Resenhas - LPs/Cds/K7s

ZORNHEYM – Where Hatred Dwells and Darkness Reigns

Non Servian Records - Importado

 

Ok esse álbum não é um lançamento tão recente, pois  saiu em setembro de 2017, mas me incomodou muito o fato de uma obra tão genial ter passado  meio que desapercebida.

Zorn, também conhecido como Tomas Nilsson,  o mentor por trás desse projeto já é uma figura conhecida da cena tendo feito parte de bandas como Devian e Dark Funeral.

Em 2014 ele saiu do Dark Funeral  e montou o Zornheym  entre outros motivos para “buscar novos desafios musicais “ segundo suas próprias palavras  e tendo em vista esse primeiro álbum ele com certeza os encontrou e superou com louvor. O instrumental é brilhante e grosso modo poderia ser descrito como uma mistura insana de Dissection com King Diamond, aliado a arranjos orquestrais grandiosos e corais doentios, feitos por  uma orquestra de cordas e coral verdadeiros.  A produção à cargo de Sverker Widgren deixou o som claro e definido sem soar polido em excesso.  Os duetos de guitarra de Zorn e Scucca (Encrowned, Of one Blood) exploram  os limites do instrumento com fraseados clássicos e solos  que beiram à virtuose e a bateria de Angst (Diabolical, Craft, Sodomisery, etc) se mostra monstruosa, tanto nas partes mais cadenciadas quanto nas partes rápidas,  com uma técnica de pedal duplo cirúrgica.

O álbum todo parece emanar um clima cinematográfico e isso se deve não somente aos arranjos sinfônicos, mas também à temática abordada e aos versáteis vocais de Bendler (Facebreaker, Engulfing Rage, Bendler) que aqui assumem um papel interpretativo  devido ao conteúdo lírico. As letras aliás se mostram um show à parte fugindo de todos os clichês do gênero e sendo muito filosóficas e ambíguas. O álbum é conceitual e nos conta oque se passa no sanatório mental Zornheym onde somos apresentados a um paciente  por música . A bela arte da capa feita por Pedro Sena Lordigan deixa claro oque está por vir…

A faixa de abertura “The opposed” nos conta a história de um interno  que nasceu com um gêmeo parasita que influência seus pensamentos.  Auto engano do paciente pra justificar suas tendências psicopatas ou algo além ? Todo o álbum possui essa reflexão e ambiguidade nas letras e o cuidado musical é tão grande que ainda citando essa faixa de abertura o protagonista é violoncelista e usa a música como fuga e a parte instrumental da composição tem um violoncelo como espinha dorsal…. genial. Prosseguindo após a vinheta “Subjugation of the cellist” feita sobre um dedilhado somos  apresentados a um serial killer com complexo de Deus em “A silent God” essa faixa é mais calcada em um black metal mais tradicional mas sem deixar de lado os elementos sinfônicos como bem mostra seu interlúdio. Continuando com “Prologue to a Hypnosis” uma curta faixa atmosférica que dá a introdução perfeita para “Trifecta of horrors” que aborda um paciente com distúrbio de personalidades múltiplas e conta com a participação de Jonas Magnusson  como vocal convidado interpretando o personagem “The monster”, a faixa cria uma variação de vocais limpos, guturais e rasgados que não soa forçada em momento algum. Outra pequena vinheta atmosférica  “…and the darkness came swiftly” e chegamos à melhor faixa em minha opinião “Whom the night brings…” sobre uma jovem atormentada por uma horda de incubus; essa faixa é épica, carregada com toda aquela interpretação característica de um King Diamond, ouça acompanhando as letras e estará condenado a passar o resto da semana cantando… a próxima “Decessit Vita Patris” sobre um pai alcoólatra que perde seu filho e guiado pela voz do mesmo tenta traze-lo de volta a vida reconstruindo seu corpo com partes de cadáveres “emprestados” da funerária da família. Desafio a ouvir essa sem se arrepiar. Por fim Héstia a ultima que nos apresenta a paciente sem nome e sem voz encontrada nas ruinas de um incêndio e que carrega um grande mistério…

A banda se encontra atualmente gravando o segundo álbum que promete ser ainda mais ambicioso e em breve traremos uma entrevista com Zorn,a mente criativa por trás desse soberbo projeto.

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Juliano Bonacini

Tecladista e letrista da LoneHunter (Death Metal), historiador e editor do Crypt of Eternity - fanzine da década de 90.

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