, e eu sou muito grato a todos por fazerem isso acontecer. Um grande abraço a todos e se puderem nos sigam nas redes e nos ouçam seja nas plataformas de streaming, rádios ou CD.

Mostrar mais

Luis Lozano

Programador e designer gráfico para a web, com diversos trabalhos realizados com foco na informação e fortalecimento do underground.
Botão Voltar ao topo
Fechar
Fechar