Coberturas

YPERBOREA – Fechando ciclos

Nesse último sábado (30 – 03) se realizou em Franca, interior de São Paulo a segunda parte do evento Yperborea iniciado no dia 9 com o cast da “HAMMER OF DAMNATION” um selo que tem dado maciço apoio ao necro underground brasileiro e crescido exponencialmente nos últimos anos muito provavelmente por conta de sua política “Acta non Verba”, ações e não palavras que deveria ser copiada por todo o metal extremo nacional , tanto selos , quanto bandas e headbangers que muitas vezes preferem ficar escondidos na segurança e conforto das redes sociais criando intrigas, difamando ao invés de botarem a mão na massa, a cara a tapa e criar, produzir.

O evento se realizou no Point 31 da Irmandade dos Caveiras de Aço e quando digo irmandade aqui o termo deve ser levado à sério, pois é uma verdadeira família que você encontra por lá. Ambiente super agradável e recepção primorosa. Foi fantástico reencontrar tantos amigos e amigas, alguns que chegaram inesperadamente, outros que eu não via há mais de duas décadas (e que ficaram a noite toda tentando me embriagar rsrs).

ÓPUS BÉLICO – foto divulgação

A banda de abertura foi o OPUS BÉLICO de Franca que executa um War Death Metal bem distinto do tradicional. Diferente da maioria das bandas do estilo que priorizam a velocidade eles apostam em uma proposta diferente, criando várias paisagens sonoras em passagens que variam do mais brutal blast beat ào midi tempo e alguns fraseados mais melódicos. A banda apresentou um repertório focado em seu primeiro lançamento oficial, um split álbum com a banda RAVENDARK’S MONARCHAL CANTICLE chamado “Belicosidade Cruenta e Paradoxal” e após uma breve intro despejou seu veneno nos ouvidos dos bastardos presentes. Composiçoes como “Opening the gates of Ares”, “Nothing will scape of my wrath” e “Infernal Fury”  ao vivo soaram com um peso e agressividade ainda maior que a gravação de estudio. A equalização do som estava perfeita a meu gosto sendo possível de se ouvir cada instrumento e as nuances dos vocais de B. Destroyer

Destaque para a a faixa “It’s in our blood” e a linha de baixo de seu inicio. Álias achei muito foda ver o baixista William no palco destruindo tudo com o restante da banda enquanto sua pequena filha o observava . Ao final a banda anunciou”The eternal glory of War”  cover da banda australiana DESTROYER 666 e terminaramo set curto mas eficiente com a adrenalina da galera em alta.

Ravendark’s Monarchal Canticle e Avernoth. foto por Marcos Junior

Em seguida subiu ao palco os combatentes do RAVENDARK’S MONARCHAL CANTICLE, a máquina de guerra Paulista e esses dois soldados sozinhos conseguem ao vivo o efeito de um batalhão. Após a intro “Introdução à batalha” eles descarregaram um pente com mais de uma dezena de hinos de guerra. Vale lembrar que os caras são totalmente proativos na cena e seu catalogo conta com mais de duas dezenas de lançamentos entre demos, álbuns e vários splits. Como mencionei anteriormente álguns falam enquanto outros fazem. Entre as várias canções de guerra entoadas na noite eu destacaria “A bandeira” (minha composição favorita do RMC), “Antihumanismo Pátrio” com o mestre Allan fazendo uma participação mais que especial nos vocais,”Extremidade Biocida” do novo trabalho, “Infantaria Bélica” com  Avernoth do CURSED CHRIST nos vocais e “Holocausto Manicomial”. A apresentação se encerrou com o cover do SADOMASO CONTROL “Zona Relâmpago” com a participação do próprio Superion Wolf nos vocais. Set fantástico e brutalidade explicita na performance da banda.

Cursed Christ com Caio Bildner nos vocais. foto Fábio Alves

Continuando vimos subir ao palco a horda Black Metal CURSED CHRIST e sem meias palavras já chutou a porta abrindo a apresentação com “Via Negativa” do álbum homônimo de 2010 seguida de uma nova composição “Winds of the past” que estará presente no próximo trabalho da banda . “Wolf among the sheeps” deu continuidade mostrando porque continua sendo meu som preferido dos caras seguida de “Satanic Majesty” e mais uma nova “Gates of Destiny”. Em seguida convidaram ao palco o baterista do RMC ao palco para fazer os vocais em uma insana versão em português de “Sadomatic Rites” do BEHERIT que se tornou “Ritos Sadomasoquistas”. O próprio RMC gravou esse cover em um split com o UNHOLY MASSACRE em 2017 e já tem essa tradição de gravar versões em português de outras bandas que particularmente acho brilhante. Ao vivo soou fenomenal. “Hail Satan” e ” Malignant Soul” foram tocadas em seguida e mais uma nova “Spill the blood on the pentagram”  que me agradou demais. Enquanto as outras duas novas composições apresentadas anteriormente tinham uma levada mais cadenciada essa se mostrou muito porrada e repleta de detalhes harmônicos na guitarra, além de alguns vocais dobrados que se mostraram muito fodásticos. Sei que a banda está trabalhando em material novo e aconselharia a experimentarem mais esse recurso vocal porque funcionou muito bem nesse som. Terminaram a apresentação chamando Warlord do EVIL ao palco e apresentando “The Wolf Order” do próprio EVIL. Confesso que não fui à primeira parte do evento no dia 9 em que essa participação e o cover também foram executados e à época me questionei se o CURSED CHRIST tirar um cover de uma banda que também tocaria no evento seria realmente necessário, porém vendo o clima intimista entre as bandas participantes, uma verdadeira reunião de amigos e como a versão executada soou forte ao vivo tenho que admitir que foi uma escolha muito acertada.

Evil. foto Fábio Alves

Após um brevíssimo intervalo era a vez de subir ao palco os tiranos do EVIL . A horda fez sua estréia nos palcos em uma apresentação surpresa na mesma cidade de Franca no ano de 2012 e esse retorno se mostrou muito aguardado e bem vindo. Pessoalmente achei que mostraram muito mais domínio de palco e desenvoltura dessa vez e a experiência adquirida em palcos mundo à fora com certeza foi importante para isso. Clássicos como “The call from the endless grave”, “A southern war from the winter’s march”, “Holocaust Black Metal” , “When the Pillars of heaven will Falls”, “The era of Darkness Prevails” e “Uralter Hass” foram executadas com perfeição e com os presentes em extâse. Foi quando anunciaram “Into The Cosmic Cataclysm” que, para mim é uma das melhores composições da banda e sintetiza toda a proposta sonora dos mesmos, não tem como não se arrepiar ouvindo esse som…. Continuando chamaram ao palco Guilherme da horda francana FARDA pra fazer vocais em “We bring your Death” em uma performance ensandecida e com sangue nos olhos. Por fim “When The Earth will Tremble again” e “The Black Arts Of Goat” fecharam de forma magistral a noite.

Essa foi a última apresentação do EVIL em terras brasileiras antes de embarcar para o StellFest Open Air na Finlândia em maio onde representará o Brasil entre nomes como MARDUK, MYSTICUM, NARGAROTH, BELPHEGOR entre muitos outros e sinto informar à todos aqueles que anseiam em ver a banda nos palcos que foi também a última apresentação da banda nos palcos brasileiros. Warlord afirmou que a banda cumprirá com alguns compromissos firmados no exterior e que se concentrará posteriormente apenas em gravar, aposentando a banda dos palcos.

Ao final da apresentação do EVIL ainda fomos brindados com uma mais que agradável e bem vinda apresentação surpresa de outra banda, mas essa eu me reservo no direito de deixar apenas àqueles maníacos que prestigiaram o evento saber qual foi, afinal em última linha eventos são feitos pra se estar presente e não apenas ler a respeito.

Deixo aqui meus parabéns às bandas OPUS BÉLICO, RAVENDARK’S MONARCHAL CANTICLE, CURSED CHRIST e EVIL pelas performances monumentais, ao Point 31 lar em Franca dos Caveiras de Aço MC por receber esse evento e à todos os envolvidos na organização.

 

Galeria de fotos

(Créditos às fotos Marcos Junior, Fábio Alves e Lilith de Samael)

      

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Juliano Bonacini

Tecladista e letrista da LoneHunter (Death Metal), historiador e editor do Crypt of Eternity - fanzine da década de 90.

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