Entrevistas

ZORNHEYM – Genialidade explícita.

Bem vindos aos portais da loucura

A quantidade absurda de bandas que surgem no dia a dia torna difícil muitas vezes acompanhar tudo e várias pérolas passam batidas sem receber a devida atenção. Em uma conversa com alguns amigos há um tempo atrás surgiu o nome do projeto DEVIAN que lançou dois ótimos álbuns e infelizmente acabou. À época de seu segundo álbum fiz uma entrevista com seu guitarrista, o talentoso Tomas Nilsson que algum tempo depois adentrou às fileiras do DARK FUNERAL atendendo agora pelo pseudônimo de Zornheym e permanecendo na banda de 2011 ao ano de 2014. Fiquei me perguntando o que Tomas “Zornheym” Nilsson estaria fazendo  atualmente e dei uma pesquisada o encontrando na ativa com o projeto ZORNHEYM atendendo agora pelo epíteto de Zorn e já tendo lançado um álbum chamado “Where Hatred Dwells and Darkness Reigns”. Quando ouvi esse trabalho minha cabeça explodiu, fiquei atônito me perguntando como era possível algo tão brilhante ter passado despercebido até aquele momento para mim. Imediatamente retomei o contato que tinha com Zorn e pedi pra ele me por à par de tudo que eu havia perdido. Muito simpático, ele não apenas me informou sobre tudo que estava fazendo como concordou em responder a algumas perguntas que publico agora aqui na LUCIFER RISING.

Conte-nos mais sobre a criação e conceitos por trás do álbum “Where hatred dwells and darkness reigns”. Aparentemente todo esse conceito não se limita apenas à música, mas há um vídeo para a faixa “The Opposed” e uma série de Graphic Novels que expandem e aprofundam ainda mais a história.  Está correto? Conte-nos mais…

Foto: Divulgação

Zorn – ZORNHEYM é uma banda conceitual. O álbum se passa em um sanatório chamado Zornheim e esse é o local “onde o ódio habita e as trevas reinam” (citando o nome do álbum ). Cada faixa conta a história de um dos internos confinados lá. A versão em CD também contém os prontuários dos pacientes. A graphic novel mergulha ainda mais fundo nas diferentes realidade desses internos. Nossas roupas de palco também são parte de todo esse conceito já que tocamos usando camisas de força. Nossos álbuns futuros continuarão a contar a história do sanatório e seus habitantes.

A história do interno ZH000A27 contada em “The opposed” me lembrou da história de Edward Mordake que realmente nasceu com a deformidade descrita na letra. Essa semelhança foi coincidência ou foi uma base real para as letras? 

Zorn – Todo o conceito por trás de ZORNHEYM é algo que veio crescendo dentro da minha cabeça desde meus vinte anos. Porém quando eu estava para começar a escrever as letras para a primeira faixa “The Opposed” eu encontrei na internet algumas coisas referentes à lenda urbana de Edward Mordrake e eu senti que seria perfeito usa-lo como inspiração para a história daquele interno, naquela música. Então sim, a história de Mordrake serviu como uma base e então eu criei minha própria versão para encaixa-lo no universo de ZORNHEYM.

As histórias contadas são fantástcas e fazem me pensar que, com a estrututra correta, uma grande performance ao vivo poderia ser criada, algo como uma versão extrema de tudo aquilo que KING DIAMOND e ALICE COOPER fazem há décadas. Já consideraram algo do tipo? Aliás como anda a banda em termos de shows?

Zorn – Nós temos tantas ideias matadoras que adoraríamos poder dar vida nos palcos! As idéias e a visão não são um problema pois todos na banda são muito criativos. O show perfeito para nós seria em uma sala de teatro com muita atmosfera apoiada por uma orquestra com muitos adereços de palco e com algum tipo de atuação acontecendo também. Atualmente estamos oferecendo um show muito bombástico, com paixão e dedicação usados como os principais ingredientes. Estamos construindo uma base sólida para a banda a partir da qual podemos expandir!  

Foto:Divulgação

A melhor coisa na música de vocês é toda essa combinação de elementos sinfônicos, Black, Death Metal com alguns riffs tipicamente Heavy Metal e tantas melodias clássicas. Fale-nos mais sobre isso e sobre as influências musicais dos membros da banda.

Zorn – Legal cara, maravilhoso que você tenha curtido nossa mistura! Nossa música é escrita sobre uma espinha dorsal que tem como principais influências DISSECTION, KING DIAMOND, BLIND GUARDIAN, DIMMU BORGIR, HELLOWEEN, EDGE OF SANITY & SEPTIC FLESH. Tudo isso é então apimentado com influências de compositores clássicos tais como, Bach, Beethoven, Vivaldi, e Shostakovich. Outras influências que também estão incrustradas em nossa música são compositores de trilhas sonoras de cinema como Hans Zimmer, Danny Elfman e Two steps from Hell. Eu ainda me influencio muito com diferentes séries de TV e coisas assim. Eu acredito que por bebermos de fontes tão diversas acabamos criando uma sonoridade bem particular.

A banda preferida de Bendler é o IRON MAIDEN, mas eu e ele temos muitas preferências musicais semelhantes. Scucca está mais envolvido com música Progressive como SYMPHONY X, NEVERMORE e,claro DEVIN TOWNSEND ele também consome muito Rock Clássico e música sinfônica. As bandas favoritas de Steve Pygmalion são METALLICA e RHAPSODY, mas ele também gosta de algumas bandas novas de Deathcore.

Falando um pouco sobre guitarras, quais seriam as principais diferenças entre o seu estilo de tocar e o de Scucca e como isso influência na sua música?

Foto: Divulgação

Zorn – Eu sou muito influenciado por Yngwie Malmsteen, Marty Friedman e Luca Turilli no que se refere à minha forma de pensar melodias e compor solos. Quando o assunto porém é a guitarra base eu realmente aprecio a forma que Jon Nödtveidt compunha os riffs. Se você for comparar Scucca e eu acredito que eu não seja tão abrangente quanto ele na forma de tocar; eu sempre foquei em construir minhas habilidades em torno do Metal me extendo um pouco à musica folk e ao clássico acústico. Scucca é mais flexível e pode tocar outros gêneros também como soul, funk e coisas assim. Eu também sou autodidata e me eduquei estudando outros guitarristas e tomando algumas poucas aulas de vários guitarristas enquanto Scucca estudou música na universidade.

Scucca – Eu comecei a tocar guitarra quando tinha seis anos por causa de meu pai e não entrei no mundo do Metal até completar quinze anos, então passei um longo período tocando Rock Clássico e Blues no violão antes de sequer pensar em ter uma guitarra !Eu acredito que isso me influenciou  focar bastante na parte rítmica e nos riffs em geral e pode ser também a razão de eu ter me afogado nessa escolha que foi o metal . Quanto às minhas principais influencias, o trabalho de  Rory Gallagher, Jeff Loomis, e Paul Gilbert foram grande fonte de inspiração em minha jornada pessoal pela guitarra, mas é difícil determinar com certeza quando há uma riqueza tão grande de talentos espalhados por aí.

Você já passou por bandas como o DEVIAN, DARK FUNERAL, AKTIV DÖDSHJÄLP entre outras.Além do ZORNHEYM você está envolvido em algum outro projeto nos dias de hoje? E o que aconteceu com o CHARONS NYMPHER?

Foto: Divulgação

Zorn – Aktiv Dödshjälp não está dormindo, eu ainda estou envolvido lá. Há várias músicas já escritas para o próximo álbum. Na verdade eu escrevi um álbum completo em 2011, mas nunca gravei. Eu espero poder, pelo menos gravar algumas dessas “novas”músicas esse ano, mas isso tem menos urgência e importância no momento . ZORHEYM  realmente está tomando a maior parte do meu tempo e eu prefiro focar minha total atenção e paixão na imersão em uma só banda , do que dividir o meu foco em vários projetos. CHARONS NYMFER meio que morreu. Era um projeto muito divertido e eu aprendi muito sobre produção enquanto construía aquele álbum, mas já que ele nunca decolou e nos sentíamos meio deslocados nós nos movemos em frente com outros projetos.

O que você tem ouvido ultimamente? Algo interessante  para nos indicar ?

Zorn – Ultimamente eu tenho ouvido muito MANOWAR. Eu também andei comprando os antigos álbuns do BLIND GUARDIAN que voltaram ao catalogo re-masterizados, então também tenho escutado muito isso também. Eu acabei de comprar o último álbum do TRIBULATION “D’ont Below” e o mais recente do THE PROJECT HATE “Death Ritual Covenant” e ambos são ótimos álbuns.!

Eu geralmente tento me manter imparcial e não expor minhas opiniões pessoais nas entrevistas que faço, mas tenho que admitir que o álbum de vocês é uma granada mental. Foi difícil pra você como músico e artista compor algo tão complexo tanto musical quanto liricamente ? Quais as maiores dificuldades e lições aprendidas? Você acha que conseguirá superar “Where hatred dwells and darkness reigns” em algum futuro lançamento?

Zorn – Obrigado cara, é uma honra imensa saber que você gostou tanto do nosso trabalho! Os processos de composição e escrita das letras foram os mais desafiadores que eu já encarei em toda a minha carreira e também os mais divertidos. Em se tratando de música eu antes nunca tinha escrito arranjos tão grandiosos e isso foi muito desafiador. Eu estudei muito por conta própria para descobrir como fazer tudo isso da forma correta, mas também recebi muitas dicas e ajuda de Petter Möller e Scucca. Com as letras a parte mais difícil foi condensar histórias tão maciças em um formato lírico mais compacto. Creio que resolvemos bem isso incluindo as notas médicas no encarte do CD e expandimos mais ainda com a adição da Graphic Novel (Que foi feita com o artista finlandês Anu Bring). Esse primeiro álbum deve ser visto como um episódio piloto de uma série de TV, onde vários personagens são apresentados. O final da Graphic Novel conecta todas as coisas e serve como uma ponte para o próximo álbum.

De fato eu estou sentado no estúdio enquanto respondo a essa entrevista. Nosso novo baterista Steve Pygmalion está martelando as partes dele para o novo álbum. Eu acho que nós superamos nosso primeiro lançamento, Esse segundo álbum tem um pouco a mais de tudo e a história está se desenvolvendo de uma maneira muito interessante. Estou muito empolgado em termina-lo. Para mim a pré-produção de “Where Hatred Dwells and Darkness Reigns” não soou nem de longe tão promissora quanto esse. Fiquem ligados para mais novidades em breve!

 Toda essa complexidade musical e lírica do ZORNHEYM seria um reflex de sua própria complexidade interior ou apenas uma expressão artística baseada em seus gostos musicais e conhecimento?

Zorn – Todos nós tivemos nossos altos e baixos enquanto preparávamos  esse álbum. Eu penso que eu devo ter tido um pouco mais de “baixos”. No fim, a construção desse álbum acabou me levantando novamente. Então, sim, algo dentro de todo esse material“sangrou” em sua criação seja intencionalmente ou não. Mas a ideia principal foi sempre a de contar uma história de terror baseada no mal do homem.

A história da paciente desconhecida e do experimento de privação de sono contada na faixa “Hestia” será melhor explorada em algum lançamento futuro? Nós a veremos novamente?

Zorn – Sim, o Segundo álbum é sobre esse experimento com o sono que ela está participando na história. A arte da capa do primeiro álbum na verdade retrata a jornada da paciente desconhecida ao segundo álbum e a outro que fecha “Where Hatred Dwells and Darkness Reigns” é a intro de seu sucessor. Então os álbuns se encaixarão bem juntos. 

Foto: Divulgação

Muito obrigado pela entrevista Zorn. É bom ver você envolvido em um projeto tão fantástico após todos esses anos. Há algo mais que você gostaria de acrescentar ?

Zorn – Muito obrigado por seu interesse e paciência, eu também gostaria de agradecer aos leitores que chegaram até a última pergunta e conferiram toda a entrevista e peço que se vocês ainda não tenham nos ouvido que tirem alguns minutos do seu dia para conferir nossa música, acredito que tenhamos algo interessante e original para oferecer a vocês. Deixarei alguns links onde vocês possam nos encontrar e interagir com a gente.

 

 Zornheym:

https://www.facebook.com/zornheym/

www.zornheym.com

https://zornheym.bandcamp.com/releases

twitter.com/zornheym

instagram.com/zornheym_official

www.youtube.com/channel/UC4eqbIWlJlGq95TC3t5HRYQ

 

*Uma resenha do álbum “Where Hatred Dwells and Darkness Reigns” feita aqui na LUCIFER RISING pode ser encontrada no link a seguir:

https://luciferrising.com.br/zornheym-where-hatred-dwells-and-darkness-reigns/

Mostrar mais

Juliano Bonacini

Tecladista e letrista da LoneHunter (Death Metal), historiador e editor do Crypt of Eternity - fanzine da década de 90.

Veja também...

Botão Voltar ao topo
Fechar
Fechar